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Em busca da felicidade

Querias um palacete bebé, atão é que é já a seguir!

 

Minha querida Madonna, então queres vir para Portugal, mas não é ali para uma casinha com kitchenette e casa de banho com pia e poliban. Ora pois que quererdes vir dormir sob o nosso céu estrelado sem pagar um tostão. Esperta a menina. 

Eu cá acho que tens alguma razão, até porque todos sabemos que não tens onde cair morta, pelo que, tendo em conta tudo o que fizeste pela música Portuguesa devemos dar-te abrigo.

Aliás, tudo o que fizeste pela musica portuguesa e por Portugal, todos te devemos muito, tipo, ahhh, tipo, deixa-me cá ver, estou a fazer força, esmero-me, esforço-me, não me sai nada. Ora bolas, ao que parece não fizeste nada por nós! Ainda assim, parece-te boa ideia querer vir mamar estadia para este retângulo à beira mar plantado sem pagar um tusto. Tá certo!

Ficas zangadinha porque é difícil encontrar casa, dizes tu! Pois, ao preço que procuras e com a qualidade que queres nem no cú de Judas, meu amor!

Lá nos Estates dão-te abrigo de borla em mansões de 7 quartos?

Duvido. 

Mas, deixa-me falar-te um pouco desta terra tão burocrática que não te arranja teto.

Aqui, o salário mínimo não chega a 600 €, ou seja, menos de 700 Dólares (mais coisa menos coisa), o que quer dizer, na tua língua, que não dá para pagar os teus sapatos. As pessoas vivem com esse rendimento. Essas pessoas fazem mais por este país que tu. Contribuem para a economia. E muitas delas vivem num T2 mais pequeno que a tua casa de banho, que fica onde Judas perdeu as botas e ainda assim contam tostões para não faltar nada e ter luxos como a eletricidade, o gás ou a TV Cabo.

Tu pões fotos no Instagram a ralhar que isto é difícil, texto acompanhado de uma foto que quer deixar uma mensagem qualquer, tipo os teus videoclipes alternativos da época em que andavas na onda do cabedal e dos chicotes.

Olha eu não percebi nada...não fosse a legenda ficava na mesma!

Aqui, o país arde por todo o lado no verão, há corrupção em por toda a parte, ele é banqueiros, ele é ex-primeiros ministros, ele é ex-gestores de grande empresas, e ninguém percebe bem o que acontece ao dinheiro que se desconta e muito menos ao que se angaria para quem perdeu tudo no terror dos incêndios. Aqui compram-se submarinos avariados e pede-se apoio ao país vizinho para mandar aviões para apagar o fogo que nos consome o norte do país.

Aqui há quem não tenha trabalho. Por exemplo, uma pessoa com mais de 40  anos vê-se à rasca para ser aceite por qualquer empresa, então se não tiver canudo, está aquilo a que chamarias de fucked, o que na nossa terra é fodido.

Aqui nesta terra não há propriamente uma classe média. Há gente que tem ainda mais dinheiro que tu, há uns que andam ali pelo meio mas são tão poucos que nem constituem uma classe, e depois há os remediados, que é malta com profissões muito mais importantes que a tua (médicos, enfermeiros, essas coisas inúteis) e que trabalham que nem cães para pagar um T2 usado em São Domingos de Benfica. Isto aproxima-se do fim de classes com os pobres como eu que compram sapatos na Guimarães que são «inspirados» nos sapatos a que o ordenado não chega. Mas há gente que está pior, há a malta dos 600 € por mês e esses coitados, nem são pobres, contam trocos toda a vida. Bem sei que já lá estive.

Mas tu, porque querias ser tocada como uma virgem há mais de 33 anos, achas que nesta terra te devem deixar ficar numa casa com 7 quartos, para cima de uma porrada de casas de banho e terreno que chega para levantar alguns 20 prédios. Achas que deves ficar num palacete onde chegou a viver um Rei de Portugal sem pagar. Assim, de borla, fazias umas obras se te apetecesse e depois se assim entendesses cavavas e tinhas estado montada numa boa casa sem pagar.

