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Em busca da felicidade

Portugal, Portugal, Portugal

E passámos aos quartos de final. E quem marcou o golinho, quem foi? E como se chama o menino que marcou o golinho? Ricardo. Lá está.

Porque é que não estava a jogar desde o inicio é que eu gostava de saber...

Mas enfim. Entrou. Brilhou. E levou-nos aos quartos de final. Isso é que interessa.

Não percebo nada de futebol. Para mim a grande área e a pequena área não passam de dois quadradinhos, um maior e outro mais pequeno. Não sei ver um fora de jogo e aborrece-me que se percam golos porque dizem que o avançado está fora de jogo. Para mim se está em campo, está em jogo.

Mas bom. Adiante.

Tenho clube mas só há pouco tempo percebi que o treinador é o Jesus. Não conheço os jogadores. Não acompanho campeonatos nem sei nada de taças.

Mas gosto de ver a nossa selecção. Gosto de ver o meu país a jogar. Gosto de ver as cores. De ouvir A Portuguesa. Um arrepio cá dentro.

E gosto muito, mesmo muito, de ver o meu país ganhar coisas!

Hoje ganhamos um jogo e eu fiquei mesmo contente pá!

Viva o Quaresma! Viva os nossos jogadores! Viva aos Portugueses que torcem pela bandeira! Viva PORTUGAL!

Diga não ao abandono

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Chegou o verão e com ele as coisas que mais gostamos. O sol, o calor, as roupas coloridas e leves, as férias grandes da escola, as sardinhadas e as saladas. Os pequenos almoços tomados na esplanada. Os passeios à beira mar e claro, aqueles 15 dias, aquele descanso com que sonhamos o ano todo. Aquele pedaço do ano em que vamos para um sitio diferente, talvez com piscina ou perto do mar, quem sabe com pulseira e tudo incluído. O nosso tempo. O tempo de descansarmos das obrigações do dia a dia.

Mas com o verão também chegam coisas más. Invariavelmente, e por mais que eu tente dar voltas à cabeça não consigo perceber, ainda há, nos dias que correm, com toda a informação, com todos os pedidos…centenas, senão mesmo milhares, de animais abandonados.

Ter um cão, ter um gato, ter uma tartaruga é exactamente a mesma coisa que ter mais um elemento na família. Com características diferentes, é certo, não digo que amemos os nossos cães como amamos os nossos filhos. É diferente. Bem sei. Mas é família. E na família ninguém fica para trás.

É assim que entendo. Como dizem nos desenhos animados. Na família ninguém fica para trás.

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Quando pensamos em ter um cão. Falo de um cão porque são cães que tenho. Podia aplicar-se também a um gato. Ou a qualquer outro animal. Quando temos na família um quatro patas, temos de saber das condicionantes. Que quando vamos de férias é possível que não venha connosco, dependendo do sitio para onde vamos. Que se calhar temos de arranjar um hotel para ficar, ou quem sabe pedir aquela pessoa amiga ou de família que tome conta enquanto estamos uma semana fora. Faremos o mesmo pelo amigo quando for a vez dele. Se não temos quem nos dê esse apoio, se não temos como pagar um hotel, então levamo-lo connosco. Se calhar assim não vamos para o resort, vamos para uma casa alugada que permita levar animais. Pessoas, vamos de férias na mesma! E isso é o que interessa.

Que raio de monte de esterco é preciso ser para conseguir parar um carro numa auto estrada e pôr um animal que nos ama com todas as forças do seu ser do lado de fora?! Fechar a porta e deixa-lo ali, assim, a correr a trás do carro.

Só um monte de merda. Corrijo. Um grande monte de merda. Bosta com respiração.

Uma pessoa, melhor ou pior, que defeitos todos temos, uma pessoa não faz uma coisa destas. Alguém que é capaz de fazer isto para mim não é gente. É bosta.

Não podem ter? É pesado financeiramente? Vão ter constrangimentos nas férias que não querem ultrapassar? Então não tenham animais de estimação. Arranjem uma pedra da calçada e façam-lhe festas de quando em vez. É melhor assim.

Quando era miúda nunca íamos de férias. Ficávamos sempre em casa. Íamos para Sesimbra de manhã fazer praia e depois regressávamos a casa. Era para isso que o orçamento dava. Numa das idas demos com um cocker preto pelo caminho. Perdido. O meu pai disse “olha outro”, o senhor de trás já estava a parar para ajudar.

