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Em busca da felicidade

Mãe peçonhenta!

Estávamos a brincar a fazer bolas de sabão. A certa altura dei-lhe um abraço e um beijo. Diz-me:

- Mãe larga o Ricardo.

 

É o principio do fim. 

Saber brincar tem ciência

Decidiu trepar o móvel da sala onde está a TV. O pai tirou-o de lá e ralhou com ele por dois motivos: tinha subido para o móvel; não estava a querer ouvir o pai.

No fim veio ter comigo:

- Mãe, o pai nã sabi bincar!

 

Este pai é de facto uma besta.

Ser avaliado por um puto de 2 anos...

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Sôtor meu rico filho está a demonstrar-se um extraordinário CEO. Gere os elementos desta equipa, seus subordinados com um punho de ferro numa mão e um chicote na outra.

Juro que há momentos em que o meu nome é Isaura e a minha profissão escrava, mas depois lembro-me que eu mando mais do que ele e tento impor a minha vontade.

Dá-se aquele momento a que conhecemos por: birra.

Nesta semana que passou, e após conviver mais horas com as nossas competências sôtor concluiu:

1. A mãe não sabe lavar o cabelo. É uma função de seu pai. Único elemento competente nesse campo.

2. O pai é incapaz no que respeita à secagem pós-banho. Esse é um trabalho onde a mãe brilha.

3. Sua mãe é incompetente no que concerne à preparação de biberão. Devendo ser o pai - independentemente do que está a fazer - que lhe prepare o petisco lácteo. Caso tal não seja possível aceita com enfado a preparação pela mãe, manifestando um «já contava», caso a temperatura não esteja do agrado.

4. O pai deverá ter as mãe tortas, porque a administração do leite é feita pela mãe. Sim, pela mãe. O próprio sabe manusear o equipamento, mas fingir ter perdido a mobilidade nos membros superiores sempre que isso obriga carregar o biberão cheio.

5. O pai não sabe dar a sopa. A mãe é a pessoa mais competente.

6. Nos últimos dias descobrimos que o pai também «na sabi bincar».

 

É assim que se constrói um gestor. Pena que eu tenha de ser uma das cobaias.

Não há moluscos no céu, a dourar o meu caminho...

- Mãe, tá escuro lá fora.

- Pois está. Quando está escuro é porque é...?

- Noite.

- E o que há no céu quando é de noite?

- Estelas e lulas.

 

Colinho de praia

Lembro-me das manhãs de praia passadas com os meus pais. A sacola de palha da minha mãe onde iam as sandes de fiambre e as garrafas de água. No topo as toalhas bem dobradas num retângulo que ocupava toda a boca da sacola e se dependuravam de cada lado. Tão bem dobradas para depois se amarfanharem quando segurava numa alça de cada lado.

Íamos à praia pela manhã. Acordávamos cedo e, ainda antes das nove, já estávamos a arranjar lugar para estender o turco colorido na areia. Esperávamos pelo pai pôr o chapéu de sol, era o trabalho do homem da casa.

- Mãe, posso ir à água? Posso? Posso? Quando é que posso?

Nunca soube estar quieta na toalha. 

Hoje revejo-me no meu filho. É como se revisitasse as minhas memórias, como se me fosse dada a possibilidade de me ver a mim crescer. Tais são as semelhanças...

No Domingo fomos à praia. A maré estava baixa e, entre corridas e desafios, consegui convence-lo a dar saltos nas poças enormes que se faziam à beira mar. Para mim poças, para ele pequenas piscinas com água pelo umbigo.

Orgulho-me de manter viva a criança que tenho em mim. A vida já me bateu bastante, já me arrastou pelos cantos, já me fez quanto baste para fazer de mim uma adulta séria. Mas a criança que sou é mais resistente que a mulher adulta. É, aquilo que hoje se chama de resiliente. Ou talvez seja apenas uma miúda feita de matéria de outro tempo, em que os fracos não tinham lugar e até os moles se endureciam.

Saltei nas poças como se fosse mais pequena que ele. 

- Anda filho, salta! Assim! Vê a mãe!

E ele foi atrás. Saltou. Pulou. Perdeu-se nas gargalhadas mais doces. Aquelas que nem as melodias de Mozart conseguem bater.

No fim não queria ir para casa. Queria correr, saltar nas poças, pular. Mas aceitou. Ia para casa e, quando chegasse, ganhava uma goma.

(com sorte até chegar a casa esquecia-se).

Tirei-lhe uma boa parte da areia numa das poças mais pequenas. Depois peguei-lhe e ele disse-me:

- Ahhh colinho. Enconsta mãe.

Diz-me sempre que melhor que o colo é ir encostadinho ao ombro da mãe. E continuou:

- Ahhh, este colinho de paia!

