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Em busca da felicidade

As maravilhas de viver num prédio

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Está provado cientificamente num estudo qualquer levado a cabo numa Universidade situada num qualquer terreno baldio na Islândia, que não é possível a um ser humano equilibrado gostar de toda a gente. Sendo por este motivo uma circunstância de desgaste tremendo esta coisa de uma pessoa viver num prédio onde não priva, mas partilha de certa forma, o seu espaço de residência com um bando de outras famílias. Ninguém sabe que tipo de gente se esconde atrás de cada porta e francamente não tenho qualquer pretensão em saber.

O mal dá-se quando estas pessoas têm de conviver no espaço recreativo destinado a todos que dá pelo nome de “escadas”.

Quando cada um sabe o seu papel e até tem a educação de dizer o “bom dia” e essas coisas, tudo corre pelo melhor – pelo menos até à reunião de condomínio – mas depois há sempre um que lhe dá para borrar as escadas e estragar o cenário todo.

Ontem quando saímos de casa estava uma porcaria qualquer nas escadas com uma mistela, de um molho cor de laranja parecido com banha corada da carne assada, espalhado pelo 1º lance de escadas. Uma pessoa contorna aquela borrada e segue com a vida. Ao regressar, estava pespegado na parede um papel – escrito a vermelho com uma frase pelo meio a esferográfica azul – a chamar a atenção aos condóminos para o respeito que deviam ter pelo espaço e a pedir que quem sujou limpasse. Por outras palavras, que preferiam que não houvesse gente badalhoca no prédio.

Confesso que ontem não dei grande pensamento à coisa, mas hoje de manhã, depois de passar outra vez pela bodega que estava no chão no mesmissimo sitio - porque agora não é, naturalmente, de ninguém - e depois de mais uma vez contemplar a mensagem escrita a vermelho e presa com 4 pedaços de fica adesiva cinzenta, encetei algumas considerações sobre a totalidade dos acontecimentos.

 

Ora, antes de mais uma pessoa vai despejar o lixo, certifica-se que não está a pingar nada, vê bem se o fundo do balde está cagado, e sai porta fora. Pelo caminho alguma coisa corre mal e cai uma bodega do fundo do saco. A pessoa não dá conta, sai do prédio, põe o saco no lixo e regressa, envergando os seus calções coçados e os chinelos de andar por casa. Quando volta a entrar no prédio vê aquela bosta no chão. O que deve pensar?

  1. Olha isto parece-se com uma porcaria que eu tinha no frigorífico e sendo que fui despejar o lixo mesmo agora deve ser meu , vou limpar.
  2. Olha que porcaria esta. Há gente mesmo porca no prédio. Gostava eu de ter visto este javardo a sair.
  3. Olha, um fantasma passou aqui na mesma altura que eu e tinha no frigorífico lá de casa as mesmas cenas que eu.

Ao que parece a primeira opção é a que faz menos sentido. Porque as pessoas não sabem a porcaria que fazem e que vão deitar fora e porque os espaços andam carregados de fantasmas cagões.

 

Em resumo, e como diria um personagem de uma novela brasileira cujo nome não me alembra, “terra é sempre terra” e uma pessoa em podendo é arranjar um lote de terreno, mesmo que seja agrícola, montar lá uma tenda ou comprar uma roulotte e mudar-se.

 

(no fim o texto deixa um tudo nada a desejar ao sentido e prontes é para isso que cá andarames, como diria o JJ)

 

Random pain

A semana passada íamos no carro a caminho do trabalho e estávamos a aproveitar para ouvir mais um Maluco Beleza. O Rui Unas dizia que depois de ter tido filhos passou a acordar sempre com uma dor. “É random, sabes?! Umas vezes dói-me num sitio outras noutro.”

E eu pensei, é verdade. Mesmo.

Desde que fui mãe que parece que não há um dia em que não acorde com uma dor qualquer. Ou é um tornozelo, ou um ombro, ou o tórax, ou as costas, ou uma moinha na cabeça. Qualquer membro que ainda faça parte do meu corpo.