Não percebi o que é que queria dizer com o “olha outro”. Depois explicaram-me. Não associei a nada, só sabia que o queria levar para casa. Não levei. Outra pessoa levou.

Marcou-me de tal forma. Que alguém tivesse deitado fora o seu cão que até hoje nunca me esqueci da imagem.

Um ou dois anos mais tarde ficamos com a Fofinha. Tirada debaixo de uns andaimes de obras. O dono da mãe tinha abandonado a cadela quando a descobriu grávida. Foi o ultimo pedido que a minha avó fez ao meu pai, seu genro. Que levássemos a cadelinha para casa, doía-lhe o coração vê-la ali, assim.

Foi a minha melhor amiga durante 13 anos. Estive com ela até ao ultimo suspiro, ou até a minha prima me arrancar da sala. Que eu não conseguia dizer adeus.

Não entendo. Não entendo quem abandona, quem devolve. Não entendo e Não quero entender.

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Por isso nada de pedidos, é mesmo à bruta, e como disse o Por falar noutra coisa

 

Este ano não sejas filho da puta…diz não ao abandono.

 

 

Não és tu...nem sou eu - II

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado)

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Chegamos ao bar e lá estão os amigos todos da Clara. Entra, estende os braços e abre um sorriso. Abraços e beijos. Ao tempo que já não se viam desde a ultima saída. As viagens exóticas, os restaurantes caros, o bronze da amiga com mais estilo.

Eu não tenho nada de aventureiro para contar. Para mim uma aventura, neste momento, é conseguir chegar ao fim do dia sem nódoas na roupa, sem ter gritado com ninguém por estar a dar cabo de alguma coisa em casa ou, por e simplesmente, por não estar a fazer o que deve. É conseguir, numa tarde que a criançada passa com o pai, despachar a arrumação da casa, abraçar-me a um balde de pipocas e ver um filme sem adormecer.

Apareço como uma sombra atrás da Clara. Não sem onde pôr as mãos, como cumprimentar as pessoas, não tenho razões para tamanha efusividade.

- Esta é a minha amiga Margarida. Está há 3 anos divorciada, o que dá mais ou menos...hummm, 1000 e tal dias...sem sair para beber um copo, engatar um homem, passar um bom bocado. Enfim, temos que ajudar a soltar-se um bocado.

Não ajudou. Ver a minha vida privada ali para toda a gente comentar, opinar, achar o que devo fazer. Não é de facto o cenário em que fico mais confortável.

Mas não foi por muito tempo. Depois dos comentários iniciais, do compreendemos a tua situação, do é que tenho 2 filhos e não é fácil, depois dos acenos de cabeça. Depois de tudo isso as pessoas continuaram a sua vida como é habito. A contar as suas histórias, as suas aventuras, as grandezas profissionais. Ali não há mães de 2, com afazeres enfadonhos, não há pessoas que discutem fim de semana sim fim de semana não com os ex-maridos. Seja porque estão em falta com as responsabilidades financeiras para com os miúdos, seja porque afinal têm uma coisa para fazer e não os podem ir buscar. Eu se calhar também tinha coisas para fazer. Mas ele já sabe que não sou capaz de virar costas.

A meu lado sentou-me um homem simpático. Insistia em rir-se para mim, em trazer-me mais uma bebida, em fazer-me perguntas vazias sobre a minha vida. Não demorei a perceber o que se estava a passar. Alguém me queria dar uma ajuda com a triste vida amorosa que tenho. Então alguém encontrou um amigo que não está num relacionamento e vá de tentar fazer de casamenteiros.

Detesto estas coisas. Detesto!

Levanto-me para ir à casa de banho. Respirar. O que estou eu a fazer aqui? Este não é o meu mundo? O mundo que conheço tem bolas de futebol sujas de relva espalhadas pela casa. Ténis gastos. Princesas com vestidos cheios de brilhantes. Discussões que não vão salvar o mundo. Lutas de irmãos e pazes cheias de amor. No meu mundo os dias acabam com o cabelo num carrapito e farripas desalinhadas para todo o lado. Umas calças de ganga gastas que não combinam com a t-shirt velha, os pés nus e um copo de vinho depois de os miúdos adormecerem. Um suspiro antes de deitar.

