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Em busca da felicidade

Cá em casa comem-se ovos de galinhas galdérias

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Tenho esta coisa em mim de gostar de coisas que vêm da natureza. De coisas que não foram produzidas com substâncias inventadas num laboratório qualquer, compostas por elementos cujos nomes não consigo pronunciar. Entre gastar 30 euros num creme que diz transformar-me numa outra pessoa e 35 noutro que não foi testado em animais, produzido com coisas de nomes pronunciáveis, até conhecidas, cuja embalagem não é assim tão apelativa e não promete fazer de mim a Jennifer Lopez, prefiro sempre o ultimo. Gosto de ir ao Celeiro ou à Terra Pura e descobrir mais esta ou aquela coisa que faz bem a isto ou aquilo, ou que por e simplesmente não faz mal a nada.

Hoje foi dia de comprar algumas coisas habituais e de experimentar outras novas. Vamos ver qual é a aceitação cá em casa. Sei que a maioria das coisas são mais caras mas gosto de acreditar que estou a fazer um investimento para o futuro e mais tarde poupo em medicamentos. As coisas embaladas, "trabalhadas", chamemos-lhe assim, são sempre mais caras, até porque a natureza não foi feita para produzir em massa e os bens são feitos para consumir de facto, não para desgastar culturas com produção massiva e depois deitar ao lixo, como muitas vezes acontece quando é demasiado acessível e não custa comprar outra vez. Por outro lado os ingredientes frescos não são assim tão mais caros, estamos sempre habituados a que o que tem o rotulo BIO seja mais caro, mas neste caso nos legumes e frutas confesso que não sinto de forma significativa a diferença. Ela existe mas não é por aí além.

Para casa trouxemos o Despertar de Buda, que já tinha curiosidade em experimentar, o óleo de coco que dizem ser maravilhoso, até para limpar dentes, e farinha de coco para experimentar umas panquecas com um ar delicioso que a minha querida Filipa Gomes postou no Facebook dela.

Mas o que é que tudo isto tem a ver com as galinhas galdérias?

À primeira vista, nada. Se pensarmos um pouco, tudo.

Cá em casa comem-se ovos à séria. Os hoje chamados de "biológicos" mas que mais não são do que ovos postos por galinhas criadas ao ar livre, bem alimentadas e verdadeiramente felizes. Nós somos uns privilegiados porque temos ovos de borla de galinhas criadas pela sogra e a irmã da sogra. São umas galdérias (as galinhas, atenção!) conhecidas pelo nome próprio, bem constituídas, de boas feições e alimentadas a tudo o que há de bom. Que bicam a terra e apanham minhocas, comem milho e fruta, convivem com a outra bicharada. Enfim galdérias alegres!

No outro dia uma pessoa que me é muito querida perguntava-me como é que a minha quiche estava tão amarela. A ciência está nos ovos das galdérias que são mais amarelos e saborosos.

Sei que nem todas as galinhas vivem nas condições destas malucas, se calhar nem mesmo as que põem os ovos biológicos que compramos nessa condição. Contudo viverão certamente melhor que as desgraçadas que apenas conhecem a vida numa gaiola, a por ovos dia sim dia sim, sem penas, sem condições, fechadas em cubos de arame sem nunca saber o que é a terra.

Quando não tenho ovos das galdérias compro dos biológicos e certifico-me que dizem de forma bem clara que são de galinhas criadas ao ar livre, de outra forma não os quero cá em casa. Não se come ovos come-se outra coisa, mas não gosto de sentir que compactuo com a dor, a privação de liberdade, a privação de por e simplesmente poder ser aquilo que a natureza quis que nascesse para ser.

Não sou fundamentalista. Como carne e gosto, ainda que tivesse deixado de comer por mais de 5 anos da minha vida e posteriormente regressado. Como produtos de origem animal, mas gosto de procurar aqueles que não envolvam a privação do ser. Comer carne, comer ovos, faz parte da cadeia da vida. Impedir que os animais vivam em condições, já não.

