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Em busca da felicidade

Um ano de blog e o último post (a sério)

Este não é o meu primeiro blog. Se a memória não me falha será o quarto.

Este não é o meu primeiro blog, mas foi o primeiro que chegou a fazer um ano.

Não foi o primeiro em que me identifiquei. Mas é o primeiro em que mostrei a minha cara. Não é o primeiro que dei a conhecer à família, amigos. Mas é o primeiro que dei a conhecer de forma tão aberta.

Este não é o primeiro espaço que criei para escrever nem será o ultimo. Mas, como tantas outras coisas na vida é um momento de passagem, uma fase, um degrau na minha evolução enquanto ser humano que procura efetiva e verdadeiramente ser feliz.

Já há algum tempo que estou cansada de um conjunto de coisas neste meu espaço. Serviu o seu propósito, fez-me escrever todos os dias, fez-me cotocar a monha veia criativa, fez-me tentar fazer rir e tentar criar uma emoção mais forte em quem lê.

Fez-me criar alguma coisa e isso, por mais singelo que seja, para quem cria é sempre muito.

Fez-me sair do meu casulo e mostrar às pessoas facetas e sentimentos que normalmente não partilho.

Fez-me bem.

Mas depois chegou o momento em que comecei a olhar para este espaço e percebi que não era aqui que estava o caminho que quero trilhar. E não, para as almas censuradoras e comentadoras e opinativas de tudo e tudo sobre tudo e todos, não estou à procura de comentários, nem de atenção. Estou a escrever para as pessoas que aqui vêm todos os dias, uma vez por semana, uma vez por mês. Aquelas com quem criei um acordo tácito de que iria produzir alguma coisa para lhes entreter 5 minutos do dia e agora, apesar de clicarem, nunca há nada de novo.

Chama-se respeito. Respeito por aqueles que nos acompanham e nos leem.

Faz sentido dizer-lhes “olha, não vale a pena clicarem mais que já não volto aqui”.

E já agora para os que vão ler este post e dizer, senão mesmo escrever textos indiretos sobre os que buscam atenção com despedidas que não são despedidas, numa qualquer procura de atenção. Coisas que Freud certamente explicaria como ninguém. A esses digo que se calhar se deveriam preocupar mais com as suas vidas. Com os seus blogs. Com os seus posts. Torna-se demasiado evidente que a vida não corre bem para aqueles que procuram os defeitos nos outros em busca de ter alguma coisa para dizer.

Quando estamos bem, felizes, satisfeitos connosco próprios, resolvidos. Quando assim é não andamos à procura de preciosismos e de temas que nos preencham as linhas. Temos do que falar. Falamos de nós. Queremos fazer rir. Criamos personagens para fazer rir.

Mas não querem fazer rir, querem encher páginas, preencher linhas, e se há coisa que granjeia ainda mais visitas que posts de despedida é o mal dizer. Que país amargo o nosso, em que procuramos sempre as fábricas de azedume para rir, fazer pouco e gozar.

Não sou santa, gosto de fazer pouco de coisas, pessoas parvas e situações. Mas não ando à procura em lado nenhum. Brinco com aqueles com quem me esbarro. Ou que esbarram comigo, que eu bem me desvio. Faz-me confusão que um futebolista goze com o outro, que uma costureira goze com o trabalho da outra, que uma cozinheira goze com o prato da outra, que um adepto da corrida faça pouco dos quilómetros do outro, que um blogger impleque com outro.

Coisas minhas.

Por isso vá lá pessoas, mais amor, mais abracinhos. Vamos lá a contar peripécias, encontrar personagens onde sejam exacerbados defeitos, acontecimentos e tudo e tudo. Mas deixem lá quem tem outro blog estar descansado, em paz, a despedir-se e a voltar as vezes que quiser.

Tá bom?!

 

Adiante

 

Esta não é uma despedida à escrita. Provavelmente nem mesmo uma despedida à blogosfera. É uma despedida a este espaço. Um espaço que neste momento já não me ajuda nesta busca pela felicidade.

Serviu o seu propósito. Deu-me coisas muito boas. Validou em momentos que afinal até sou capaz de escrever alguma coisa que dois ou três gatos pingados gostem de ler e, acima de tudo, ajudou-me a perceber o que não quero. O que para mim não funciona e não faz sentido.

Há uns tempos vi um filme em que a personagem principal, mesmo no fim do filme diz qualquer coisa como “não sei bem o que é que quero fazer, mas sei que não quero cantar”. É tão importante sabermos o que queremos como sabermos o que não queremos. Sempre fazemos a triagem necessária à vida.

Esta é a minha triagem.

São recomeços. Eu gosto de recomeços.