Quem sabe fechar os olhos e sonhar com o príncipe encantado, que não precisa vir a cavalo, nem mesmo num bom carro. Basta que me dê carinho. Que fique.

- Desculpa mas vou andando. Estou com uma dor de cabeça terrível e tenho de me deitar.

- Mas não trouxeste carro. Queres que te leve?

- Não, deixa, eu apanho um táxi. Diverte-te.

A dor de cabeça é a melhor desculpa do mundo. Não só para dar aos maridos quando o dia é longo e não há vontade, mas também para despachar aquela amiga que já está com um copo, que nos levou a sair porque estamos sempre em casa, e que agora não tenho cara de lhe dizer que estou farta de estar aqui.

Entro no táxi e digo a morada. Ainda vou a tempo de um copo de vinho e um episodio do Castle que tenho gravado.

Chego e dispo-me de tudo o que faz de mim a pessoa que já não sou hoje. Lavo a cara e volto a encontrar a Margarida. A Margarida de hoje.

Deito-me no sofá e recosto-me. Estranho o silêncio e por segundos desejo que estivessem em casa. Como é possível? Passo os dias a desejar que queiram ir para os avós e agora, agora que posso estar só eu, sinto-lhes a falta.

O episodio vai a meio quando o telefone toca.

- Estou.

- É a Dona Margarida Rodrigues?

- Sim, a própria.

- Estamos a ligar-lhe do Hospital de Santa Maria, a sua amiga Clara teve um acidente de viação. Pode vir até cá?

Nem me lembro se respondi. Voei para lá.

Feita louca procuro pela Clara. Tento parar todos os auxiliares e enfermeiros a perguntar se me conseguem ajudar, até que a ouço.

Já ligaram à minha amiga ou não?! Estou certa de que me vem buscar. Alguém disse mais qualquer coisa que não ouvi. Eu não estava embriagada. Aquele otário é que não sabia o que estava a fazer. A mesma pessoa disse mais qualquer coisa. Fez-se silêncio.

Vejo um médico sair de dentro de um gabinete e caminhar em minha direcção.

- Pela descrição da sua amiga e pelo seu ar desnorteado presumo que seja a amiga da D. Clara.

- Sou sim.

Tenho de estar preocupada com aquela tola, mas não consigo deixar de reparar no médico. Tem qualquer coisa. Qualquer coisa que me faz ganhar consciência de que tenho umas calças de fato de treino cheias de nódoas vestidas, uma t-shirt que, muito provavelmente tem pelo menos um buraco. Que o meu cabeço parece um espanador, que pareço ensandecida. Faz-se ganhar consciência e ficar incomodada. Fecho o casaco como reflexo. Como quem tenta esconder-se na roupa porque não encontra um buraco.

- A sua amiga bebeu demais e depois decidiu conduzir. Não lhe aconteceu nada de grave, mas podia ter acontecido. Não lhe quero dar alta, mas acho que vou ter de o fazer. Francamente, porque está a dar cabo da cabeça de todos nós aqui.

- Sim, a Clara consegue ser um pouco...um pouco...

- Inconveniente e incorrecta.

- Sim, talvez.

- Por isso peço que a leve para casa e lhe faça companhia. Ela bateu com a cabeça e nesses casos só podemos deixar o paciente ir para casa se estiver acompanhado. Pode leva-la?

A Clara continuava a gritar com mais alguém lá para trás. Qualquer coisa de que se queria ir embora.

- Posso. Não tenho vontade. Mas posso.

Sorriu. Sorriu para mim. É só pena, estúpida. Só pode ser pena. Até eu tenho pena de mim.

- Muito bem. Peço então só que assine este documento. 

Assinei.

- Vou então passar-lhe a alta. Tem aqui os meus contactos aqui no hospital, o e-mail e o telefone. Irá para o geral e depois alguém me passa ou me vai chamar. Peço-lhe que me dê alguma informação amanhã de como está a sua amiga...simpática!

Voltou costas e foi à vida dele.

Eu fui à minha. Com a Clara a reclamar o tempo todo no carro. Os infortúnios da vida dela e eu, eu a sonhar que tudo tinha acontecido meia hora mais cedo. Que tinha ido busca-la ainda como uma crescida composta. Que aquele homem maravilhoso tinha reparado em mim. Que lhe mandava um e-mail e ele respondia:

- Gostava de convida-la para beber um café. Aceita?

