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Em busca da felicidade

Conversas de carro com meu esposo

Eu - Preciso mesmo de organizar a minha cabeça.

Ele - Se calhar devias arranjar um Life Coach.

(armado em irónico o desgraçado)

Eu - (em suspiro) Ao fim de pouco tempo batia-lhe.

Ele - (em risos) Então passada de Life Coach para Dead Coach.

 

Nota: A autora do blog gostaria de garantir que, ao longo desta conversa e em todos os momentos que se seguiram até ao momento de emissão desde post, nenhum treinador da vida foi magoado.

 

Não há moluscos no céu, a dourar o meu caminho...

- Mãe, tá escuro lá fora.

- Pois está. Quando está escuro é porque é...?

- Noite.

- E o que há no céu quando é de noite?

- Estelas e lulas.

 

Programas e cenas que o Augustinho vê ao serão - #3

Como já é sabido, ao final do dia falo sempre com senhor meu pai. Pessoa que dá pelo nome de Augusto, tratado carinhosamente por Augustinho.

A determinada altura dá-se o seguinte momento:

 

(...)

 

Augustinho

Olha estou para aqui a ver um filme porreiro. É com um gajo que já foi James Bond e uma tipa bestialmente conhecida.

 

(para quem não acompanha o espaço, para Augustinho, um ator que toda a gente conhece é um que é «bestialmente conhecido». Pouco importa o facto de haver milhares)

 

Eu

Boa! Ainda bem! Assim tens com que te entreter no serão.

 

(procuro evitar adivinhar quem são os atores bestialmente conhecidos porque já sei, por experiência, que isso me pode tirar anos de vida)

 

Augustinho

É pá o filme é mesmo bom...são os dois ladrões. Sabes que filme é? É um filme bestialmente conhecido.

 

(sim, os filmes, também eles, podem ser bestialmente conhecidos)

 

Eu

(depois de um acesso de alembrança)

Ah, já sei: é o Sean Connery e a Catherine Zeta-Jones!

 

Augustinho

Isso mesmo...isso mesmo. É a Catarina Jones e o Cien Cona, exatamente.

 

(silêncio por 2 segundos...a tentativa de inglês não saiu da melhor forma...)

 

Augustinho

Bom olha, o filme é bom! E vocês já jantaram? O que é que esse gajo, o meu neto, anda a fazer?

 

(e a conversa continuou)

 

O facebook e a feira da minha terra

Quando eu era miúda vivia numa vila pequena da Margem Sul que dá pelo nome de Corroios. Hoje já nem sei se é vila, se o que será. Mas também não importa para o caso. O que importa é que em Agosto dava-se o acontecimento do ano: a feira de Corroios. As ruas eram fechadas ao trânsito e davam lugar às bancas dos feirantes: pipocas, algodão doce, cachorros quentes, mel, charcutaria diversa, chupas&rebuçados, mantas, rifas. Tudo acabava nos carroceis e nos carrinhos de choque. Os meus irmãos iam andar de carrinhos, atirando as viaturas uns contra os outros, eu, porque era pequena demais para essas andanças (e porque uma menina não anda à pancadaria em carros sujos), ia com os meus pais ao leilão dos cobertores. Era uma senhora gorda, que falava alto que chegasse para não precisar de um altifalante. Abria a porta da carrinha, repleta de mantas, cobertores, lençóis com folhos, toalhas de um turco nunca visto. Dava o mote para base de licitação e ali estávamos, a ver quem levava o cobertor com o desenho do leão para casa.

Até chegarmos à dita carrinha cirandávamos pelas outras bancas. Raras vezes íamos comprar alguma coisa, por isso o recado: «veem com os olhos, não se mexe no que não se vai comprar, não se chateia quem está a trabalhar». A minha mãe gostava pouco daquela gente que, aos seus olhos, fazia pouco de quem trabalhava. Porque eles andavam sempre por ali. Entravam nas bancas, mexiam em tudo, criticavam o produto, perguntavam o preço, criticavam o preço, que o bem «não vale isso nem que você se pele», pousavam o bem, criticavam o vendedor, não tinha jeito para atender os clientes, assim não havia de vender nada.

Estas pessoas nunca estiveram interessadas em comprar nada. Umas porque nem dinheiro tinham, outras porque achavam interessante fazer pouco de quem vendia na feira. Eles que trabalhavam em escritórios ou em lojas finas de perfumes eram muito melhores que «aquela gente».

Hoje acho que estas pessoas têm todas contas no Facebook, entram nas páginas públicas dos outros e, apesar de não gostarem do que são, ou apesar de os invejarem, ou seja lá pelo que for, entram. Para eles é o mesmo que entrar numa loja para implicar com o dono, implicar com a vendedora. Criticam o que a pessoa é, o que a pessoa disse, o que a pessoa não disse, o que a pessoa vai ser daí a 5 anos e ainda regateiam a profundidade da bosta que dizem.