Por isso galdérias da minha vida obrigada pelos ovos maravilhosos que mandam cá para casa. São uma maravilha, não sei se porque vocês comem tão bem se é a vossa alegria de galdérias reflectida em tons de amarelo e branco.

 

Nota: as galinhas e o Celeiro ligam-se na medida em que me lembrei de escrevinhar isto quando estava no Celeiro a comprar umas coisas do bem.

Dilema de pobre - #1

O pobre apaixona-se por um par de sapatos. Como tem olho gordo tenta logo convencer-se a si mesmo de que os sapatos são feios. Serão certamente caros porque pobre com olho gordo só gosta de coisas pesadas para a carteira. A paixão cresce e o pobre leva-se até à montra e confirma o esperado, os sapatos custam 140 €. O pobre como é pobre de olho gordo mica a mala que condiz com o sapato que também é dourada e ficava bem de mil e uma formas com qualquer porra de roupa, até o fato de treino coçado que tem lá em casa. Esse mesmo, aquele que já foi à máquina mais vezes que uma pessoa sabe contar, que tem manchas de todas as substancias possíveis e pelos de cão por dentro e por fora, mesmo depois de já ter ido à maquina de secar e ter sido aspirado. O pobre desce as escadas do Centro Comercial e já sente os sapatos nos pés, alucina e vê-se ao espelho com eles calçados, tropeça e lembra-se que afinal traz as botas do ano passado.

Começa a negação. O pobre afinal não gosta assim tanto dos sapatos. Não precisa deles. Viu uns parecidíssimos noutra loja, só que nessa eram 2 dígitos baixos, não brilhavam da mesma forma o que até é bom que muito brilho dá estrilho e o pobre é acanhado. Afinal nem dos baratos precisa que o pobre tem muitos sapatos em casa.

Mas nenhuns ficavam assim tão bem com aquela mala.

Mas o pobre também tem outras malas, não precisa daquela.

O pobre chega ao rés do chão pronto para ir comprar uma raspadinha, dava mesmo jeito 250 euritos agora para gastar assim como quem não quer a coisa.

Em vez disso chamasse à razão. Vai ao multibanco e tira o saldo, que é coisa que aprendi há muitos anos que é um dos maiores actos de pobre. Rico não consulta saldo, rico sabe que tem saldo! O pobre recebe o talãozinho e vê no papel que os sapatos são horríveis, até porque não dão para todas as ocasiões! Vai comprar um chocolate ao Continente e sente-se logo mais feliz.

Sobe e volta a trabalhar.

 

Aí como me dava jeito ter aqui 250 euritos…nem aqueciam o lugar na carteira….

Dava-me jeito uma casa com jardim

 

…um pedacinho de jardim nas traseiras de casa, outro nadita de espaço na frente só para pôr uns vasos com flores. Dão cor à casa, alegram à vida e transformam os dias numa coisa menos cinzenta. 

Queria tanto ter uma casa com jardim, podia ser um espaço pequeno, só com um nadita de relva, uns canteiros de flores e um espacinho para plantar alfaces e morangos, sem pesticidas e outras coisas más que contrariam o bem que os frutos fazem. Gostava de abrir a portada e de manhã poder respirar o ar fresco do dia sem descer escadas ou andar de elevador, deixar os cães darem uma volta lá fora enquanto, ainda embrulhada no meu robe, bebo o meu galão e mordo uma torrada.

Gostava tanto de ter um churrasco, grelhar peixe o verão inteiro, ou mesmo sempre que São Pedro não manda chuva, esse malandro. Sem fumo em casa e numa grelha a valer, com menos coisas para limpar e mais saladinhas para acompanhar. Gosto tanto de um peixinho grelhado.

