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Em busca da felicidade

Eu falo com os meus cães

 

A minha mãe adorava plantas. Lembro-me que tínhamos plantas por toda a casa, espalhadas de forma pensada, numa orquestra de verde que fazia sentido. Aquelas plantas davam vida ao espaço e esse, que era banhado pelo sol todo o dia, resultava num bom espaço para aqueles seres vivos imóveis.

Regava-as, repensava os seus lugares, rodava os vasos para crescerem de forma uniforme. Roubava «um pezinho» na vivenda grande para plantar lá em casa.

«Vai ficar linda esta!»

Mas houve um dia em que lhe murchou uma das plantas, não percebeu porquê e matutava sobre o assunto. Uma cliente perguntou-lhe:

- Fala com elas?

- Com quem?

- Com as plantas?

- Vou agora falar com as plantas!

- Elas gostam. Eu falo com as minhas.

Primeiro pensou que a cliente era meio ensandecida. Tinha dinheiro, era uma boa cliente, mas, ainda assim, meio ensandecida.

Depois um dia, de peito pesado e sem ninguém para lhe entender os desabafos começou a falar com as flores. Eram elas e o periquito albino que me havia oferecido pelo aniversário, quem lhe fazia companhia nas longas horas passadas na máquina de costura.

Falava com elas e gostava, começou a pensar que elas gostavam também. Outras vezes abanava a cabeça, pensava-se tonta, deixava-se disso.

Depois dessa planta não me lembro de ver outra murchar...enquanto a minha mãe esteve...

Depois foram murchando aos poucos, por falta de atenção, pela inexistência de cuidados, porque não havia mimos. Acho que hoje nem resta um cato.

 

Eu não consigo manter uma planta viva. O ultimo Bonsai que tivemos foi alvo de todas as tentativas de salvamento pelo Nuno. Apagou-se. Secou como uma passa.

Temos uma planta que não cresce desde que a comprámos. Está viva porque o Nuno a rega. Eu esqueço-me sempre da presença dela.

Mas dos animais cuido bem. Sinto-lhes a presença. Gosto de conversar com eles.

Quando os passeio é frequente conversar com eles. Normalmente vou dando as minhas lições de pedagogia a sodona Tulipa e sôtor Ghandi porque não sabem comportar-se com a vizinhança.

Os vizinhos pensam certamente que sou meio apanhada do miolo e que passo o dia numa instituição enquanto o Nuno trabalha. Mas eu não me importo.

Gosto daqueles bocados em que subimos a rua, eu lhes vou a explicar a teoria de socialização e eles prestam imensa atenção enquanto cheiram cocós e dão nota do xixi do cão do vizinho do 2º frente.

 

Filme: «Lion: a long way home»

 

 

Completamente arrebatador. Um desempenho extraordinário de Dev Patel. Uma estreia maravilhosa para Sunny Pawar.

Não vou contar a história, vou sugerir que vejam o trailer e que se sentem 129 minutos a assistir a este filme. Um murro no estomago. Faz-nos perceber como somos, na maioria, priviligiados. Que mais não seja porque temos o conhecimento e as oportunidades ao nosso alcance.

Chorei muito. Praticamente do principio ao fim. Isto depois de ser mãe há coisas que me são muito mais dificeis de aceitar.

 

 

 

Livro: "O Deus das Pequenas Coisas" de Arundhati Roy

 

Há livros, livros e depois há livros. 

Há histórias de encantar. Romances. Policiais. Ficção Cientifica. Mundo encantado. Histórias de vida e baseados em factos reais.

Depois há histórias contadas numa espécie de relato encantado, que nos transporta por toda a história como se fossemos assistentes de toda aquela trama. Há narradores que nos permitem parar para absorver os mais pequenos fragmentos do momento. Não só para que passe a ser nosso também. Mas para que o pensemos. Para que lhe possamos dedicar o tempo que merece.

O livro «O Deus das Pequenas Coisas» foi escrito há 20 anos pela Arundhati Roy. Foi o seu primeiro romance e foi vencedor do Booker Prize em 1997. 

A autora só voltou a publicar ficção 20 anos mais tarde. Este ano.

 

Ao ler a contracapa do livro, verão na descrição que «O Deus das Pequenas Coisas» nos conta a história de três gerações de uma família do Sul de Kerala.

