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Em busca da felicidade

Mais uma sessão de clube de leitura e os meus livros de Julho

Este mês consegui acabar dois livros (yuppiiiii), o que, para uma mãe com um filho de 2 anos e um emprego a tempo inteiro não é nada mau.

Na 6ª feira passada fui mais uma vez ao Clube de Leitura da Cocó, organizado pela Sónia Morais Santos, autora do blog Cocó na Fralda, e posso adiantar que foi muito divertido.

Mas começando pelos livros. Digo desde já que amei ler os dois e que me ri muito com ambos, mas....o "E a louca sou eu" vai guardar um lugar especial no meu coração. "Tati Bernardi, bates forte cá entro!"

 

O Centenário que fugiu pela janela e desapareceu

Este livro podia ter tudo para ser um livro tolo, mas a verdade é que engloba todos os ingredientes para ser um excelente livro. Descreve-lo-ia como: inesperado, hilariante e criativo. 

Allan é um senhor com cem anos que, no dia em que celebra essa maravilhosa idade de 3 dígitos, decide fugir do lar e desaparecer. Não tem propriamente um destino, sabe apenas que está na altura de mudar de ares. No curso na sua fuga - e enquanto a policia faz tudo para o encontrar - há um gang que se desintegra após a morte de dois dos seus elementos, há um homem com mais de 20 cursos superiores que vende cachorros quentes, há uma mulher que tem uma elefanta como animal doméstico e há um velho trapaceiro que rouba eletricidade aos vizinhos. A fuga de Allan é hilariante e não nos permite prever nenhum passo.

A par com a trama desta fuga é contada a história de vida de Allan desde o dia em que nasceu. Um pouco à semelhança do que aconteceu com Forrest Gump, também este personagem marcou a história mundial e até participou na criação da bomba atómica.

Do livro ficou a história divertida e a frase "as coisas são o que são, e serão o que forem". Esta frase marcou a vida de Allan, não valia a pena perder muito tempo a pensar na vida, afinal de contas o que tiver de ser, será.

Aconselho vivamente.

 

Nota: o pé que aparece na foto não faz parte da capa...é meu!

 

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E a louca sou eu

Não fosse a vasta experiência que a autora tem com medicação pesada, e este livro podia ter sido escrito por mim.

Um livro tremendamente divertido, escrito por uma roteirista e cronista brasileira que, ao longo de toda a sua vida se debate com problemas de ansiedade extrema, medos e ataques de pânico. Mas a autora decidiu "fazer pouco" desta condição. Afinal de contas pouco mais há do que rir daquilo a que a nossa própria cabeça nos sujeita.

Muitíssimo bem escrito, fez-me dar imensas gargalhadas, daquelas que até fazem os olhos lacrimejar. Isso e uma inveja tremenda por não ter sido eu a escrever. 

Está fantástico.

Há presente data apenas há este livro da Tati Bernardi em Portugal e está editado pela Tinta da China. Tenho todo o interesse em comprar os restantes...mas esses vou ter mesmo de mandar vir.

Aviso já que o livro está escrito em português do Brasil, até porque, de outra forma, perderia toda a graça.

 

Nota: Também aqui o pé não faz parte da capa do livro

  

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O Clube de leitura

Este mês éramos - se não estou em erro - 14 pessoas; parece que o resto da malta foi de boa-vai-ela de férias, e fazem muito bem, sim senhores. Desta vez eu e o Nuno não fomos os primeiros, não: fomos os últimos! Toma lá que é para aprenderes! Em Junho com a conversa que te punhas lá mais depressa que os outros porque moras perto e desta vez está-se a ver como é!

Pois que não foi desleixo, não-não! Foi uma colega que apareceu com uma questão urgente 5 minutos antes de a pessoa mai linda que escreve sair. Foi o assunto ter demorado 25 minutos e foi a pessoa ainda ter ido bater com os costados a Alfragide para ir buscar o carro à oficina.

