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Em busca da felicidade

Concorri mas não ganhei #5

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

O pequeno bairro escondido no meio das montanhas acordou sombrio e escuro depois de meses de alegria. O som dos gritos da mulher do médico ecoava pelos montes e transportava pelo ar a dor de quem perde quem ama. De quem perde a razão de viver.

- Não se entende quem o possa ter feito.

Tinham chegado aquela cidade ainda tudo era cinzento. Os miúdos corriam pelos campos sujos e descalços, não viam livros nem cadernos, comiam o que havia e entregavam-se às brincadeiras parvas que a ignorância traz. Os pais trabalhavam de sol a sol nas minas. Chegavam a casa tão escuros quanto os dias. Esses que não pareciam mais claros que a noite.

- Falta alegria a esta gente. Falta alento.

Disse para a mulher no dia em que decidiu ficar. Montou o consultório para tratar as maleitas de quem só lhe pagava em galinhas. Às vezes um queijo. Outras hortaliças.

- Aí doutor que me morre o homem.

Demasiado tempo dentro da mina. Falta de sol e uma alimentação de tripas e pão.

Aos domingos fazia de pastor. Trazia as histórias do Senhor. Falava da luz que havia para lá das montanhas. Da vida que ninguém conhecia. Passava os domingos sentado no jardim do bairro, a ensinar aos miúdos as letras. Que a vida podia ser diferente das minas.

Mesmo sem luz aquela gente foi ganhando alento. Dias melhores podiam vir.

- Porque faria alguém mal ao médico?

Estava um dia sombrio e os gritos chiavam aos ouvidos de todos. O bairro acordou em agonia.

- Mataram o médico!

A mulher foi encontra-lo estendido no escritório. No meio do próprio sangue. O bandido tinha entrado pela janela.

A mulher, essa enlouqueceu e o bairro, o bairro voltou à escuridão que o carvão das minas reserva sem perdão.

Concorri mas não ganhei #4

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

Almada, 23 de Agosto de 2010

(como disseste “uma carta leva sempre data”, aqui vai ela. Nos e-mails não usamos isto, tens de abrir conta avô)

Tenho que te dizer, bela jogada. Estava mesmo a ver que me levavas o rei, mas não.

Como estás, avô?

“E tu rapaz?” Não é? Quase te ouço e tenho vontade de rir.

Estou bem. Tenho saudades tuas. Tenho saudades da aldeia. Das tardes passadas no alpendre, entre jogadas de xadrez, histórias do Ultramar e uns pedacinhos de pão com chouriço. Sempre um canto do pão. Sempre um pedaço de chouriço em cima. E a tua navalha que trouxeste da Guiné.

O pão aqui não sabe ao mesmo. Compro montes de pães com chouriço na cantina da escola, mas nenhum sabe da mesma maneira.

A mãe inscreveu-me num monte de atividades bué muito cansativas. Agora ando no Karaté, duas vezes por semana ao fim da tarde, na natação, noutros dois dias e ao fim de semana vou ao futebol.

Há montes de tempo que não vejo as minhas series na TV. Tenho saudades dessas tardes sem fazer nada depois da escola. Das tardes que passava em tua casa.

Aqui não vamos para a rua brincar. Fico sempre fechado em casa. Por isso é que ando em tantas atividades.

Tenho saudades da tua casa avô. Do cheiro a lenha acabada de cortar no Inverno. De te ajudar a carrega-la enquanto discutimos a minha ultima jogada.

Tens de falar com a mãe para ela me deixar ficar contigo nas férias. Está bem?

Porque é que não vens passar uns tempos connosco? Temos um quarto a mais.

Pensa nisso. E depois diz-me se queres começar um jogo novo.

Este acabou.

Adoro-te avô e tenho saudades tuas.

p.s.: rainha para bispo, C5 para F8. Xeque-mate

2 Anos e as Férias para esquecer (ou então não)

aniversario-2-anos.jpg

 

Quem aqui vem com alguma regularidade sabe que, com exceção do fim de semana, sou pessoa para aqui escrever umas coisas numa base diária. Mas depois há momentos da vida em que as coisas não correm de feição e então não há nada como parar para pensar na vida e fazer um pause nas rotinas que pautam os nossos dias de sempre.

 

Ansiávamos por uma semana de férias como quem anseia por um copo de água no meio do deserto. Cansados e desgastados das obrigações e tarefas de todos os dias. Com horas de sono em divida e olheiras até aos joelhos.