Quer dizer, o Tuga queixa-se que não consegue comprar casa ou arrendar no centro de Lisboa porque agora é tudo alugueres de curta duração e tu, vens lá com os teus 25 filhos e achas que para ti é como se isto fosse a Republica das Bananas.

Isto vai mal, mais ainda não é o Rei Juliano que manda nisto!

Tem lá juizinho na cabeça e puxa da carteira que deve ter custado mais do que um tuga remediado ganha num ano. Puxa da nota e paga para cá viveres. Se não te apetecer, a troco de zero euros, nem aqui, nos confins do caraças te ofereço estadia, que isto a mim interessa-me é que um camone me compre a cubata por uma porrada de dinheiro e não dar guarida a uma camona que acha que vive à conta.

Gosto muito de ti e da tua musica, minha linda, mas quando tratam a minha terra como se fosse a casinha da Joana o pêlo da minha fuça tende a ficar um tudo nada eriçado!

Mas olha, não me leves a mal, sou só eu a fazer aquilo que aconselhas na tua musica: "Express yourself".

 

 

 

Aos que me acompanham a escrita e têm comentado sem resposta minha

Obrigada pela vossa visita e leitura.

Obrigada pelo comentário positivo que deixam. Leio sempre.

Mas nestes dias os braços têm estado ocupados a dar colo. Muito colo e estão mais doridos que os braços de um halterofilista.

Quando as coisas acalmarem prometo voltar a dar resposta a quem comenta. Mas agora tem sido difícil acompanhar.

 

Trash TV

O tempo é precioso e é importante ocupa-lo com coisas que importam. Mas também é certo que há momentos na vida em que a cabeça está tão cansada e tão enterrada da areia que a única coisa que apetece é ver programas de televisão com reduzido intelecto. Nada muito desafiante. Até dá para sentir os neurónios a sentar-se no sofá, a recostar-se e a olhar vegetativamente para aquilo.

 

Neste momento a minha hierarquia é esta:

 

Mob wives

 

Todas elas têm familiares presos: tios, primos, pais, maridos, irmãos. Tudo. As tipas passam-se da marmita e andam à bulha a torto e a direito. Uma maravilha.

A minha preferida é a loira, a tipa é franzina mas é bem capaz de dar cabo da canastra das outras.

 

Keeping Up with the Kardashians

Já tem 10 anos. Começou por ser uma família de não-sei-quantas-pessoas a conviver umas com as outras e hoje, para além do programa original ainda há: Revenge Body with Kloe Kardashian. Todas se pintam de forma parecida, assim com o batom a passar por cima do lápio para parecer que têm umas valentes beiças. Todas têm uma cintura de vespa e um cu que parece um globo. Têm dinheiro a dar c'um pau e têm construido um imperio parcialmente graças a pessoas como eu, que gostam de ver aquilo quando estão cansadas.

Gostava também era de me saber pintar de jeito como as tipas, mas nem pensar em conseguir pintar um quadro daqueles. 

Incomoda-me a quantidade de sapatos que aquele mulherio tem. Impertiga-me porque eu nem um centésimo de sapataria tenho. Se o nazi financeiro do meu marido acha que eu tenho muitos sapatos é porque ainda não viu nada.

 

Repo games

 

Passa na Sic Radical e basicamente é uma equipa de recuperação externa de viaturas que procura recuperar o bem que não é pago ao banco. Tudo acontece em espaços para lá de pobres. Malta, por regra, bastante alternativa, aparentemente perigosa e que não se deve ensaiar muito em espetar com um balasio no lombo de um. Quando vão recuperar o bem dão à pessoa a oportunidade de ficar com o carro de acertar 3 de 5 perguntas. Aparece com cada mafarrico que nem se imagina.

 

WAGS

 

Passa no canal E, e basicamente é sobre tipas que pretendem casar com atletas (do futebol, do basquetebol, do basebol, etc) para serem sustentadas. É malta que não quer fazer um «piiii» e viver à conta de um gajo.

Uma primor.

 

Botched

 

Passa no canal E e mostra histórias de pessoas que fizeram operações plásticas com talhantes e ficaram em muito mau estado. MEDO!

 

Sobre estes dias lentos, doridos, rezingões, sem gelados e tudo mais

 

 

Acorda em choro.

Colo.

Dou.