Não és tu...nem sou eu

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado)

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A culpa não era só minha. Mas também não era dele. Ambos tínhamos falhado. Não sei bem no quê, defeitos todos temos, por fases todos passamos. Quando os filhos nascem precisam mais da nossa atenção. Vestimos menos saias e mais calças. Mais rasos e menos saltos. Depois os miúdos crescem, chegam aos sete, aos oito e nós ainda não calçamos saltos. Não é que não tenhamos vontade, é que não dá jeito dar conta das tarefas todas com os saltos calçados. Para além disso os pés já estão destreinados e mais parece que caminhamos numa falésia. Acomodámo-nos ao confortável.

Acomodei-me.

A culpa não era minha. Nem dele. Só tinha encontrado alguém mais descomplicado. Alguém que não tinha filhos, não queria filhos logo não vivia para eles. Alguém que não dizia que não apetecia a maior parte dos dias da semana. Apetecia sempre. Alguém que não tinha um emprego exigente do qual não podia desistir porque tinha uma hipoteca e dois filhos para criar. Alguém que se cuidava, que garantia que cada nádega era uma bola lisa e não uma laranja gigante. Alguém que rodopiava da praia sem pneu a abanar. Alguém que se bronzeava por completo e não apenas nas pernas, com a vergonha de despir a t-shirt.

Alguém que não promete ir ao ginásio. Vai. Tem vida e tempo.

Não faz o jantar. Nem sabe cozinhar. E isso é motivo de rir.

Cá em casa não riamos. Almoçar fora todos os dias era coisa de quem ganhava mais. Agora é normal. Que o dinheiro serve para gastar, não para guardar.

A culpa não é minha. Não é dele. É de ambos. Não resultou.

Foi a explicação para as malas à porta de casa. Para dar um beijo aos filhos e sair. Eles não perceberam nem eu. Acho que vou demorar alguns anos a entender. Porventura porque tenho tantas responsabilidades que não vou ter tempo para encaixar as ideias todas e chegar a uma conclusão.

Recusei-me a chorar. Choro pela minha filha, choro pelo meu filho. Mas não choro por quem não quer estar perto de nós.

Tem direito a ser feliz. Tem.

Eu também. Mas as responsabilidades alguém tem de as ter.

Alguém tem de olhar pelos miúdos. Educa-los. Dar-lhes amor e carinho. Leva-los à escola. Ir busca-los. Garantir que tomam banho e fazem os trabalhos. Que dormem a horas e não têm a cabeça enterrada na playstation.

Alguém tem de cozinhar. Limpar a casa.

Alguém tem de ser o adulto. E isto tudo com um trabalho a tempo inteiro porque as contas não se pagam sozinhas.

Perguntam-me porque não saio mais. Porque não encontro ninguém. Acham que eu é que sou esquisita. Ou que ainda estou presa ao meu marido, na esperança de que não tenha passado de uma crise de meia idade e que volte para casa, de cabeça baixa, redimido, percebendo, reconhecendo que o seu lugar é ao lado da família.

Não o quero.

Não foi preciso muito tempo depois de ter saído para eu perceber que a nossa vida já tinha acabado. Para eu perceber que foi melhor assim. Ele queria uma mais jovem, descomplicada. Eu quero, se conseguir, encontrar um companheiro, alguém com quem partilhar uma família e uma vida. Não uma criança que nunca cresceu e nem sabe lavar a própria loiça.

Pegou nas malas há 3 anos e eu olho-me ao espelho, de saia e blusa meio transparente. Saltos altos com os pés aos gritos. Maquilhagem. Pela primeira vez em 3 anos.

Nem me reconheço.

Foram os miúdos. Foram eles que me convenceram. Que ligaram aos avós a pedir para lá ir passar o fim de semana. Que convenceram a Clara a levar-me a sair. Beber um copo.

Já não sei beber ir beber um copo.

Andamos a precisar de ir à bruxa

 

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Confesso que não sou pessoa destas andanças. Não acredito em tudo o que me contam, mas a verdade é que às vezes há porras que ninguém consegue explicar por isso. Longe da porta, se as conheço, não, mas cada vez mais começo a acreditar que elas há, há!