Quando temos 18 anos e atingimos a dita liberdade que a maioridade comporta ninguém nos explica com detalhe que a liberdade se aproxima mais de uma espécie de conceito utópico do que da pura realidade. Deixamos de estar presos às regras impostas pelos pais para passamos a responder às responsabilidades. É a elas que temos sempre de perguntar se pudemos fazer o que nos apetece. O nosso maior ditador é o Tem-que-ser.

A sexta feira chegou com um suspiro de alivio que tremeu quando o Nuno se começou a sentir mal ao final do dia. No sábado acordou pior e no Domingo estava o pequeno doente também. Eu, que normalmente sou pior que uma flor de estufa, estava a passar pelos pingos da chuva. Até ter quase desmaiado no consultório veterinário a meio da consulta da Tulipa, pensei mesmo que ia cuidar do marido e filho e que as férias iriam passar numa brisa. Afinal de contas ainda era segunda feira.

Segunda mal me aguentava de pé. Terça estava mais ou menos. Quarta o pequeno mal se segurava nas pernas e à hora de almoço já andávamos os 2 a sumos de probioticos para reestabelecer a flora intestinal.

As férias pareciam cada vez menos férias e evitava-se a consulta médica porque aquilo ia passar a tempo de festejar o aniversário do pequeno na sexta feira e fazer a festinha no domingo.

Na quinta arriscámos sair de casa para comprar a prenda do pequeno. Não tínhamos ainda comprado nada. Afinal de contas tínhamos uma semana inteira de férias para tratar de tudo.

Voltámos para casa com um Panda que dança e um par de ténis.

Na sexta feira chegou o dia mais importante da minha vida. O meu pequeno fez 2 anos e eu continuava doente, ele também e o pai ainda não estava melhor.

- Amanhã chamo um médico cá a casa.

- Porquê amanhã?

- Porque não queria chamar um médico no dia de anos dele.

- Tem de ser, Cátia.

 

Chamámos um médico. E resumindo, porque confesso não me apetecer contar detalhes e pormenores, eu e o pai apanhámos uma bactéria na garganta, causando uma amigdalite que já se arrastava com a tosse. O pequeno terá apanhado uma gastroenterite que passou para nós.

Ou seja, ainda não disse mas esclareço agora, para além de passarmos as férias fechados em casa, doentes, de pijama, mal conseguimos comer e as tags mais usadas foram frango, canja e chá.

Ligámos à família e amigos para desconvidar para a festa de aniversário. Uns já não podiam ir, os que tinham crianças achamos melhor não irem. Especialmente a grávida.

 

Se chorei nesse dia? Chorei. Porque de todos os dias do ano, tínhamos de estar doentes neste.

 

Depois limpei as lágrimas e lembrei-me que estávamos todos juntos. Que o miúdo, apesar de andar a sumos probioticos e saquetas, estava contente. Que passámos 7 dias alapados uns aos outros sem pensar em tarefas e afazeres. Sem nos lembrarmos de compromissos. Sem nos deixarmos stressar com o que quer que fosse.

É que o estar doente tem isso mesmo. Impõe-nos o descanso que muitas vezes nos subtraímos.

Serviu para pensar que se calhar preciso levar a vida com outra calma. Com outra leveza. Que o stress pode mesmo dar conta de nós. Que é preciso passar mais tempo a viver e a saborear os momentos.

 

Não tive vontade de escrever. Não me apeteceu partilhar. Não me apeteceu sentar-me para contar um aniversário que devia ter sido diferente.

Mas foi o possível.

Aprendi com este ser que amo acima de tudo que a vida pode ser perfeita com as mais pequenas coisas. Decidimos que, apesar de doentes, não íamos ficar fechados em casa todo o dia de aniversário dele. Decidimos que íamos dar uma voltinha. Fomos ao shopping. Deixámo-lo correr pelos corredores e entrar nas lojas de telecomunicações para trazer panfletos. Ir às sapatarias correr e mexer em todos os ténis que lhe apetecesse.

As senhoras das lojas deviam pensar que éramos loucos.

Ele sorria e gargalhava. Nós esquecemo-nos que estávamos doentes.

 

No Domingo tirámos os pijamas, vestimos uma roupa composta, colocámos a mesa com a toalha do panda e recebemos os avós, os tios e a prima (que é quase uma adulta, mal acredito) para cantar os parabéns! O bolo com o panda, que tinha sido encomendado um mês antes e que tinha tamanho para quase 20 pessoas, estava ali, para ser comido pelos que restavam.

