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Em busca da felicidade

Sobre os dias em que me arrependo de ter criado o blog

 

Há dias em que me sinto cansada.

Profundamente cansada.

Fatigada, aborrecida, aporrinhada, esbaforida com tudo isto.

Há dias em que se me levantam os cabelos dos braços por conta desta ideia estúpida de publicar as coisas que escrevo.

Sim, porque eu escrevo porque gosto de escrever. Mas publico porque gosto que esteja alguém a ler. Aquela conversa de que se escreve apenas por amor à escrita é conversa de café, porque se é só pelo exercício da coisa podia ficar na gaveta. Não era propriamente preciso perder horas de sono a: reler, rever, pontuar, corrigir, fazer sentido e depois programar para sair.

Gosto de escrever as minhas baboseiras e acreditar que há pelo menos uma pessoa que se vai rir com aquilo. Ou que se vai identificar e gostar de ter perdido aquele minuto e meio com o espaço.

 

Há uns meses mandei o blog às couves. Andava cansada da falta de chá de pessoas que escolheram ler o meu espaço sem terem primeiro limpo os pezinhos à porta de entrada e que me borraram o tapete da sala com as botas cheias de nhanhã.

Eu fiz aquilo que faria se alguém me irrompesse pela sala dessa forma: fechei portas por forma a não mais as deixar entrar. 

 

Depois voltou a vontade de escrever. E as pessoas que eu conheço e que gostam de ler tinham pena que eu tivesse parado de escrever. São poucas, mas são boas. E eu gosto dessas poucas.

São pessoas que se alinham com os meus astros. Apareceram aqui neste antro, gostaram do que viram e voltaram. Se calham a não ter gostado iriam à sua vida. My kind of people.

Os que assim entendem comentam (aqui ou no facebook) e gostam que eu brinque de volta perpetuando uma brincadeira que nos faz a todos rir.

É tão bom rir de coisas sérias. De outra forma era tudo tão cinzento. Afinal de contas a vida real vai-nos despindo da brincadeira. Não sejamos nós a encontra-la...

Só que depois há sempre alguém a querer castrar. Pessoas donas da razão, ditadores dos bons modos para o que lhes convém.

Atrás desses veem os engraçados que só entendem as próprias piadas. Voltemos a piada ao contrário e «aí Jesus que me afendestes», assim mesmo com «tes».

Eu fico abismada com a incapacidade humana de viver e deixar viver. 

Estes dias passam, porque os meus gatos pingados aparecem no meio da neblina, como uma espécie de equipa D. Sebastião do Século XXI e dizem-me aquilo que preciso ler: «pá, sua parvalhona de um raio, fizeste-me rir hoje», e eu dou-me por satisfeita.

Pobres daqueles que não sabem rir de si. Jamais sentirão o prazer de uma gargalhada verdadeira. Conhecem os sorrisos politicamente corretos, polidos e consensuais. Conhecem a gargalhada da maldade, quando alguém faz pouco de outro que lhes dá jeito. Uma espécie de escape à frustração, um desmascarar de sonsice encapotada.

Há dias em que me apetece fechar a porta. Mandar tudo as urtigas e começar de novo. Noutro sitio, com um nome inventado. Sem conhecer ninguém. Sem dar a cara.

Assim, como quem vai morar para um monte no meio do Alentejo e manda um telegrama de quando em vez.

 

A minha bipolaridade no silêncio ou blá blá blá de uma pessoa de molho

Numa boa parte das grandes coisas das nossas vida, bem como das microscópicas, triviais e invariavelmente olvidadas, existe muito pouco de decisão. Limitamo-nos a encaixar os acontecimentos. A absorver, viver e sentir. A encasqueta-los como parte das nossas vidas.

A forma como percecionamos o que nos acontece pode ter várias formas, e estas variam com a nossa idade, a nossa maturidade, o nosso estado de espírito, de alma, uma zanga ou uma alegria no dia anterior. Revestem-se da nossa capacidade de ver tudo de uma forma mais leve (para não usar o «positiva») ou mais pesada (para não usar o «negativa»).