«Mãe, sala»

E vamos para a sala.

Adormece de novo.

Vejo programas sem intelecto.

Mesmo o que preciso.

Acordo-o.

Zanga-se.

Vê os bonecos.

Abençoada Patrulha Pata.

«Queres comer um iogurte?»

«Queres comer um igolito?»

«Queres comer um gelado?»

«Queres beber um leitinho?»

«Queres beber um batido?»

A resposta igual para todas: não.

Cansa-se da pergunta e aceita um «queijinho triângulo».

Come metade.

Chora que doí.

Come um iogurte.

Preparo medicamentos.

Toma contrariado.

Digo alguma coisa que não gosta.

Corre para o quarto.

«Não gosto da mãe!»

«Mas a mãe gosta de ti!»

«Não gosta não!»

«Anda cá dar-me um abraço.»

Não quer.

O abraço.

Nem que me vá embora...ainda que o diga.

Começo a arrumar a roupa que está ao pé dele.

Decide ajudar. 

Ajuda.

À sua madeira.

Mais uma brincadeira.

Mais uns bonecos na TV.

Mais um queijo.

Mais uma birra.

Sono.

Vai dormir.

Acorda mais bem disposto.

Quer atenção a 100 %.

Paro para responder a um e-mail do trabalho.

«Anda mãe!»

«Já vou.»

«Anda mãe!»

«Já vou.»

Espalha 15 livros no chão e mais de 30 separadores.

Nada lhe digo.

Sei que está frustrado.

Pisa os livros e apertasse-me o coração.

Nada digo.

Ameaça trepar a estante.

«Sai daí, podes magoar-te.»

Pousa um braço em cima do outro.

Faz beicinho.

Caminha para o quarto, sempre a olhar para trás.

Quer garantir que o sigo.

Se o sigo: chora.

Porque sou má.

Porque não gosta de mim.

Porque está zangado.

Porque não o deixei trepar a estante.

Se não o sigo: chora.

Não fui ter com o menino.

E eu vou.

Sento-me no chão e converso.

Ouço-o dizer:

«Não gosto da mãe.»

«Zangado com a mãe.»

«Mãe vai emboa, pá rua!»

Nem quando andava na escola me mandaram alguma vez para a rua.

Deixei-o zangar-se por 10 minutos.

Precisa libertar a frustração.

Eu sentada a vê-lo zangar-se.

Dei-lhe um abraço.

Passou tudo.

A mãe já era o «amorzinho» outra vez.

Mais duas birras destas até ao final da noite.

Sempre agarrado a mim.

Até quando vou à casa de banho.

É verdade!

Uma pessoa habitua-se!

Jantei com ele ao meu colo.

De garganta apertada porque tinha de lhe negar o que tinha no meu prato.

Sentamo-nos no sofá. Ele cansado com sono.

Adormeceu.

Levei-o para a cama.

Vesti-lhe o pijama.

Acordou e quis voltar para a sala.

Bebeu mais leite que nos últimos 3 dias.

Tomou os medicamentos quase sem reclamar.

Viu o resto do Ruca e pediu para ir para a cama ler uma história.

Assim fizemos.

Deitamo-nos. 

Eu, ele e o pai.

Nesta ordem na cama.

Disse ao pai:

«Apaga as luzes!»

O pai apagou.

E ele esteve até à meia noite e meia a dar voltas e a espaços cantava:

A, B, C, D, E, F, G...(tal como o Ruca canta no episódio).

 

Neste blog há censura para comentários néscios

 

Temos pena. Temos mesmo muita peninha. Mas a vida é mesmo assim, não é sempre à vontade do freguês, porque isto não é a Republica das Bananas nem mesmo a da Joana (expressão que se usa sem que haja uma efetiva vontade de fazer referência ao espaço de habitação de alguma pessoa que possua este nome).

Pois que ainda há neste mundo quem acredite (benzadeus!) que os outros para cá andam com o propósito de os aturar, com o único destino de se arreliar com o estrume que proferem.

Novidades: não é assim meus senhores e minha senhoras!

Não, não mesmo.

Não sei como é que é lá na casa dos outros, mas na minha quem manda sou eu e só eu é que boto cartas e decido as modas a que se dança. 