Passámos um bom bocado, o pequeno estava contente. E isso, é mais importante que qualquer outra coisa.

 

Acredito piamente que as coisas acontecem por um motivo. E nós temos apenas de prestar atenção para perceber o que está bem e o que tem de mudar.

 

Pensei bastante se escreveria este post, depois lembrei-me que, fossem dois leitores ou dois mil, seria apenas justo contar o que me leva a estar mais distante. Uma necessidade de pensar na vida, no que quero dela e dos meus dias. Na necessidade de saborear o tempo com os que mais amo. Com o resguardar dos detalhes que são apenas nossos.

 

Ah e ficam aqui os parabéns atrasados para aquele que mais amo. Puto, digo-te todos os dias e acho que entende melhor que ninguém, és a minha vida. E só contigo tudo vale a pena.

 

A minha incapacidade de avaliar arte

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 (imagem retirada da net, gostava muito de ter um em casa, o qual já teria vendido para ter uma vida mais desafogada, mas não tenho. Uma obra de um dos poucos pintores que sei apreciar)

 

Gostava de conseguir olhar para um quadro e sentir o que algumas pessoas dizem sentir (ou sentem mesmo) quando olham para um quadro, para uma escultura, etc. Gosto de quadros, confesso que tenho algum apreço por um senhor que quase ninguém conhece que é Picasso, mas de resto penso, sinto, sinto, penso e nada.

Quer dizer, a avaliar bem, os quadros da Paula Rego também me dizem qualquer coisa. Consigo perceber a história que contam. Mas depois há aqueles (de outros pintores cujos nomes desconheço) que são só traços e pintas e que não entendo. Quase dá a ideia que aquelas eram telas em que o pintor esteve a limpar os pincéis e que quando alguém da galeria foi levantar, um qualquer critico super intelectualoide, achou que aquele tinha sido um rasgo de sentimentos. Depois, dá-se aquele fenómeno meio amacacado, aquele em que quando alguém que os outros acham ser mais gente, ou mais entendido, vem dizer que aquilo é arte e depois todas as ovelhas dizer “ahhhh, sim, vejo, vejo, o sentimento, a dor”.

O pintor, esse, depois de lhe chamarem arte à tela borrada e de lhe acenarem com dinheiro e de o carregarem em ombros pelos sentimentos que fez sentir com aquela tela, percebe que mais vale estar caladinho.

Faz-me sempre lembrar aquela história do tipo que deixou um óculos pousados no chão de um museu e quando voltou para os ir buscar, toda a gente tirava fotos a dizer que era magnifico. Nem sabiam o quê. Ou como as pessoas entrevistadas no Lisboa fashion que sabiam as cores que gostavam de “estilistas” inventados por quem as entrevistava.

Tudo tem que ver com a pessoa que avalia. Com o que os outros - e dependendo de quem está a achar – acha daquilo que é feito.

Vou dar um exemplo.

Se eu, na sequência de uma conversa com a minha psicoterapeuta (que não tenho mas às vezes até me fazia bem) chegasse à concussão que pintar era coisa para me descontrair, e, em resultado disso pintar um quadro com 3 pintas, aquela tela não passa disso, de um quadro com 3 pintas. A família vai achar que é bom eu estar a seguir os conselhos da psicoterapeuta e talvez, apenas talvez, dependendo das cores das bolas, ainda se arranja uma parede refundida lá em casa para pendurar. Não como arte mas como forma de superar os meus demónios.

Se um qualquer pintor conhecido (não me lembro do nome de nenhum vivo) calha a pintar o mesmo quadro tudo muda. A pinta da esquerda é dor, a do meio o sofrimento e a da direita representa o recalcamento da raiva que o pintor sentiu quando a tia Clotilde lhe deu uma galheta na sequência de ter andado enfiado dentro das capoeira a sacar as penas às galinhas.

Tem tudo que ver com quem avalia.

É como o que se escreve, o que se canta.

Tinha um puto amigo na escola que dizia que quando uma banda começava a ser muito conhecida deixava de gostar dela. Não porque a musica piorasse, nada disso, era só porque já havia muita gente a gostar. Como se, caso a banda de afeição fosse uma coisa que quase ninguém conhecia o tornasse mais exótico. Mas não tornava, pensando hoje bem na coisa, só fazia dele parvo.