Quando chegámos ao Clube de Leitura eu já deitava os bofes pela boca.

Como estava assim meio acelerada, vai de me oferecer para começar a falar, o que é bom, porque é mesmo nesses momentos que pouca coisa de jeito me sai boca fora (só os bofes).

Descrevi o primeiro livro em qualquer coisa como duas frases, creio que a maior parte das pessoas ficou a pensar que eu só li a capa. Do segundo livro, falei que eu, tal como a escritora, sofro de medos e fobias e ansiedades e ataques de pânico, o que, a uma distância segura, me faz ter algum nível de certeza que as pessoas começaram a questionar a minha sanidade mental (existe um máximo para a chalupice que uma pessoa aguenta). De todas as partes do livro que podiam justificar o quanto gostei dele, optei pela que fala de casamentos (e de como são uma chatice) o que é sempre bom numa roda de mulheres que (muito provavelmente): a) fizeram casamentos lindos com os homens que amam; ou b) planeiam fazer casamentos lindos com os homens que amam.

Enfim, não há nada como ser "eu própria, eu mesma."

Colocando de parte este momento brilhante celebrado por esta que vos escreve, bem como outros em que, não conseguindo controlar o meu impulso de matraca, acabei por opinar sobre as escolhas dos outros ("Graças a Deus sempre para bem!), arriscaria dizer que gostei mais deste do que do mês passado.

Muitas das caras presentes já se conheciam da sessão passada, pareceu-me que estava toda a gente mais descontraída, e as coisas fluíram com naturalidade.

Dos livros apresentados fiquei de olho em 4, eles são:

1. Os interessantes;

2. 1984 (este até tenho em casa);

3. Nada a temer

4. Pai Nosso

 

Para quem ainda não participou e que tenha possibilidade de participar, aconselho vivamente a faze-lo. Se não neste, noutro clube de leitura: é muito divertido ter com quem falar sobre livros, gostemos ou não deles.

 

“Vá para fora cá dentro”

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Há uns valentes anos, a propósito de convidar os próprios portugueses a visitar e conhecer o seu maravilhoso país foi criada a publicidade do: “Vá para fora cá dentro!” A campanha pegou de tal forma que, ainda hoje, se usa esta frase mesmo que estejamos a pensar em ir jantar à varanda lá de casa.

O que mais me agradou nesta campanha foi a sua simplicidade e a forma direta como nos relembrava que temos tanta coisa boa para conhecer reste pedaço de terra à beira mar plantado, que é quase um pecado ir para fora com tanta riqueza cá dentro. Adoro Portugal; poucos países conseguem ter tanta variedade em tão curto espaço. Temos serras, temos campo, temos planície, temos praias maravilhosas, temos a melhor gastronomia do mundo, temos tudo caramba! E é tão bom conhecer cada recanto, falar com as gentes de cada terra, compreender os seus costumes. Há meu lindo Portugal!

Podia fazer um texto triste e com mil pedidos de apoio, mas não o vou fazer. Não porque acho que devemos querer conhecer o que é nosso tanto quanto os estrangeiros que por cá passam.

O norte do nosso país tem sido sujeito a muitas provações este ano. A bem da verdade, como é quase todos os anos. Foi maravilhoso ver como todos os portugueses se juntaram para apoiar, para dar uma mão, para dar uma mensagem amiga. Agora chegou a hora e dar vida às localidades afetadas. Mostrar que tudo se pode recompor.

 

Não conheço todo o norte do país, aliás, infelizmente não conheço todo o meu país. Mas tenho um sonho, o sonho de um dia percorrer Portugal de uma ponta à outra a pé, com tempo, ver tudo o que há para ver.

 

E toda esta conversa vem então a propósito do quê?