Mudar de casa, começar do zero, conhecer novas vizinhanças e quem sabe voltar a encontrar vizinhos antigos. Aqueles que mesmo sem saberem quem somos nos reconhecem em qualquer espaço.

Os americanos têm muitos defeitos, mas há uma virtude que lhes reconheço inexoravelmente, a sua capacidade de cair, de perceber que falharam, que algo não está a funcionar e começar tudo de novo outra vez. Até dar certo. Até ser o que está mesmo certo.

Aprendemos com os projetos que correm menos bem. Percebemos onde erramos, percebemos o que queremos e o que temos a certeza de não querer. Acima de tudo aprendemos.

 

Já tinha tomado esta decisão há várias semanas, aliás este post foi escrito há várias semanas, mas quis garantir que o blog fazia um ano. Quis deixar que se publicassem todos os posts que prometi. E quis comemorar o ano com o fim do espaço.

Um ano de projeto.

Encontrei aqui um sitio onde publicar uma parte da minha insanidade, assim, em palavras. E felizmente encontrei qualquer coisa como centena e meia de pessoas que, ao que parece, nem que seja a espaços, vêm aqui ler o que se escreve neste antro de incultos. Provavelmente para ter uma espécie de barómetro do género “pensava eu que batia mal da mola, mas esta é pior que eu” e seguem à sua vida.

É claro que agradeço à Sapo, por esta plataforma linda, linda. Que, para além de permitir criar um blog para totós (com’a mim), ainda ajuda a dinamizar, com destaques numa página destinada a blogs e na sua página principal.

Nesta minha senda pela escrita o Sapo faltou a parte da medicação 19 vezes, tendo destacado posts meus no espaço destinado a blogs. Conto também 4 vezes em que provavelmente estivesse sob o efeito de alucinogénios porque destacou na página principal da Sapo 4 posts, um deles até partilhou no Facebook. Quando somos destacados na página principal da Sapo é como se o blog tivesse tomado esteroides, somam-se às milenas os cliques e uma pessoa, nesse dia, quase pensa que é uma espécie de blog mais lido do país. Depois o destaque saí e lá volto à realidade. A minha querida meia dúzia de gatos pingados.

E como eu adoro os meus gatos pingados.

De resto na minha vida tudo continua como no dia em que começou.

Continuo casada com o mesmo homem, tenho o mesmo filho, a mesma casa e os mesmos cães. Levanto-me todos os dias para o mesmo emprego, ganho o mesmo ordenado e até tenho o mesmo carro. Continuo tão despenteada como no primeiro dia, meço a mesma coisa e tenho o mesmo peso.

Contam-se diferentes os anos, que eram 32 e agora são 33, diga lá outra vez. Conta-se diferente o tamanho do cabelo, que por falta de tempo não tem sido aparado e em resultado disso está bem maior.

Às vezes parece que caminhamos e nunca saídos do mesmo sitio. E isso até é bom. Neste mundo louco em que vivemos, diria que é até bastante bom.

Mas caminhamos sempre, só que por vezes a caminhada é imperceptivel e saboreamos mais os poucos quilómetros percorridos.

 

Decidi fazer uma compilação de textos para comemorar esta marcante data:

 

Os 5 com mais favoritos

 

Uma espécie de crise dos trinta

Blogs há muitos

Eu vejo a Casa dos Segredos

A nova lei do atendimento prioritário

O mundo numa cápsula

 

Os 5 mais comentados

 

A nova lei do atendimento prioritário

Isto de ter um blog para totós

Uma espécie de crise dos trinta

Vou mudar-me para o Japão

O dia em que me aventurei na escrita criativa

 

Os 10 que mais gostei de escrever

 

Pirulitos de caramelo e saudades de tempos que já não voltam...

50 Sombras de Grey - Parte I e II

E se eu fosse refugiada. O que levava na mochila?

Cá em casa comem-se ovos de galinhas galdérias

A minha primeira Barbie

Manual de utilização do piaçaba

Se andasse sempre toda esticadinha...também eu

Cheiras a pão quente com manteiga

E aconteceu uma coisa chamada vida

Eu não sofro de depressão pós férias, eu sofro de depressão laboral

 

 

Agradeço a quem esteve, nos dias de bom e mau humor. Quem comentou e quem só leu. Quem esteve presente porque gostava de estar.

Até um dia destes, pode ser que nos encontremos por aí.

 

Concorri mas não ganhei #10

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

Acordo com alguém a bater à porta ao de leva. Levanto-me estremunhada, os passos descompassados. Terei ouvido mesmo alguém a bater à porta ou terá sido o móvel velho da sala a ranger outra vez? Aquele que uma vezes me acorda, que outras me assusta.

