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Em busca da felicidade

O primeiro passo

 

Gostava de pode dizer que sou uma daquelas pessoas descontraídas, que passa pela vida sem grandes expectativas de nada, a quem as ansiedades das pequenas e das grandes coisas nada afecta. Daquelas pessoas que ficam felizes com o que lhe calha e resolvem o que aparece no momento em que têm de o fazer. Gostava de ser tudo isto mas não sou. Sou uma paranóica do controlo que tenta prever todos os detalhes do futuro. Claro está que uma imaginação fértil em nada ajuda nestas questões porque não só tento prever tudo e mais alguma coisa como idealizo ao mais ínfimo pormenor como cada pequena coisa que irá ou poderá acontecer.

Esta forma de estar que para tantas coisas apenas participa para a minha fluente ansiedade, alimentou durante meses a fio a minha mente inquieta com todos os pormenores do futuro de uma criança que ainda crescia no meu ventre. Idealizava o dia em que nascia, o dia em que chegava a casa, o dia que fazia um mês, o dia que sorria pela primeira vez, o dia do primeiro aniversário, a primeira palavra, o primeiro passo. Construía na minha mente a melhor forma de gerir um primeiro dia de escola, uma mudança de turma, a entrada para a faculdade, o primeiro dia de emprego, a casamento e o que farei à personagem que ele escolher para amar se algum dia se atrever a magoa-lo (em todos os meus momentos de imaginação cheguei à mesma conclusão, dou-lhe cabo da canastra, e bem!).

Os dias de cada dia foram chegando, diferentes dos meus sonhos acordados, melhores do que a minha imaginação previa, porque eram reais, porque acontecia, porque se materializavam, porque, ao contrário dos nossos sonhos são inalteráveis.

Hoje chegou mais um dia, o dia de dar o primeiro passo. Sonhei com este dia, imaginei muitas vezes nos sonhos acordados de como seria, numa tarde de primavera, um dia ameno, com um sol agradável, enquanto passeávamos os três num jardim cheio de flores, o pequeno decidia largar a mão do pai, depois a minha, e seguia, independente, em busca de qualquer coisa que lhe interessasse. Confiante.

Não houve tarde de primavera, não houve jardim, nem flores, houve um fim de dia cansado de uma semana de trabalho, numa quinta-feira que chora porque sexta chegue ao fim, num dia que já se tornou noite e a mãe se prepara para mais uma tarefa, passear os cães. O pequeno de coração apertado de saudades agarra na mão de pai e vai atrás da mãe, larga a mão que o apoia a caminha para mim de braços abertos. Um abraço, de ternura, amor e saudade. Passamos todo o tempo que nos deixou a chama-lo de um para o outro, anda ao pai, anda à mãe. E ele ia, até que se fartou. Nós esquecemos o resto das tarefas e ficámos de peito feito, mais um passinho na vida deste ser especial.

Mais um dia que não vai ser esquecido, este 31 de Março, quando deste o teu primeiro passo. Diferente dos meus sonhos, muito melhor que a minha imaginação, afinal de contas não caminhaste em direcção a qualquer coisa, caminhaste em direcção aos meus braços.

Pirulitos de caramelo e saudades de tempos que já não voltam...

Ontem a minha tia partilhou no facebook esta foto e eu não pude deixar de partilhar também. As memórias que me trás. Por momentos entrei num túnel do tempo e voltei a ter 5 anos, a chegar à Costa da Caparica de mão dada com a minha mãe. O meu chapéu de pano, o meu balde de areia com a sua pazinha. Ia fazer castelos.

E que bem que eu voltava a ser assim pequenina outra vez, livre de preocupações, só eu e o meu balde, a areia da praia, o som das ondas do mar e os castelos que construía com a ajuda do meu irmão mais novo.

Hoje amo o mar. Não consigo ir à praia sem entrar na água, aliás, para mim não é ir à praia se não vamos ao mar. Mas naquele tempo tinha medo, um dia quando a maré estava a subir uma onda mais forte veio mais para dentro da areia e começou a arrastar-me, era mesmo muito pequena e só me recordo de umas mãos me agarrarem de repente. Deve ser uma das minhas memórias mais antigas, daquelas que dizem que perdemos quando nascem os dentes lá de trás mas que na minha cabeça ficou arquivada por algum motivo.

Depois fui para a natação, perdi o medo, mas manteve-se o respeito. Um respeito muito grande.

Quando eu era pequena os dias de praia tinham dois caminhos, quando o meu pai estava em casa, ao fim de semana ou nas férias, lá se pegava no carro e íamos todos para Sesimbra, não havia ondas, era tudo mais tranquilo, não havia obras nem melhorias e a maioria das pessoas preferia a Costa porque era maior e tinha mais espaço para estacionar. Para além disso o meu pai tinha a vantagem de ter onde estacionar o carro porque conhecia o senhor do porto que o deixava pôr o carro lá dentro. Passávamos por baixo da rede que não devia estar rasgada mas que se manteve assim durante anos e pum, ligação direta à praia.