 

Vem a propósito de uma campanha levada a cabo pela empresa TRANSDEV; uma empresa de transportes. A TRANSDEV vai disponibilizar em 100 dos seus autocarros, através dos óculos traseiros, publicidade às áreas afetadas pelos fogos. O objetivo é mostrar que há ainda muito para ver e viver nestas terras. Lembrando que é ao continuar a dar vida que a vida destas localidades se perpetuará.

Os autocarros visados circulam, entre outros locais, em: Barcelos, Braga, Guimarães, Porto, Aveiro, Viseu, Lamego, Coimbra, Guarda, Castelo Branco e Lisboa.

 

Abaixo podem ver a publicidade de que vos falo. Uma excelente iniciativa. Outra melhor será a de, cada um de nós, pôr mochila às costas e meter-se a caminho da cultura e natureza nacional.

 

Posso adiantar que Figueiró dos Vinhos é um espaço maravilhoso, que tenho o prazer de conhecer e que merece, sem dúvida, uma boa enchente de turistas.

 

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Ser uma gaja boa tem as suas vantagens

Ontem caminhava pelo shopping durante a hora de almoço e dou com um moço que trazia um saquinho de papel do Celeiro cheio de mercadorias. A determinada altura o saco rompe e lá andava o rapaz a catar tudo: o lanche, a água, as proteínas. Eu ajudei com a garrafa de água que rolou para perto de mim.

O rapaz, sem jeito diz-me: "estes sacos são uma porcaria."

Sorri, porque sei que são.

Hoje fui ao Celeiro comprar lanche. À minha frente uma moça vê todas as suas compras enfiadas num saco de papel mais fino que uma folha de impressora. Ao lado o moço das barbas coloca um saco dentro de outro - por forma a dar-lhe mais consistência - para que a moça gostosa transporte um pacote de mirtilos. Logo mirtilos, que são mais pesados que os cocos!

Depois não me digam que ser boa não tem vantagens! Pois não, não tem!

 

O meu marido é um homen sabio

Eu

Olha diz aqui que ser vegetariano pode fazer mal à saúde.

 

 

Marido

Isso já se sabe há anos. Ser omnívoro também faz mal. Estar vivo faz mal à saúde.

 

 

Tenho de aceitar que chegou a hora de ir para o colégio...

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Saí de uma reunião a correr. Fui para o carro a correr. Fomos de carro a acelerar até ao Aqueduto das Águas Livres. Constatamos que afinal as pessoas não estão de férias, não: as pessoas estão escondidas em cantos para se mandar à fila às seis da tarde e empatar a minha vida.

Tenho dias em que não gosto particularmente de pessoas.

Quando chegámos ao colégio já estava uma das diretoras à nossa espera. Teve a amabilidade de ir ter connosco depois das 19 horas e nós retribuímos chegando atrasados. Somos mesmo assim, pessoas que gostam de dar de volta.

Subimos ao escritório e os meus olhos percorriam outra vez o espaço, o meu cérebro matutava: será que não houve mesmo nada de errado que te tivesse escapado na ultima visita?

Sentamo-nos, entregámos documentos, justificámos a falta de declaração médica e eu começo a sentir o meu incomodo a instalar-se. 

Adorei e detestei a diretora pelo menos 20 vezes no espaço de uma hora.

Ela dizia: "Está ainda com os avós...hummmm...não vai ser fácil, têm de estar preparados!"

Eu pensava: que sabe esta alma do meu filho. quem julga ser. o meu filho adapta-se se eu achar que se vai adaptar. ou será que se adapta? e se ele chora e chama por mim? e se ele pede colo e ninguém lhe dá? se calha isto é tudo um erro, vou pegar nas cópias dos documentos e vamos por-nos a andar.

Depois ela esclarecia: "Mas eles adaptam-se melhor que os pais, nós (país) temos sempre receio, eu trabalho no ramo há 19 anos e quando foi com os meus fiquei aflita."

Eu pensava: parece-me adorável esta senhora. aqui ele fica bem. preenche o documento Cátia, preenche.