Se tivesse uma casa com quintal arranjava um gato. Sei que não são animais de exterior, mas se tivesse uma casa com jardim teria mais espaço e com mais espaço podia ter um gato. Podia ser que se arranjasse um tipo manso, dos que toleram festas dos donos, um que ronronasse à nossa chegada e que afugentasse as osgas do jardim.

Ao fim de semana se não houvesse frio tomávamos o pequeno almoço no alpendre cá fora, fazia panquecas. Com doce caseiro, mel verdadeiro e um chocolate acabadinho de derreter. Uma mesa de madeira e uma toalha de algodão branca ou creme. O pequeno almoço longo, sem pressas, a contemplar o dia e a deixar que o quentinho do sol nos avivasse a alma, nos curasse dos desgostos da semana, recuperar a energia e quem sabe fazer alguma fotossíntese.

Hoje é um daqueles dias em que desejo mais que nos outros ter uma casa com jardim, o Nuno não tinha descido e depois subido 3 andares para dar a volta ao prédio e passear os cães quando já estamos atrasados desde que o despertador tocou, bastava abrir a portada e deixa-los sair para o jardim. Quando chegássemos ao fim do dia logo fazíamos um passeio maior. Não tínhamos descido carregados de sacos, como quem vai passar 2 semanas fora, tinha um de nós descido à garagem e, sem precisar de mais um casaco, guardado as malas no carro. Amanhã levantávamo-nos à hora que fosse, comíamos o pequeno almoço a apreciar o sol, depois um levantava-se para passear na relva com o pequeno que ainda precisa de um apoio aqui e ali. O outro ficava refastelado, como um espectador que assiste a um filme de comedia enquanto absorve a dose diária recomendada de vitamina D.

Era assim, se um tivesse uma casa com jardim…dava-me tanto jeito….alegrava-me cá dentro.

Músicas da minha adolescencia - Must have been love

 

Estávamos em 1990, eu ainda acabava a 1ª classe e tinha ido pela primeira vez ao cinema ver a Pequena Sereia, o ultimo filme passado no grande Cinema de Corroios, que estava em tão bom estado que se encalacrou a meio do filme e o intervalo foi uma eternidade. Para mim, que era uma garota em pleno êxtase por estar pela primeira vez numa sala de cinema passou com toda a naturalidade, havia muita coisa para ver, o que as pessoas faziam, como conversavam, a cor das cadeiras, os espaços para esperar lá fora. Para o meu irmão que teve a tarefa de me levar de contra vontade já não foi tão interessante. Enfim, o que é bom para uns nem sempre é bom para outros. A vida é mesmo assim.

Mas dizia, estávamos em 1990, não sei o que se passava no mundo, apenas que o Mário Soares era presidente e que lhe podíamos chamar de bochechas. De resto a minha vida era bonecas e saltar ao elástico depois dos trabalhos feitos. Mal sabia eu que saia uma das musicas mais marcantes dos anos 90, pelo menos para as senhoras, assim como o filme que marcaria a carreira de uma das maiores actrizes do mundo e uma das minha preferidas.

Os Roxette apareciam com o Must have been love e estreava o Pretty Woman, um filme que dispensa apresentações ou descrições e que colocou em perspectiva a profissão de prostituta (brincadeira, mas acredito que tenha havido malta a começar a ver o negócio de outra forma). Só conheci qualquer um deles anos mais tarde, com mais de 2 dígitos de idade, com as paixonetas a despontar e com a noção de que afinal também gostava de ter um conto de fadas, que um tipo galante me salvasse e me desse uma vida de princesa. Na altura as minhas amigas associavam o sonho aos putos da idade delas com as caras de adolescência, para mim era mesmo o Richard Gere, que eu sempre gostei deles mais velhos, se calhar não necessariamente com a diferença de idades que afinal de contas temos, eu e o Richard, mas um tipo composto, não um puto escrafeloso. Era o Richard ou o moço moreno que tinha entrado na novela brasileira que tinha estreado anos mais cedo, a Tropicaliente. Não têm nada a ver um com o outro mas quando temos 11 ou 12 anos o céu é o limite e tudo é possível, até que se dê uma relação de total pedofilia entre uma miúda de 12 anos e o Richard Gere – afinal de contas já tínhamos uma paixoneta desde o Oficial e Cavalheiro, outro filme que também termina com uma grande musica, mas que fica para outro post.

