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Em busca da felicidade

Sôtor foi operado

  

Na passada sexta-feira o meu lindo menino teve teve de ser operado.

A quem nos é mais próximo, já tínhamos falado que ele foi sujeito a um exame chato, para perceber se o sono dele estava a ter impactos no seu bem estar e se ele fazia apneias que justificassem ser submetido a uma intervenção cirúrgica.

Quando fizemos o exame foi-nos dado a entender que havia bastantes apneias, ainda que, mesmo antes, já tivéssemos consciência disso porque era demasiado evidente a olho nu.

Falámos com o médico e era urgente e fundamental que fosse operado aos adenoides e às amígdalas. (sei que existem nomes próprios para o procedimento, até os podia ir ver nos relatórios que nos foram entregues, mas não me apetece, francamente).

Já tínhamos data marcada há mais de um mês, mas, como em tudo o que se refere à nossa esfera mais intima: guardámos para nós. Foram informados os avós uma semana antes, foram informados os responsáveis no trabalho com a mesma antecedência (afinal de contas há que acautelar ausências) e foram informados os colegas mais próximos menos de 24 horas antes.

Não o fizemos por mal ou para esconder alguma coisa rocambolesca, mas é natural ao ser humano ter alguma coisa para dizer, contar que tem um amigo de um amigo, amenizar a ansiedade do outro ou ser parvo e contar a história do senhor lá da terra cujo filho perdeu uma vista quando o operavam às amígdalas. Nunca ninguém soube como aconteceu, nem se sabe o nome do senhor, mas chega para contar alguma coisa e deixar os pais ainda mais preocupados do que já estavam. Há sempre quem ande em cima dos estudos mais recentes e saiba que há alternativas à cirurgia, ou ainda quem descobriu na alimentação uma forma de redefinir os adenoides e mirrar as amígdalas. Há, para os que são bons da mona, a necessidade de tentar gerar alivio, mesmo que esse só possa chegar depois de ultrapassado o problema.

Ou seja, as pessoas não fazem por mal, mas falam do que nos apoquenta e isso lembra-nos diariamente que o dia tem de chegar. E nós precisávamos de convencer a cabeça a esquecer.

 

A cirurgia correu muito bem, dentro do normal. 

O pessoal médico, do bloco, do pós operatório e as enfermeiras, no geral, foram impecáveis. Especialmente a enfermeira que nos deu acompanhamento logo após a cirurgia, uma «miúda nova» tão doce, tão terna, tão disponível, tão tudo-de-bom, que eu nem tenho mais palavras para descrever. Daquela gente que merecia ganhar mais do que ganha, que merecia mais condições do que são dadas aos enfermeiros.

Houve apenas um contratempo com uma enfermeira «ovelha-negra-familiar-dos-velhos-do-Restelo», mas que se resolveu. Coisas que acontecem porque as pessoas estagnam a mente, não procuram evoluir, recusam-se a aprender com a malta mais nova, acham que sabem tudo e vêm do tempo em que sofrer faz parte do processo de cura.

 

De resto...

Nós (pais) trememos, andámos em ansiedade e preocupação, o coração apertadinho e a respiração suspensa durante aquele pequeno período de tempo. (para não falar nas semanas anteriores com exames e consultas)

Sim, já sei que «xiiii e tal mas isso é aquela coisa que p'aí um terço do planeta já fez e é a operação-de-comer-gelados», mas quando se é pai ou mãe da criança que vai fazer a operação-de-comer-gelados é «xiii muita mais complicado», porque para os pais, quando toca aos filhos, tudo o que é simples fica complexo.

É como querer comparar o tamanho de um grão de areia e um aglomerado de rochedos. Não tem nada a ver.

Quando nos doí alguma coisa nós sabemos o que é, queixamo-nos, tomamos um medicamento. Quando doí a um filho o sitio que nos apoquenta nós não sabemos bem explicar onde fica, e a sensação é tão intensa e tão forte que nos arrebata. Mesmo quando é tudo simples e cenas e tal e coiso.

 

Acompanhei Sôtor no momento da anestesia. Decisão que, aos meus olhos, justifica ter bolinhas de ferro para levar avante. Chorei bastante em vários momentos e ri noutros. Tudo por conta dos nervos. Mas voltaria a tomar esta decisão porque para ele é importante saber que a mãe está ao seu lado e para mim é fundamental que ele saiba disso.