É a feira de Corroios chutada para a estratosfera digital. A massa de gente que vai, gosta. Quer que a feira volte. Respeita. Depois há os nichos de gente que ciranda a terra como se estivessem a fazer um favor a Deus nosso Senhor. São uma espécie de bullys sociais, ou apenas os idiotas que antigamente se sentavam ao canto da taberna, mas agora têm um telemóvel com touch screen.

 

Tenho um profundo respeito pelo Nuno Markl, faz-me rir, e eu respeito pessoas que, sem me serem nada, me alegram o dia. Penso que de todos os humoristas é o mais inofensivo. Não que os demais sejam ofensivos, acho que não há nenhum de que não goste, e adoro os mais ácidos. Fazer rir não é fazer mal. Fazer mal é deixar um animal abandonado à sua mercê, preso num rail. Fazer mal é ver alguém cair e, em vez de lhe estender a mão, desviar-se para que não impacte 2 cagagésimos o seu dia. Fazer mal é sair do meu caminho para ofender alguém só porque essa pessoa disse o que pensava.

 

A maldade das pessoas resume-se à sua frustração, má formação, ignorância e maldade. Fazer rir é um trabalho difícil e pessoas como o Nuno trabalham todos os dias para alegrar alguém, para arrancar uma gargalhada num dia de merda. Essa é a vitoria do seu dia de trabalho. Vejam como é difícil.

Ser humorista não é ser médico, mas quando estamos na merda e nem os médicos conseguem ajudar só há uma coisa a fazer: rir. Rir muito disto tudo.

 

Hoje, quando vi a mensagem do Nuno Markl no Instagram lembrei-me da feira da minha terra. Lembrei-me das pessoas que entravam nas bancas de quem estava a trabalhar, não queriam comprar nada, só queriam estragar-lhe o dia.

 

Espero que o Nuno pense o mesmo que a senhora das toalhas de mesa e saiba que: «estes cabrões só para aqui vêm para me dar conta da mona». Que os mande pastar e nos continue a fazer rir, mas rir muito. Eu cá sei a falta que ele me faz todos os dias a caminho da 25 de Abril.

 

 

Aí a p%&ta da memória

crs.png

 

Fomos ao AKI comprar umas coisas que nos faziam falta. Seguimos para a caixa:

 

Senhor da caixa

Deseja pagar como?

 

Nuno

Multibanco

 

Começa à pesca do MB na carteira. Nada de encontrar o dito; parecia um daqueles velhotes que colocam a arrastadeira de lado e se enconstam ao balcão a contar os trocos enquanto dizem: «ora menina ajude-me lá a contar aqui as moedas.»

Eu armada em chica esperta saco do meu MB:

 

Eu

Deixe estar, está aqui o meu. Afinal de contas sai tudo do mesmo poço.

 

Lampeira marco o código. Dá erro. Só me estava a ocorrer o código de entrada da porta de casa.

 

Eu

Grande merda. Parecemos dois pategos. Porra que não me lembro do código.

 

Retirei o cartão e o Nuno pagou com o dele (entretanto encontrou).

 

#putadamemória

#jánãodápamais

#estoutodaqueimada

 

 

As cuecas do estropiado

calvin.png

 

Tenho este habito estúpido de estar sempre a dizer baboseiras. Tenho esta mania de querer ser engraçada, de entender que tudo pode ser alvo de uma piada, de que mais vale rir quando pouco mais há a fazer. O sarcasmo ajuda. Pelo menos a mim. Ridicularizar a vida quando ela nos pontapeia, dá-me uma certa leveza de espírito. Que mais não seja porque não lhe faço totalmente a vontade: «até pode ser como entendes, mas eu escolho se rio ou choro!»

O Nuno estava sentado na cadeira, cateter enfiado no braço, branco como a cal, aflito com dores. E eu, eu desesperada para que sorrisse. Tenho sempre para mim que se conseguir uma gargalhada ajudo ao medicamento. Que tenho o poder de fazer a cabeça esquecer da dor, nem que seja por uma fração de segundo.

 

«Não querias era que passasse o dia lá com o francês! Para a próxima diz, escusas de te meter numa destas!»

Recebi na segunda-feira um colega francês que veio a Portugal de propósito para ver o resultado de um projeto que pilotei. Deixei-o sentado e corri para ir com o Nuno ao hospital. (nada de preocupações, o colega tinha outras coisas para fazer).

 

«Deves ter bebido água demais nestes dias! Os teus rins não estão habituados a trabalhar!»