O Must have been love passa quando a bela Vivian decide que não quer ficar com o Edward nos termos que ele define, que quer o conto de fadas e um tipo simpático transporta-a na limusina do hotel onde tinha estado na ultima semana para o apartamento menos simpático onde vive. Eu, apesar dos quilos a mais também possuía uma vasta e encaracolada cabeleira, bastava mudar o tom, ir às compras a Beverly Hills e era a mesma coisa. Cabeças de adolescentes totós. Tão bom, sem preocupações da vida real.

Como já aqui disse antes cresci numa casa pouco abastada, com 4 filhos e mais tarde mais um cão para alimentar, não se pediam 12 CD’s de musica para o Natal, como algumas colegas de escola faziam, nem se escolhiam roupas de marca, nem se pediam cassetes de filmes (sim cassetes, lembram-se, de quando víamos os filmes montes de vezes começavam a ser comidas pelo vídeo?!), esperávamos que passassem na televisão e estávamos em frente à dita com muita atenção para clicar no record quando começasse, depois quando ia para anuncio clicavamos no stop e tínhamos de papar com todo o intervalo para clicar no record outra vez e reiniciar a gravação no momento exato em que recomeçava o filme. Acho que é por isso que ainda hoje tenho trauma com publicidade. As secas que apanhei. Não havia cá boxes que andam para trás ou que gravam sozinhas e que purgam a publicidade.

Então os filmes gravavam-se quando passavam na televisão ou, anos mais tarde, quando aquele amigo nerd do pai comprou um gravador de cassetes que permitia gravar numa outra cassete o que estava na primeira. Descobriu-se que podíamos por um filme a passar num vídeo e com outro gravar a imagem que passava na televisão e que estava a ser projectada pelo primeiro vídeo. Muito confuso?! Nada. Era fácil, bastava que o vizinho emprestasse o vídeo por algumas horas. As musicas, essas era mais fácil, bastava ter uma aparelhagem com 2 leitores de cassete e gravávamos de uma para outra, ou isso ou já na era dos CD’s se passava do CD para a cassete.

Foi assim que, em 1998 (se não estou em erro) pus as mãos pela primeira vez num CD dos Roxette, até lá só tinha musicas gravadas com videoclip do TOP + (será que era a única a fazer essa cromisse?! Não havia MTV e vídeos de musica só ao sábado à tarde, então a malta arranjava-se assim, gravava os vídeos que queria ver e via-os vezes sem conta). Uma amiga da escola, uma tipa para lá de inteligente, hoje é médica, recebeu um CD com os melhores êxitos pelo Natal, emprestou-me e eu gravei. Tinha um rádio daqueles que eram retangulares e liam uma cassete de cada vez, uns que tinham um botão encarnado para gravar e davam para gravar voz, eram usados para ligar a uns computadores de jogos que os meus irmãos tinham. Como já tinham idade para ter juízo e não usavam o computador deixaram-me ficar com o rádio, eu pu-lo na cozinha e ouvia Roxette no máximo do volume enquanto fazia qualquer coisa para o almoço e depois lavava a loiça. Lembro-me de ter dias em que me sentava num banco da cozinha a cantar aos altos berros todas as musicas que sabia de cor. A imaginar que haveria de chegar o dia em que sem querer alguém me ouvia cantar e descobria que eu tinha uma pérola na garganta, ia dar concertos e vender álbuns, depois gravava-me a cantar e sentia medo e pena pela pessoa que tinha feito aquilo. Eu.