Estivemos presentes quando estava no recobro que é um momento difícil de encaixar, porque as crianças gerem mal o acordar da anestesia. Interessa agora que já passou (como diria a moça do Frozen).

De resto, tudo se complica porque ele tem apenas 2 anos e meio. Já sabíamos disso. Com esta idade ele já percebe muita coisa, mas ainda não consegue compreender conceitos mais abstratos, pelo que não entende o que lhe está a acontecer, porque lhe doí, porque não pode comer umas gomas, etc. Podemos tentar explicar, mas o mais provável é não entender uma boa parte. (Nós explicamos na mesma...)

É o que refiro neste ultimo ponto que marca a diferença entre a simplicidade deste procedimento cirúrgico numa criança de 6 anos (como aconteceu comigo) para uma com 2 anos e meio (como é o caso de Sôtor).

Agora é fazer por ultrapassar esta primeira semana com a maior tranquilidade possível, sendo que já fomos informados que não é fácil, exatamente pela idade que ele tem.

De qualquer forma, não vale a pena enterrar a cabeça na areia como a avestruz (ou neste caso no desconforto em mãos), há que olhar para as coisas de forma prática e procurar-lhe o ângulo mais leve. Diz que pesa menos no peito. O que significa que fica na mesma guardado numa caixinha dentro do arquivo geral da nossa cabeça, e damos uso à informação que mais nos aprouver.

(parece simples, mas não é)

 

Por isso, vou tentando:

Dizer que Sôtor é um rapaz avantajado a vários títulos e que neste caso as amígdalas e os adenoides eram um contratempo com necessidade de correção.

Que descobri novos grupos musculares em todo o corpo, por conta de alombar com um ser de 12 kg mais de 8 horas por dia.

(o menino pede colinho da mãe e a mãe dá até ficar cheia de hérnias discais e bicos de papagaio, não há conversa sobre isso)

Dizer que a anestesista fez p'ali uma manobra de Kong Fu para o segurar e PAU! adormeceu num instante.

Ter presente que estamos a desenvolver mais uma forma de jejum intermitente, neste caso o «jejum intermitente de gelados» e que pelo facto de comermos maioritariamente líquidos provavelmente permitirá perder algum peso.

(ele não pode comer sólidos e custa-nos estar a comer à frente dele coisas que lhe estão proibidas)

Que, ao contrário do resto da população mundial, o que mais custa a Sôtor é o facto de ter de comer gelados. Sôtor meu rico filho é criança que gosta de um cozido, que gosta de um prato de chouriços e queijos, que gosta de uma boa falca de pão alentejano, que se regozija com sopa de entulho com massas e feijão. Nunca tinha comido um gelado antes na vida. Provou, mas nunca queria mais. Na sexta-feira, por conta da fome comeu, pela primeira vez na vida, um gelado inteiro. Ficando assim o mesmo como comida-do-sitio-mau.

Posso dizer que confirmámos que a mãe da criança é um animal e que quando mexem com a cria dela fica cega. Por conta disso quase enfiou um iogurte pela orbita de uma enfermeira. Mas não se apoquentem os mais preocupados com a alimentação saudável porque era sem lactose.

Assim, em jeito de conclusão estranha, por cá vou andando com os nervos à flor da pele, com menos de 5 horas dormidas na soma de 2 noites, com o desejo que tudo passe depressa e que ele fique num primor.

Por aqui vou passando, para aproveitar o efeito catártico que para mim tem escrever, tentando falar de todos os assuntos menos deste a ver se a cabeça não dá o tilt.

Desta feita, venham daí essas boas energias e desejos de tudo a correr bem. Coisas boas nunca foram demais.

 

Considerações sobre a vida no seu estado geral mas prático

Eu sou uma pessoa que detém apenas um emprego remunerado. Sou um ser que comporta exclusivamente esta fonte de rendimentos pois acumula outras funções que aceitou desempenhar em regime de pro bono, a saber: sou empregada doméstica de minha pocilga; sou palhaça de meu filho (abençoado menino de sua mãe); sou servente de meus cães (esses facínoras).