Aqui neste espaço, que criei de livre e espontânea vontade, este espaço meu e só meu que me garante algum regozijo mas não me traz qualquer rendimento, neste mesmo tasco, os comentários estão mediados por algum motivo. Para quem não tenha percebido bem, eu explico: estão mediados para garantir que eu, total detentora deste espaço, tenho mão no que aqui se passa.

Durante algum tempo achei que, mesmo que o comentário fosse idiota, o havia de aprovar, respondendo ao ser pouco civilizado e nada respeitador da opinião alheia, o que devia ouvir.

Mas às vezes a vida dá voltas e deparamo-nos com comentários de merda, com origem em gente que se melindra com pouco, comentários esses que nos chegam num momento da vida incomensuravelmente mais importante que blogs e redes sociais e percebemos: vou eu agora gastar o meu tempo com um néscio/a que nem vale o clique!

Então aplicamos o que o botãozinho do balde do lixo permite: eliminamos aquele momento da nossa vida.

Puff. Fostes!

É como se nunca tivesse existido.

Fossem todos os problemas da vida assim.

Foi uma sensação de leveza que nem calculam.

Por isso aqui fica o esclarecimento: se o objetivo é ofender, melindrar, deixar ficar mal e coiso e tal e tal e coiso, a única coisa que o comentário vai ver é o balde de lixo.

Tenho cenas mais importantes a que dedicar o meu precioso tempo.

 

Ra's parta mais às pessoas que não têm sentido de humor e se melindram com tudo e com nada.

Pior, acham que os outros nasceram com a obrigação de gostar deles.

É que era mesmo a primeira bola a sair do saco!

 

(para quem costuma seguir eu explico o porquê do texto: na passada 6ª feira, dia de tremenda leveza, estava eu a dar acompanhamento ao meu filho, que havia sido operado horas antes e estava a receber comentários de bosta de gente estúpida. Vamos a ver e até calhou no momento certo, percebi nesse momento a medida de importancia que devo dar aos idiotas que ocasionalmente por aqui passam: nenhuma! Só interessam as pessoas que gostam e acompanham.)

Eu, a minha paranóia e o mundo que gira às vezes de forma estranha

Sôtor sempre teve uma respiração pesada. Bastante pesada. A coisa agravou-se há mais ou menos 10 meses. A respiração dele transformou-se em algo aterrador para nós. Mas como em tudo na vida, ganhámos alguma habituação ao barulho, aos roncos. Para mim só já fazia sentido dormir descansadamente com a melodia de roncs e rincs que vinha do quarto dele.

Agora respira de forma mais serena, está a mudar.

Então quando me apercebo que não há roncos no ar durante a sesta, corro para o quarto dele, ponho-lhe a mão no peito, percebo que está a respirar e nessa altura dou conta que entretanto o meu coração já está no dedo grande do pé.

 

A vida, os seus momentos e aquilo que somos para os outros

As pessoas não precisam de saber exatamente aquilo que estamos a sentir. Não que o que expressamos seja mentira. Não é. É a nossa verdade para ultrapassar o dia.

 

Sôtor foi operado

  

Na passada sexta-feira o meu lindo menino teve teve de ser operado.

A quem nos é mais próximo, já tínhamos falado que ele foi sujeito a um exame chato, para perceber se o sono dele estava a ter impactos no seu bem estar e se ele fazia apneias que justificassem ser submetido a uma intervenção cirúrgica.

Quando fizemos o exame foi-nos dado a entender que havia bastantes apneias, ainda que, mesmo antes, já tivéssemos consciência disso porque era demasiado evidente a olho nu.

Falámos com o médico e era urgente e fundamental que fosse operado aos adenoides e às amígdalas. (sei que existem nomes próprios para o procedimento, até os podia ir ver nos relatórios que nos foram entregues, mas não me apetece, francamente).

Já tínhamos data marcada há mais de um mês, mas, como em tudo o que se refere à nossa esfera mais intima: guardámos para nós. Foram informados os avós uma semana antes, foram informados os responsáveis no trabalho com a mesma antecedência (afinal de contas há que acautelar ausências) e foram informados os colegas mais próximos menos de 24 horas antes.