Eu, que não sou melhor nem muito diferente da maioria dos aborígenes que leram o manual de civilização do meu mundo e que por isso fazem parte dele, consigo, se despender minuto e meio, percecionar as várias formas como podemos viver uma determinada situação.

Nenhuma é melhor que a outra. São apenas diferentes. Podemos ser pensativos, podemos ser queixinhas, podemos ser tripeiros, podemos ser gozões ou podemos cagar para o assunto.

Vamos pegar nos acontecimentos deste triste e silencioso dia, em que senhor meu marido se vê privado de minha voz, de meus aconselhamentos, de minha visão correta e sensata da vida. Vamos olhar para este momento em que tenho de me manter reprimida e pensar nas várias formas de registar este sucedimento.

 

O pensativo

Engraçado o silêncio. Perdemo-nos tão frequentemente em palavras vazias que quando o vazio de som preenche o nosso dia reconhecemos o seu valor. Os pássaros que afinal piam do lado de fora da janela, naquele pequeno jardim a que não damos valor tantos dos dias. Ouvimos os nossos pensamentos. Sentimos vontade de verbalizar a primeira coisa que nos vem à ideia e paramos, estagnamos, não podemos falar. Então pensamos naquilo que íamos dizer. Gozamos o pensamento. Desconstruimos as palavras que iam jorrar da nossa boca e percebemos que tantas vezes falamos para preencher tempo. Para consumir o espaço etéreo. Falamos por falar. Porque o silêncio torna o espaço mais denso, mais real, e a visão melhora, e a audição, aquela que fingimos ter e tão poucas vezes usamos, aguça-se. Percebemos a falta dos outros sentidos. Percebemos que a vida podia ser feita de menos conversa fiada. E prometemos que amanhã nos vamos lembrar disso.

 

O queixinhas

Queria dizer que vou buscar pão. Mas não posso. Queria ir buscar o pão, mas não tenho como pedir à senhora. A mesma que vai pedir para explicar o que eu tenho e eu sem conseguir falar.

Doi-me.

Porquê eu? Com tanta gente que não precisa de falar. Não podia ter dado uma destas a uma freira que fez voto de silêncio? Nem dava por ela. Não desejo mal a uma senhora devota. É só que não lhe fazia falta e a mim...aí que me doí.

 

O tripeiro

Farta desta merda car&%$%. Fod/&-se! Rai's parta mais à garganta. Se apanho a filha da pu%$ da amígdala lá fora parto-lhe a boca toda, car&%$&.

 

O gozão.

Estou a ouvir a minha própria voz na minha cabeça e estou nauseada. Ouvir a minha propria voz na minha cabeça é saudável. Ouvir vozes na cabeça é um acontecimento, digamos que, normal. Tenho mesmo uma voz irritante. Eu digo esta bosta da boca para fora todo o dia? O marido confirma. Rio-me.

Faço 25 tentativas de gestos para lhe explicar que se não come a canja que lhe pus no prato, lhe vou arrear com uma cadeira nas costas. Forte. Não entende. Ou não quer entender...o sacripanta. Era uma boa hipótese para lhe arrear no lombo por todos os pares de sapatos que não comprei por conta da sua forretice. Posso sempre alegar que como não entendia os outros gestos, quis esperimentar uma coisa nova.

Lá fora os pássaros piam. Hoje ouço-os mais que nos outros dias. Fechei as janela, mas continuo a ouvi-los, Ao principio era giro, mas agora sonho com uma fisga para os virar a pedrada. O som do ultimo piu antes de baterem com os costados no chão. Por acaso isso faz-me lembrar o periquito velho da minha prima Xana, que um dia, pouco antes de se sentarem para jantar fez um «piu» e caiu inteiro do balancé que tinha na gaiola. Não sabiam se haviam de rir com a cena, se chorar porque o coitado morreu, mas morreu uma morte cómica. Sem nunca antes deixar a sua despedida. Uma especie de: «adeus mundo, até um dia»; mas em piu.