Há dois fins de semana que ficamos com os passeios condicionados pela minha fraqueza. Em resumo as minhas quebras de tensão acentuadas. Tenho, por regra, a tensão arterial de um canário, e quando a coisa vai abaixo, fica mesmo ao nível do "vais bater com a mona no chão que te lixas". Como já vou reconhecendo os sintomas toma lá de evitar chegar ao ponto de ficar pregada ao chão.

Como o verão está à porta uma pessoa esconde-se mais do açúcar, substitui por outras coisas mais saudáveis, e o que é que acontece, o corpo fica ainda mais fraco porque, com a minha genética, excesso de coisas do bem dá em fraqueza do lombo. Devo ser a única pessoa que tem toda a força de vontade para fazer uma vida totalmente saudável e o corpo rejeita. A sério que não se entente. Quer dizer, até se vai entendendo, com os genes que herdei, de um pai que se comer brócolo corre sérios riscos de ficar doente, é capaz de ser isso. As células começam a receber muita coisa boa e fazem greve. As porcas.

De maneira que a semana passada passei o sábado um bocado aflita e ontem vai da mesma coisa. 

Devia ter metido açúcar para o bucho, e bem que comia chocolate, só algumas horas mais tarde percebi que não podia fazer grande efeito porque era chocolate do Celeiro, sem açúcar.

Como é que se resolver? Nas urgências? Não, podia ter sido numa tasca. Resolveu-se com um pastel de bacalhau, meia embalagem de cheetos e uma taça de tremoços. Tudo bem salgadinho.

Hoje o meu sogro veio ajudar o Nuno a pôr o Peugeot a pegar e os cabos não funcionavam. O Nuno deixou a chave no carro porque o fecho centralizado não estava a funcionar. O meu sogro foi comprar cabos novos. Ligou-os sem saber que a chave estava dentro do carro. O que é que aconteceu? A chave ficou fechada dentro do carro.

Boa!

Agora andamos a ver com malta de se dá com manfios se alguém sabe como abrir a porta do carro.

E é isto.

Deve ter havido para aí macumba de alguma porca (homem ou mulher, se me quer mal é badalhoca) que não satisfeita com o que a vida lhe dá prefere rogar pragas aos outros.

Ou isso ou andamos a rezar pouco aos santinhos.

Parece que tenho uma sensação de deja vu, o ano passado mais ou menos por esta altura foi a mesma cagada. Dá a ideia de de vez em quanto vem uma aragem de azar que uma pessoa até se arrepia toda! Fdx!

Eu descasco a fruta ao meu marido

 

Antes de mais impõe-se esclarecer que este não é um post sobre a explicação de onde vêem os bebés, até porque este não é um blog de educação sexual. Não é também um post sobre a minha vida intima, até porque essa meus caros, é para meu conhecimento e não para partilha.

Retirado que está o cavalinho da chuva quanto a quem pense que aqui vai encontrar um post de bolinha, passemos ao que interessa.

Eu, descasco a fruta ao Nuno, literalmente. No fim da refeição, eis que estão duas pecinhas de fruta em cima da mesa e a Cátia processa o descascamento para os dois. No futuro faço todas as intenções de o fazer também para o meu príncipe, que é para ver se o tipo pensa duas vezes antes de arranjar uma lambisgóia qualquer que não o trate como o membro da realeza que ele é. 

Não ando para aí a contar aos sete ventos, tirando agora, que fica a saber quem quiser, mas, das poucas vezes que o comentei obtive uma reacção quase aterrorizada das pessoas com quem falava, quase parecia que eu, por descascar uma maçã ao Nuno estou a pôr em causa tudo o que as mulheres conquistaram no ultimo século.

Pois bem, vamos lá esclarecer aqui umas coisas, eu não sou propriamente uma submissa cá em casa, que anda de lenço na cabeça e avental o dia todo, com os tachos às costas e a tratar da lida da casa. Eu sou tratada como uma verdadeira princesa, e é exactamente por esse motivo que eu também gosto de fazer um miminho aqui e ali. Se esse mimo passa por descascar uma peça de fruta ou tirar as espinhas do peixe, não vejo qual é o mal. 