Não tenho no meu descritivo de funções várias, que me ocupa as 24 horas do dia, referência a «limpa pias».

 

Ora pois que dito isto, quando me desloco à casa de banho em pleno dia de laboro e dou comigo a ter de limpar os restos escatológicos do cu de outrem fico possuída, aporrinhada, apoquentada, assanhada e descabelada. Assaltam-se-me os nerves e apetece-se pespegar com uma pia na fuça de alguém, não fosse a dita tão pesada e tão pregada à parede com silicones e coisas várias que colam.

 

Pessoas de intestino regular, utilizai o piaçaba e guardai vossa merda para vós.

 

O utente seguinte agradece.

Amor depois do casamento #3

Nazi-Financeiro-Meu-Marido: Quanto é que gastaste na farmácia?

Donzela-eu-que-não-liga-a-dinheiro: 12 Euros.

Nazi-Financeiro-Meu-Marido: Diz no talão 12,94 €. Isso são 13 €.

Donzela-eu-que-não-liga-a-dinheiro: Para mim só contam os números à esquerda da virgula.

 

#tomaláquejáalmoçastes

Saga: os meus bons professores #1

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Como havia prometido neste post demoníaco, cá estou eu para falar de bons professores. É verdade, apesar das abéculas que me calharam em algumas disciplinas (e cadeiras) ao longo de mais de década e meia de estudos, tenho muitas coisas boas a contar.

Vou assim começar esta saga pelo principio, ao contrário do que - segundo entendo - acontece com a Guerra das Estrelas.

 

Para grande surpresa da minha mãe, eu adorei a escola. Ainda hoje, se tal me fosse permitido eu adoraria continuar a estudar, quem sabe uma vida académica. Gosto de me sentar naquelas cadeiras. Gosto dos livros, de ouvir ensinar quem sabe o que eu não sei. E é aqui que se dá a magia, ou o total desgosto.

Ser professor, para quem o faz com gosto e paixão, pode fazer com que se transforme numa das mais importantes profissões, logo a seguir aos médicos, enfermeiros e bombeiros.

Uns salvam-nos a vida, o corpo e estes, por aquilo que nos ensinam, podem salvar-nos a alma.

Para muitas crianças, adolescentes, jovens adultos cujos casas são tudo menos lares, onde impera  a desordem e a falta de amor; para estes é muitas vezes na escola, na pessoa de um ou dois professores, que encontram a força, a motivação, o caminho para fazer muito mais com as suas vidas do que cingir-se a espelhar o que têm em casa.

Tenho uma profunda admiração por professores, mas apenas por aqueles que são, de facto, professores. Aqueles que profanam esta tão digna profissão tenho pena e vergonha.

 

No meu percurso escolar tive: péssimos professores , falei deles aqui; professores maus, malta que até gostava de fazer aquilo, mas pá, não levavam jeito, mais ou menos como quem se candidata ao Ídolos e assassina as músicas (não é por mal, mas não dá); professores normais, que executavam bem a sua função, ensinavam corretamente, mas não marcavam ninguém; e tive professores que foram muito mais que professores, ensinaram-me o que precisava de aprender e ensinaram-me a ver a vida de várias formas.

 

É sobre estes professores maravilhosos que quero falar. Um post que requer mais tempo e dedicação do que o anterior, afinal de contas estes merecem tudo e mais um bocadinho.

 

Primária – «Não me chames de «Senhora professora», o teu nome é Cátia, vou chamar-te por Cátia, o meu é Maria Helena, gostava que me chamasses assim: Maria Helena.»

 

Esta foi a primeira frase que trocámos. Espantou-me, deixou-me levemente indignada porque eu tinha praticado para fazer como a menina da Casa na Pradaria e ofendeu-me ligeiramente que me fosse chamar de Cátia, esse nome tão pimba. Depois lembrei-me que a culpa não era dela e redirecionei novamente a minha frustração para o meu irmão que, numa bela tarde se lembrou de pedir para eu ter este nome. Na altura, e sendo já a quarta na fila, estava lá a minha mãe para se chatear com o nome. «Pode ser isso! Menos uma coisa em que pensar!»