 

O que caga no assunto

...................

...................

...................

(se cagou no assunto não tem nada para dizer, né?!)

 

E assim se esmiúçam várias formas de ver o mesmo problema e se ocupa o tempo de quem está de choco em casa. 

Fim.

 

 

Coisas #5

28.09_2.png

#tomaláquejáalmoçaste

#afinfanainspiração

#senãoinspirasfaleces

 

Pero que vas a estar calada por un dia! Está bien?!

 

Na passada semana, ainda a gozar das benditas e merecidas férias, fomos assolados - como aliás já vai a ser condição frequente dos nosso períodos de férias - por uma maleita de ordem gastrica . Em cada dois períodos de férias, um está literalmente na merda. Como estas últimas férias se atreveram a ser de 3 semanas, e dando-nos a sorte uma maravilhosa benesse de estar 2 semanas sem: dores de cu, pedras de rins, amigdalites e/ou outras; presenteou-nos na terceira semana com regurgitações e produtos do intestino.

Na terça feira da semana passada, estávamos nós a regressar com os cães do veterinário quando o miúdo, sem mais, começa a ficar de uma cor assim meio esverdeada, abre a boca e liberta iogurtes coalhados por todo o carro. Um pot-pourri de laticínios de várias cores. Afinal de contas tinha comido um daninho laranja, um vermelho e um amarelo.

Havia de vomitar pelo menos mais três vezes nesse dia e nós, havíamos de lhe enfiar goela abaixo: chã de camomila carregado de açúcar (para aquelas canelas magricelas terem energia) e sumo com probióticos para lhe melhorar a flora intestinal.

Tudo com uma seringa (sem agulha - esclarecimento para a malta que possa ficar confusa) e muita gritaria.

O que eu gosto de gritaria Meu Deus!

No dia seguinte ainda tivemos regurgitações e deu-se inicio à saída secundária de males gástricos...se é que me faço entender.

Pelo final do dia de quinta-feira a coisa estava controlada, pelo que, na sexta, decidimos que para arejar estas mentes inquietas, o melhor a fazer era pegar nas nossas almas e ir comprar três ou quatro tarecos ao IKEA.

Lá fomos, todos meio mal enjorcados e até tirámos fotografias para termos um catalogo personalizado com a nossa foto na capa.

Posso afiançar que a máquina era boa porque, pelo nosso estado nesse dia, e tendo sôtor acordado 15 minutos antes da foto, até ficámos bastante bem.

Somos pessoas que enfrentam as maleitas com armas e bolinhos de canela. Por isso fomos comprar 3 (bolinhos de canela, não armas), que são bem bons e baratos lá na terra dos móveis em conta.

Estava eu a convencer sôtor a comer um, quando ele me faz uma cara de desespero e de quem diz:

"Caguei-me"

E cagou-se.

Todo.

Peguei-lhe. Corremos para o fraldário. Após pousar a criança percebemos que não só ele estava repleto de material escatológico, como também a camisola de sua mãe.

Procedemos agilmente à desinfeção da cria por via do gasto de meio pacote, repito, meio pacote de toalhitas. Trocámos roupa. E de seguida houve uma tentativa de limpar a única roupa que trazia comigo. A que estava vestida.

Sôtor estava aliviado e animado.

Sua mãe atraía mais atenção do que a Madonna em Sintra.

Para quem quiser saber o que é ser verdadeiramente famoso, é barrar uma fralda borrada de um filho numa camisola e depois passear-se por uma loja de móveis em conta e por montar. Vão ver que é bastante incomodo.

Concluímos o passeio mais cedo. Não que o facto de continuar a cheirar à fralda do meu filho me estivesse a causar algum transtorno. Nada disso.