Deu-nos um documento para identificação da criança e dos pais. Identificação do encarregado de educação: eu; não sei se foi a melhor escolha, porventura devíamos ter escolhido alguém mais responsável e ponderado...como o pai, por exemplo. 

Detesto a sensação de que me estou a esforçar para agradar a alguém, mas a verdade é que vou deixar o meu único bem precioso aos cuidados daquele espaço: quero que gostem de mim, quero que gostem de nós. Porque se gostam, acarinham e eu não quero que lhe falte nada.

A tentativa de me "integrar" num espaço acompanha-se, invariavelmente, pelo nervosismo de quem receia fazer merda. Porque é normal para mim meter a pata na poça. É normal ser desbocada, é normal dizer coisas fora do contexto, é normal tentar ser engraçada para aliviar o ar. Quero que gostem de nós, mas quero que respeitem também.

Começo a preencher a declaração. Na segunda linha estava a morada, dei comigo a escrever que vivia no 38º andar. Nesta terra não há prédios com mais de 5 andares e mesmo esses já é um pau. Isto é depois do cú de judas, não há arranhas céus aqui.

Mas há gente parva e atrofiada...como eu.

Continuo e engano-me na data de nascimento do meu filho, penso: que raio de mãe se engana no mês de nascimento do filho? Ah, já sei! Eu. Será possível?! Concentra-te.

Peço um corretor à diretora, estava no cabeçalho da declaração e já precisava corrigir 2 erros. Logo, estava bem encaminhado.

A senhora falava. O Nuno respondida. Eu preenchia a declaração e sentia o suor a escorrer-me costas abaixo. A adorar e detestar a diretora de forma intercalada.

Dou comigo na descrição dos dados dos pais: escolaridade? licenciatura. licenciatura escreve-se assim? de certeza que está bem. ahhh otária estás tão habituada ao corretor automático que mais pareces uma ignorante. É assim! Será? Tu vê lá Cátia Filipa, tu faz boa figura mulher, lá porque tem uma mãe estúpida a professora não tem de ficar a saber. se percebem que mal sabes escrever vão pensar-te uma ignorante e o miúdo vai de arrasto. concentra-te. presta atenção ao que fazes. tipo de sangue? sei lá o tipo de sangue do miúdo! nem o meu. uma boa mãe sabia de cor o tipo de sangue do filho. deve estar no boletim, vai ver, mostra-te capaz.

Quando acabei de preencher o documento estava esgotada e numa fase de detestar a diretora. O melhor era o miúdo ficar com os avós até aos 18 anos, por essa altura já estaria rijo para enfrentar a vida.

Lá entregámos a declaração. Lá ficou com lugar reservado. Lá ficou combinada a data de começar. Lá esclareci mais 350 questões. Justifiquei-me outras 350 pelas questões colocadas. Detesto quando tento esforçar-me para que as pessoas gostem de mim. É-me muito mais fácil ser uma besta e quem não gosta que vá à sua vida.

Cheguei ao carro e pensei em todos os cenários de guerra. E se alguém conseguisse entrar pelo colégio e raptasse o meu filho, logo o meu menino. E se alguém deixasse o portão aberto e ele, com a mania que é independente, à procura da mãe e do pai, se escapulisse para a rua? E se a educadora for marada da mona e arrear nos miúdos e o puto me ficar com traumas para a vida? E se o enfiam numa sala sem comer por todas as horas que lá está? E se me cai a brincar com os colegas, quem é que o vai amparar como eu? E se há um miúdo muito maior do que ele que lhe bate todos os dias? Ele é tão dócil. Como é que eu vou saber? Como é que lhe vou explicar que pode espetar biqueiros no outro até se cansar, desde que seja para se defender? A mãe estará cá para tratar do resto. E se não come como deve de ser? E se ele tem saudades? E se ele não quiser brincar com os outros meninos e se isolar? E se ele pedir por mim? E se ele se sentir mal? E se ele gostar e não tiver saudades da mãe? E se correr tudo bem? E se ele for mais independente do que eu o quero acreditar? E se for só tudo paranoia da minha cabeça? A mesma que ainda não acredita que ele não nasceu ontem.