O cão abana o rabo enquanto cheira por baixo da porta.

“O que foi Baltazar? Quem está à porta?!”

A pergunta retórica feita ao cão que sei incapaz de responder. Mas é alguém que conhece, nunca fica tão contente. Sempre desconfiado, o meu eterno protetor.

Espreito e lá estás tu. Encharcado. Chove lá fora. Que fazes aqui?

Abro a porta devagar. O corpo a pedir o teu abraço molhado com emergência. A cabeça a dizer que não. Que me deixaste, que me magoaste, que voltaste costas sem dó nem piedade, que me adormeci em lágrimas e não sei a que horas pararam os soluços e começaram os sonhos. Sempre contigo.

Entras sem dizer uma palavra. Invades a minha boca num beijo profundo, as tuas mãos a percorrer o corpo que ansiava por ti mesmo antes de te saber à minha porta.

“Não te quero aqui...” murmuro entre beijos e fôlegos. Não o queres aqui. Repete a minha consciência. Aquela que sabe que depois de mais uma noite de entrega vais embora. Vais dizer que não podes voltar. Vais lembrar-te que trazes um anel na mão esquerda que marca o teu compromisso com aquela que é a mãe dos teus filhos. Vais sair e eu, eu vou ficar aqui. Sozinha com as minhas lágrimas. Acompanhada pelo Baltazar que me trouxeste da primeira vez que voltaste para mim. Acordada não pelo teu abraço carregado de desejo, mas pelo móvel velho que continua a ranger.

Bateste ao de leve e eu abri a porta. Deixei-te entrar e perdi-me em ti.

Concorri mas não ganhei #9

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

“Toda a infelicidade dos homens provém da esperança”, Albert Camus.

Tinha razão, esta bandido.

Palmilho o curto corredor que separa o meu quarto da sala, no bolso a cigarreira que comprei à procura de esconder as imagens hediondas de mulheres grávidas com cigarros na mão. Tipos a definhar com os pulmões cinzentos. Imagens para quê? Há anos que definho e não é pelos cigarros que mais me decomponho.

Esperei uma vida inteira por uma vida diferente da que tinha a cada momento. “A esperança é a última a morrer”, dirinha a minha mãe que Deus tem. Venhinha e debruçada sobre o tanque da roupa. Quis comprar-lhe uma máquina, das boas naquele tempo, mas não quis. “Mulher que é mulher asseada esfrega os seus trapos com as mãos, só Deus sabe o que metem lá nessas máquinhas”. Esperou pela cura coitada. Atraiçoada pela esperança.

Casei porque disse que casava. Queria ter virado costas no dia mas não pude. Já tinha dito que casava. Tive esperança que a amasse. Não amei.

Não havia dinheiro para pagar para algum outro desgraçado ir no meu lugar. Passar pelos matos e pelos pântanos podres. Sobrou a esperança de uma doença desconhecida. Que me levasse a vida lentamente e não às mãos de um preto.

Atraiçoou-me a maldita. A esperança e Deus, que me meteram naquele barco a caminho de uma guerra que não era minha.

A mulher morreu cedo.

Seria agora que ela ficava comigo?

A esperança? Não. Essa porca. A que amei anos em silêncio.

A esperança era de que me quisesse.

Não quis.

A puta da esperança que alimentei.

Nunca aceitei nenhum dia como aparecia. Esperei sempre pelo que não tinha.

Sento-me com o talão na mão. É hoje que me sai a sorte grande. Há anos que tenho esperança nisso.

Concorri mas não ganhei #8

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

- Dizem que se chama Ernesto.

- Dizem?

Do outro lado desta porta branca e fria. Do outro lado deste pequeno quadrado de vidro a que chamam janela. A que usamos para espreitar os pacientes. Do outro lado continua a rir. Como quem vê a vida a acontecer naquele pedaço de parede sem cor.

- Dizem porque ninguém sabe ao certo quem é. De onde veio. Se tem familia. Apareceu aqui à porta um dia. Sem documentos. Sem telémovel. Nada.

- E o Dr. Sanches o que achou dele. Vejo na ficha que não chegou a conclusão nenhuma. Neurótico. Pouco mais que isso.

Acena para a parede. Está feliz.

- Tem momentos normais. Circula por aí. Sei que o Sanches já tentou que ele falasse...mas nada.

- Vou entrar.

- Espera! Normalmente os episódios mais complicados são assim. Passa quase uma hora a rir para a parede, a falar, depois acena e entra em estado de delirio total.

- Parece-me inofensivo.

A fração de segundos em que retirei os meus olhos deste homem para fitar o Dr. Fonseca foram suficientes para encontrar um cenário completamente diferente.