O que é verdade.

Mas tal como acontece com as musicas, que depois de ouvirmos passam a fazer parte de nós; o arranjo diz-nos algo de especial, a letra faz sentido para determinado momento da nossa vida. Também as histórias são por nós percecionadas de formas independentes.

Para mim conta a história de três gerações de uma família do sul da Índia. Conta uma história de preconceito entre pessoas da mesma cor e da mesma nacionalidade. Conta uma história de desrespeito e preconceito baseado na condição social. Conta a história da hipocrisia vivida por quem se alimenta das aparências. Conta a história da maldade humana. Da crueldade. Da frustração direcionada ao animal humano mais próximo. Mais frágil. Conta, como na vida real, o facínora fica tantas vezes impune. 

Conta uma história de amor. De como o amor pode acontecer. De uma forma tão diferente daquela que os filmes nos transmitem.

Não gosto de marcar passagens de livros. Guardo comigo a viagem de o ter lido e a mensagem que me transmitiu. Mas neste caso tive de guardar algumas passagens, porque há palavras que colocadas em conjunto criam uma harmonia perfeita e dizem mais do que a frase que compõem. Neste livro são tantas, mas tantas, que tive mesmo de marcar.

Estas foram as passagens que marquei (havia 1000 outras):

«Que besta em particular, o Camarada Pillai não disse. À procura do homem que vive nele, talvez fosse o que queria dizer, já que decerto besta alguma jamais experimentou a ilimitada e infinitamente inventiva arte do ódio humano. Besta alguma o consegue igualar em alcance e poder.»

«Não foi inteiramente culpa sua viver numa sociedade onde a morte de um homem pode ser mais lucrativa do que a vida alguma vez foi.»

«O impulso subliminal do homem para destruir tudo aquilo que não consegue subjugar ou deificar.»

 

Ficou ainda para mim a história cómica do homem que tinha dois gémeos. Mas essa meus caros, se a querem saber, têm de ler o livro.

 

Amor depois do casamento #2

(na sequência de ter insistido com o miudo para comer a pêra)

Eu - Aí Nuno, estou a transformar-me na tua mãe.

Nuno - Tu vê lá isso. Se te transformas na minha mãe, deixo-te!

 

 

Comunicado

 

Queridas pessoas cujos contactos eu possuo, com particular atenção para aqueles com os quais partilho amizade nesse antro de inflamação social designado facebook.

 

Venho por este meio informar-vos que não assumo quaisquer responsabilidades por contactos, mensagens ou outras vias de contacto que possam vir a receber da minha parte.

 

Acontece que, numa base ocasionalmente frequente, permito que meu filho (doravante "sotor") faça uso do meu dispositivo de comunicação, vulgo telemóvel. Na sequencia das suas utilizações deste equipamento, ocorrem iniciativas no âmbito da descoberta que colocam sua mãe em situações constrangedoras.

Após perceber a realidade em que me encontrava procedi à eliminação de quaisquer imagens reveladoras de nudez por parte da proprietária do dispositivo, considerando que, poderia ter como desfecho final algo profundamente desagradável. Por exemplo: pessoas queridas que consideram que vestida sou um excelente exemplar e, após verificação do conteúdo do pacote confirmam a degradação da matéria.

Como exemplo do supra disposto posso arremessar um acontecimento recente, decorrido na tarde passada em sede de minha viatura e após descompostura com respeito a uma birra. Ora pois que, seguido a gritos e choros foi possível alcançar tréguas por via da negociação e do empréstimo do equipamento de telemóvel de mãe de sôtor, moimeme. Com a arma em punho, o sacripanta excelentíssimo senhor meu filho, procedeu ao envio de mais de 25 mensagens privadas com a fotografia da mãe do Ruca, fazendo esta que vos escreve passar por uma pessoa cruel e amenamente descompensada, por estar a enviar informação desta natureza a pessoas com as quais não contacta desde o ultimo exame nacional de acesso ao ensino superior (corria o ano de 2002).

Não sei quantas pessoas foram alvo do envio massivo de fotos da mãe do Ruca. Contudo, quero apenas tornar claro que tinha imagens da senhora no meu telemóvel por razoes humorísticas e de partilha social numa rede com melhor fama: o instagram.

Grata pela compreensão de todos.