 

É como quem vai a exposições e acha apenas que é tudo “tremendamente qualquer coisa” porque “bué” não se usa numa galeria d’arte.

 

Podem seguir os meus devaneios e palermices no Facebook ou seguir-me no Instagram.

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E quem ganha o ordenado mínimo, como é que faz?

Estamos de pseudo férias. Não temos de nos apresentar ao trabalho, porque, lá está, estamos de férias. Mas a virose prendeu-nos em casa. Por isso não são bem férias, são uma espécie de descanso forçado com sopa sem azeite e com ausência de produtos com lactose.

Pensávamos que a coisa estava mais composta mas de manhã o pequeno acordou choroso, com dores, nem abria os olhos.

Não sei se já disse, tenho a ideia que sim, mas ouvir o meu filho chorar com dores é a pior dor que eu consigo sentir. No momento em que ele chora prefiro que me vazem uma vista a sangue frio em troca pela dor que ele está a sentir.

E sim, já sei que há coisas piores, que é uma dor de barriga, que lhe passa, que já teve antes e há de ter mais, que se me vazassem uma vista por cada vez que ele chorar por uma coisa pequena qualquer não havia globos oculares que me valessem nesta terra e tudo e tudo. Mas custa-me. Aguento-me e contenho uma lágrima quando a dor lhe passa e finalmente descontraio.

Tivemos de ligar ao médico. Não podia ficar como estava (e até hoje não tinha estado assim, tinha estado sempre bem disposto, sem vómitos). Aconselhou a compra de uns sumos na farmácia (depois faço um post sobre esses porque são mesmo bons e resultam a sério - para crianças e adultos (nós também bebemos)) e mais umas saquetas para juntar ao leite (hoje sem lactose).

Quando o Nuno chegou da farmácia:

- Fazes ideia de quanto custaram 6 sumos de 200 ml cada?

- Não.

- Quase 30 Euros!

Quase 30 Euros por 6 sumos de 200 ml cada. Só se vendem em farmácias. São bons? São. Se fossem o dobro, comprava? Comprava. 

Porque, felizmente, posso paga-los. Não sou rica. Longe disso. Tenho um carro usado e ando há mais de 6 anos para mudar de casa mas não posso porque não tenho como suportar uma renda superior. Mas ainda posso comprar estes sumos para o meu filho.

Depois penso, como faz quem ganha o ordenado mínimo? Sim, aqueles que o senhor da Padaria Portuguesa, que tira lucros de 400 % sobre um Pão de Deus, aqueles que têm de trabalhar mais não sei quantas horas para ganhar mais algum. Como fazem esses? 

Uma renda, uma prestação de carro, água, luz, gás, ATL ou creche, certo?

Como é que fazem estes? 

Desenrascam-se. Criam-se. Tudo se cria.

Mas não devia ser assim, pois não? Não é para isso que vejo uma batolada do meu ordendo ser descontado todos os meses. 

Depois falam-se em incentivos à natalidade, para ver se cada mulher atinge o objetivo dos 2.1 filhos. Palmadinhas nas costas, é o único incentivo que conheço.

Diz-se que dinheiro não traz felicidade. É verdade. Mas traz descanso. A possibilidade de dar aos que mais amamos, não tudo o que querem, mas todas as condições para que, com sorte, repito, com sorte, tenham o melhor futuro possível. Quem sabe melhor que o nosso. Quem sabe, melhor do que o ordenado minimo.

 

(nota complementar, os sumos não servem sequer para pôr no IRS. mas repito são bons, funcionam, e depois faço um post sobre isso)

 

Este post foi escrito 4ª feira à noite, muito tarde, cansada e sem vontade de o publicar na hora.

(feita a devda retificação do trás pelo traz...quem cá vem já sabe que sou meia analfabeta )

Concorri mas não ganhei #3

 

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

Por favor não deite este papel fora. Responda a este questionário e volte a colocar a folha no envelope e o envelope debaixo da porta.

Obrigada.

A minha professora diz que as pessoas não sorriem o suficiente. Que as pessoas andam sempre de cara fechada e que sofrem sem sabermos.

Nunca reparei que as pessoas não sorriem.

A minha professora mandou-nos como trabalho de casa pedir a algumas pessoas que respondam a perguntas sobre serem felizes.

Eu não gosto de andar a fazer perguntas por isso fiz este questionário. Depois venho cá buscar.