Os meus irmãos tinham todos estudado numa escola como a que eu via nos desenhos animados; uma casinha branca com telhas amarelas, janelas em torno, um recreio em terra batida. Eu fui estudar para a escola nova, mais cómoda para a minha mãe, ficava do outro lado da estrada. Menos encantada para mim, afinal de contas era no rés-de-chão de um prédio.

Lá se ia a Casa na Pradaria outra vez.

Sempre que ia entregar um filho à escola a minha mãe punha a melhor roupa, pegava no filho pela mão, pedia para falar com a professora e explicava que quem educava os seus filhos era ela, mais ninguém. Por isso não admitia que mais alguém lhes tocasse, caso houvesse molho devia ser avisada do mau comportamento. Ela encarregava-se da disciplina. À professora cabia o ensino. Educação e Ensino eram coisas diferentes, aos pais cabia o primeiro, à escolha e respetivos professores o segundo.

A minha mãe era uma senhora com pelo na venta. Composta, bem posta e que impunha respeito. Não aceitava desaforos e não se ensaiaria nada em, do alto do seu tailleur azul, igual ao da princesa Diana, arrear uma murraça nas trombas de alguém se se atrevesse a bater-lhe nos filhos.

Os meus irmãos todos detestaram a escola. Todos choraram para ir para a escola. Todos viram colegas a levar reguadas nas mãos. A eles não lhes tocou nada.

Os meus irmãos eram seres vivos sociáveis.

Eu sempre fui um animal arisco, parecia ter sido criada no meio do mato, entre bichos e palmeiras.

No meu primeiro dia de aulas a minha mãe vestiu - como seria de esperar - o seu tailleur azul, pegou-me pela mão e atravessou a estrada. Pediu para falar com a professora, explicou-lhe que eu era um pouco diferente. Não que fosse deficiente, mas era meio bicho do mato e era provável que fosse chorar assim que ela virasse costas. Deu o mesmo chá de sempre: «se alguém bate nos meus filhos, sou eu!»

A Maria Helena tranquilizou-a. Explicou que não havia nada de bater em crianças naquela sala de aula. Que na escola só uma professora mantinha esse «método», mas que estavam a tentar mudar. Que as crianças não aprendiam com pancada, aprendiam com amor.

A minha mãe achou aquilo lindo, ainda assim, cética, ficou à porta. Esperou pelo recreio.

Estava tudo bem.

Continuou a esperar.

Eu saí com um sorriso que ela não tinha visto muitas vezes antes. Eu; a minha trunfa de caracóis escovados que ia até ao rabo e que, segundo uma colega, ela fofa como a lã de uma ovelha (na altura achei que era um elogio); a minha mochila maior que eu; os meus totós; as minhas meias com folhos e os meus sapatos de verniz com fivela.

Tinha adorado a escola e a minha mãe caminhou em transe até casa. Passou o dia abismada: «será que o animalzinho da família havia de se tornar num ser instruído, coabreca!?!»

Foi com a Maria Helena que aprendi a escrever, a ler, a ter paciência com os colegas. A tocar flauta. Foi com ela que acreditei que podia aprender. Deu-me apoio quando a minha mãe ficou doente, permitindo-me continuar a aprender apesar das faltas pelas tardes passadas no hospital, a acompanhar exames, tratamentos, o diabo a quatro.

De acordo com a Maria Helena eu era «uma menina muito inteligente» e as faltas não afetavam a minha aprendizagem.

Quando a escola primária acabou lembro-me que fui ter com ela para lhe deixar uma fotografia minha. Queria que se lembrasse de mim. Na altura não sabia ainda expressar isso. Tinha sido meio civilizada, mas no fundo ainda vivia o animalzinho que tinha cruzado a porta no primeiro dia.

Um animalzinho, apesar dos totós, das meias com folhos e do cabelo de lã.

 

Nos anos que se seguiram encontrei-a várias vezes, conversávamos à porta da escola. Perguntava pela minha mãe. Perguntava-me por namorados e aconselhava-me a ter calma, a esperar pela pessoa certa, a concentrar-me nos estudos em vez de me entregar a namoricos e a esquecer a escola para fazer uma vida de bairro. Mesmo não sendo já minha professora impulsionava-me sempre para tentar ser mais. Para estudar, para me instruir. Lembrava-me que as coisas más podem passar e a vida pode ser melhor. Nunca se sabe. Depois reformou-se. Nunca mais soube nada dela.