Nadávamos até aos barcos e voltávamos, todos atrás do meu pai. Como patos. A minha mãe ficava na toalha, não sabia nadar, arranjava as sandes e os bongos para quando os pequenos regressavam à toalha. Chegávamos à toalha cansados e frescos, a pingar água por todo o lado, sem protetor que isso naquele tempo era coisa de gente com pele branquinha e lá em casa somos todos bem morenos. Toda a gente sabia que os morenos não tinham problemas com o sol, nem apanhavam escaldões. sentávamo-nos nas toalhas, cada um com a sua sandes e o seu bongo. O pão com manteiga e fiambre tinha um sabor diferente. Digo isso muitas vezes ao Nuno, há um sabor muito especial num pão com manteiga e fiambre quando saímos do mar. Sabe à minha infância, sabe a momentos felizes, sabe ao que não quero esquecer.

Jogar raquetes e correr na areia. Nunca soube estar na toalha.

Durante a semana íamos muitas vezes com a minha mãe para a Costa da Caparica, não tinha carta nem carro, por isso íamos de autocarro. Lembro-me como se fosse hoje, todos a pé bem cedo, preparava-se a cesta de verga com as sandes, os sumos e as peças de fruta. Depois saiamos e descíamos a rua para apanhar o autocarro, que o que parava ao lado de casa não ia para a Costa.

O autocarro parava mesmo em frente à praia e depois andávamos até à bola de Nívea. Porque não viemos naquele comboio, mãe? Porque não passa à porta de casa. Até hoje nunca andei no comboio que liga as praias, se calhar um dia havia de experimentar. Mãe quero um chupa daqueles, daqueles, dos da foto. Havia com papelinhos em volta e outros que tinham baunilha por fora. Escolhia sempre o de baunilha.

Quando viermos apanhar o autocarro. Dizia-me sempre.

E eu ia, sempre a pensar no meu chupa.

Escolhíamos um lugar longe das rochas, um dia tinha visto um menino ser puxado pelo mar junto às rochas e a mãe não lhe tinha conseguido chegar, nunca mais quis ficar ao pé das rochas. As rochas significavam coisas más e os meninos dela não iam ser levados a lado nenhum.

Cansada, cheia de maresia e areia voltávamos para apanhar o autocarro depois de uma manhã de praia, que o sol da tarde era muito forte e fazia mal à cabeça dos pequeninos. Para além disso ia-se almoçar a casa, que isto não era casa de gente rica e sandes não é refeição para quem está a crescer.

No caminho lá havia direito ao chupa, sempre o mesmo. Mas só se não tivesse pedido línguas da sogra, as daquela senhora que batia perna de ponta à ponta da praia, com a pele escura e castigada do sol.

Aqui à semanas fui dar um passeio à Costa com o Nuno e o meu campeão, quando passei pela antiga praia da bola de nívea lembrei-me desses dias, desses chupas, senti o sabor. Contei ao Nuno e tentei descrever, não encontrei na internet e ontem apareceu-me isto.

Fez-me lembrar as saudades que tenho desse tempo sem preocupações, que tenho das brincadeiras de quando eramos pequenos e os medos menores que nós, fez-me lembrar das saudades que tenho de andar de mão dada na rua com a minha mãe. Fez-me lembrar que tenho muitas saudades dela e que já lá vão 20 anos que não nos vemos.

Este sentimento de não fazer parte

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Lembro-me de há uns anos atrás me terem dito tens a certeza que estás bem aqui? Já pensaste que se calhar este não é o teu grupo, o teu espaço? A pessoa que me disse isto não me era nem muito nem pouco próxima, se calhar por isso mesmo teve toda a razão, se calhar por isso mesmo conseguiu ver tão bem que eu não pertencia aquele grupo. O problema é que na maioria das vezes não sinto que pertenço a grupo nenhum. Tenho sempre a sensação que ando um bocado mais à margem, sem me enquadrar por completo, tremo nas palavras ou faço-as demasiado duras para não se sentir a fragilidade. Coisas que se aprendem com o passar dos anos, defesas que nos resguardam da brutalidade de uns, da honestidade de outros.

Lembro-me muitas vezes dessa conversa, de onde estava, o sitio exato, da hora que era, do copo que tinha na mão e do pensa nisso que concluiu a conversa. Lembro-me sempre que o sentimento de falta de pertença surge, como um arrepio na nuca, um calafrio na espinha que me diz baixinho ao ouvido, olha, também não é aqui.

Se calhar é porque às vezes não sei o que gosto, ou porque outras vezes quero fazer parte e parece que me esforço, ou porque sim, porque me sinto tão melhor na minha própria companhia que a alma dispensa os outros. Pode ser por ter sido criada numa casa cheia de gente mas passar o tempo todo sozinha. Sim porque estar só não tem nada que ver com o número de pessoas que nos rodeia. Podemos estar numa sala com mil pessoas e nenhuma nos vê.

Mas se calhar é porque só tenho de fazer parte de onde faço parte, de onde sou peça que completa o puzzle. Um puzzle com poucas peças, mas um onde me encaixo.

Às vezes sinto que não faço parte, matuto na coisa e acabo por concluir que ainda bem. Porque a pele só se sente calma na companhia dos que me sabem como verdadeiramente sou, onde sou essência e mais nada, sem papeis nem frases repensadas e triadas para não ferir suscetibilidades ou meter-me a jeito para consequências.

