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Em busca da felicidade

"A mãe está a falar a sério"

Mas sôtor não quer saber.

Sôtor está a chegar àquela fase em que todos os limites servem para ser testados. E tem particular interesse em testar os meus.

Só quer fazer o que lhe apetece e quando faz o que pedimos vai muito pelo "convencimento". Já percebeu que as birras funcionam e nem sempre o choro vem acompanhado de lágrimas. Dessas vezes ouve logo "não há água nos olhos, é só birra filho" e ele, desgramado que pouco diz mas tudo entende, faz cara de safado e muda de estratégia.

Também já aprendeu a fazer aquele "ahhh" arrastado, que parece de dor e vem acompanhado de uma espécie de inclinação do tronco, mais ou menos como quando temos uma dor abdominal. No caso dele é só uma manifestação acérrima de que as suas vontades não estão a ser atendidas.

Insiste em querer desmontar os cães como se fossem Lego e agora chegou  a fase de levantar a mão.

Na quarta-feira à noite deu-lhe para me dar beliscões na cara. Ontem, depois do banho, insistia em levantar a mão e dar-me palmadas. Eu, toda cara séria, seguro-lhe na mão e digo "não. não se faz isso. não se bate na mãe. nem na mãe, nem em ninguém!". E o tipo vai de dar uma gargalhada. Quanto mais séria a minha cara maior a gargalhada dele.

Eu piurça. Mas então este fedelho de menos de um metro a gozar com a minha cara!

Acabei por me zangar e ele, depois de muito se rir de mim lá se resignou.

No meio disto fico sempre a sentir-me uma porcaria, que tão poucas horas passo com ele e no fim ainda passo algum desse tempo a aborrecida com ele.

Quer-me fazer crer que lhe começa a fazer falta o colégio para ter mais algumas regras. Ou melhor algumas regras. Que isto com avós babados e pais com remorsos de estar poucas horas com os filhos, só resulta em todas as vontades feitas.

Ou então é só uma fase e eu é que sou uma idiota.

 

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Não mais voltarei...

mickey-mouse-03.jpg

 

...a comprar roupa a olho ao puto desconsiderando as recomendações da etiqueta.

Queríamos comprar um sweat com o Michey para sôtor. Não encontrando bem o que queríamos demos com um fato de treino da Disney todo catita, no emblema o Michey e o Pateta.

Até aqui tudo bem.

Olhamos para a etiqueta e um deles era de 1 ano / 1.5 anos e outro de 2 anos / 2.5 anos.

Como temos a mania que somos espertos e como continuamos a ver o miúdo com os mesmos 2 quilos e tal com que nasceu trouxemos o mais pequeno convencidos que ainda ia ficar grande.

Eu, em casa, ainda ponho a camisola em frente a sôtor e penso ah, ainda fica folgado.

Este fim de semana vesti-o com o fato de treino.

As calças estão mesmo à medida. A sweat também.

Diz que o miúdo não é a duas dimensões.

Diz também que não tem 6 meses.

Enfim, é para aprender a não ser parva.

 

A fatura do filho

Há umas semanas o Nuno subscreveu o Publico pelo meu telemóvel, por isso, vai na volta e lá recebo e-mails com noticias frescas.

Acabou de apitar esta. Ao que parece estou praticamente na falência por causa do puto.

Tenho a ideia de que já estava antes, mas agora tenho as finanças ainda mais falidas.

Peguei imediatamente num bloco e comecei a anotar as despesas que tenho com ele. Quando crescido, formadinho e a trabalhar se desenvencilhe para ganhar bem. Apresentar-lhe-ei a fatura. É que a mim disseram-me que ter filhos era só maravilhas, não despesas.

Conto com uma bela casa remodelada na Av. da Liberdade e uma boa herdade no Alentejo, para passar as tardes. Tudo com criadagem para eu deixar de gastar as unhas a lavar loiça e a arranjar nabiças.

Qual D. Dolores de calções tigresse!

 

O avô e as fotografias na carteira

Não é que queira estar todos os minutos contigo. Preciso de tempo para mim. Para respirar. Para ser eu. O que me custa são as horas intermináveis que estamos afastados. Aqueles em que aprendes coisas novas, as que eu tenho pouco tempo para te ensinar porque a vida diz que há outras coisas para fazer.