Mas gostava, gostava muito. Gostava de a voltar a encontrar, de saber como foi a vida sem criançada à volta. De lhe contar que os seus conselhos se mantém comigo. Gostava de lhe dizer que a menina de meias aos folhos e totós de carangueijo, a mesma que era um bicho do mato; essa continuou a estudar, formou-se, tem o canudo mas ainda não o foi buscar, encontrou a pessoa especial de que ela falava, arranjou um emprego em condições, mesmo atrás de uma secretária. Continua a esforçar-se todos os dias por ser melhor.

 

Tenho alguma a aversão a motoqueiros

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Não é bem que não goste....é só que antipatizo com a maior parte deles, por conta de terem aquela mania de perpetuar um tipo de ação que eu associa a conduta mentecapta.

É lógico que não acontece com todas as pessoas que possuem, na sua esfera de propriedade privada, um veiculo motorizado de duas rodas, vulgo mota.

Há uma diferença abismal entre: Pessoas que andam de mota e motoqueiros. Começando pelo facto de que os primeiros fazem uso deste meio de transporte por razões logísticas e económicas, ao passo que os segundos o fazem como estilo de vida.

A partir do momento em que andar num determinado tipo de transporte é um estilo de vida, compreendemos que há algo de «bate-mal-no-telhado» daquela pessoa.

O motoqueiro é um tipo de ser vivo que possui todo o equipamento das marcas XPTO (coisa que não me apoquenta). O motoqueiro conhece as suas motas e gosta das suas concentrações.

O motoqueiro é aquele gajo que abana a mona quando tira o capacete, que é para ajeitar os cabelos ao vento...mesmo quando é careca. O motoqueiro tem um casaco do seu gang, e caso não pertença a um gang tem o casaco top da marca de motas que mais adora.

O motoqueiro é um tipo que tem regras próprias de transito, vocifera manifestações de violência, usa e abusa do vernáculo (tudo ali bem encubado dentro do capacete - pergunto-me se dará conta que a única pessoa que o ouve a mandar o outro para o alho é ele próprio). O motoqueiro aprende a fazer sobrancelhas de mau, pois sabe que, quando está com a caixinha na cabecita é a única forma que tem de se expressar.

O motoqueiro gosta de espaços apertados, passa rente entre os carros e não faz distinção entre ultrapassagens à direita e à esquerda. A estrada é sua e quem não respeitar essa simples regra habilita-se a levar com o capacete que ele trás mesmo pelos dentes adentro.

O motoqueiro, quando lhe dá jeito finge não ver o condutor do veiculo de 4 rodas e trata-o como se este fosse um malfeitor das estradas, ali a ocupar espaço de forma forte e feia, todo ele dentro de uma faixa que dava para levar para cima de 1 mota daquelas que são bem fininhas mas depois têm: a pochete de ferro da direita com o almoço; a pochete de ferro da esquerda com o livro para entreter; a pochete do raio que o parta para levar uma malhinha caso faça frio.

O motoqueiro é uma espécie de ser vivo que, após abrir um sinal verde e depois de pedir passagem a um carro com uma família de gente que está atrasada para levar o puto à natação, perante tamanha boa vontade, pespega com a sua mota tamanho smart 4x4 a modos que atravessada na estrada, impedindo dessa forma a passagem de quaisquer veículos.

E para quê?

Para que os amiguinhos da «concentração» passem todos e não se percam uns dos outros.

Em resumo, o motoqueiro é um ser pouco civilizado e choninhas que, para além de não ter uma merda de um GPS em pleno século XXI, ainda tem medinho que os amiguinhos se percam uns dos outros.

Pergunto-me se os acompanhará uma educadora de infância motoqueira, para os contar no principio e no fim do passeio. Para os mandar para o canto quando responderem mal e lhes dar estrelinhas verdes quando se portam de acordo com o previsto.

Não tenho rigorosamente nada contra veículos de 2 rodas, sejam elas motorizadas ou não. Tenho algumas coisas contra os seus proprietários, por conta de seus comportamentos paleolíticos. Respeitem a porra das regras de trânsito tal como quem anda de carro. E já agora tomem lá um shotezito de civismo, que é coisa que parecem perder assim que se montam nas ditas.