Afinal faço sempre parte de algum lado, faço parte do meu canto, onde os cheiros me são familiares e as palavras fluem sem comos nem porquês.

 

...poder ser eu, para mim, só por uns minutos...

 

As máquinas estão desligadas, a maioria das luzes estão apagadas, resta a do escritório que me ilumina enquanto escrevo estas palavras e a da mesinha de cabeceira do Nuno. O pequeno já adormeceu e dorme na nossa cama ao lado do pai. Estamos a aproveitar alguns minutos para fazer alguma coisa que gostamos, só para nós. Depois damos-lhe o leite e deitamos-nos, que amanhã o dia começa cedo outra vez. 

Gosto de escrever assim, no silêncio das pessoas, da casa e das coisas. Toda a gente a descansar e resto eu a pé. Eu e as minhas baboseiras escritas. Gosto de me sentar e fazer o balanço do dia, tentar encontrar o que de bom houve num dia menos fácil, o que aprendi num dia que passou mais depressa do que esperava.

A segunda feira é sempre um bom dia para fazer balanços, marca o trilho para o resto da semana, depois vem sábado e com o descanso tudo se esquece, os desentendimentos com os colegas, as vontades que não foram feitas. Por isso sento-me e antes de começar a escrever penso no bom e no menos bom do meu dia. Começo sempre pelo menos bom, gosto de deixar o melhor para o fim, ficar com esse sabor na boca, o pensamento presente ao deitar faz-me lembrar que tenho tido mais sorte que azar na vida.

Por isso vejamos, levantei-me pouco depois das 6 da manhã, o sol ainda não tinha nascido e o meu corpo ainda não tinha descansado tudo o que queria, tudo o que devia, despachei-me a correr, despachei o pequeno a correr, com pouco tempo para brincadeira, só aquela que pode ser feita a caminho do carro ou entre uma e outra dentada na torrada. Engoli o pequeno almoço quando gosto de me demorar a comer, fiz mais de 30 km para ir trabalhar quando o que mais queria era rumar à praia e passar o dia de papo para o ar ao som das ondas a bater na areia, volto do trabalho, o transito, o maldito transito, paragem aqui e ali para comprar o que faz falta e vem a divisão de tarefas, um é cozinheiro o outro é ama. Comemos mais uma vez à vez, não há meio de convencermos o pequeno que deve ficar tranquilo à mesa. Lava-se a loiça e vimos para dentro.

Cansaço. As costas ardem, do tempo sentada à secretária, do tempo sentada no carro, não gosto de admitir, mas do tempo que passo debruçada de mão dada ao pequeno que quer correr a casa toda mas ainda tem medo de o fazer sozinho.

Depois sento-me aqui e penso que hoje já fui mãe, profissional, mãe outra vez, cozinheira, ama e nos minutos vagos tentei ser esposa de um marido que me lembra mais vezes que eu a ele que me adora. Sento-me e começo a deixar que as palavras saiam, as de desabafo e as outras, sinto o gosto de poder ser eu, para mim, só por uns minutos. Sem papeis para desempenhar, sem tarefas para cumprir, só eu para mim.

E quando estou comigo lembro-me de tudo o que de bom o meu dia teve, que acordei com o sorriso do meu marido que tem um humor muito diferente do meu ao levantar. Lembro-me dos 2 minutos que eu e o meu herói ficamos abraçados de manhã, só eu e ele, sem o mundo em torno de nós. Bebe o seu biberão, depois põe o dedo na boca e pega no bonequinho, pede para se enroscar em mim e ficamos assim, abraçados num minuto que sabe a mil mas que passa mais rápido que um segundo. Aquele minuto que dá força ao meu dia. Aquele minuto que me faz acordar e lembrar que tenho motivos mais do que suficientes para ser feliz. Depois desencosta-se, tira o dedo da boca e manda o boneco, num gesto de quem quem diz, muito bem, já tive que chegue de ti, agora podes ir e vemos-nos mais logo. Lembro-me das gargalhadas à hora de almoço e da palhaçada ao chegar a casa. Lembro-me que estamos todos aqui, bem, com muito amor para dar uns aos outros. Lembro-me que tenho uma família que ajudei a construir.

Depois olho para o relógio e vejo que estou a roubar ao corpo o tempo de sono que ele precisa. 

Reflexão feita, confirmo que ainda aqui ando para mim. Vou-me deitar, que amanhã é dia outra vez.

Passar a Páscoa Divertida-Mente

 

Para mim a Páscoa perdeu o encanto mais ou menos pela altura em que recebi o meu primeiro ordenado, ou isso ou quando a maior parte das pessoas começou a achar que eu estava crescida demais para receber chocolates. Confesso que não ligo nem nunca liguei nem muito nem pouco à data. Gosto da ideia dos coelhitos e dos ovos de chocolate. Não percebo a relação entre uma coisa e a outra mesmo depois de viver com um coelho há quase 10 anos. Ele próprio não sabe. Tenho perfeita consciência de que existe uma história religiosa por detrás de tudo isto, mas fui criada pelos autoproclamados católicos não praticantes, que, em meu entender mais não é do que não seguir religião nenhuma. Mas isto é apenas o meu leigo entender. Para mim é mais ou menos como dizer que se é de um clube e depois não se saber pevas nem de bola nem do que se lá passa, nem se foi ou vai ser campeão. Mais ou menos como a minha relação com o Sporting. Gosto de verde e de leõezinhos, logo sou do Sporting, só para aí há dois meses é que de facto percebi que o Jesus agora é nosso treinador. Veja-se bem o apego.