Às vezes parece que, porque as mulheres foram subjugadas durante anos a tarefas domesticas, quase consideradas como mentecaptas em algumas circunstâncias, a velha máxima de que "o lugar da mulher é na cozinha", que se escolhermos fazer alguma coisa em forma de agrado à pessoa que amamos, com quem partilhamos vida e que nos trata nas palminhas, estamos a ir contra tudo o que acreditamos e devemos acreditar.

Quando digo às pessoas que sou eu que cozinho a maior parte das refeições, ficam a olhar para mim e parece que já estão a ver o avental, se calho a dizer que descasco a fruta ao Nuno, então....esbugalham-se os olhos e já só sabem fazer a mesma pergunta vezes sem conta "mas porquê? isso é tão dos anos 50". O que as pessoas depois não querem ouvir é que só cozinho eu porque gosto e me safo melhor, que quando não me apetece é ele que desenrrasca a coisa ou vamos comer fora. Que é ele que limpa a casa toda, que é ele que toma conta do filho para eu ir ao cabeleireiro e à esteticista (nada mais que a sua obtigação, afinal de contas não o fiz sozinha, e é exatamente ele que me o diz sempre que fico com sentimentos de culpa por não ficar eu com ele), que é ele que adormece o filho para eu poder vir para aqui escrever quando me apetece. Não ouvem que insiste em fazer tudo por mim e que só faço aquilo que me apetece fazer. Que cá em casa tentamos dividir tarefas mas ele fica sempre com as mais chatas para eu não me "cansar" (diz ele), ou porque sabe que eu não gosto de as fazer. 

Não sou ninguém para explicar aos outros o que é viver casado, o que é tratar bem e ser bem tratado, até porque isso varia com os gostos de cada um. Mas sei que não há mal algum em fazer alguma coisa de agradável a quem nos trata bem, em mostrar em pequenos gestos que percebemos que somos cuidados e não só quando recebemos uma pulseira de brilhantes ou somos levadas a jantar a um restaurante com muitos talheres.

Afinal de contas a mim ninguém me pediu que descascasse nada, ninguém pegou numa maçã e numa faca e disse "mulher, descasca para mim!". Até porque se isso tem acontecido não comia a maçã, comia com ela um sem numero de vezes, mais ou menos tantas quantas fosse preciso para eu me cansar.

Por isso pessoas, se me virem a descascar uma maçãzinha para o meu companheiro desta vida, não se choquem, não foi ele que me pediu, não foi ele que exigiu e provavelmente por essa hora ele já fez tantas coisas por mim que se eu descascasse uma melancia inteira os pratos da balança ainda não estavam equilibrados.

Deixo aqui aquela que para mim é a musica do momento, que fala mesmo destes temas, das mulheres que ainda vivem subjugadas aos maridos, aos patrões, aos homens em geral. Na minha vida não há subjugação, a nada nem a ninguém, até porque não sei viver de cabeça baixa. Todos devemos ser iguais e não há tarefas de ninguém porque é homem ou mulher. Mas há que saber ver quando nos tratam bem, há que saber retribuir, seja de que forma for, quem sabe com um avental desprovido de qualquer outra roupa. You name your poison...eu só busco a felicidade, não julgo, cada um que a encontre onde tiver que a encontrar. Eu, neste momento, é nesta musica, que tem um ritmo que só esta senhora sabe entregar, e quem sabe no descascar de uma maçã para aquele que tanto faz para que o meu dia seja o melhor que pode ser.

 

A serenidade de uma aula de Yoga

 

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Já tinha saudades de fazer uma aula de Yoga. A tranquilidade que sinto no final. Depois de todas as asanas, depois das respirações profundas. As musicas zen. O esquecer das chatices do dia a dia e ficar ali, assim, serena.

No ginásio têm aulas de Yoga mas nunca tinha ido. São às 19 e 30 e isso é demasiado tarde para a minha cabeça, significa que ficamos até depois das 20 e que só chegamos para apanhar o pequeno perto das 22.

Mas tenho andado mais agitada. Mais responsabilidades, mais pressão, mais obrigações, mais ansiedade, menos bem estar. O aperto no peito de quem passa o dia a respirar de forma forçada, de quem passa o dia com os ombros contraídos sem se dar conta.

Pensei que talvez não fosse má ideia ir uma vez. Experimentar. Até podia nem gostar, com aquelas aulas todas de ginástica a bombar logo ao lado.