Não sou sua vizinha da frente nem moro no seu bairro. Posso ser rapaz ou rapariga, ter dito vizinha não quer dizer nada.

Peço-lhe que não dê respostas muito grandes porque tenho ainda mais dez questionários para ler e depois tenho de fazer um resumo e não queria ter muito trabalho. Sou jovem e quero viver. Preguiçosa, mas honesta, ou honesto, dependendo de ser rapaz ou rapariga.

Se vir uma senhora ruiva, quase a chegar aos cinquenta, sempre com vestidos floridos e com uma mala creme, sorria por favor. Não me apetece fazer mais trabalhos destes e de qualquer forma a vida é curta demais para estar de trombas.

Ah e, obrigada pela participação (se não participar não vou conseguir ter boa nota e se não tiver boa nota a minha mãe vai-me pôr a cortar relva o verão todo).

_____________________

 

Questionário:

  1. (pergunta cliché – teve de ser)

Qual foi a última vez que sorriu?

  1. (esta também)

Acha que as pessoas sorriem pouco?

  1. (esta é mais ou menos porque tem de ser, eu melhorei)

Feche os olhos, pense num momento feliz. Agora descreva o que o fez sorrir.

  1. (esta é minha)

O que é que vai fazer hoje para ser feliz?

Luísa Alexandra

Nesta espécie de dias sem trabalho a que tenho chamado de férias meti na minha cabeça que seria uma grande ideia comprar uma máquina de limpeza a vapor, daquelas que aspiram e limpam e fazem essas coisas todas.

Vi os vídeos da marca mas queria uma opinião mais pessoal, por isso procurei na internet reviews sobre o eletrodoméstico. 

Foi quando dei com este blog. Tem o nome da autora e é um blog de receitas e dicas para casa. Está muito bem conseguido e serve um propósito efetivo.

Fiquei viciada e já aprendi a lavar janelas com um eletrodoméstico que não tenho, a limpar a máquina de lavar roupa (que é uma coisa que tenho mesmo de fazer, até tinha comprado o detergente na semana passada), entre outras coisas.

Enfim, estou viciada na Luísa Alexandra.

É o tipo de blog que eu gostava de ter, que eu gostava de ter disciplina e imaginação para ter. Criar alguma coisa que seja efetivamente útil para alguém. 

Experimentem a dar uma vista de olhos, de certeza que lá vão encontrar alguma coisa útil. Têm o blog e os vides no Youtube.

 

Eu por outras bandas # 2

Há uns meses atrás a Carolina do blog Gesto, Olhar e Sorriso convidou-me para participar numa rubrica que se chama "Completas-me". Nesta rubrica o autor do blog convidado escreve o principio de uma história que deve ser completada pela Carolina.

Aceitei de imediato o convite e hoje podem ver o resultado aqui.

Espero que gostem.

O tempo tem mais quartos que a lua

Passa mais devagar quando estamos em casa. Todos. Numa tentativa forçada de abrandar o ritmo. Forçada pela virose, que nos apanhou a todos e nos tem mantido de pijama em casa. Uma forma de o destino fazer ironia atendendo ao meu pedido constante de andar de pijama polar todo o Inverno.

O tempo passa mais devagar, lento, não nos apercebemos nas horas a passar, mas não corremos atrás dos ponteiros. Deixamo-nos estar. Afinal de contas estamos todos abraçados, pernas e braços envoltos num abraço de família que inclui patas de cães e um sofá totalmente preenchido. Não é preciso correr se já estamos onde queríamos chegar.

É de uma rapidez que ninguém dá conta. Lá para sexta-feira já me devo queixar que passou muito depressa.

Demais como sempre.

O tempo tem mais quartos que a lua. Mas para já, neste preciso momento o tempo está no tempo certo. 

Como cancelar a inscrição no ginásio

Atleta+cansado.JPG

 

 

(a Maria dirige-se à receção do seu ginásio)

 

Senhora do ginásio – Boa tarde.

Maria – Boa tarde. Olhe eu pretendia cancelar a minha inscrição no ginásio. Já passou o período de fidelização que era de um ano.

Senhora do ginásio – Pois, compreendo. Deixe-me ver as suas condições.

 

(A Maria aguarda)

 

Senhora do ginásio – O seu contrato renova automaticamente a cada 6 meses, pelo que só pode cancelar daqui a 3.