#vaiserbonito

 

A primeira vez que vi o Titanic

Enquanto trabalho ponho os phones para ouvir música. Tira-me do som das teclas dos outros computadores e ajuda-me a concentrar nas tarefas menos cerebrais. Também me ajuda a estar calada e focada no que tenho para fazer.

Normalmente prefiro musica clássica, para ler documentos e para escrever relatórios. Mas para coisas rotineiras têm de haver letra para me entreter os neurónios.

No inicio da semana dei com os 10 + dos Roxette. Ontem desencantei a Celine Dion. Não é coisa que goste por aí além, mas traz-me lembranças.

Hoje ouvia a música do Titanic e lembrei-me de quando vi o filme pela primeira vez, numa sala de cinema minúscula no Miratejo. Era a ultimo dia em que o filme ia passar e, a maior parte das raparigas com que ia já tinha visto o filme pelo menos duas vezes. Algumas já choravam antes mesmo de entrar.

Quando chegou a parte de o Jack estar seguro na mão da Rose já havia um rio dentro da sala de cinema. Toda a gente a chorar como madalenas e eu, eu ria descontroladamente.

Pois.

Nunca entendi porque raio não se revezaram em cima da porta de madeira. E depois aquela cena de ela tentar deslarga-lo da mão dela. Brutal.

Ainda hoje me farto de rir sempre que vejo.

 

O meu filho pretende o meu despedimento

Acordou pouco depois das sete. Fui dar com o pai deitado com ele na nossa cama (estava a tentar convence-lo a dormir mais um pouco). Eu ia chamar o Nuno para ir tomar o pequeno almoço.

Deitei-me ao lado do pequeno. Fiz o mesmo de sempre: dei-lhe mais beijos do que ele queria e cheirei-o, cheirei-o muitas vezes. Há qualquer coisa que não se explica no cheiro dos nossos filhos, mesmo quando os pés dão já nota de algum chulé. Às vezes dou comigo a pensar como vai ser quando for um homem adulto. Já não lhe vou cheirar os pés. É como se o filho que cresceu dentro do nosso corpo se afastasse, assim de fininho, até ser um homem que se liga apenas por um fio de sentimento invisível.

Diz-me: "Mãe, lête!"

O pai foi buscar. Eu dei-lhe o beberão. E sim, tem quase 2 anos e meio e eu ainda lhe dou o biberão. Porque se recusa a bebe-lo sozinho. Porque eu prolongo a duração desde ser bebé em 300 ml de leite.

Diz-me: "Mãe, quato"

Digo-lhe: "A mãe tem de ir comer o pequeno almoço porque tem de ganhar tostões. Não pode ir brincar"

Chorou. Agarrou-se a mim. Que eu não precisava trabalhar, que não precisamos de uma casa, que não precisa de prendas nem de papa. Que a mãe havia de ficar em casa. E não, não fez um dicurso eloquente, só respondeu que não a todas as perguntas que lhe fiz.

Acalmou-se. Foi comer cereais. Sentou-se na cama com o telemóvel (sim empresto o telemóvel ao meu filho, c'horror!)

Quando acabo de me vestir diz-me: "Mãe, patos!"

Eu páro para pensar e digo: "Queres ir dar pão aos patos?!"

Ao sábado vamos sempre dar pão aos patos. Queria que fosse sábado. Eu também queria que fosse sábado.

Seguiu-se mais uma explicação. Seguiu-se muito colo. Seguiu-se uma viagem de carro em que não queria que lhe tocasse: eu era uma traidora que o abandonava por trabalho!

Depois não quis deixar o colo do pai pelos avós. Nem com pão com manteiga! Mesmo sendo dia das avós!

Vim para o trabalho de coração apertado. Cheguei atrasada para uma reunião!