Mas bom já estou a viajar na maionese e a fugir da questão.

Dizia eu que não tenho grande apego à data, e não tenho, particularmente porque eu gosto de datas religiosas que ofereçam feriados, esta é sempre a um Domingo e isso para mim já é um dia de descanso como os outros, em resumo não trás mais valia. Trás a 6ª feira santa, certo, mas se a Pascoa fosse a uma segunda também não aleijava ninguém e uma pessoa ficava 4 dias a descansar sem ter de meter um único dia de féria. Ora isso é que era santo!

De qualquer modo houve uma altura que eu gostava da data, não porque recebesse um folar da minha madrinha, isso só aconteceu uma vez (que me lembre) e ainda bem, que eu não gostei da porra do bolo e assim a pessoa escusou de gastar mais dinheiro com o dito bolo. Gostava por causa das amêndoas e mais ainda quando um génio qualquer que devia de facto receber um Nobel inventou as amêndoas com chocolate lá dentro. Coisa que até pode ser bem velhinha mas que lá em casa só deu as caras pela primeira vez já eu tinha os meus 10 ou 11 anos.

Enfim, para mim Páscoa é chocolate, muito chocolate. Já ninguém me dá amêndoas mas já ganho para as comprar e compro e como até ficar com o céu da boca assado.

Como esta foi a primeira Páscoa do herói já tendo o dito dentes, lá recebeu uns ovinhos, mas, como as ordens do pediatra são de comer o mínimo dos mínimos, nós, como pais preocupados provámos todos os chocolates e, como não gostamos de desperdício temos estado a come-los.

Todos muito bons muito obrigado. Para o ano podem mandar para o pequeno e para nós também, mesmo assim com bonequinho que a malta não se importa.

Parvoeiras à parte, a data é tão importante que passámos a manhã a limpar aquela que antes estava uma pocilga mas que agora já se pode chamar casa. O pequeno foi para os avós (de outra maneira não se consegue dar conta de nada) e nós, de rastos depois de esfregar tudo, fomos almoçar com os avós e o pequeno.

Para mim foi como ir à coelho-landia! (para quem não sabe é porque são todos de apelido coelho, menos eu!!! get it).

Papado o almocinho rumamos a casa. Ainda pensámos em ir à Feira Medieval que tem estado aqui no jardim ao lado de casa desde 5ª feira, mas o pequeno estava podre de sono e nós já sabemos o que acontece com as birras de sono. Por isso viemos para ver se ele dormia uma sesta, se depois houvesse vontade voltávamos a descer para ir até à feira, se não, temos pena, ficava para uma próxima.

E ficou.

O pequeno pegou logo no sono e nós fomos ver o Divertida-Mente. Um filme de animação que tínhamos apanhado sem querer ontem do Tele Cine e que achámos graça, mas o campeão fartou-se ao fim de 5 minutos.

Está absolutamente espectacular. Não pelos efeitos especiais mas pelo conteúdo. Tudo se passa dentro da cabeça de uma miúda e os personagens principais são os sentimentos a raiva, o medo, a alegria, a tristeza e outro que me está agora a faltar. Adorei e aconselho vivamente a quem tenha e a quem não tenha filhos, até dá para imaginar as coisas que se passam nas nossas cabeças.

BRUTAL!

E assim se passou mais um Domingo, mais uma Pascoa. Esta Divertida-Mente!

 

p.s.: ah e a feira ficou para uma próxima, depois de nos alaparmos ao sofá só mesmo o campeão para nos obrigar a desgrudar!

 

A primeira dormida fora

 

Já há vários meses que andamos para ganhar coragem e deixar o rapaz ir passar a noite aos avós. A verdade é que também é importante para nós perceber que, no caso de uma eventualidade, conseguimos deixá-lo com alguém sem haver stress de maior, ou seja, sem que ele passe mal a noite. A disponibilidade dos avós é permanente, aliás, pelos avós o neto vinha a casa ao fim de semana e, e...já era uma boda! Estão sempre em pulgas para que ele lá esteja. Ele também gosta de lá estar e nós, como é normal, estamos satisfeitos que toda a gente ande contente. O problema é toda esta coisa de uma pessoa quase não ter tempo para respirar e muitos dias ter a sensação de que mal o vê crescer torna dificil ganhar coragem para passar quase dia e meio sem o ver. Já tinhamos falado várias vezes em, numa 6ª feira qualquer, irmos jantar fora e ele ficar nos avós de 6ª para sábado. Dar-nos-ia a nós também algum tempo aos dois, como casal, para desanuviar, namorar, passear, essas coisas todas com e sem ar. Mas conversa para trás, conversa para a frente e eu não havia meio de me convencer, já estou sem ele horas que chegue, não me deixei levar pela 6ª feira em nenhuma das tentativas de convencimento. Até que surgiu uma oportunidade diferente. Como 5ª feira estávamos de férias e podiamos estar com o campeão o dia todo, ao final da tarde iamos levá-lo aos avós e nós aproveitávamos para jantar fora, só nós dois, sem termos de comer à vez, a podermos conversar sem ver publicidade na televisão ou ter de estar a cantar o "Era uma vez um cavalo" vezes sem conta. Um jantar romantico sem apanhar torcicolos por o prato estar a 2 metros (sim porque há dias em que se não for assim o puré fica colado à parede, pois!).

