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Em busca da felicidade

50 Sombras de Grey - Parte I e II

 

Sou por habito uma pessoa literalmente repleta de opiniões, ainda que algumas vezes, ou melhor, em algumas ocasiões opte por não as manifestar, seja porque não vale a pena, porque o interlocutor não é o certo ou, a bem da verdade, porque não é lá muito politicamente correto.

De qualquer forma, ainda que sendo um poço cheiro de “eu acho que…” gosto de achar coisas sobre coisas que conheço, sei e posso fundamentar, correta ou incorretamente, isso é debativel.

Por diversas vezes já brinquei com a história dos livros eróticos, ou semi eróticos, ou do tau-tau, ou lá o que quisermos chamar-lhe, mas a verdade é que nunca me tinha dado ao trabalho de ler nenhum. Por isso, e depois de ter gozado tantas vezes com a história das 50 Sombras de Grey, num acesso de parvoíce onde normalmente ocorrem sequelas e actoborreia (o que mais não é que uma diarreia de atos) comprei o primeiro livro. Pensei, ora vamos lá a ver se isto sempre é alguma coisa a valer. Vamos a ver se vou ficar com afrontamentos e a calcinha a arder, como cheguei a ouvir.

Pois bem, e antes de entrar nesta demanda de fazer uma espécie de apontamentos Sr.. Américo das 50 Sombras de Grey, devo começar por dizer que não fiquei com afrontamentos nem me pegaram inusitadamente fogo às cuequitas. Verdade que em alguns momentos me senti um nadita mais afogueada mas nada que não passasse com um respirar fundo. Confesso que no que toca ao aquecimento global do corpo, esperava mais. Mas bom.

Não li ainda toda a trilogia, nem o livro novo com a visão do rapaz. De todo modo, da minha empreitada resultaram já a leitura de mais de 1000 páginas sobre nalgadas e relações amorosas cruzadas com bricolage. Confesso que acho que os afrontamentos se me apaziguaram a partir desse momento, quando porcas e parafusos começaram a fazer parte do clima. Lá em casa a bricolage não se dá, resolve-se tudo com fita isoladora. Se calhar foi por isso que não senti "O" calor.

Mas adiante que já se faz tarde.

A história baseia-se então no amor inicialmente macaco e depois profundo entre um moço que é o Cristiano e uma moça que é a Anastácia. E quem é o Cristiano? Não é o nosso Ronaldo não senhor, é um moço ainda mais capaz. O Cristiano é um rapaz incrivelmente lindo, estonteantemente inteligente, maravilhosamente atlético, fantasticamente rico e proprietário de um pénis absurdamente grande. Pela descrição da moça (que é a narradora da história) o pénis do rapaz é tão grande, mas tão grande que a determinada altura do livro comecei a ficar preocupada e a achar que se calhar era melhor o rapaz ir ao médico ver daquilo. Não me pareceu muito normal. O Cristiano não tem sequer 30 anos e é para lá de capaz, magnanimamente inteligente. Senão veja-se, ele gere uma multinacional, pilota helicópteros e aviões, tem uma frota de carros tudo topo de linha, Audis, Mercedes e Austin Martins, só veste marca e aprecia vinho como ninguém. Ou seja, este gajo nem é de sonho, vai bem para lá disso, que uma pessoa quando imagina um tipo capaz só quer ele não seja calão, faça a cama, baixe a tampa da sanita quando a usa e limpe a porra que suja. Isto já vai muito para lá das expectativas.

Então e quem é a Anastácia? A Anastácia é uma moça singela, que se acha feia e desmilinguida, que trabalha numa casa de ferragens e esta a terminar o curso de literatura inglesa. É um rato de biblioteca e uma aluna de 20. Ah e é virgem!

Os dois conhecem-se porque a amiga rica da Anastácia faltou a um compromisso e o moço ficou encantado com a moça, tanto que decidiu oferecer-lhe um contrato para lhe dar umas nalgadas valentes num quarto artilhado que tem lá para casa.

A moça explica que é virgem e ele “resolve-lhe o problema”. De forma absolutamente magnifica, alias, não podia ser de outra forma nesta história.

Isto anda para trás e para a frente, nalgada para a direita, chibatada para a esquerda, quase 500 páginas até que o moço se estica e a Anastácia manda-o cagar porque não está para levar enxertos de porrada.

Acaba o primeiro livro.

No segundo, e ao fim de menos de 20 páginas já a moça está a lavar nalgadas outra vez do Cristiano. Seguem-se mais para aí 200 páginas disto, tau-tau e tau-tau, até que percebem que afinal é amor. Quando percebem que afinal é amor, a moça começa a achar que se calhar gosta de levar umas lambadas de vez em quando, que isto de ser sempre estilo missionário estava a tornar-se entediante.

Lá se dá um misto de tradicional com alternativo e os moços decidem casar. Compram uma casa de milhões com vista para o Universo e vão ser muito felizes.

O resto ainda não sei porque me falta um livro.

Em resumo, é um bom livro para ler quando estamos a precisar de uma coisa mais leve para ler, como é o meu caso que tenho a tola cansada da falta de horas de sono.

Já li muitos livros mas nem um terço dos que gostaria. Sei que não vou ser um negro acusado de um crime porque li o “Mataram a Cotovia”, não vou ser um rapaz autista porque li o “No seu mundo”, não vou ser uma russa apaixonada porque li a “Anna Karénina” e certamente não passarei a querer que me amarrem ao teto com as mãos atrás das costas e uma venda nos olhinhos enquanto fazem cenas estranhas ao meu ser, só porque li este.

De todo modo acho que a história, ainda que muito estilo princesa com chibata, está bem conseguida.

Quando acabar o terceiro aviso. Agora vou mergulhar os olhos noutra coisa, de preferência que não envolva chibatas nem bricolage, muito menos os 2 juntos.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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