Dá a ideia que me levanto, penso de mim para mim que até não está mau e um quarto de hora depois lá está, a dor.

É comum dizer “É pá hoje dói-me não-sei-o-quê, não percebo porquê!”. Mas é só porque uma pessoa está viva.

Parece o corpo a partir de uma determinada idade, e especialmente depois de termos filhos, com o tempo que nos absorvem eles (os filhos), mais as tarefas e as responsabilidades, o corpo decide lembrar-nos que ainda temos coisas agarradas ao esqueleto. Tipo, dói-me o tornozelo, porreiro pá, tenho um tornozelo, já nem me lembrava do gajo.

É uma coisa estúpida que o corpo faz. Porque à partida, se não tiver lá um pé ou coisa que o valha uma pessoa dá nota porque se vê lixado no campo da mobilidade.

E fazer os ossos velhos entendem isto.

 

Larailailai, fui à terapia quântica, lailai!

Cada vez mais me começo a convencer dos benefícios das medicinas alternativas. Por mais que se tentem descredibilizar, a verdade é que uma pessoa quando faz um tratamento se sente melhorzita e nem é preciso espetar agulhas por uma pessoa acima (quer dizer, tirando aquela altura em que me cravejavam de uma espécie de alfinetes na acupuntura).

De maneira que um destes dias proporcionaram lá no sitio onde trabalho uma semana da saúde. Nesta estavam incluídas muitas atividades, sendo que aqui a menina vai de se inscrever para tudo o que não cansa (aulas de zumbas e TRX e coise deixem lá estar) e que tivesse nome de coisa que não conhecia.

Primeira etapa – Terapia Quântica.

Não sabia nada do que se tratava e de acordo com um dos colegas devia ser certamente a capacidade do terapeuta para apontar de quantas maleitas padeço, o que, no meu caso enquanto hipocondríaca assumida, custaria ao desgraçado que me atendesse bloco e meio de notas e um calo no dedo.

 

Chegada à consulta encontro uma senhora vestida de rosa e com um sorrido aberto. Em cima da mesa um PC portátil, uma espécie de um autorrádio, daqueles antigos que uma pessoa tirava antes de sair do carro e guardava à socapa no banco de trás do condutor para ninguém partir um vidro e gamar. Agarrados a essa geringonça estavam uma parafernália de cabos que tinham no fim umas fitas com velcro.

Pensei “eletrochoques, vou sair daqui torradinha da mona!”

Sento-me, a senhora passa uma banda pela minha cabeça por forma a ficar com uma espécie de 3 moedas na testa e depois mais uma em cada pulso e outra em cada tornozelo.

Isto é tosta completa, quando a tipa clicar em OK frito!

- Sabe o que é a terapia quântica?

- Li o vosso PPT.

- Quer uma breve explicação?

- Pode ser.

Lá a senhora explicou que aquela geringonça tinha sido inventada pela NASA e que era usada para manter a saúde dos astronautas no espaço.

Bom, realmente nunca ouvi falar de um que tivesse quinado lá p’a cima, de maneiras que até pode fazer sentido!

A senhora senta-se e começa a fazer o questionário. Uma porrada de perguntas, desde se me tinham tirado algum órgão, ao stress do trabalho e em família.

Terminado o teste a senhora recebe os resultados.

Primeira conclusão:

- Bons resultados a nível intelectual. É uma pessoa extremamente inteligente.

OK, tá visto. Agora diz que sou inteligente e daqui a nada está a dizer-me que fico ainda mais genial se levar choques da geringonça 2 vezes à semana!

Lá continuou a senhora com os níveis emocional e mais outro que não me recordo e vai que desata a acertar nas coisas. Eu sem saber o que raio se estava a passar.

Vira o computador para mim e vejo uma catrefada de linhas coloridas.

- Está a ver estas linhas? As que estão a vermelho são aquelas em que tem mais problemas.

Todas certas diga-se de passagem.

- Vou limpar estes problemas.

Eu cá preparo-me para os choques. E vai que a terapeuta clica num botão da aplicação, dá OK e ao fim de segundos a aplicação diz “Excelent!” Assim, em estrangeiro.