 

Sôtor inicia-se na vida do engate

No outro dia quando o fui buscar, contou-me o avó que, de manhã, quando foram ao jardim, Sôtor terá visto uma menina com quem entendeu confraternizar. Para tal abordou-a corretamente e apresentou-se da seguinte forma:

- Sou o Guicádo e tenho um péu lindo!

(Eu sou o Ricardo e tenho um chapéu lindo!)

 

Não há cá confusões. É para saber com quem vai falar e que não se trata de um qualquer mitra com um chapéu rafeiro. Nada disso, sôtor tem um chapéu lindo.

É logo para elas saberem com o que é que contam.

Tá certo meu rico filho. A mãe não te cria para menos.

 

Já fiz. Nunca fiz - O desafio

 

João convidou-me a participar aqui no desafio do Já fiz/Nunca fiz. O tempo anda escasso para estes lados e tentei responder às questões porque o João é um querido e não lhe ia fazer esta desfeita.

Assim, aqui vão as minhas respostas. O que é engradado é que com estas questões ocorreram-me alguns posts divertidos que tenho de escrever.

 

As perguntas:

 

Eu nunca fiz um interail 

Hoje, depois de velha para estas coisas, já me passou pela cabeça que, quando era mais miúda era coisa para ter gostado. Nunca se sabe quando é que não me meto numa coisa dessas. Mas não, nunca fiz.

 

Eu já participei num concurso 

Até já participei em mais do que um. Quando era miúda, tinha os meus 11 anos, participei num concurso de mascaras. Fui mascarada de Pierrot. Tinha o melhor fato (a minha mãe era a costureira mais prendada) mas como era muito tímida e mal brinquei com a criançada que estava a ver o desfile, acabei por ficar em 3º lugar. Ganhei uma coisinha para pôr canetas que trazia muitos post-its de cores diferentes. Já em adulta participei em concursos de escrita. Adivinhe-se…tenho ganho muito juízo.

 

Eu nunca conheci a pessoa que mais admiro. 

Eu tive o privilégio de conhecer a pessoa que mais admiro. Conheci a minha mãe. Não esteve presente na minha vida tanto tempo quanto eu gostaria, mas tive o prazer de a conhecer e muito do que sou hoje devo-o a ela. Tenho uma profunda admiração por aqueles que atravessam a mais difícil das batalhas: a vida, no seu mais puro e complexamente simples, estado.

Hoje tenho uma profunda admiração pelo meu filho. Inspira-me e faz com que eu tente ser sempre o melhor de mim.

Dito isto adorava ter conhecido a Jane Austen e o Einstein.

 

Eu já caí na rua. 

Valha-me Deus! Se eu contar as vezes já não faço mais nada hoje. De qualquer forma há uma queda que ainda hoje me lembro. Era miúda, o meu irmão mais velho tinha acabado de comprar casa – era um acontecimento – e a minha mãe tinha comprado duas plantas para ele pôr no terraço. Insisti que as havia de levar. A descer os degraus que contornam o prédio onde vivia, embrulhei os pés um no outro, caí de rabo e fiquei como uma tartaruga: com a carapaça no chão e as patinhas a dar a dar. Os vasos intactos.

A minha mãe queria ajudar-me mas não conseguia parar de rir. Especialmente porque me tinha escangalhado toda mas os vasos estavam a salvo.

Na altura fiquei danada com ela.

 

Eu nunca desmaiei. 

Pelas minhas contas já desmaiei 2 vezes na vida. Como tenho tensão muito baixa, quando me ando a alimentar mal, sujeita a mais stress a coisa começa a descambar. Se a associar a isto me levantar muito depressa da cama….lá vou eu. Lembro-me que da segunda vez caí como um desenho animado, firme e hirta com a testa direita ao guarda vestidos.

Andei com um galo durante dias.

 

Eu nunca estive em coma alcoólico. 

Gosto de beber uns copos de tinto. Mas tudo com conta, peso e medida. Nunca achei graça a beber até perder o tino. Faz-me alguma confusão.

 

Eu nunca experimentei drogas. 

Eu sou uma menina bem comportada. Já sou chalupa que chegue só a consumir gomas.

 

Eu nunca me vinguei de alguém que me fez mal.  