 

 

Florence, uma diva fora do tom

 

 

Foi estreia há umas semanas no TV Cine. Gravei para ver durante as sestas do pequeno. São os nossos momentos de descanso.

Não há palavras para descrever a interpretação da Meryl Streep, quer dizer, para além de perfeita. Aliás, esta senhora detém a monotonia da perfeição, por mais que uma pessoa possa tentar encontrar um defeito está tramado, porque é sempre tudo tão, mas tão bem feito.

O Hugh Grant é o Hugh Grant, tenho a ideia que a papel dele é sempre desempenhar ele próprio mas com falas diferentes. Sempre charmoso, sempre engraçado, sempre carismático, mas o Hugh Grant em 1944.

O filme é baseado numa história verifica que apaixona. Florence é uma mulher da arte. Herdeira de uma fortuna, primeiro do pai e depois do primeiro marido, dedica a sua vida à musica. Sendo responsável por financiar projetos que de outra forma não veriam a luz do dia. A par de ser a benfeitora para os outros, que lhe demonstram respeito pelo afeto que têm ao seu dinheiro, procura o estrelado pelo seu amor à música. O seu sonho de ser cantora.

O segundo marido "trabalha" no sentido de conjugar todos os fatores para que, para Florence, haja sempre uma ovação apesar do desastre das suas capacidades vocais.

Vitima de uma doença transmitida pelo primeiro marido, vive sem saber se amanhã é novamente dia. Assim o seu mundo de excentricidades vive em torno das suas paixões: o marido, a música e a arte.

Um filme que nos faz pensar se o melhor ingrediente da vida não é a paixão, a alegria, o amor à vida. Ingredientes invisíveis que operam os maiores milagres.

 

 

 

E já lá vão 3 anos de casório

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Fomos jantar não sei bem para comemorar o quê. Não me lembro se foi porque fazíamos x anos de namoro, se era eu que fazia anos. Não importa. Tínhamos ido jantar fora para comemorar alguma coisa. Alguma coisa que carecia de um presente. Por isso acho que sim, que era o meu aniversário, porque lembro-me de ter recebido uma prenda, mas não me lembro de ter dado nada. Then again, também houve ocasiões de comemorações de datas em que não tive nada para dar…tirando a minha magnifica presença, claro!

Dizia que fomos jantar. A acompanhar a minha prenda estava um poema – meu querido marido é para mim o maior dos poetas – e esse poema perguntava se eu queria casar com ele. O meu primeiro pensamento à questão foi óbvio: com o tempo que já vivemos juntos, mais vale! Brincadeira! O meu pensamento foi: a sério, para quê, não fica tudo igual? Brincadeira, outra vez! O meu pensamento foi: este tipo gosta mesmo de mim, porque depois de falecer quer que eu fique com a reforma dele! Porque é verdade.

Claro que respondi que sim e fiquei sem jeito porque sou uma pessoa que fica sem jeito nestas coisas românticas, porque afinal de contas sou uma pessoa que não tem jeito nenhum para nada.

Quando alguém nos pede em casamento é porque existe um de dois cenários: a) a pessoa quer começar a viver connosco, partilhar a cama e a vida (em resumo não faz ideia daquilo em que se está a meter); ou b) já vive connosco, percebeu que somos mesmo a pessoa com quem quer ficar e decide dar-nos um conjunto de direitos legais, nomeadamente ficar com a sua reforma um dia que morra.

Claro que este pedido não é ingénuo. No fundo a pessoa tem sempre alguma esperança de que sejamos nós a morrer primeiro e assim pode ficar com a maquia mensal.

 

No dia ficou apenas no ar o pedido e a informação clara de que: “fazemos como preferires, um casamento grande, pequeno, na igreja, tu é que sabes!”

 

No dia seguinte bateu a realidade: eu detesto casamentos.