Estamos em 2016 e ainda me lembro destes tempos como se fosse hoje, adoro o filme e sou sempre capaz de me sentar em casa com um pacote de pipocas ou de estrelitas (depende do estado de espírito) e ver o filme como da primeira vez, da mesma forma que adoro ouvir a musica e ver o vídeo, imaginar-me de cabelo curto e cheio de laca, vestido apertadinho e sem pneu a cantar como um rouxinol, como eu achava que ia ser a minha vida um dia que crescesse.

 

Ando cansada de ver as noticias, mortos de manhã, à tarde e mais à noite. Crimes onde só os honestos são punidos. Ando com saudades de fazer tudo sempre com a MTV ou a VH1 como ruído de fundo, então esta semana deu-me para isso. Liguei a TV da cozinha para a VH1 e os crescidos não estão autorizados a mudar. Num dos dias dei comigo a ouvir musicas antigas, esta estava lá pelo meio, e lembrei-me destas coisas todas e muitas mais. Fica a musica e o vídeo para os que também gostam. Eu ADORO!

 

Uma curiosidade para quem não sabe, o guiam do filme foi inicialmente criado para ser uma espécie de reportagem que espelhasse a crua realidade das prostitutas em Hollywood, os sonhos com que chegavam e a vida em que terminavam, até que a Disney, sim a Disney, decide comprar os direitos sobre o filme e transforma-lo num dos maiores contos de fadas para adultos até hoje conhecidos. Li esta informação há poucos anos numa reportagem com a Julia Roberts. Ela quis desistir porque não lhe fazia sentido. Incrível as voltas que a vida dá, o que tem de ser será. Mesmo. Será que esta mulher seria a actriz que é hoje sem este filme?!

Eu, Dori

Ia escrever um post mas esqueci-me do quê.

Este cão precisa de um depressivo

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Leram bem, o cão precisa de um depressivo e não de um antidepressivo. Este é, apesar da sua aparência não tão glamorosa quanto seria de esperar, o cão mais alegre que conheço, arriscaria dizer que é o cão mais alegre do mundo. Vive num permanente estado de felicidade que às vezes penso que talvez seja um daqueles raros casos em que se lhe déssemos um depressivo o iríamos ajudar a acalmar a tola e a ficar mais tranquilo. Este tipo, de nome Boris – o que seria indicador de ser um animal perigoso, tipo máfia russa – vive num contentamento seja quando recebe festas, uma sapatada, um elogio ou um ralhete, está sempre de bem com os outros e com a vida. Não dá para não estar contente ao pé deste esgrouviado. Mas às vezes irrita um bocado esta alegria toda, uma pessoa a ter um dia de bosta e o tipo salta e salta e pula e pendura-se. A pessoa a empurra-lo e ele que não, que gosta de nós e nós temos de gostar dele. O campeão adora cães – sempre se parece comigo em qualquer coisa – e o Boris é o único a quem ele estende a mão em sinal de stop, como quem tenta dizer “é pá, para lá de gostar de mim um bocado!”.

Não se percebe. O tipo não come comida biológica, não tem uma cama de marca, nunca visitou um tosquiador para andar mais “amanhado”, não vive numa herdade com espaço para correr como um estouvado, mas é contente.

Não se entende.

Vai-se a ver e o tipo é que sabe.

Nota: Esta é a melhor foto que temos, uma mais nitida só anestesiado.

A felicidade exige uma nalga firme

 

Podem dizer o que quiserem, que ninguém nota, que ninguém quer saber, que a beleza vem de dentro e vê-se por fora e coisa e tal, mas a verdade é que uma gaja fica sempre mais feliz quando possui na sua bagageira pessoal uma nalga bem firme. Afinal de contas é para isso que a malta vai às corridas, aos steps, aos bodybalances e a essa treta toda. Se ficar com o cu alapado ao sofá desse rijeza ao dito ninguém se levantava. Em contrapartida alguém disse que agachar faz do rabinho um verdadeiro quebra nozes e a malta tá de agachar como quem passa a vida a apanhar merdas que cairam ao chão sem lá estar nada.