(sorriso de quem já lixou mais um)

Maria – Pois, mas eu vou trabalhar para longe e não faz sentido manter a inscrição. Creio que isso está previsto nas condições.

Senhora do ginásio – Está sim, senhora. É só trazer uma declaração da empresa e procedemos ao cancelamento.

 

(a Maria pede uma declaração no trabalho e volta para cancelar a inscrição)

 

Senhora do ginásio – Boa tarde.

Maria – Boa tarde. Estive cá há pouco e queria então formalizar o cancelamento da minha inscrição no ginásio.

(a senhora lê com atenção o documento e devolve-o à Maria).

Senhora do ginásio – Peço desculpa mas a informação que aqui consta não é suficiente para cancelarmos a inscrição. Necessitamos de saber a morada completa do seu novo posto de trabalho.

 

(a Maria recebe o documento e volta a pedir à empresa que lhe passe uma declaração, desta vez com a morada da empresa. Volta ao ginásio)

 

Senhora do ginásio – Boa tarde.

Maria – Sou eu outra vez, tenho aqui a declaração com a informação adicional que me pediu.

(pára a ler o documento, vai ao computador e devolve a declaração)

Senhora do ginásio – Está com sorte, não precisa cancelar a inscrição, temos um ginásio a 49 km do seu emprego. Poderá ir lá treinar.

Maria – A 49 km? Isso não me dá jeito nenhum.

Senhora do ginásio – Terá de dar. Porque o seu contrato diz que só pode cancelar a inscrição se for trabalhar para alguma localização onde, num raio de 50 km, não exista nenhum ginásio nosso. E no seu caso tem sorte. Há um a 49 km.

(a tipa do ginásio mascava lentamente uma pastilha e sorria com prazer)

Senhora do ginásio – Assim, ou vai trabalhar para outro sitio, ou então tem algum problema médico que a impeça de treinar.

 

(a Maria vai ao médico, pede uma declaração onde este atesta os seus problemas de coluna e de como devia evitar fazer treinos intensos. Com a declaração médica volta ao ginásio)

 

Senhora do ginásio – Boa tarde.

Maria – Boa tarde. Quero cancelar a minha inscrição no ginásio. Tenho aqui a declaração médica.

(a tipa do ginásio lê o documento com atenção, vai ao computador, volta e devolve a declaração)

Senhora do ginásio – Está com sorte, temos aqui atividades muito boas para o problema de saúde que tem.

Maria – Mas eu não quero fazer atividades mesmo boas. Quero fazer o que o meu médico mandou. E por isso quero cancelar a inscrição no ginásio.

Senhora do ginásio – Compreendo. Mas com o problema de saúde referido não é possível cancelar a inscrição. Está no contrato.

Maria – Como assim?

Senhora do ginásio – Tem: problemas cardíacos, ossos fraturados, doenças cronicas, traumatismo craniano ou alguma forma de psicose?

Maria – Não, tenho problemas de costas.

Senhora do ginásio – lá está…

Maria - Lá está o quê?

Senhora do ginásio – Não está abrangido...

(a Maria já ia a sair e voltou atrás)

Maria – Só mais uma pergunta…psicoses? Não percebi…

Senhora do ginásio – Malta que lhe para a boneca e pesos não corre bem. Se lhes dá para acertar com um haltere em alguém é uma chatice.

 

(a Maria transtornada sai desvairada do ginásio, não olha quando atravessa a estrada e leva uma valente passa de um mata-velhos. Fratura 4 costelas, parte uma perna e leva 10 pontos na cabeça. Quando sai do hospital, ainda de moletas volta ao ginásio com uma nova declaração médica)

 

Senhora do ginásio – Boa tarde.

Maria – Quero cancelar a minha inscrição. Está aqui a declaração médica.

(a tipa lê tranquilamente a declaração, vai ao computador e devolve a declaração)

Senhora do ginásio – Está com sorte. É uma situação temporária, pelo que, caso se resolva até ao período destes 6 meses, pode sempre voltar, se não for assim, pode sempre cancelar 30 dias antes deste período de 6 meses.

(a Maria fica louca da marmita e arreia duas valentes arrochadas com a muleta direita na tipa do ginásio. É retirada à força e escoltada pela policia)

 

(uma semana mais tarde recebe em sua casa uma carta do ginásio)

 

“Face ao sucedido nas nossas instalações, vimos por este meio informar que não é bem vinda em nenhum dos nossos ginásios por tempo indeterminado. Melhores cumprimentos."

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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