Votos de uma maravilhosa semana.

Dilema existencial-ó-político

Não sei se vou votar ou e vou ver o Sporting-Porto. Não sei se dá tempo para os dois.

Óh, Meu Deus! Que me colocas provações.

 

(eu armada em engraçadinha....)

Sobre os dias em que me arrependo de ter criado o blog

 

Há dias em que me sinto cansada.

Profundamente cansada.

Fatigada, aborrecida, aporrinhada, esbaforida com tudo isto.

Há dias em que se me levantam os cabelos dos braços por conta desta ideia estúpida de publicar as coisas que escrevo.

Sim, porque eu escrevo porque gosto de escrever. Mas publico porque gosto que esteja alguém a ler. Aquela conversa de que se escreve apenas por amor à escrita é conversa de café, porque se é só pelo exercício da coisa podia ficar na gaveta. Não era propriamente preciso perder horas de sono a: reler, rever, pontuar, corrigir, fazer sentido e depois programar para sair.

Gosto de escrever as minhas baboseiras e acreditar que há pelo menos uma pessoa que se vai rir com aquilo. Ou que se vai identificar e gostar de ter perdido aquele minuto e meio com o espaço.

 

Há uns meses mandei o blog às couves. Andava cansada da falta de chá de pessoas que escolheram ler o meu espaço sem terem primeiro limpo os pezinhos à porta de entrada e que me borraram o tapete da sala com as botas cheias de nhanhã.

Eu fiz aquilo que faria se alguém me irrompesse pela sala dessa forma: fechei portas por forma a não mais as deixar entrar. 

 

Depois voltou a vontade de escrever. E as pessoas que eu conheço e que gostam de ler tinham pena que eu tivesse parado de escrever. São poucas, mas são boas. E eu gosto dessas poucas.

São pessoas que se alinham com os meus astros. Apareceram aqui neste antro, gostaram do que viram e voltaram. Se calham a não ter gostado iriam à sua vida. My kind of people.

Os que assim entendem comentam (aqui ou no facebook) e gostam que eu brinque de volta perpetuando uma brincadeira que nos faz a todos rir.

É tão bom rir de coisas sérias. De outra forma era tudo tão cinzento. Afinal de contas a vida real vai-nos despindo da brincadeira. Não sejamos nós a encontra-la...

Só que depois há sempre alguém a querer castrar. Pessoas donas da razão, ditadores dos bons modos para o que lhes convém.

Atrás desses veem os engraçados que só entendem as próprias piadas. Voltemos a piada ao contrário e «aí Jesus que me afendestes», assim mesmo com «tes».

Eu fico abismada com a incapacidade humana de viver e deixar viver. 

Estes dias passam, porque os meus gatos pingados aparecem no meio da neblina, como uma espécie de equipa D. Sebastião do Século XXI e dizem-me aquilo que preciso ler: «pá, sua parvalhona de um raio, fizeste-me rir hoje», e eu dou-me por satisfeita.

Pobres daqueles que não sabem rir de si. Jamais sentirão o prazer de uma gargalhada verdadeira. Conhecem os sorrisos politicamente corretos, polidos e consensuais. Conhecem a gargalhada da maldade, quando alguém faz pouco de outro que lhes dá jeito. Uma espécie de escape à frustração, um desmascarar de sonsice encapotada.

Há dias em que me apetece fechar a porta. Mandar tudo as urtigas e começar de novo. Noutro sitio, com um nome inventado. Sem conhecer ninguém. Sem dar a cara.

Assim, como quem vai morar para um monte no meio do Alentejo e manda um telegrama de quando em vez.

 

A minha bipolaridade no silêncio ou blá blá blá de uma pessoa de molho

Numa boa parte das grandes coisas das nossas vida, bem como das microscópicas, triviais e invariavelmente olvidadas, existe muito pouco de decisão. Limitamo-nos a encaixar os acontecimentos. A absorver, viver e sentir. A encasqueta-los como parte das nossas vidas.

A forma como percecionamos o que nos acontece pode ter várias formas, e estas variam com a nossa idade, a nossa maturidade, o nosso estado de espírito, de alma, uma zanga ou uma alegria no dia anterior. Revestem-se da nossa capacidade de ver tudo de uma forma mais leve (para não usar o «positiva») ou mais pesada (para não usar o «negativa»).