O bem ou o mal de trabalhar paredes meias com um Centro Comercial, somada à tarefa pontual de me ver a almoçar sozinha, resulta na invariável passeata pelos corredores do Colombo. Procuro as lojas caras, com as coisas que comprava se tivesse muito dinheiro.

Pela direita e pela esquerda passam mães com os seus filhos. Estão de férias, estão de folga, são mães a tempo inteiro ou trabalham por conta própria, vida de disciplina mas com o conveniente de poder tirar uma tarde aqui e ali.

Vejo as outras mães e tenho uma vontade maior de te abraçar. Lembro-me das saudades que tenho de ti. Aquelas que faço por esquecer, que forço por calar, porque a vida segue o seu rumo e há contas para pagar.

Penso que vou voltar ao escritório e dizer “por mim, por hoje já chega, vou andando” e punha-me a caminho de casa. E ia buscar-te mais cedo. E íamos ao jardim. Brincar na areia.

Lembro-me que não vale muito a pena sonhar acordada e resta-me o telemóvel. As tuas fotografias para acalmar a lamechas que quer vir ao de cima. Lembrar-me que o que trabalho é também para ti. Muito para ti. Alguns dias só para ti.

E recordo-me da carteira do avô. Com as fotografias de todos nós. Do tempo em que não havia telemóveis. Ponto. Muito menos com fotografias. Do tempo em que quando queríamos trazer connosco quem mais amávamos, lá se guardava a fotografia tipo passe. Para quando o coração apertava. Para quando o cacilheiro se atrasava. Para quando o rio parecia um oceano.

 

Sôtor e as suas coisas

Não diz uma única palavra. Não chama pela mamã nem pelo papá. Mas...

1. Conta doi, tês...sheis - sempre que está a aprontar alguma

2. Sabe usar melhor que eu o botão ESC do PC (o vídeo do youtube que está a ver em ecrã completo já o está a maçar, sem stress, clica no ESC para reduzir e escolher outro da barra lateral)

 

E esta, hein!?

Esta coisa de ter um segundo filho

Ser-mãe.jpg

(imagem retirada da net)

 

Quando estava no principio dos meus vintes nem sabia se algum dia teria um filho. Nem sabia se queria ser mãe. Esta coisa que tenho cravado no interior de querer fazer sempre bem as coisas e lidar mal com o erro fazia-me ter medo de me meter em tamanha empreitada. Tinha perdido a minha cedo demais. Seria eu capaz de ser uma boa mãe?

Tinha a certeza que não haviam príncipes encantados e muito menos tipos com a capacidade de aturar um ser como eu, desorganizado, com uma boca pouco educada, refilona, dona da razão e incapaz de gerir o meu ser em torno dos gostos de um homem qualquer. Via-me, quando pensava nessa coisa de ter um filho, sozinha com uma criança porque o pai tinha desistido. Não dela mas de mim. Que paciência tinha limites. Via-me, duas décadas depois, com o relógio biológico caducado, com uma criança adotada. Essa coisa linda de ser mãe do coração. Uma vida já vivida e a maturidade suficiente para ensinar e amar sem limites.

A meio dos meus vintes sabia que afinal os príncipes encantados sempre existem e que andam mascarados de homens normais, sem cavalos brancos nem espadas. Que não nos salvam de torres muito altas, mas que nos acarinham nos momentos mais difíceis, aqueles que parecem mais altos que as malditas torres. A possibilidade de ser mãe torna-se uma realidade. Mas de apenas um. Um filho seria suficiente.

À porta dos trinta decidimos ter um filho. Aos trinta engravido. Passamos toda a gravidez a gerir a vida de uma família que será sempre de 3 pessoas. Quem sabe de 4. Se um dia concretizar aquele sonho antigo de saber o que é ser mãe do coração.

Nasce e percebemos em instantes que não queremos viver aquele momento apenas uma vez na vida.

Que se lixem as dores, as epidurais, as barrigas grandes, as contas. Que se lixe tudo. Queremos repetir. Só falta saber o quando.

Ao fim de 3 semanas, sem ter uma única noite com mais de 1 hora seguida dormida por noite. Com a minha cabeça feita em água, perguntava-me no que raio me tinha metido. “Ser pequeno porque choras? Porque raio não dormes?”. Acalmava-se, aninhava-se em mim e eu sabia outra vez no que me tinha metido. Na melhor coisa da minha vida. A mais difícil também.