No sábado sôtor estava mais animado. No domingo acordei eu adoentada.

Segunda foi dia de trabalho e eu fui arrastando-me. Cheia de dores de garganta, o corpo dorido e um brufen no bandulho.

Terça feira ao almoço o Nuno diz-me que toda aquela água que tinha bebido de manhã lhe tinha feito mal. Mamou o almoço como um lorde. Achando que se afogasse o esparguete na água bebida e devolvesse os camarões ao meio aquático (ainda que sem casado e sem cabeça) a coisa poderia acalmar.

No final do dia andava de uma forma estranha e queixava-se de dores preocupantes.

Ontem eu acordei pior. Mandei um Ben-U-ron bucho abaixo, fiz-me de forte e fui trabalhar. Senhor meu esposo, que é homem que se acha dominador das bactérias, insistiu em ir também.

Passou o dia de caixão à cova e entregou as botas às 16:30.

Hoje estávamos os dois arrumados. Ele ainda mal se mexe. E é pior que as crianças para comer. 

Eu tenha a garganta em tal estado que se percebeu que o melhor era estar calada...todo o dia.

Assim para aqui ando. Com algumas dores no corpo. A ver se o sacripanta do meu marido não me passa aquela bactéria porque não as quero acumular. Sabe-se lá o que é que duas bactérias juntas podem aprontar. Não posso dizer nada e ando com o telemóvel em mãos para escrever sempre que tenho alguma coisa para dizer.

São pouco mais das 9 da manhã. Estou a pé desde as 6 e posso dizer que já percebi:

1. Que não tenho jeito para jogos de mímica. Ou sou eu que não sei fazer gestos ou é o meu marido que está a mangar comigo;

2. É preciso uma resistência sobre-humana para não mandar cagar à mata o outro doente cá de casa, porque insiste em fazer perguntas e eu não posso responder;

3. Tenho 2 dedos polegares de gorila, porque é uma treta escrever à pressa no teclado do telemóvel;

4. Alguém devia apedrejar o gajo do corretor automático.

Assim, passarei meu dia a vaguear em silêncio dentro de minha própria casa, tentando manter registo das horas dos medicamentos para ver se esta bosta passa. Sentindo-me culpada porque falto ao trabalho com montes de coisas por fazer. Sentindo-me culpada porque apesar de estar em casa, o miúdo foi recambiado para os avós porque não lhe conseguiríamos dar atenção e descansar, que é aquilo que de facto precisamos.

Enfim, sinto-me uma merda, física e psicologicamente. Sendo que, para agravar esse estado de espírito, alma e carnes, nem posso dizer a plenos pulmões: "Mas que car&%$& me havia de acontecer! Pu%& que pariu mais esta me%&$!!!"

 

(o titulo está em portunhol e não em espanhol...eu mal sei falar a minha língua nativa...que é o almadense)

 

Coisas #4

28.09.png

 

#eandoládias

#antesnaminhaquenadosoutros

#frasesdemerdaquedavamumlivro

 

O problema não é a mãe do Ruca, sou eu

 

 

Antes mesmo de ser mãe já ouvia falar da mãe do Ruca.

Quem a mencionava não lhe dava credibilidade e estava latente uma raiva capaz de fazer com que uma mulher composta perdesse as estribeiras e malhasse forte no lombo deste boneco animado que nem nome tem.

Confesso que quando os episódios começaram a fazer parte do pão-nosso-de-cada-dia cá em casa, me senti um tanto ou quanto inferiorizada com esta mãe tão capaz, tão tranquila, tão compreensiva ou, quem sabe, tão drogada.

Quando ouvimos um filho com pouco mais de 2 anos dizer que: «a mãe do Ruca é que é» compreendemos 2 coisas: 

a) ainda não tem idade para avaliar o que é uma gaja boa, de outra forma preferiria a mãe jeitosa do Cláudio do 9º C;

b) é apenas uma criança de 2 anos a mangar connosco.