Acho que não. Mas gostava. Vamos lá, não sou santa nem quero ser. Se me fizeram mal eu não vou mexer uma palha para retribuir, mas se souber que se lixou, fico satisfeita. Temos pena!

 

Eu já tive um acidente. 

Já sim senhores! Bateram-me na traseira do carro, tinha o bichinho comigo há 2 meses. A tipa que me bateu desfez a traseira do carro e quis recusar-se a pagar. Como eu era novinha, anjinha e boa fé deixei-a ir embora sem assinar a declaração amigável, porque ela disse que pagava do bolso dela. Depois deixou de me atender o telefone e dizia que era mentira, que não tinha dado cabo do meu carro…é uma história longa e foi dolorosa. Foi um colega de trabalho que me ajudou e me safou daquela chatice.

 

Eu já andei de avião.

Já sim. Mais do que uma vez. Até eu me espanto. Tenho uma relação de amor ódio com os aviões. Tenho-lhes medo, porque quem nasceu para voar foram os pássaros, mas por outro lado acho emocionante andar dentro de uma coisa que voa. Não é por acaso que ser piloto de aviões tem o seu charme.

Fico apavorada, com suores frios e a boca seca, mas tenho sítios onde quero ir…por isso, venha de lá o pássaro de ferro.

 

Eu já bebi demais...

Como disse…gosto de beber um copito…mas em excesso não é comigo. O pior que fiz foi fazer misturas…lá fui eu ao grego…

 

Eu já confundi uma pessoa com outra. 

Valha-me Deus! Eu já confundi o meu marido com outra pessoa na Fnac. Fui ter com essa pessoa, chamei-a de «amorzinho», pus-lhe a mão suavemente no ombro. Ao lado desse homem estava a mulher dele e os 3 filhos. Na outra fila estava o Nuno com um livro na mão sem perceber o que se estava a passar.

 

Eu já me perdi num país/cidade estrangeira. 

Nada disso. Levo sempre comigo o meu marido. Ele leva sempre: a lição estudada, os mapas, essas coisas todas.

 

Eu nunca tive uma experiência paranormal. 

Só se contarmos com aquela coisa do jogo das moedas que os miúdos fazem para se assustarem uns aos outros. Pedi os números do totoloto, o fantasma não sabia, mandei-o bugiar. Se querem falar comigo do Além que seja para me dar informações úteis.

 

Eu nunca roubei. 

Até fico com os cabelos em pé. Era logo apanhada.

 

Eu já apaguei coisas do facebook.

Eu já tive uma conta de fazecook em 2012 que apaguei. Tinha aceite amizade de muitas pessoas que já não via há muito tempo e com quem nunca tinha tido muita proximidade. Achava que aquilo era tudo fotos alegres e mais não sei quê, depois andava tudo a batatada e a falar mal uns dos outros.

Fechei a conta. Voltei a abrir em 2016 mas uso-a 99% para o blog.

 

Eu nunca traí alguém. 

Eu mal bebo, quanto mais trair.

 

Eu já deixei de falar com alguém que me magoou.

Ui, isso é o pão nosso de cada dia. Detesto confronto. Não fujo quando tem de ser…mas quando percebo que não funciona, que há coisas com as quais não me identifico: afasto-me. Afasto-me. Afasto-me. Até que aquela pessoa passa a ser apenas um vulto para mim.

 

Respondi com sinceridade a todas as perguntas?

Sim. Mesmo que tivesse mentido agora não ia dizer, nê!?

 

Agradeço o convite do João. Teria todo o gosto em nomear alguém, mas a pessoa que me ocorreu já fez e os tempos não andam faceis, pelo que não tenho tempo para procurar alguém que não tenha feito.

Fazemos assim: quem ler e quisee, é pegar e levar! Boa?!

 

 

 

Eu falo com os meus cães

 

A minha mãe adorava plantas. Lembro-me que tínhamos plantas por toda a casa, espalhadas de forma pensada, numa orquestra de verde que fazia sentido. Aquelas plantas davam vida ao espaço e esse, que era banhado pelo sol todo o dia, resultava num bom espaço para aqueles seres vivos imóveis.

Regava-as, repensava os seus lugares, rodava os vasos para crescerem de forma uniforme. Roubava «um pezinho» na vivenda grande para plantar lá em casa.