Lá me pareceu bem e aceitei fazer a experiência (dá para peceber que cá em casa marido sofre!!!). Mas apenas se o menino ficasse bem. Se ficasse a chorar, desfazia-se a combinação toda.

Quinta-feira chegou com um sabor maravilhoso a mini férias e eu, como mãe que se despede de um filho que vai 3 meses para a tropa, andei com o valentão alapado a mim o dia todo, afinal de contas ia dormir fora de casa e eu tinha que aproveitar o tempo que tinhamos disponivel. O pai arranjou a mala e eu verifiquei, questionei e reverifiquei que tudo estava nos mais perfeitos conformes para a cria ir passar 15 dias fora. Roupa a mais, fraldas a mais, comida, termómetro, ben-u-rons, soro e o diabo a quatro.

Pegámos no rapaz e em toda a sua bagagem para aquela longa temporada fora e arrancámos. No carro não me lembro de ter dito uma palavra. Só me ocorria que se ele verter uma lágrima que seja, não fica

Chegámos e o raça do miudo manda-se logo para os braços do avós. Adeus oh vai-te embora! Não se podia ter borrifado em nós mais depressa. O Nuno explicava as coisas à mãe e eu tava incredula com aquilo. Eu, de coração apertado, a minha cria ia dormir sem eu estar por perto para o protegar até dos seus sonhos maus, as lágrimas contidas para não parecer mariquinhas e o safado nas tintas para mim.

Bem sei, bem sei, que ainda bem que ficou bem e tranquilo e tudo e tudo. Mas no coração de mãe galinha ciumenta mora sempre, nem que seja um nadinha, a vontade de que a cria sinta a sua falta...e o demonstre. 

Mas enfim. Lambidas as feridas e acalmado o ego sofrido seguimos em frente.

Fomos pela 2º vez na vida a um restaurante indiano e mais uma vez adorámos. Eu como menina que sou fiquei com a lingua a arder com um semi-picante e nem fui ao seguinte porque o senhor me alertou logo, se não gosta muito de picante ou não está habituada é melhor se calhar não tocar neste.

Não toquei.

Agora, foi divertido, falaram de coisas assim quentes, fora do comum, puseram a conversa em dia? Bom, digamos que, quando chegámos ao carro, para regressar a casa (sim porque estas almas velhas já não têm pedalada para copos, ou pelo menos não neste momento da vida) demo-nos conta que passámos 95 % do tempo a falar do que o bebé faz, do que gostamos que ele faça, de como ele á giro, de como temos saudades dele todo o dia e tal e tal. Os outros 5 %? Tavamos a falar com o senhor para saber o que iamos pedir, afinal de contas não percebiamos pevas do menú. É que da única vez que fomos a um restaurante indiano tinha sido com o primo do Nuno e a esposa e eles é que trataram de pedir tudo, nós limitámo-nos a comer e a acenar que sim, estava bom.

E agora pensam, marotos queriam era ver-se em casa, deve ter sido a loucura?

E foi, foi sim senhora, uma noite muito boa, deveras quente, uma verdadeira tourada....de sono. Chegámos a casa de rastos, já passava das 23:30 e a essa hora já nós estamos normalmente no segundo sono. Por isso vimos meio Castle e fomos para a caminha...nanar. E nanámos até às 8 da manhã, wohohohoho!!! Há mais de 12 meses que o meu corpo não sabia o que era isso. Quando acordei até tava grogue!

Escusado será dizer que assim que acordei disse temos de ir burcar o menino! Não foi fácil levantar-me, e numa situação normal, com a privação de sono a que tenho sido submetida teria dormido até para lá do meio dia. Mas não me senti com coragem de o deixar ficar mais tempo. Não fosse ele começar a ficar preocupado...whuawhuawhua...!

Quanto à noite em si e à adaptação do pequeno, pegando nas palavras do avó foi "tudo do melhor".

Mãe sofre...porque é tola!!!

A felicidade inclui um cão

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Para mim a felicidade inclui um cão. Desde pequena que sempre adorei animais e com 8 anos consegui convencer os meus pais a ficarem com uma cadelinha abandonada que estava debaixo de uns andaimes de construção ao pé do prédio onde morava uma tia. Dei-lhe o nome de Fofinha e foi a minha melhor amiga durante 13 anos. Sempre companheira, sempre protectora. Foi graças à Fofinha que comecei a "sair à noite" ainda com os meus 13/14 anos. Ir passear o cão depois das 8 da noite, para uma miúda desta idade, era como sair à noite. Como íamos passear o cão os pais das amigas deixavam-nas vir também. E assim lá andávamos. Às vezes 2, às vezes 4, todas a passear a Fofinha.