O Nuno estava na duvida. E assim se manteve até depois de a aula começar.

Para mim foi um bocado estranho. Estava habituada a aulas na praia, em jardim ou a meia luz, com professoras que arrastavam os "s" até serem só um assobio. Aulas a acabar com as ondas do mar ou o som dos passarinhos a cantar.

Hoje foi numa sala onde tinha acabado uma aula de TRX antes de começarmos o momento zen.

O professor é um porreiro, muito dinâmico e as musicas estavam óptimas. O que foi bom para contrapor o som da musica de pum-pum-pum das outras aulas.

Quando acabou nem sabia ainda responder se tinha gostado ou não. Estava meio out.

O Nuno gostou. Não é bem a praia dele mas diz que veio mesmo a calhar com o dia agitado.

Eu, que tenho andado a mim, quando cheguei ao balneário estava tão tranquila que quase achei que me estava a dar uma qualquer sensação de desmaio.

Mas não, estava mesmo, mesmo, só muito zen.

Soube-me lindamente. E tenho cá para mim que vou lá aparecer mais vezes. De certeza que não vai ser todas as semanas, mas de quando em vez. De quando em vez vai ter de ser.

Ando a trabalhar para o bronze

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(atenção que não sou eu na foto. achei que o post ficava melhor com uma gaja boa) 

 

Literalmente.

Há mais de 10 anos que não sei o que é estar bronzeada. Ora que não vou à praia vezes que cheguem, ora que quando vou não me escarrapacho tempo que chegue para os UV porem a melanina a funcionar. Ora que vou à praia pouco e de tão branca que estou o sol parece desistir de mim. Porventura é daquela coisa de que o preto absorve todas as cores e o branco emite todas as cores. O sol bate, vê um branco tão branco que nem pega em mim.

Estou farta de saber que sou morena, com pele naturalmente mais escura e andar branca como um saco de farinha.

A fartura da transparência de pele este ano bateu-se-me mais forte e eis que decidi ir pôr o lombo no solário. Já sei que este ano por mais que me esforce, de forma natural a coisa não se vai dar. Com uma criança de ano de meio só dá para ir à praia bem cedinho e quando o sol começa a apertar é para estar a caminho de casa. Para além disso, mesmo que pudesse estar esparramada ao sol nunca fico muito tempo pela praia. Começo a ficar cheia de calores e enfadada de estar ali, tipo bacalhau na seca. Depois de 2 ou 3 horinhas e de uns capítulos de um livro estou é pronta para me fazer ao caminho e ir fazer outra coisa qualquer.

A coisa abateu-se-me quando os primeiros raios de sol apareceram e fui buscar as minhas sandálias lindas, cremes, e depois de as calçar percebi que a única coisa que diferenciava as sandálias dos meus pés eram as unhas pintadas de rosa choque.

Não podia ser!

Assim, ganhei coragem e lá fui pedir informações. Que ia começar com a máquina mais suave, que devir por creme, de preferência do que ajuda a ganhar bronze, que devia usar uns óculos próprios e que o batom para os lábios era obrigatório. Quanto a roupinha. Podia ser com alguma ou com nenhuma. De fato é que não fazia sentido.

Marquei para ontem e lá fui.

Caguinchas como sou não quis comprar logo o pacote, deixe-me experimentar, se gostar então compro um pacote. Isto porque aquilo passa-se tudo dentro de um tubo com luzes. Tubo esse que podia aquecer demasiado e eu, pessoa sensível e com tensão baixa podia dar-me mal com a porra do calor.

O senhor explicou que tinha ventilação e que era tudo muito mais fresco do que na praia.

Certo, mas se me derem os calores não posso ir à água refrescar. Pensei.

Lá fui.

Considerando o tédio que ia ser, 15 minutos dentro do tubo iluminado, perguntei se o Nuno podia ficar comigo. Assim sempre ia conversando e o tempo passava mais depressa. O senhor que não, que não era possível.

Fiz aquela cara de quem aceita porque são as regras da casa, mas que não entende.

Não me leve a mal, é que houve pessoas que entravam pagando uma sessão só para uma pessoa e depois de fechar a porta, a outra pessoa despia-se e também entrava para a máquina.

What!?

A sério, isto há malta para tudo. Se eu já achei a máquina apertada imagine-se dividi-la com mais alguém.