Não o fizemos por mal ou para esconder alguma coisa rocambolesca, mas é natural ao ser humano ter alguma coisa para dizer, contar que tem um amigo de um amigo, amenizar a ansiedade do outro ou ser parvo e contar a história do senhor lá da terra cujo filho perdeu uma vista quando o operavam às amígdalas. Nunca ninguém soube como aconteceu, nem se sabe o nome do senhor, mas chega para contar alguma coisa e deixar os pais ainda mais preocupados do que já estavam. Há sempre quem ande em cima dos estudos mais recentes e saiba que há alternativas à cirurgia, ou ainda quem descobriu na alimentação uma forma de redefinir os adenoides e mirrar as amígdalas. Há, para os que são bons da mona, a necessidade de tentar gerar alivio, mesmo que esse só possa chegar depois de ultrapassado o problema.

Ou seja, as pessoas não fazem por mal, mas falam do que nos apoquenta e isso lembra-nos diariamente que o dia tem de chegar. E nós precisávamos de convencer a cabeça a esquecer.

 

A cirurgia correu muito bem, dentro do normal. 

O pessoal médico, do bloco, do pós operatório e as enfermeiras, no geral, foram impecáveis. Especialmente a enfermeira que nos deu acompanhamento logo após a cirurgia, uma «miúda nova» tão doce, tão terna, tão disponível, tão tudo-de-bom, que eu nem tenho mais palavras para descrever. Daquela gente que merecia ganhar mais do que ganha, que merecia mais condições do que são dadas aos enfermeiros.

Houve apenas um contratempo com uma enfermeira «ovelha-negra-familiar-dos-velhos-do-Restelo», mas que se resolveu. Coisas que acontecem porque as pessoas estagnam a mente, não procuram evoluir, recusam-se a aprender com a malta mais nova, acham que sabem tudo e vêm do tempo em que sofrer faz parte do processo de cura.

 

De resto...

Nós (pais) trememos, andámos em ansiedade e preocupação, o coração apertadinho e a respiração suspensa durante aquele pequeno período de tempo. (para não falar nas semanas anteriores com exames e consultas)

Sim, já sei que «xiiii e tal mas isso é aquela coisa que p'aí um terço do planeta já fez e é a operação-de-comer-gelados», mas quando se é pai ou mãe da criança que vai fazer a operação-de-comer-gelados é «xiii muita mais complicado», porque para os pais, quando toca aos filhos, tudo o que é simples fica complexo.

É como querer comparar o tamanho de um grão de areia e um aglomerado de rochedos. Não tem nada a ver.

Quando nos doí alguma coisa nós sabemos o que é, queixamo-nos, tomamos um medicamento. Quando doí a um filho o sitio que nos apoquenta nós não sabemos bem explicar onde fica, e a sensação é tão intensa e tão forte que nos arrebata. Mesmo quando é tudo simples e cenas e tal e coiso.

 

Acompanhei Sôtor no momento da anestesia. Decisão que, aos meus olhos, justifica ter bolinhas de ferro para levar avante. Chorei bastante em vários momentos e ri noutros. Tudo por conta dos nervos. Mas voltaria a tomar esta decisão porque para ele é importante saber que a mãe está ao seu lado e para mim é fundamental que ele saiba disso.

Estivemos presentes quando estava no recobro que é um momento difícil de encaixar, porque as crianças gerem mal o acordar da anestesia. Interessa agora que já passou (como diria a moça do Frozen).

De resto, tudo se complica porque ele tem apenas 2 anos e meio. Já sabíamos disso. Com esta idade ele já percebe muita coisa, mas ainda não consegue compreender conceitos mais abstratos, pelo que não entende o que lhe está a acontecer, porque lhe doí, porque não pode comer umas gomas, etc. Podemos tentar explicar, mas o mais provável é não entender uma boa parte. (Nós explicamos na mesma...)

É o que refiro neste ultimo ponto que marca a diferença entre a simplicidade deste procedimento cirúrgico numa criança de 6 anos (como aconteceu comigo) para uma com 2 anos e meio (como é o caso de Sôtor).

Agora é fazer por ultrapassar esta primeira semana com a maior tranquilidade possível, sendo que já fomos informados que não é fácil, exatamente pela idade que ele tem.