Uma maravilha, sem análises, sem prescrições médicas, sem injeções nas nalgas, nada. Só assim!

Mas, como em tudo o que meto as unhas, lá começou a dar p’ó torto porque a pessoa em análise não vai bem ao encontro dos resultados intelectuais.

- A máquina está-me a dizer que se passou alguma coisa na sua vida quando era muito pequena.

- Não tenho grandes memórias, acho que a coisa mais antiga de que me lembro foi quando me tiraram as amígdalas.

- Tiraram-lhe as amígdalas?

- Sim.

- Então mas eu perguntei-lhe se tinha ficado sem algum órgão!!!

Fiquei sem saber o que dizer, depois balbuciei…

- Quando falou em órgão pensei numa coisa que fizesse falta, como um rim, um pulmão, metade do fígado. Agora as amígdalas não servem p’a nada….

- Não é bem assim, mas vamos avançar…

Lá continuou, acertando em tudo o que dizia.

- Tem de ter cuidado com o estômago, como é nervosa pode vir a ter problemas com ulceras.

- Por acaso já tive mais de uma.

- Teve?

- Sim.

- Mas eu perguntei-lhe se tinha tido alguma doença…

- …grave! Perguntou por alguma doença grave e uma ulcera não é grave. Pelo menos para mim não é.

- Mas é uma doença e há pessoas que morrem disso.

Calei-me e deixei continuar. Que mais teria eu feito de errado.

Continuamos a falar e a senhora a acertar.

- Vamos ver os seus chakras.

- Bora.

Estavam cheios de manchas e a terapeuta não só me limpou a porcaria como os alinhou (tudo no sitiozinho) como ainda por cima lhes deu uma corzita.

Final das contas…fiquei toda alinhada e agora já ninguém se mete comigo, assim com os chakras no sitio.

 

Dito isto que até parece tudo uma grande piada, a verdade é que eu me senti bem quando de lá saí e é também bem verdade que através lá da geringonça a terapeuta foi dar com coisas de maleitas minhas que eu nem me lembrava já.

Em conversa com outra colega que também foi, aconteceu o mesmo, acertou em tudo.

Uma pessoa dá-lhe p'a rir e diz frases como “andam os médicos a estudar durante anos…” mas ainda chega um dia que se confirma que é tudo verdade e funciona mesmo. Afinal de contas já houve quem acreditasse que a terra não era redonda e mandaram pra fogueira o gajo que insistiu que sim!

 

Vandalismo em Foz Côa

Foz.png

 

Dois indivíduos foram dar uma volta de bicicleta ali nos arrabaldes de Foz Côa, enquanto passavam pelas pinturas rupestres decidiram, muito bem diria, encostar as bicicletas à box, sacar dos capacetes e desatar a fazer bonequinhos e bicicletas em cima das outras pinturas rupestres.

Os tipos foram detidos e vão ser presentes a tribunal, sendo que a vandalização deste monumento, chamemos-lhe assim, lhes pode granjear qualquer coisa como 8 anos de pena de prisão.

 

Ora existem aqui duas questões fundamentais. Antes de mais o comportamento destes mentecaptos vem provar aquilo que eu ando a dizer há anos. Anos! Que é, o homem de Neandertal ainda existe, sendo que a evolução da espécie só chegou para alguns.

Esta verdade leva-nos a outra, porque, se estamos a falar de homens de Neandertal que passaram pelos pingos da chuva no que toca à evolução e mantêm um cérebro menos evoluído que um símio de baixo calibre, então faz sentido que tenham feito desenhos ali nas pedras. Estes, tal como os seus colegas de há milhares de anos, também têm mão para a pintura. Viram os rabiscos e pensaram “olha, o Tomané já cá teve, vamos lá pôr um boneco para ele saber que um gaijo também p’aqui trouxe a bicla”.