No inverno a coisa passa bem, sempre há a calcita com push up, daquelas invenções boas das quais sou cliente. Acho bem, que o que é bom não está só à frente. Inventaram o push-up para as mamitas e agora o push-up para o rabito. Faz sentido. Que há moças que precisam de levantar umas coisas e outras outras. No que me toca a mim tenho mesmo de levantar tudo. Por isso, se diz push eu compro. Quando chega o verão a coisa aperta de outra maneira que não se anda o tempo todo de saia comprida e aqueles calções curtos e giros da moda pedem mesmo para ser comprados.

 

Depois do parto foram já pelo menos 15 quilos que se piraram e agora é preciso enrijecer. Na busca da dureza muscular esta 6ª feira comprei um set de elásticos e, como chica esperta que sou, foi logo os de resistência elevada, sou uma pessoa com muita esperança e espero conseguir sempre o mais difícil. Chego a casa e estreio os elásticos. Fecho-me no escritório, penso nos exercícios e dá-lhe. Rijeza aqui vou eu. 

Na 6ª parecia que não tinha sido nada, por momentos até me arrependi de ter comprado os elásticos, não senti o efeito. Ontem já tinha uma moinha estranha nas pernas, mas pensei que tivesse dormido mal. Hoje tenho serias dificuldades em sentar-me, diz que me doem as pernas, e o peito também. De manhã assustei-me com isto de ter dores no peito ao mexer-me mas o meu cérebro lá fez o favor de me lembrar das andanças que me meti na 6ª passada.

São as coisas em que uma pessoa se mete para depois se enfiar no biquíni sem vergonhas. Que isto podem dizer o que quiserem mas a malta gosta de estar sempre preparada, não vá aparecer um paparazzi e tirar uma foto de costas. Eu cá gostava de ter um glúteo como o da Carolina Patrocínio. Mais firme impossível.

O pic-nic que quase não foi mas que acabou por ser

 

Há mais de 10 anos que não fazia um pic-nic. Nunca foi hábito em casa e só depois de atingir a maioridade e por desafio de umas amigas da faculdade, é que, na sequencia de uma viagem com campismo à mistura lá conheci o mundo dos pic-nics. Não abona muito a favor da minha história de infância, mas também nunca disse que foi radiante.

Numa daquelas coisas que se dá espontaneamente quando dizemos a alguém "lê lá aqui estas balelas que escrevo" e onde 2 pessoas que se conhecem à anos percebem ter mais em comum que alguma vez esperavam, surgiu o convite para um pic -nic na zona de Almada Velha. Sítios que devia conhecer como a palma da minha mão, uma vez nascida e criada nesta margem, mas que nunca pisei. Shame on me! 

Efectivamente, quem me diria que no final de todas aquelas ruas que palmilhei milhentas vezes em criança estava um jardim tão lindo, virado ao Tejo, numa tranquilidade sem par.

Como que numa sequencia de astros que se alinham para um dia bem passado, ontem ao fim da tarde recebi uma mensagem da natação do campeão a dizer que hoje não havia aula, ao que parece os professores iam fazer um curso qualquer por isso nada de aulinha. Chato para o pequeno, que gosta de andar a chapinhar na água, melhor para mim, que hoje tinha uma fornada de muffins de mirtilos, brownies e uma quiche para fazer até às 11 e meia. Sem a aula do pequeno sobrou mais tempo para tratar de tudo. Consegui cozinhar tudo o que tinha pensado, mais ou menos como tinha pensado e conseguimos sair de casa com pouco atraso. Isto estava tão alinhado que até estava a soar a estranho. 

De facto!