Lembro-me como se fosse hoje o dia que foi para nossa casa e lembra-me como se fosse hoje o primeiro dia em que voltei a entrar em casa sem ela lá estar. Passei uma semana a estranhar o silêncio ao abrir a porta de casa.

A minha paixão por cães é uma coisa do outro mundo, por mim não tinha um, tinha 10. Todos diferentes, coxos e zarolhos também se houvesse algum a precisar de um lar. Podem dizer-me que os gatos também são grandes amigos, verdade, são de certeza, a minha experiência é um pouco diferente, adoro gatos, tanto que lhes gosto de estar sempre a fazer festas, no entanto os gatos têm um desapreço natural pela minha pessoa. Em 32 anos de vida só conheci 1 gato que não me agrediu, e esse pensava que era um cão. Por isso não sei se conta.

Quando comprámos a nossa casa eu sabia que queria arranjar um cão. Aliás, um dos principais motivos pelos quais eu queria deixar de ter casa alugada e passar a ter casa própria era para poder ter um cão. Na casa onde vivíamos o senhorio não se dava muito bem com a ideia.

Assim, em 2009, 10 meses depois de estarmos na nossa casa pensamos em arranjar um cão. Como é um apartamento e o Nuno nunca tinha tido um animal de estimação (nem peixes, quanto mais um que pode borrar a casa toda) optámos por escolher um cão de raça pequena, pesquisámos, pesquisámos e lá demos com os Chihuahuas, acima de tudo agradou-nos o tamanho portátil, verdade, mas mais ainda o seu ar atrofiado. Assim iriam enquadrar-se lindamente na família, e não desapontam, mas isso mais à frente. Quando contactámos o criador questionou-nos quantas horas íamos estar fora de casa, porque esta raça gosta pouco de estar muito tempo sozinha. Pensámos sobre o assunto e de facto estamos fora de casa quase 10 horas todos os dias. Por isso arranjámos uma solução, íamos ter 2 cães. Assim sempre faziam companhia um ao outro e eu podia dizer que tinha dois cães.

A questão é que hoje, quase 7 anos depois, dou comigo por vezes a pensar que, quando for grande, gostava de ter um cão. Um cão a sério. Um cão que goste de ir à rua, que esteja sempre a abanar o rabo, enfim que seja um tolo feliz. Daqueles que gostam de rebolar na relva.

Cá em casa não há nada disso, aliás, já dei comigo a ir aos documentos dos tipos (sim eles têm documentos, um deles até tem uma coisa que eu não tenho, passaporte!) só para confirmar se a espécie está certa. Às vezes podíamos ter sido enganados.

Mas para não estar para aqui com conversas da treta, vamos a factos.

 

Exhibit number 1 (como dizem nos filmes):

 

(a Tulipa quando aprendeu que conseguia subir para a gaveta dos DVD se estivesse aberta)

P6050120.JPGP6110006.JPG (a Tulipa quando comprámos a cadeira do escritório e tomou posse da mesma mesmo antes de estar montada)

 

Pau!!!!! Tulipa.

Antes de mais uma nota. Este cão é estrábico. Nada contra os estrábicos. De todo. Mas a sério, quem tem um cão estrábico? Só eu! Este ser vivo não gosta de ir à rua. Tenho que a ir tirar à casota para lhe conseguir pôr o peitilho. Desde as escadas a custo (e também porque tem o lombo mais largo do que devia) e faz o pedaço de caminho para contornar o prédio e chegar ao jardim tão devagar que é quase a mesma coisa que levar uma tartaruga pela trela. Depois, como se não bastasse reclama com todas as pessoas que estão no passeio, incluindo as suas sombras. Já tive situações em que, há falta de transeuntes no passeio ela reclama com a maltinha que esteja do outro lado da rua. Faz peito feito para todos os cães grandes dos vizinhos, o que me deixa tremendamente embaraçada, considerando a sua fraca envergadura e o seu peitilho xadrez. Depois borra-se de medo do pincher de 1 kg e 400 de outro vizinho. Mais uma vergonha. Em casa é um bicho que só faz companhia se alguém lhe estiver a massajar o lombo em permanência, de outra forma vai para a cama dela e fica a olhar para nós com um ar de quem diz não vales nada. Fica sentada, ansiosa è mesma que lhe dê alguma coisa quando estou a jantar, mas quando cai alguma comida não dá conta e continua a pedir. Informo adicionalmente que é animal que come coentros, salda, alho e cebola crus.

Podia estar aqui e escrever um livro só sobre esta criatura, mas acho que vou passar à próxima, porque podem pensar, ah dizes isso desta mas o outro não pode ser assim tão mau.

Pode.

 

Exhibit number 2

 

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(o Ghandi quando tinha uma pancada com as minhas botas de lã)

 

 Pau!!! Ghandi.