Aliás, eu detesto casamentos, funerais e batizados. E detesto os três pelo mesmo motivo: o amontoado de gente. Tenho uma falta de capacidade natural (mais uma) para lidar com muita gente em simultâneo e, quer queiramos quer não, nestes três tipos de acontecimentos há sempre demasiada gente. Ou melhor, na maior parte dos casos (já vão perceber).

E sim, na hipótese 2 (funerais para os mais desatentos) junta-se o facto de haver um morto ao barulho. Nunca compreendi aquela coisa de se juntar gente que já não via o desgraçado há mais de 10 anos para dizer o quanto gostava da pessoa. Nem lhe ligavam no Natal, porra!

Estou a divagar, perdi-me como é hábito. Vamos voltar ao que interessa.

O casamento.

Fazer uma festa na igreja estava fora de questão. Nenhum de nós é crente e parecia excessivamente hipócrita casar pela igreja, portanto estaríamos sempre a falar de uma festa no civil.

Se fazíamos no civil queríamos levar o senhor do notário para o sitio da boda (a quem teríamos de pagar mais dinheiro) para nos fazer assinar num livro à frente de uma serie de pessoas?

Não. Também não.

Então íamos ao registo e depois arrancava toda a gente nos carros para uma quinta qualquer? Como acontecia em 1980 porque ainda não tinha ocorrido às pessoas levar o notário à quinta?

Não. Também não. Então como fazer?

É verdade que ambos somos forretas e que nos custava a ideia de investir todas as nossas economias no casamento (o que nos estava a tirar anos de vida), mas também era certo que nenhum de nós tinha (ou tem há presente data) especial apreço por três coisas: festas carregadas de gente que mal vemos (incluídos tios e tias que nos apertavam as bochechas em pequenos e que passaram todos os casamentos anteriores - de outros familiares - a perguntar quando seria a nossa vez); ser o centro das atenções (e ter gente a olhar para nós e a tirar fotografias e nós a ter de sorrir porque “era o nosso dia”); casamentos no geral - sempre foi um enfado ir ao dos outros.

Lógico que esta ultima serviria sempre de motivação: causar aos outros o mesmo nível de dor que nos causaram a nós. Mas será que valia a pena?

Então um dia disse para o Nuno: “O ideal é irmos só nós, casarmos num dia de semana, não dizer nada a ninguém e só contar depois de estar feito!”

 

Pareceu-nos perfeito. A nossa cara, como dizem os brasileiros.

 

Assim fizemos. No dia 22 de Julho fomos comprar roupa nova para ir casar e no dia 23 de Julho de 2014 lá estávamos nós à porta do notário de Sesimbra. Sabiam alguns colegas de trabalho porque tivemos de comunicar para gozar da licença se casamento.

No notário estávamos nós, o senhor do notário e uma aranha. Estava também em crescimento o nosso filho que já contava com 2 meses e qualquer coisa de gestação.

 

Passámos o resto do dia e o dia seguinte num hotel com vista mar e combinamos que quando fossemos velhos, com filhos criados íamos rebentar a reforma a fazer vida de hotel em sítios com praia e bebidas coloridas com chapelinho.

Depois, e antes de ir passar uns dias a um hotel com tudo incluído no meio de Beja, passámos em casa dos pais para contar que agora não vivíamos em pecado, não senhores! Agora éramos mesmo marido e mulher. O meu pai chorou. Não sei bem porquê, afinal de contas não vivia lá em casa já há uns 4 anos. O meu sogro deu-nos os parabéns (é o mais equilibrado de todos) e a minha sogra disse: “se soubesse que tinham casado tinha feito uma tomatada pra gente.” Entenda-se que a “gente” é ela e o filho (meu marido). Eu estaria excluída porque não como tomatada e ela sabe que detesto.

 

Este domingo fizemos 3 anos de casamento. Não passámos um fim de semana romântico. Não. Nós fomos à praia do sitio onde casámos. Assim, bem pobre.