Depois de ultrapassada a indignação e a vontade que a dita senhora se transforme em alguém «agredivel», passamos à segunda fase deste programa de desgaste mental e fortaleza materna: compreender o que é que esta pessoa animada faz da vida e porque raio tudo parece ser tão mais facilitado.

Foi nesta fase do processo que percebi uma coisa fundamental, algo que me permitiu fazer as pazes com a minha raiva latente e ser amiguinha da mãe do Ruca: o problema não é a mãe do Ruca, sou eu.

A mãe do Ruca não tem culpa que eu viva num pais onde as mães - se querem ter dinheiro para comer - têm de voltar ao trabalho ao fim de 6 meses (no máximo). A mãe do Ruca não tem culpa que eu tenha de estar longe do meu filho 11 horas por dia.

Isso, 11 horas.

Não, ninguém me explora. Graças a Deus! E Graças a mim que cumpro os meus horários que é uma beleza.

Mas tenho de estar no trabalho pelo menos 9 horas. Dessas 9, temos 8 que são o que está em contrato e aquilo que a lei estipula: 40 horas de trabalho semanal (a não ser que a vida nos tenha bafejado com um emprego no Estado ou na Banca de Retalho). Para além dessas 8 horas ainda papo com 1 hora de almoço. Para fazer isso mesmo: papar. Podia comer uma sandes e continuar com a minha vida. Eu podia. Mas a lei obriga a que os colaboradores que trabalham 40 horas tenham, no mínimo, 1 hora de almoço. Por isso vamos em 9 horas.

Como não ganho que chegue para ter casa em Lisboa e comer, tive de ir viver para a Margem Sul da Ponte 25 de Abril. Mas como ganho ainda menos do que seria de esperar e, considerando que tenho esta vontade de não viver para pagar a renda de casa e comer sopa 7 dias da semana, vim viver para os subúrbios dos subúrbios dos subúrbios, que é como quem diz para o Cú de Judas ou para os mais sensíveis: para onde Judas perdeu as botas.

Assim, num dia bom, demoro 1 hora a chegar ao trabalho e mais 1 para voltar.

À hora que chego mal tenho tempo para respirar; entre fazer refeições, dar banhos, arrumar a casa do avesso, passear cães.

A mãe do Ruca não tem culpa nenhuma disso. Teve apenas uma sorte diferente da minha. Começando pelo facto de a gaja viver no Canadá e lá o poder de compra ser manifestamente melhor que o nosso.

Ela não tem culpa de só precisar de ir ao emprego de quando em vez. Não tem culpa de ter um gabinete só para ela sem que lhe deem vista para o estádio do Benfica. Ela não tem culpa de ter comprado uma casa com um belo quintal, para onde pode mandar o Ruca dar banho ao cão (com delicadeza), sempre que lhe esteja a mamar os neurónios e ela precisa de mandar abaixo dois copos de tinto bem cheios.

A mãe do Ruca não tem culpa da minha sorte. Eu é que sou uma mitra da pior espécie, a invejar um boneco animado porque tem uma vida melhor que a minha.

Depois há a questão da roupa. Aquilo é gente poupada. Anda sempre tudo com a mesma roupa, os mesmos sapatos, a mesma bandolete.

Fica-lhe bem. A bandolete. Eu até usava. Não fosse fazer-me dores de cabeça porque me aperta o crânio. Não gosto de coisas que me apertam o crânio.

Mas a roupa. Aquelas camisolas que já hão de estar carregadas de borbotos. Pergunto-me se o pai do Ruca a achará sensual.

Ocorre-me que nem sim, nem não. É possível que estejam ambos medicados para lidar com os putos à bulha, mais os filhos dos vizinhos enfiados lá em casa, mais os pais dele e a voz irritante da mãe, mais o sinhor Cintra ou Sintra que aparece por detrás dos arbustos. Parece-me um cusco de primeira, mas eles acham normal.