Quase no destino, eis que o pequeno olha para mim, abre a boca e projecta na minha direcção todo o iogurte que tinha comido antes de sair de casa. "Nuno para o carro!" Grito eu num histerismo mais ou menos controlado como se a criança estivesse a ter uma coisa má. O Nuno para o carro e vem dar uma ajuda. A criança cheia de vomito e eu também. Pego-lhe para perceber se já tudo pelo melhor, parecia estar, até abrir novamente a boca e projectar mais iogurte para cima de mim. Por momentos pensei que se tinha dado o milagre da multiplicação dentro da criança, só lhe tinha dado um iogurte mas ele parecia estar a vomitar um pack de 4.

Havia vomito branco e com odor a banana por todo o carro, eu tinha vómito até à mais intima parte do meu ser (e isto é no sentido literal). Pensamos, lá vai o pic.nic com o caraças, vamos ligar a dizer que não podemos. Ligamos, dizem-nos que esperam mais uns minutos, podia ser que a coisa se compusesse e, antes mesmo de o Nuno desligar o telemóvel já o artista saltava pelo carro só de fralda. Todo nu, eu toda cagada de vomito e ele, ali, assim, feliz como se nada tivesse acontecido.

Ele parecia estar bem. Havia vómito que se tinha limpo com papel de cozinha e toalhetes (abençoados toalhetes), o pequeno tinha mais 2 mudas de roupa na mala dele, por isso foi tranquilo e eu aprendi que tenho de ter uma muda para mim também na bagageira não vá ser inundada de vómito outra vez.

Seguimos para o pic-nic, felizmente eu como ainda estou um nadita engripada não dei pelo meu próprio cheio, que é uma coisa que não posso dizer dos restantes, dei de facto conta que se fumou muito, o que pode ter sido uma forma clara de mascarar o odor. Afinal de contas era por isso que o Pinto da Costa andava com a Carolina, ela acendia o cigarro e ele peidava-se à vontade. Assim ninguém dava por ela.

Não vou descrever todo o picnic, nem os tachos que se levavam, nem as pegas e muito menos o campingaz. Posso apenas dizer que esta malta é entendida nisto e não se atrapalha. Isto é outra liga, malta batida.

O pic nic foi o que se espera de uma refeição ao ar livre, toalhas no chão, tapetes próprios para pi nic (de certeza que há um nome técnico mas não sei), muita caixinha com comida, paparoca panada e frango assado. Geleiras com minis e umas coca colas para as crianças e para os caretas, neste caso nós.

O convívio de gente que no dia a dia é outra gente. De malta que gosta de rir para a vida e da vida. A melhor forma de a encarar. A loira certinha que faz uns truques de balé e é tarada por motas, a tipa gostosa, profissional assertiva que não é mais que uma menina bem disposta, boa onda e que até faz o pino, a tipa sorridente e descontraída que quer por os pés direitos mas não consegue, o agente da autoridade que é o agente da boa disposição, a tipa sorridente e despachada que ao contrário de mim não fica com comichões quando o cão se coça, que se lembra do que mais ninguém faz ideia nestas coisas do comer na rua, o super homem de verdade, que não trouxe capa nem se chama Clark, mas que afinal de contas também não é de ficção. O tipo que ninguém dá conta e de repente faz beatbox. A despenteada que parece credível mas que na maior parte dos dias não é lá muito crente no que faz, que se preocupa é com a ordem de cor com que come os M&M e com as verborreias que às vezes lhe saem sem querer. O tipo que é sempre o mesmo tipo com a sua criança, hoje com menos sarcasmo e mais pedalada para acompanhar o pequeno.

Os pequenos são os pequenos, livres, despreocupados, sempre ocupados em ser crianças, um dia vai chegar o dia em que têm outros papeis com que se preocupar. Até lá é correr, gozar o sol e trepar o que bem entenderem.