O Nuno lá subiu para me ajudar a barrar a parte de trás do lombo com o creme e depois saiu.

Eu enfiei-me na máquina e lá fiquei durante uns entediantes 15 minutos.

Quando saí quero acreditar que se notasse qualquer coisa. Mas tenho mais 5 sessões pela frente.

Agora é cumprir com as sessões e encher o bucho de cenoura (que já ando a comer a rodos). Diz que ajuda ao bronze.

Este ano, se tudo correr bem, e vai correr, vou de férias escurinha. Bem morenaça. E com olhos de águia, com a cenoura que ando a papar…

Vão ver!

O que se passa pessoas? Alguém me explique

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Uma mulher não passa a freira porque foi mãe. Uma mulher continua a ser mulher mesmo depois de dar à luz uma criança. Uma mulher continua a ser esposa, namorada ou a querer uma história de amor (ou apenas algum prazer ocasional, cada um sabe de si). Agora, quando temos uma criança pequena as coisas mudam. É natural que mudem.

Isto cá em casa não é nenhum deserto, mas é verdade que depois de aparecer este meio metro de gente as coisas têm uma, digamos, “logística” diferente. Parece-me natural que assim seja.

Não gosto de criticar as escolhas dos outros. Sou da opinião que cada um sabe da sua vida e que temos de respeitar as opções de cada um. Agora, fazer sexo em pleno jardim com uma criança de 6 anos ao lado. Não consigo entender.

Pessoa, o que lhe passou pela cabeça?

Não vi vídeo nenhum, calhei a ter a televisão ontem no telejornal e a ver apenas uma imagem estática, em que está a mãe em cima de um senhor, e a criança ao lado, a olhar para o horizonte enquanto a mãe se “diverte”.

Como? Como é que a pessoa tem libido com a filha de 6 anos a ver?

Estaria a pessoa sob efeito de algum alucinógeno? Não daria para esperar que estivessem em casa e a criança estivesse a dormir, para se fecharem num quarto e tratarem do assunto? Se procuravam uma coisa mais quinki não daria para deixar a criança com uma amiga, um familiar (com os neurónios no sitio) e então ir ao desvario?

Não entendo.

Com as coisas que vou vendo cada vez mais tenho medo desta coisa que é a tola humana. Às vezes parece que pira de vez.

Mas por hora, por hora, não entendo.

Desculpem, mas não consigo.

Até que enfim, uma decisão sensata

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No passado dia 09 de Junho, como uma espécie de prenda atrasada para a minha pessoa, foi aprovado em Parlamento o fim do abate de animais em canis municipais. Já não era sem tempo.

Nunca entendi esta coisa de abater um ser vivo pelo simples facto de ele existir. Como se o incomodo causado pela sua existência fosse tão grande que o melhor era ter um fim. Nunca percebi e nunca vou perceber. Porque raio alguém merece morrer só porque existe?

Controlo de população. É uma questão de saúde publica. Podem dizer. Então porque nunca se fez o que se propõe agora? Garantir a esterilização dos animais para que não se reproduzam de forma não controlada, criando mais animais abandonados, em vez de lhes tirar a vida?

É contra natura cheguei a ouvir. Contra natura?! É contra natura esterilizar um animal para que não tenha ninhadas indesejadas, mas já não é contra natura matar porque existe.

São aquelas coisas que nunca vou entender. Como a tourada. Como a matança do porco.

Não sou vegetariana. Não sou moralista. Só me faz confusão que se faça da morte de um animal uma festa. É só isso.

Mas enfim. Chegou o momento de seguir em frente e parar com a crueldade. Trabalhar na prevenção, esterilizando os animais, em vez de os abater.

Por mim tinha entrado em vigor ontem, mas infelizmente vamos ter de esperar até 2018. Não sei bem porquê. Pode parecer simplista, mas é só parar de dar injecções que levam ao fim e contratar veterinários para esterilizar.

Diz que não, ainda vamos esperar ano e meio.

Mas bom, concentremo-nos na parte boa. Em 2018 algo de bom vai acontecer. E isso já é um passo.

Agora só falta começar a por atrás das grades os que os abandonam. Os que os deixam presos aos rails porque no resort de férias não aceitam animais. Mas deixam bestas entrar.

Dia 9 foi um bom dia. Um dia sensato.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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