E eu percebi-o tão bem. O colinho de praia. O abraço depois do cansaço das brincadeiras boas, com a pele a saber a mar; aquele momento em que nos enroscamos na toalha com os olhos pesados e a cabeça limpa, como se nada mais no mundo nos pudesse preocupar.

Adoro estes fins de tarde lentos, onde nos perdemos em abraços e mimos, porque ainda não há vergonha do colinho da mãe.

 

Rico filho de sua mãe #1

Passamos por um autocarro.

 

Sôtor

Mãe tócarro.

 

Eu

Sim é um autocarro.

 

Sôtor

'Ssoas.

 

Eu

Sim leva as pessoas.

 

Sôtor

Pessoas e bebés.

 

Eu

Sim, pessoas e bebés. Já agora velhotes também.

 

Sôtor

'Ssoas, bebés, velotis.

 

As nossas tardes

Passa tão pouco tempo em casa que hoje, com a possibilidade de uma tarde lenta entre os brinquedos espalhados em casa e os bonecos na televisão, me disse: "mamã hoje, casa, quato".

Que é como quem diz: "fica lá aqui a brincar comigo e deixa-te de passeios".

Às vezes racionalizamos tanto tudo. Vemos por todo o lado as hipóteses de passear. Preocupamos-nos tanto em fazer tanto que muitas das vezes nos esquecemos que estas tardes lentas valem semanas.

Não estou no topo dos meus dias alegres. Estou cansada e ressacada dos dias pesados de trabalho. Valem-me os abraços e os mimos deste meu pequeno, grande herói.

 

Arte do dia:

 

Sôtor. Não aos meus olhos, mas segundo as minhas mãos

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Criatividade a jorrar pelas paredes

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O Ruca e a mãe fizeram um arco íris. Nos também.

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As palavras do meu filho

Quando nasceu queria que já falasse. Tal não é a minha paixão pelas palavras. Queria conversar, contar-lhe coisas, ouvir o que pensava. Esperei mais de um ano pelo momento em que, atabalhoadamente, proferiu a primeira palavra. Não foi mãe. Não foi pai. Foi uma palavra e isso bastou-me.

Passou por uma fase em que nos respondia em «hum», como se tivesse um dicionário completo, cada tipo de «humm» refletia uma intenção diferente. A seguir descobriu os vídeos do youtube e saiu-se com palavras em inglês. Eu satisfeita. Pouco importava se eram em inglês. Palavras são palavras.

Ainda hoje diz «Orange», em vez de cor de laranja.

O tempo foi passando e ele foi desabrochando. Nestes dias brinda-nos a cada momento com palavras novas. Compõe frases e nós, espantados, emocionados, com as nossas palavras suprimidas, sorrimos. Outras vezes rimos da forma como o disse. Rimos para nós, entre nós, porque as palavras dele são uma vitória.

No serão passado pediu-me para ir buscar a bola do Ghandi para jogar com ele:

- Mãe, bola, ghandi!

 

Correu com o cão pela casa toda. Gritava:

- Anda Ghandi! Anda mãe!

- Ghandi panha!

- Ghandi anda cá!

- Ghandi dá cá bola!

- Ghandi onde tás?

 

Eu andava atrás deste corrupio. Feliz. Porque a felicidade se compõe de momentos.

Cada palavra mais doce que o açúcar e eu, eu queria gravar cada segundo na minha mente, como se fosse um filme de fita que guardamos no sótão. Daqueles que nos imaginamos em velhos a ir buscar à arrecadação.

Mas nem peguei no telemóvel. Corri atrás dele. Absorvi o momento. Lembrei-me que quando ponho o ecrã no meio há qualquer coisa que se perde. Há um encanto que se definha na necessidade de viver no futuro aquilo que não saboreamos agora e depois, depois nada sabe à doçura de cada palavra proferida com a voz encantada de uma criança de dois anos.

Gosto de brincar com as palavras. Lembro-me de ir ao dicionário e encontrar sinónimos para as palavras que conheço. É tão bom brincar com as palavras. Penso na alegria que me dá quando encontro uma palavra que nunca tinha ouvido e percebo: como deve ser encantado o mundo das palavras para uma criança de 2 anos, a cada conjugação de silabas um brinquedo novo.

 

Anda uma mãe a criar um filho #

Tinha acabado de tomar banho e andava aos saltos na cama:

 

Sôtor: Tulica, Gâdi, vénham cá!

Eu: Queres que a Tulipa e o Ghandi venham para o pé de ti?! O que queres tu ao Ghandi e à Tulipa?

Sôtor: Béjinhos e abaços!

Eu: Aummmm! Meu rico menino! Também dás beijinhos e abraços à mãe?

Sôtor: Não!

(assim, secamente!)

 

Já definida a ordem de importâncias cá em casa:

1º Tulipa e Ghandi

2º Mãe

3º Pai

 

(dá-me a ideia que ele ainda não percebeu bem quem é que paga a net e os dados móveis que ele gasta!)

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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