Eu já tinha arreado umas porradas no velho, sempre a meter do bedelho no quintal dos outros.

A vida sexual dos pais do Ruca é um mistério em que só pensa uma mãe que se vê obrigada a assistir a uma média de 5 episódios por dia. Uma mãe que precisa deixar que a sua mente viaje para que não comente em voz alta o que pensa dos personagens.

Será que no meio de toda aquela ponderação a senhora mãe do Ruca se veste de colegial para o marido? Ou será que têm um dia marcado na agenda? A mim parece-me que têm um dia marcado na agenda. A senhora está presente como quem vai fazer um recado à loja. Tudo termina com um: «pois então boa noite, meu fufinho». E cada um vai para seu lado. Ela ainda com a bandolete na cabeça.

Mas a mãe do Ruca não tem nenhum problema. Eu é que tenho um problema na minha cabeça. E a falta de um na box, que, sem como nem porquê, me apague os episódios gravados.

Indago-me se no dia marcado na agenda a mãe do Ruca ela tem dores de cabeça, ou de costas, ou se os rins lhe parecem falhar? Estou certa que não. A pessoa parece ter tudo sobre rodas.

Deixemos-lhe a vida marota em paz porque...

Nem tudo é bom nesta vida de mãe do Ruca. A tipa cozinha mal que doí. Ainda ontem dizia que estava a fazer um suflê de queijo que a mim me pareceu uma bosta de queijo. Já vi vacas fazerem coisas com o ânus que apresentavam muito melhor aspeto. Aquilo é gente que vive de sandes a todas as refeições e a gaja está em casa a maior parte do dia. Para não falar que muitas das vezes despacha os putos para a casa das vizinhas.

Cheira-me que se mete na pinga e depois baralha os ingredientes.

Naquele lar não há celíacos nem intolerantes à lactose.

Se a malta do Paleo calha a dar-se conta da quantidade de vezes que a gaja dá bolachas aos putos são bem capazes de pedir a proibição dos episódios no Panda.

Em resumo: fornicam-me a vida porque o meu miúdo janta melhor a ver aquilo.

O problema não é a mãe do Ruca, sou eu. Que sou um mamífero ruminante da família dos bovídeos, vulgo cabra, mesquinha, que tem inveja de um desenho animado a quem nem se deram ao trabalho de dar nome.

Não é pela sensualidade da senhora. Tenho a mesma.

Não é pela calma. Isso vem em embalagens de 100 unidades ou em garrafas de 75 ml.

É por causa do emprego com poucas horas.

É por causa do gabinete só para si.

É por causa da vivenda com espaço.

É por causa da viagem curta para o emprego.

É por causa das mães dos amigos dos filhos, sempre tão disponíveis.

É porque a mulher consegue fazer aquilo tudo sem mandar ninguém à merda.

E eu aqui ando, muito mais humana que ela, como seria de esperar.

 

 

Roda roda vira...

livros.png

 

 

...solta a roda e vem...

é esta bela música das Mamonas assassinas que toda esta história dos livros da Porto Editora me faz lembrar.

Desaconselham-se livros.

Suspendem-se vendas.

Livros discriminatórios.

A autora foi acusada de coisas parvas. Deve ter sentido que estava noutro planeta.

As cornetas da indignação prepararam-lhe o funeral metafórico.

A autora defendeu-se.

A defesa foi refutada.

Um humorista deu-se ao trabalho de ver os livros e expor a idiotice por detrás da «proibição» na venda dos livros.

Todos nos rimos.

Uns já suspeitavam. Outros passaram a ter a certeza. Alguns aguardaram que alguém se desse ao trabalho de olhar para as coisas e falar com conhecimento de causa.

Esses foram os melhores.

Os livros vão agora voltar às bancas.

E só espero que se vendam como milho...para compensar monetariamente a coitada da autora que já penou sem ter feito nada de errado.

 

 

O que é feito do meio termo?

 

Olho à minha volta e tudo parece acontecer numa reduzida disponibilidade de medidas que se distancia entre o 8 ou o 80. 