Eu, que não sou melhor nem muito diferente da maioria dos aborígenes que leram o manual de civilização do meu mundo e que por isso fazem parte dele, consigo, se despender minuto e meio, percecionar as várias formas como podemos viver uma determinada situação.

Nenhuma é melhor que a outra. São apenas diferentes. Podemos ser pensativos, podemos ser queixinhas, podemos ser tripeiros, podemos ser gozões ou podemos cagar para o assunto.

Vamos pegar nos acontecimentos deste triste e silencioso dia, em que senhor meu marido se vê privado de minha voz, de meus aconselhamentos, de minha visão correta e sensata da vida. Vamos olhar para este momento em que tenho de me manter reprimida e pensar nas várias formas de registar este sucedimento.

 

O pensativo

Engraçado o silêncio. Perdemo-nos tão frequentemente em palavras vazias que quando o vazio de som preenche o nosso dia reconhecemos o seu valor. Os pássaros que afinal piam do lado de fora da janela, naquele pequeno jardim a que não damos valor tantos dos dias. Ouvimos os nossos pensamentos. Sentimos vontade de verbalizar a primeira coisa que nos vem à ideia e paramos, estagnamos, não podemos falar. Então pensamos naquilo que íamos dizer. Gozamos o pensamento. Desconstruimos as palavras que iam jorrar da nossa boca e percebemos que tantas vezes falamos para preencher tempo. Para consumir o espaço etéreo. Falamos por falar. Porque o silêncio torna o espaço mais denso, mais real, e a visão melhora, e a audição, aquela que fingimos ter e tão poucas vezes usamos, aguça-se. Percebemos a falta dos outros sentidos. Percebemos que a vida podia ser feita de menos conversa fiada. E prometemos que amanhã nos vamos lembrar disso.

 

O queixinhas

Queria dizer que vou buscar pão. Mas não posso. Queria ir buscar o pão, mas não tenho como pedir à senhora. A mesma que vai pedir para explicar o que eu tenho e eu sem conseguir falar.

Doi-me.

Porquê eu? Com tanta gente que não precisa de falar. Não podia ter dado uma destas a uma freira que fez voto de silêncio? Nem dava por ela. Não desejo mal a uma senhora devota. É só que não lhe fazia falta e a mim...aí que me doí.

 

O tripeiro

Farta desta merda car&%$%. Fod/&-se! Rai's parta mais à garganta. Se apanho a filha da pu%$ da amígdala lá fora parto-lhe a boca toda, car&%$&.

 

O gozão.

Estou a ouvir a minha própria voz na minha cabeça e estou nauseada. Ouvir a minha propria voz na minha cabeça é saudável. Ouvir vozes na cabeça é um acontecimento, digamos que, normal. Tenho mesmo uma voz irritante. Eu digo esta bosta da boca para fora todo o dia? O marido confirma. Rio-me.

Faço 25 tentativas de gestos para lhe explicar que se não come a canja que lhe pus no prato, lhe vou arrear com uma cadeira nas costas. Forte. Não entende. Ou não quer entender...o sacripanta. Era uma boa hipótese para lhe arrear no lombo por todos os pares de sapatos que não comprei por conta da sua forretice. Posso sempre alegar que como não entendia os outros gestos, quis esperimentar uma coisa nova.

Lá fora os pássaros piam. Hoje ouço-os mais que nos outros dias. Fechei as janela, mas continuo a ouvi-los, Ao principio era giro, mas agora sonho com uma fisga para os virar a pedrada. O som do ultimo piu antes de baterem com os costados no chão. Por acaso isso faz-me lembrar o periquito velho da minha prima Xana, que um dia, pouco antes de se sentarem para jantar fez um «piu» e caiu inteiro do balancé que tinha na gaiola. Não sabiam se haviam de rir com a cena, se chorar porque o coitado morreu, mas morreu uma morte cómica. Sem nunca antes deixar a sua despedida. Uma especie de: «adeus mundo, até um dia»; mas em piu.

 

O que caga no assunto

...................

...................

...................

(se cagou no assunto não tem nada para dizer, né?!)

 

E assim se esmiúçam várias formas de ver o mesmo problema e se ocupa o tempo de quem está de choco em casa. 

Fim.

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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