Ao contrário da amiga gosta de ir à rua, mas detesta pôr o peitilho por isso tenho de o perseguir sempre que o vou levar à rua. Duas perseguições por dia. É uma tourada! Mais uma vez, ao contrário da amiga aparenta estar sempre atrasado, por isso puxa para chegarmos ao jardim (ou a outro lado qualquer) como se o amanhã não existisse.

É um extraordinário cão de guarda e quando há trovões esconde-se atrás das minhas pernas. Por isso sinto-me deveras segura quando me acompanha! Engasga-se sem motivo aparente com a sua própria saliva e é frequente encontrarem-me nas escadas do prédio às 6 e tal da manhã a tentar acalmar o cão que, na excitação de ir à rua confundiu a respiração toda e está aflito.

Recusa-se a comer a ração sem acompanhamento, sendo que o preferido é um nadinha de leite. Assim tipo Chocapic. Tem um peluche de estimação que se chama Jorge e que vai buscar todos os dias antes de ir para a cama.

Enfim é o que há!

Por isso digo que um dia gostava de ter um cão. Daqueles que quando gritamos "vamos à rua" saltam que nem uns doidos até por a trela. Que descem as escadas com vontade e que depois fazem figuras idiotas no jardim. Em vez de olhar como snob para os outros cães do género este tipo é estranho, vai-se suja todo!

Mas agora brincadeiras à parte.

Estes dois tipos são família cá em casa. Gozamos com eles porque as famílias são mesmo assim, estão sempre a mangar uns com os outros. Acho que se não tivessem estas peculiaridades nem assentavam bem nesta casa de gente chalupa (o miúdo ainda é normal, é dar-lhe tempo que a gente estraga-o (brincadeira outras vez, brincadeira outra vez!!!). São uns cromos, verdade. Mas são os nossos cromos e não víamos as nossas vidas sem eles.

São eles que nos recebem todos os dias cheios de alegria quando chegamos a casa e nos fazem dar uma gargalhada, quando muitas vezes não temos vontade nenhuma de rir. Foram eles que me fizeram companhia nos meses em que estive sozinha em casa e é a eles que o pequeno campeão anseia ver sempre que se está a abrir a porta de casa.

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(a minha companheira de leitura)P7230001.JPG

 

(um dia qualquer em que andava a arranjar a roupa para lavar)PC180020.JPG

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(o primeiro Natal, com direito a fatinhos a rigor feitos pela dona)

 

Sonho com uma realidade em que todas as casas têm um cão, que é como um membro da família, cuidado. Estimado até ao ultimo dos seus dias. Onde é amado como ele ama também, incondicionalmente.

Memórias de um blog antigo #1 - As sestas

 

Gosto de te pôr a dormir a sesta. Gosto principalmente de te pôr a dormir esta primeira sesta da manhã. Ainda andamos os dois de pijama pela casa. Descansados de tempo. Sem compromissos. Com o à vontade das manhãs de Verão. Das que ainda não têm praia. Mas lá chegaremos. Um dia prometo-te que pelo menos 15 dias ao ano acordamos a ver a praia. Tomamos o pequeno almoço e vamos dar um mergulho. A principio tu na piscina de borracha e eu no mar. Que é grande demais e tem vontade. Um dia vamos os 2, que o pai fica na toalha, diz que enquanto ninguém aquecer aquilo, seja com termostato, seja com chaleira, prefere ficar ao sol a ler o jornal. Aquele que nos outros meses do ano demora uma semana a ler. É o tempo que tem, uma página por dia. 

Acabado o pequeno almoço, o teu um biberão cheio de leite, o meu uma torrada e um batido. O café que faz falta. O café que me ajuda a esperar que adormeças primeiro para gozar do ver-te a dormir.

Devias ia para a tua cama, mas gosto de te deitar na minha. Deito-me a teu lado e faço-te festas nas costas enquanto vais vendendo os teus tapetes. Que tu filho, pareces mesmo um marroquino na feira. Sacodes o cão-coelho no ar. Zinga para a direita, zinga para a esquerda.

O tom começa a baixar.

Tanto rastejas que já estás encostado a mim. A tua perna em cima da minha barriga. A mãozinha vazia no ar, à procura de quem tocar. Aproximo-te o rosto. Encontras o meu nariz. Relaxas o corpo. Pousas a mão no meu braço.

Estou ao pé de ti. A tomar conta. Sabes que podes descansar.

Aí filho, que segunda-feira vai custar tanto.

Sim, é verdade, de manhã não gosto de conviver…

 

Hoje de manhã o Nuno dizia-me que cada vez mais o nosso filho se parece comigo….de manhã. Isto porque o pequeno, em particular de manhã, não gosta de grande conversa. Precisa de tempo para acordar e perceber o mundo à volta. Mais ao menos à semelhança da mamã. Provavelmente será por isso que nos entendemos tão bem de manhã. Ou então não. Ele entende que eu tenho de andar com ele ao colo enquanto faço tudo. E eu entendo que tenho de fazer isso mesmo senão ele grita e eu não gosto de o ouvir gritar.

Quando subíamos as escadas para o deixar nos avós o Nuno estava a tentar brincar com ele e ele, cara fechada, nada a acrescentar ao que estava a acontecer. “Tás cada vez mais parecido com a tua mãe”. Eu percebi porquê. “Sim, não gosto de conviver…de manhã”. Digo eu, em modo é mesmo assim.