 

A outra questão prende-se com os anos de prisão que podem ser imputados a estas duas almas não evoluídas. A mim, que sou uma pessoa que acredita ter absorvido tudo o que a evolução tinha para dar até à descoberta da internet. Depois é tudo uma grande nuvem. A mim, parece-me um pouco excessivo que um gajo apanhe tantos anos de prisão por ser um Neandertal que faz desenhos a giz por cima de outros desenhos feitos por um primo há uns anos atrás, que um pedófilo por violar uma criança.

Por mais que uma pessoa goste de pedra, de rabiscos e de saber que “talvez” um gajo com umas peles de vaca à cintura tenha feito aquilo nos tempos livres, nunca, em meu entender, pode a pena por um crime destes ser igual a um outro tão mais hediondo.

 

Para além disso vão prende-los para quê? Para fazerem mais desenhos nas paredes das celas? Ponham mas é os tipos a limpar a porcaria que fizeram e aproveitem para os pôr a fazer serviço comunitário a ver se aprendem a ser menos idiotas.

 

 

Não há nada como um homem agarrado ao varão

Uma pessoa passa meses em que decide que não vai escrever mais num sitio. Mas depois a vida traz-lhe acontecimentos à porta e a pessoa fica com ansiedades de desconstruir todo um rol de cáca mental que se lhe apossa da mente.

Hoje uma colega de trabalho lembra-se de contar, a plenos pulmões e em sede de departamento com elementos tremendamente estudiosos do comportamento humano, que esteve no fim de semana passado num jantar onde estava um moço (pelos vistos bem apessoado) que é instrutor de Pole Dance.

 

Esclarecimento que ando cá é para ensinar

Para quem não sabe o Pole dance é a também conhecida dança do varão, em que a pessoa depois de passar bem as mãos por farinha - por vias de evitar o esfrangalhamento das faces caso se agarre ao pau e a mão escorregue – se agarra a um pau de ferro e procede a um conjunto de acrobacias (também conhecidas por macacadas sensuais). É um género maioritariamente conhecido (e apreciado) pelos homens, envolve sempre a colocação de notas na roupa interior de outra pessoa (só não envolve quando o tipo é um forreta e acha que por ter pago a bebida já não gasta mais nada no bar de cores duvidosas).

 

Ora dizia então esta colega - que prontamente se disponibilizou para procurar uma fotografia do moço, que por sua vez se encontrava em tronco nu, tremendamente sarado e dificultando que uma pessoa lhe avaliasse as qualidades faciais – que este belo espécime do sexo masculino é apenas instrutor e que aquilo é mais difícil do que parece. Que o moço é perfeito, dança, tem um sorriso magnifico, tem um corpo “ufa” (ou lá o que isso significa) e ainda gosta de animais. Até porque o dito quando não está agarrado ao varão de sunga ou seminu nas suas fotografias do Facebook, traz debaixo do braço um belo cãozinho pequeno que trata com carinhos vários.

Um mimo.

 

Eu, de pessoas ceptica que sou, vejo-me a braços com o pensamento, “mas para que raio serve um gajo que se agarra a um poste nos tempos livres?”

É que isto de estar casada há quase 10 anos faz com que uma pessoa se veja na necessidade de pensar nas coisas pelo seu lado mais prático. É possível que em tempos pudesse achar interessante ou até engraçado um individuo que fizesse macacadas com um poste. Hoje, não há nada mais sensual que chegar a casa e ver o homem agarrado ao aspirador. Ali a aspirar forte e feio o chão. O sentimento de descanso que se tem quando se percebe que já não há pelos dos cães a cagar o chão todo. E mais, que a tarefa não sobra para uma pessoa.

Ah, mas e então e de avental nú a fazer o jantar?

Pessoas, minhas. Tucanos tontinhos de meu coração. Antes de mais o asseio. E aquela coisa das nove semanas e meia com comidinha da boa espalhada pela pessoa abaixo é coisa para me deixar cheia de comichões. Depois, com a idade a fazer-se notar uma pessoa gasta mais nos biológicos. E andar a brincar com aboboras bio é coisa de quem ganha mais que eu ou de quem não sabe o quanto a vida bio custa.

 

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