Os olhos espelham desespero. Grita. “Não”. “Não”. Mais alto. Corre para a parede. Para. Dobra-se sobre si mesmo em dor. Rosto contraído.

Desmaia.

 

Sento-me ao lado da cama onde agora está deitado com as mãos e os pés amarrados.

Procedimento.

Acorda.

- Prefere a parede à janela por algum motivo em particular?

Fita-me e não responde. Aguardo. Fita de novo o teto.

- A minha janela está aqui.

Aponta com o indicador para a parede.

- Como assim?

- No quadrado de vidro já não a vejo brincar. Nesta tela lembro-me do dia em que a ensinei a andar de bicicleta pela primeira vez. Em que lhe disse adeus. Em que a vida acabou.

Concorri mas não ganhei #7

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

Recebeste uma mensagem

De: mãe

A fila está enorme. Queres fazer um jogo?

 

Recebeste uma mensagem

De: Filha linda

Um jogo?! Que jogo? Porque é que estás a mandar mensagens? Estou no carro contigo!

 

Recebeste uma mensagem

De: mãe

Sei lá, vamos inventar. Eu pouso o meu telemóvel e tu pousas o teu.

Porque assim garanto que me respondes.

Às vezes parece que não estás no carro comigo.

 

Recebeste uma mensagem

De: Filha linda

Tá bem! Mas se for chato volto para a net. Pouso em três…

 

Recebeste uma mensagem

De: Mãe

Combinado. Dois, um…

 

- Às vezes gostava que o céu fosse cor-de-rosa.

- Às vezes gostava de ter um avião para não ficar fechada no carro tantas horas. Nestas filas horríveis.

- Às vezes gostava de ter mais tempo para fazer o jantar.

- Às vezes gostava de não ter de comer verdes ao jantar. Especialmente brócolos.

- Às vezes gostava de cozinhar para a minha filha só o que ela gosta de comer. Mas tenho medo que fique doente.

- Às vezes gostava que a minha mãe fosse menos chata.

- Às vezes gostava de me preocupar menos.

- Às vezes gostava de poder falar com as minhas amigas o tempo que me apetece.

- Às vezes gostava de ter conversas com a minha filha sem ela se aborrecer comigo.

- Às vezes gostava de morar perto da escola e das minhas amigas.

- Às vezes gostava de trabalhar menos para estar mais tempo com a minha filha.

- Às vezes gostava de acabar com os jogos que a minha mãe inventa.

- Às vezes gostava de dizer à minha filha que a amo muito.

 

Porque amo. Mesmo muito, para lá do que a razão sabe explicar.

 

Recebeste uma mensagem

De: Filha linda

Também te amo, mãe.

Concorri mas não ganhei #6

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

Para a estrela mais brilhante no meu céu

Podia contar-te um mundo de coisas. Explicar-te que a vida é complexa e que raramente se transforma no que esperamos dela. Que existem momentos que nos ultrapassam e redefinem as nossas vidas de formas que nunca antes pensamos ser possível.

Mas quero dizer-te que a vida tem vida própria. Que se move como entende e que, de forma inesperada, como uma bola que curva sem que estivéssemos à espera, nos tira o tapete e nos manda ao chão.

Lembro-me do dia em que desci a rua de Almada de mão dada contigo. Sabendo-me doente, sabendo-te pequena e indefesa. Sabendo-nos precisadas uma da outra.

A bola curva de que tenho fugido. Sei que inevitavelmente me atingirá.

Sonho com o dia do teu casamento. O teu cabelo em cachos debaixo de um véu imaculadamente branco. As curvas do corpo abraçadas por um vestido branco de cetim, costurado por mim. Cada pérola pregada pela mãe orgulhosa.

Imagino-te de canudo na mão. Alcançarás o que para mim jamais foi uma hipótese. Quanto mais um sonho.

Sonho com os momentos da tua vida desde o dia em que te abracei pela primeira vez.

A vida pode ser maravilhosa, porque a vida, meu amor, nada mais é que um aglomerado de momentos. Fazemos deles o melhor que conseguimos. Aproveitamos cada sopro.

Faz amigos. Brinca com as bonecas. Só mais um pedacinho. Pisa as poças que não pisaste até hoje. Rebola na areia da praia. Apaixona-te pelo Manuel que está na carteira ao lado, mas não lhe dês o teu coração. O amor virá mais tarde.

Lembra-te de mim sempre com um sorriso. Não penses nos momentos que podiam ser.

Aprende o que és. Escuta-te. Sê feliz. Que eu sou, feliz aqui dentro do teu coração.

Com amor,

mãe

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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