Fomos os três porque afinal de contas, naquele dia, estávamos os três. Comemos muita areia, porque estava uma ventania desgraçada na praia. Fomos jantar com vista mar a um restaurante simples. Eu com um vestido de praia e ele com calções de banho. O miúdo com nódoas e areia até aos dentes.

Fomos para o carro satisfeitos connosco mesmos. Foi um dia bem passado. Bem ao nosso jeito, assim, sem jeito para estas coisas.

 

Estava um vento de merda na praia

Hoje ouvia na rádio que a Vodafone tem uma nova app que permite saber como está tudo e tudo lá para os lados da praia, mesmo antes de lá chegar. A saber: temperatura da água, temperatura do ar, índice UV, humidade, velocidade do vento, ondulação, etc.

Eu, que nasci e cresci na Margem Sul e pouco mais sou que uma mulher das cavernas, acho que uma pessoa saber estas coisas todas antes de ir à praia desvirtua todo o conceito de ir à praia.

Uma pessoa levanta-se de manhã e, antes de outra coisa qualquer, tenta perceber a que planeta pertence e se estamos perante um dia inútil de trabalho ou um dia útil de férias/fim de semana. Confirmando-se de que se trata de um dia útil (de acordo com a descrição anterior), a pessoa procede ao apalpamento de apetecimentos, com vista a compreender se tem vontade de levar o seu lombo para a praia logo pela manhã. Caso contrário adia para o final do dia.

Chegado o momento de fazer caminho a pessoa dirige-se à janela mais próxima e analisa o céu: (1) verificar se há muitas nuvens e, a haver, se são branquinhas ou se ameaçam chuva; (2) olha para as árvores para compreender se está vento ou não; (3) vai ver se tem o carro ao sol ou se apanhou sombra, de maneira a preparar-se fisicamente para a dor que lhe irá causar sentar o befe num forno.

Feita que está a avaliação mínima de "condições praia" a pessoa pega na família, onde estão incluídos: o marido, o filho, o carro do filho, a piscina de borracha do filho, a boia do filho, o baldinho do filho, a pázinha do filho, o ansinho do filho, o iogurte do filho, a fruta do filho e todos os pertences habituais de um filho com 2 anos. E vai para a praia.

Chega à praia e de facto constata se está vento ou não. A estar (como esteve ontem) a pessoa procede à chingamento ofensivo de um Santo que dá pelo nome de Pedro, porque "com tantos dias para mandar vento o filho da puta escolhe sempre os dias de folga de uma pessoa." Depois, o filho da pessoa pede para ir buscar água, este - em resultado de algumas análises estatísticas - já compreendeu que a água está, invariavelmente, fria. Pelo que pede à sua mãe que leve a sua carcaça velha até ao mar para lhe ir buscar baldes de água e encha a sua piscina de borracha.

Esta ultima cumpre como requisitado e, aproveitando para molhar o pé e "ver como está a água" (como se alguma vez a água do mar em Sesimbra tivesse estado morna nos últimos 34 anos em que a frequenta). Ao chegar ao mar e sentindo os ossos encarquilhar dentro da pele, chega à brilhante conclusão que a merda da água está gelada ´"até faz doer os ossos". O marido, já calculava que assim fosse, pelo que nem se dá ao trabalho de ir experimentar.

Praia é isto minha gente. É poder chegar ao sitio e chingar esse mesmo sitio porque não tem as condições ótimas que idealizámos. É ter a oportunidade de, na segunda feira, poder contar aos colegas no trabalho que: "fui à praia mas aquela porra estava uma merda porque estava um vento do caraças que até o miúdo reclamava com a quantidade de areia que lhe entrava involuntariamente boca adentro". Saber quais são as exatas condições desvirtua tudo. Senão vejamos, consulto a app e sei que está vento, mesmo um vento do caraças, conto o quê na segunda feira: "fui à app e vi que não havia condições ótimas." É isso? Tenham dó de mim. Eu sou tuga, gosto de ter de que me queixar.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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