Quer dizer, a bem da verdade há dias em que não gosto de conviver nem de manhã, nem de tarde, nem de noite. Com algumas pessoas? Não minha gente, com ninguém mesmo. Nem animados nem inanimados. Mas de manhã, de manhã, é um custo.

Só o campeão é agraciado com um sorriso. De resto, tem de ser com calma.

Por mim as manhãs eram assim: acordava, ficava para ali 10 minutos a deixar o cérebro arrancar, assim como aqueles computadores velhos, depois lá me levantava, sentava-me num sitio como se vê nos filmes, aqueles alpendres todos bonitos em que não há vento, nem mosquitos, nem folhas de arvores a acertar-nos mesmo no alto da pinha. Não havia frio, nem chuva, nem muito calor. Sempre temperatura amena. Sentava-me numa mesinha de madeira e por obra do Senhor já lá estava o meu pequeno almoço, e nada cá de coisas que se “devem comer” só coisas que eu quero comer, panquecas com doce, Estrelitas, Estrelitas, Estrelitas, Chocapic, entre outras coisas. Quando acabasse de papar, com calma e sem relógio, lá ia lavar a cara e vestir alguma coisa que eu quisesse e não que tivesse de ser. Depois gradualmente ficava acordada e começava a conviver. Primeiro com os objetos, depois com os animais e finalmente com as pessoas. Seguindo assim a ordem de intelecto que a natureza previu mas que tantas vezes não acontece. Todos nós conhecemos portas mais inteligentes que pessoas, ou talvez pessoas que são menos inteligentes que portas. Não sei qual será a ordem mais correta.

Por isso sim, é verdade, de manhã não gosto de conviver…abro uma exceção para o campeão, que me leva sempre na certa, e não aguento sem sorrir para ele, mesmo quando atira com o meu telemóvel ao chão ou insiste que no momento em que estou a vestir os collants de manhã, esse é o melhor objeto para brincar naquele momento. E lá fico eu, à espera que ele se farte para que eu as faça desaparecer…vestindo-as.

É a vida!

Na vida real os heróis temos de ser nós...

Acordar de manhã para ligar a televisão e ver as noticias sobre mais um atentado. Mais uma vez o fim de dezenas de vidas sem justificação, só porque alguém tem uma opinião diferente de como os outros devem viver. Ou pelo menos é isso que dizem. Infiéis. São infiéis. Somos infiéis. Não têm, não temos, direito à vida porque optámos vive-la. 

É triste. É arrebatador. Sair de casa para trabalhar. Um dia normal como os outros, dar um beijo aos filhos, dar um beijo aos pais, despedir-se do seu amor com um até mais logo, um jantar combinado, um almoço com os amigos, uma viagem de metro porque os transportes públicos são a forma mais rápida e barata de chegar ao emprego, um louco com uma bomba presa à cintura e a vida acaba. Quem me explica isto? Ninguém. Porque não há explicação. Como se já não chegassem todas as outras coisas que podem a curto ou médio prazo levar-nos para outro lado, aparecem estes... estes... não sei o que lhes chamar, para mim não são seres humanos, recuso-me a considerá-los como tal, e terminam com a vida de alguém inocente que só estava a viver, sem interferir com a vida de mais ninguém. Se eram boas ou más pessoas não sabemos, nem interessa, eram pessoas que não estavam a fazer mal a ninguém, eram pessoas cuja vida terminou só porque sim.

A nossa fragilidade. A facilidade com que nos podem tirar tudo. Fez-me lembrar uma frase de um amigo querido, que, há mais ou menos 6 anos atrás face a um problema sério no pâncreas (que felizmente venceu) nos disse, a mim e ao Nuno quando o visitamos. 

- Vivam, vivam muito. Que alguém pode de um dia para o outro chegar e levar tudo o que têm, mas ninguém pode tirar o que os vossos olhos já viram.

Trago esta frase comigo desde então, alguém pode levar tudo o que tenho, mas ninguém pode tirar o que os meus olhos já viram, o que o meu coração já sentiu, o que eu já vivi.

Por isso, vivo todos os dias com vontade de viver, faço questão de dar um beijo aos que mais amo, de lhes dizer o quanto os quero, de lhes dizer que gosto de lhes ouvir a voz. Vivo porque de outra forma sou prisioneira e já se lutou tanto para que fossemos livres, não podemos agora deixar que meia dúzia de badamecos nos venham atormentar. É isso mesmo que querem.

Às vezes penso que vivo num filme de super heróis em que há sempre o mal para fazer alguma atrocidade e precisamos todos de um salvos, a grande diferença é que nos filmes lá aparecem eles com capas cheias de cor e bem penteados, uns voam, outros têm carros que sobem prédios e ainda há os que deitam teias de aranha pelos pulsos. Na vida real os heróis temos de ser nós, sem capas, sem carros fantásticos, sem teias de aranha a verter pelos pulsos. Só nós e a nossa coragem de sair de casa para enfrentar os dias com todas estas coisas à nossa volta.

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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