Algures na minha vida recordo-me de alguém sábio ter dito que a melhor forma é o equilíbrio. Aquilo a que chamamos tantas vezes de «meio termo». 

Mas tudo parece uma obrigação ou uma abstenção. As escolhas transformaram-se em ideais de vida.

Correr é um estilo de vida. 

Comer é um estilo de vida.

Vestir é um estilo de vida.

Tudo serve para ditar que tipo de pessoas somos, como se, a realização de escolhas comuns, como o que se come ao pequeno almoço, definisse a nossa essência.

O que é que aconteceu à pessoa que corria pelo prazer de correr?

Deu lugar à pessoa que cronometra a sua corrida ao segundo e se esmera para que o km seja feito em cada vez menos tempo.

O que é feito da pessoa que corria para mirrar o lombo?

Deu lugar à que correr por paixão. À que «papa provas» todos os fins de semana e fala disso a todos os momentos.

O que é feito da descontração de comprar um chupa a um filho a vê-lo contente?

Deu lugar à leitura frenética de rótulos, em busca de encontrar todos os ingredientes venenosos que alguém disse que lá estavam. Esse alguém que mora virtualmente num qualquer site online.

(lembrem-se que, da mesma forma que quem vende os chupas vive deles, também quem nos informa de todos os males vive de alguma coisa).

O que é feito do «ir ao step 2 vezes por semana com as amigas»?

Está enterrado numa inscrição «livre trânsito» num qualquer ginásio de renome. A pagar para poder ir todos os dias e em metade deles fazer horas extra no trabalho para dizer mais uma vez: «olha, hoje também não deu...».

O que é feito de quem ia cortar algumas coisas porque queria perder 4 ou 5 quilos?

Deu lugar à pessoa que mudou a sua forma de viver. A que tem um dia definido por semana para poder chafurnar no que lhe apetece e passa os outros 6 em privação. Mas uma privação feliz, com certeza.

O que é feito da pessoa que lê um livro com todo o tempo que ele merece? Que o saboreia. Que o pensa depois de terminado?

Está já de novo livro no mão. Afinal de contas tem uma aplicação que faz contas aos livros que lê por ano. E esses, que antes eram lidos por prazer. Apenas. Hoje são o objeto de uma competição do leitor com o leitor. Ganha sempre o leitor.

No meio disto pergunto-me o que é feito do meio termo? Do fazer o quanto baste na maioria das coisas da vida? Do saber viver sem a adrenalina do limite?

O meio termo não é radical. Não dá nas vistas. Nunca ninguém fez um filme sobre alguém que vive em meio termo, que vive equilibrado. O sensato não dá likes em páginas de facebook. Não gera controvérsia. Não apaixona. 

Vive, algures, maravilhosamente apagado para as massas.

Mas e a adrenalina?

Ela faz falta. Só não faz falta para tudo.

Ou se calhar não me faz falta para tudo.

Hoje lembrei-me do meio termo. Achei-o sozinho.

Ou se calhar senti-me sozinha com o meu meio termo.

Prenderam o príncipe

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Foi detido pela GNR o autoproclamado príncipe do ilhéu da pontinha. Professor de educação visual de dia, príncipe nas horas vagas e comparsa do «refugiado politico» José Manuel Coelho, que não quis ir passar os fins de semana à choldra.

O príncipe tem ali 187 metros quadrados da melhor qualidade de calhaus. Um espaço com paisagens verdejantes e amaciadas pelo vento que nem de piscina precisa. Aquilo é só água à volta.

Só me questiono onde é que o senhor dá aulas. Presumo que fora do principado. Caso contrário só ensina das pedras a desenhar.

Vamos a ver e talvez fosse melhor.

 

Noticias que interessam e dão alento à alma de uma pessoa.

Já ando farta da Merkle e do Trump e do rapaz la da Coreia.

Assim é mais giro.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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