"Isto é tudo meio chanfrado". Pode ser, mas funcionam tão bem juntos que as peças fazem todo o sentido. Que no final das contas e dos copos todos sabem as falas do Dirty Dancing. Que não há julgamentos de valor nem tentativas de fazer parte. Quem está está porque quer, quem não está não faz falta. A não ser que quisesse ter estado e a vida sem permitir.

No fim disto tudo falta um special one, o Sebastião, Sabascão ou bastião, responde por todos ou por nenhum, reponde como lhe apetece, sempre bonacheirão e carinhoso. Conseguiu passar todas aquelas horas sem me fazer uma mija para a perna mesmo eu cheirando pior que qualquer arbusto. Já gostava daquele orelhas mas agora gosto ainda mais.

Um sábado perto de perfeito, não tivesse sido o vómito. Até o São Pedro que normalmente me azucrina a vida tirou o dia para dar uma folga à chuva e mandar uns raios de sol para a vitamina D.

Um dia, à minha parte, muito bem passado e que espero repetir, não sei se para os outros também, que a amizade pode tolerar muita coisa mas para tudo há limites e compreendo que o cheiro seja um deles.

Tenho de ter uma reunião com os meus órgãos....

 

Acho que vou começar a gerir o meu corpo como uma empresa. A minha tola é o CEO, o chefe máximo, mesmo não sendo neste momento a melhor a gerir o que quer que seja porque está ela própria ela mesma toda marada, aliás, de acordo com os exames mais recentes estará mais bamba que qualquer dos outros órgãos. E, talvez seja por isso mesmo que a outra "orgalhada" que tenho aqui para dentro esteja num reboliço só. Não há mão no leme e é o que dá.

Por isso vou agendar uma reunião com os meus órgãos, já tenho organizada a ordem de debate e a coisa vai-se organizar assim.

O intestinos têm de entender que o seu papel é tratar do que o estômago digere, gerir os sólidos e líquidos que mando cá para dentro. Não têm nada de gerir matérias gaseificadas, como às vezes insistem em fazer. Ele e o seu amigo estômago, que é o que me leva a andar a comprimidos para o revestir e não me debruçar com dores, andam a meter os pés pelas mãos. E começo a pensar que tenha de pôr em causa o seu posto de trabalho. E por justa causa!

Isto leva-me a este menino. O senhor estômago. O trabalho dele é digerir refeições, aproveitar o que interessa e mandar, literalmente, a merda para o intestino. Esse é o trabalho do compridinho, lidar com lixo. Cada um tem a sua função e se não gosta, aqui dentro não há mobilidades, nasceu com esta vocação tem de levar com ela até ao fim. Não gosta tem de aprender a gostar. É arranjar coisas que lhe dêem prazer para os tempos livres e levar o trabalho com mais calma.

Os meus pulmões parecem estar a passar muitas horas de conversa com o estômago, depois quando um faz uma pausa o outro, sem know how quer-se meter-se a fazer o trabalho do comparsa. Os pulmões são os únicos com autorização expressa para tratar de matéria gaseificada, não têm nada de gerir sólidos. É porque se metem nestas andanças que depois ando cheia de ranhoca e com dificuldade em fazer entrar o O2. Quer dizer, em vez de fazerem bem o trabalho deles, andam a dar a mão aos coleguinhas que tão bem é encostados à sombra da bananeira e depois a coisa dá asneira. 

Toda a constituição muscular anda baralhada, contrai-se em demasia nuns lados, criando dores e pontadas desnecessárias, como no peito e nas costas onde há mais ossos que banhas, em vez de se concentrarem em contrair, por exemplo, na zona das nalgas ou no pneu abdominal, que são sítios onde há de facto carência de contracção muscular a ver se se põem rijos para o verão. Se a componente muscular quer contrair porque está nervosa então que contraia o glúteo, é aí que faz falta a tensão muscular.

Para já estes parecem-me ser os main issues desta flash meeting que tenho de organizar. A ver se me lembro de alguma coisa para lhes prometer pelo bom trabalho, estão sempre a precisar de um agradozinho.

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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