Chegaram os dois meses e as rotinas estavam implementadas. Dormia e a vontade de não ser só um voltou. Havia tempo para dar atenção a cada suspiro. Tudo era feito com a lentidão que o tempo pede. Com a atenção que cada momento merece. Garantindo assim que ficava gravado para sempre em todos os tipos de memória que tenho em mim.

Aos 5 meses volto ao trabalho. As exigências iguais às que tinha deixado. O horário mais curto difícil de cumprir. O stress permanente. Uma viagem de uma hora para chegar ao trabalho e outra para regressar. O perceber que os dias lentos acabaram. Que os momentos vividos ao milímetro acabaram. Que temos de chegar a casa e tratar de tudo em vez de estar com todo o tempo para cuidar dele.

Percebo que sou uma pessoa mais do one on one do que a relações publicas da festa. Quero dar-lhe atenção a ele, estar com ele, viver as suas piadas, as suas brincadeiras, dar-lhe atenção focada e não estar perdida entre as fraldas de outro bebé, com o coração dividido e o corpo cheio de culpa ao deitar porque não consigo estar verdadeiramente com nenhum. Não há tempo para isso.

Quero viver este filho. Quero recordar cada pequena coisa que aprender. Quero guardar cada olhar.

A vida que tenho, que levamos (quase todas nós, mulheres trabalhadoras) retira-nos muito dos nosso filhos. É certo que crescem e que depois, já adolescentes se vão borrifando para nós. Mas nos primeiros anos querem-nos mais. Fazemos mais parte deles. Da vida deles.

Falavam-me noutro dia sobre um segundo filho. “Vocês não percam esta oportunidade de ir ao segundo” dizia-nos uma amiga. (já foi ao segundo).

Não quero perder, mas sei que com a vida que tenho não será certamente para já. Quero ver este crescer, quero absorver todos os momentos que restam nos poucos minutos que temos por dia. E depois, depois, quando ele perceber melhor que pode ter companhia, quando ele puder participar e ser incluído de forma consciente. Aí sim, posso pensar nisso sem o medo de perder mais dele e de outro ou outra que possa vir.

 

(se entretanto ganhar o euromilhões, isso é outra conversa)

 

"Orienta aí uma bolacha faxavore"

Sôtor já conhece bem a senhora da padaria. Quando chegamos a casa aponta logo para lá. Depois da primeira oferta de bolacha aprendeu a pedinchar. Pede para ir dizer adeus à senhora e quando chega à porta da padaria estica o braço, dedo indicador em empinado e "ããããããã", vai de apontar para a bolachas.

Hoje acordou um bocado ranhoso. Fruta da época. Mas como é apenas ranho (o que já não é pouco e é coisa que lhe dá cabo da noite de sono - a ele e a nós) fomos dar um passeio à tarde. Uma volta ao jardim, ver os patos, apanhar ar fresco. Coisas que não temos durante a semana, sempre enfiados no escritório.

Ele adora.

A determinada altura vejo-o a ir disparado em direção a um casal na casa dos 60 e tal anos que estava com os netos. Traziam um saquinho com bolachas e estavam a distribuir entre os miúdos.

Sôtor não vai de modas...e mete-se na fila para receber uma.

Eu encavada que estava...não sabia onde me havia de meter. Meu rico filho é um pedinchão.

E "vamos" e "são dos meninos". Até que o senhor lhe oferece uma.

"Ah, deixe estar, ele tem o lanche na mala"...

O senhor insistiu "deixe-o lá aceitar uma".

Deixámos.

Veio feliz da vida, a embandeirar a bolacha em arco e nós a passar por pais terror que mal alimentam a criança.

 

Felicidade é...

20160629_093916 (1).jpg

 

...correr atrás de ti enquanto finjo não te conseguir apanhar. É ouvir as tuas gargalhadas na mais simples das brincadeiras. É perguntar-te se queres o meu colo enquanto te aninhas nos meus braços e sorris como quem diz que sim.

Felicidade é roubar cinco minutos ao sono para escrever estas palavras e registar as memórias que não quero esquecer.

 

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