«Vai ficar linda esta!»

Mas houve um dia em que lhe murchou uma das plantas, não percebeu porquê e matutava sobre o assunto. Uma cliente perguntou-lhe:

- Fala com elas?

- Com quem?

- Com as plantas?

- Vou agora falar com as plantas!

- Elas gostam. Eu falo com as minhas.

Primeiro pensou que a cliente era meio ensandecida. Tinha dinheiro, era uma boa cliente, mas, ainda assim, meio ensandecida.

Depois um dia, de peito pesado e sem ninguém para lhe entender os desabafos começou a falar com as flores. Eram elas e o periquito albino que me havia oferecido pelo aniversário, quem lhe fazia companhia nas longas horas passadas na máquina de costura.

Falava com elas e gostava, começou a pensar que elas gostavam também. Outras vezes abanava a cabeça, pensava-se tonta, deixava-se disso.

Depois dessa planta não me lembro de ver outra murchar...enquanto a minha mãe esteve...

Depois foram murchando aos poucos, por falta de atenção, pela inexistência de cuidados, porque não havia mimos. Acho que hoje nem resta um cato.

 

Eu não consigo manter uma planta viva. O ultimo Bonsai que tivemos foi alvo de todas as tentativas de salvamento pelo Nuno. Apagou-se. Secou como uma passa.

Temos uma planta que não cresce desde que a comprámos. Está viva porque o Nuno a rega. Eu esqueço-me sempre da presença dela.

Mas dos animais cuido bem. Sinto-lhes a presença. Gosto de conversar com eles.

Quando os passeio é frequente conversar com eles. Normalmente vou dando as minhas lições de pedagogia a sodona Tulipa e sôtor Ghandi porque não sabem comportar-se com a vizinhança.

Os vizinhos pensam certamente que sou meio apanhada do miolo e que passo o dia numa instituição enquanto o Nuno trabalha. Mas eu não me importo.

Gosto daqueles bocados em que subimos a rua, eu lhes vou a explicar a teoria de socialização e eles prestam imensa atenção enquanto cheiram cocós e dão nota do xixi do cão do vizinho do 2º frente.

 

Sôtor e as miúdas e a mãe a arrepiar-se com o futuro

Quis ir andar de escorrega no parque do mercado.

Fomos.

Apareceu uma menina mais velha que insistiu em subir em subir para o escorrega com o seu carrinho de bonecas. O pai diz-lhe:

- Ó coisa-e-tal não subas para aí com o carrinho filha.

Sôtor, rapaz que gosta de manter as coisas com um rigor replica para a menina:

- Ó coisa-e-tal não podes subir para aí com o carrinho.

Expliquei-lhe que ele não era o Presidente da Junta do parte do mercado, pelo que, cada um deve saber de si, a menos que alguém se meta connosco ou na nossa vida.

Meteu-se em sua vida.

A menina aninhou-se na parte de cima do escorrega. Ela e o seu carrinho. Sôtor passou por ela, curioso e circunspecto - tudo ao mesmo tempo - pelo menos duas vezes até que, à terceira, achou que era melhor conversar um pouco com ela.

Agachou-se e começou a tirar medidas aos brinquedos que ela trazia.

Eu digo-lhe:

- Não mexas nas coisas da menina sem antes pedires. E já agora porque não dizes à menina como te chamas.

Ele, do alto do seu palavreado diz:

- Olá, eu sou o Guicado... (levantou-se a apontou para mim e para o pai)...este é o meu pai e esta é a minha mãe.

Feitas as apresentações continuou a brincadeira.

E eu só pensei: «pronto, já fui apresentada à primeira».

 

 

Filme: «Lion: a long way home»

 

 

Completamente arrebatador. Um desempenho extraordinário de Dev Patel. Uma estreia maravilhosa para Sunny Pawar.

Não vou contar a história, vou sugerir que vejam o trailer e que se sentem 129 minutos a assistir a este filme. Um murro no estomago. Faz-nos perceber como somos, na maioria, priviligiados. Que mais não seja porque temos o conhecimento e as oportunidades ao nosso alcance.

Chorei muito. Praticamente do principio ao fim. Isto depois de ser mãe há coisas que me são muito mais dificeis de aceitar.

 

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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