De qualquer forma, não vale a pena enterrar a cabeça na areia como a avestruz (ou neste caso no desconforto em mãos), há que olhar para as coisas de forma prática e procurar-lhe o ângulo mais leve. Diz que pesa menos no peito. O que significa que fica na mesma guardado numa caixinha dentro do arquivo geral da nossa cabeça, e damos uso à informação que mais nos aprouver.

(parece simples, mas não é)

 

Por isso, vou tentando:

Dizer que Sôtor é um rapaz avantajado a vários títulos e que neste caso as amígdalas e os adenoides eram um contratempo com necessidade de correção.

Que descobri novos grupos musculares em todo o corpo, por conta de alombar com um ser de 12 kg mais de 8 horas por dia.

(o menino pede colinho da mãe e a mãe dá até ficar cheia de hérnias discais e bicos de papagaio, não há conversa sobre isso)

Dizer que a anestesista fez p'ali uma manobra de Kong Fu para o segurar e PAU! adormeceu num instante.

Ter presente que estamos a desenvolver mais uma forma de jejum intermitente, neste caso o «jejum intermitente de gelados» e que pelo facto de comermos maioritariamente líquidos provavelmente permitirá perder algum peso.

(ele não pode comer sólidos e custa-nos estar a comer à frente dele coisas que lhe estão proibidas)

Que, ao contrário do resto da população mundial, o que mais custa a Sôtor é o facto de ter de comer gelados. Sôtor meu rico filho é criança que gosta de um cozido, que gosta de um prato de chouriços e queijos, que gosta de uma boa falca de pão alentejano, que se regozija com sopa de entulho com massas e feijão. Nunca tinha comido um gelado antes na vida. Provou, mas nunca queria mais. Na sexta-feira, por conta da fome comeu, pela primeira vez na vida, um gelado inteiro. Ficando assim o mesmo como comida-do-sitio-mau.

Posso dizer que confirmámos que a mãe da criança é um animal e que quando mexem com a cria dela fica cega. Por conta disso quase enfiou um iogurte pela orbita de uma enfermeira. Mas não se apoquentem os mais preocupados com a alimentação saudável porque era sem lactose.

Assim, em jeito de conclusão estranha, por cá vou andando com os nervos à flor da pele, com menos de 5 horas dormidas na soma de 2 noites, com o desejo que tudo passe depressa e que ele fique num primor.

Por aqui vou passando, para aproveitar o efeito catártico que para mim tem escrever, tentando falar de todos os assuntos menos deste a ver se a cabeça não dá o tilt.

Desta feita, venham daí essas boas energias e desejos de tudo a correr bem. Coisas boas nunca foram demais.

 

Considerações sobre a vida no seu estado geral mas prático

Eu sou uma pessoa que detém apenas um emprego remunerado. Sou um ser que comporta exclusivamente esta fonte de rendimentos pois acumula outras funções que aceitou desempenhar em regime de pro bono, a saber: sou empregada doméstica de minha pocilga; sou palhaça de meu filho (abençoado menino de sua mãe); sou servente de meus cães (esses facínoras).

Não tenho no meu descritivo de funções várias, que me ocupa as 24 horas do dia, referência a «limpa pias».

 

Ora pois que dito isto, quando me desloco à casa de banho em pleno dia de laboro e dou comigo a ter de limpar os restos escatológicos do cu de outrem fico possuída, aporrinhada, apoquentada, assanhada e descabelada. Assaltam-se-me os nerves e apetece-se pespegar com uma pia na fuça de alguém, não fosse a dita tão pesada e tão pregada à parede com silicones e coisas várias que colam.

 

Pessoas de intestino regular, utilizai o piaçaba e guardai vossa merda para vós.

 

O utente seguinte agradece.

Amor depois do casamento #3

Nazi-Financeiro-Meu-Marido: Quanto é que gastaste na farmácia?

Donzela-eu-que-não-liga-a-dinheiro: 12 Euros.

Nazi-Financeiro-Meu-Marido: Diz no talão 12,94 €. Isso são 13 €.

Donzela-eu-que-não-liga-a-dinheiro: Para mim só contam os números à esquerda da virgula.

 

#tomaláquejáalmoçastes

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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