O Nuno raramente bebe água. Todos os dias leva uma garrafa para o trabalho. Todos os dias a garrafa volta como foi. Todos os dias lhe digo que «qualquer dia…qualquer dia…». Costumamos brincar que se vendêssemos um rim dele nos dariam bom dinheiro, afinal de contas tem alguns anos mas está como novo, quase não foi usado. Daí foi um saltinho, esta situação podia facilmente resultar de um excesso de água. Já se sabe que quando uma pessoa se habitua a fazer pouco depois reclama, pelo que era uma boa piada. Nada.

 

«Acho que estiveste demasiado tempo de costas para o vento este fim de semana! Bateu-te tanta areia da praia nos rins que criou um calhau por osmose!»

Puxadinha…mas o desespero é lixado.

 

«Estava aqui a pensar amor…que cuecas trazes tu? Tens umas cuecas em condições, certo? É que estava aqui a lembrar-me das cuecas do estropiado…tens de pensar em comprar uns pares da calvin klein, imagina tu que tens de tirar as calças….»

Ficou com mais dores ao pensar que eu lhe estava a impingir uma forma de gastar mais dinheiro.

 

Não é fácil estar casado comigo. De maneira nenhuma. Um gajo a sofrer as dores de parto que a gaja não imagina porque foi para uma cesariana marcada, e a tipa a fazer piadas de cuecas. Tenham dó!

 

Nota: Pelo menos agora um de nós sabe o que são as dores de parto…e não sou eu!

 

Sôtor quer é tasco

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Quando eu e o pai fizemos 3 anos de casamento fomos jantar fora. Levámo-lo. Aliás, como relatei aqui, passámos a referida data em família, acabámos a tarde na praia e aproveitámos para jantar num restaurante simples à beira mar.

Sôtor ficou encantado com aquilo.

Não é que nunca tenha ido a um restaurante. Aliás, farto disso está ele. Mas ir comer à beira mar depois de uma tarde bem passada a mandar os pais fazer castelos na areia, é outra coisa.

 

Por isso, desde esse dia, sempre que saímos da praia arrasta-me até aos cartazes para me dizer as coisas boas de comida que o espaço à beira mar tem. Invariavelmente são: «pão, tatas fitas e tonas.» Para quem não sabe «tonas» são azeitonas. Claro, dah!

No fim de semana passado disse-me:

«Mãe, pai, cado…fôa!», e apontava para a esplanada do restaurante em frente à praia.

«Queres comer fora?»

«Shim!»

Fizemos-lhe a vontade. Depois, não só comeu fora como cravou uma bugiganga da rua dos pescadores. Levou um avião, o qual usa para me atormentar. Todos os dias me pede folhas para que EU lhe desenhe o homem aranha, a pilotar o avião, onde vai o papa. Para sôtor meu filho o papa vai em todos os aviões. Ou seja, a ser verdade o papa é um vadio que passa a vida no laréu em vez de estar a fazer o trabalho dele lá no Vaticano.

 

Este fim de semana quando saímos da praia repetiu-se a conversa.

Disse-lhe:

«Olha lá, tu queres é tasco, pá!»

Ele respondeu satisfeito com a ideia e contente consigo mesmo:

«Cado, tasco!»

 

Já viram a minha vida?

 

Os pais às vezes são um bocado pategos

No sábado decidimos ir dar uma volta à Toy's ur Us de manhã. Já andamos há várias semanas para lhe comprar um triciclo e era importante saber se ele se interessava por um ou não; porque o que é certo é que nem sempre o tipo acha graça ao queremos que ache graça.

Estávamos preparados psicologicamente para o caos, que ele se larga-se que nem um louco a varrer prateleiras e a dizer: «qué isto. quê isto. Cado quê isto!», nós doidos, com sorrisos amarelos para os outros pais enquanto voltávamos a colocar tudo no devido lugar.

Mas nada disto acontecer.

Sôtor entrou na loja com olhar circunspeto, parecia matutar: «isto deve ser uma brincadeira de rasteira, só pode!». Cirandava pelo espaço, primeiro suspeito, depois encantado. Afinal de contas aquilo pode de facto parecer a Disney para um tipo com dois anos e meio.

«Anda com o pai ver os popós!», correu para o pai.

Não compreendo a loucura que esta criança tem com carros. Mas só vê carros, carros e carros à frente.

Devia estar à espera de algo completamente diferente, porque quando viu os carros de tamanho mini em que dava para ele, de facto, andar la dentro, ficou possuído pelo demónio.

Perdi a conta às vezes que ele entrou e saiu dos dois Jeep's que estavam em exposição. Depois, acrescentando à nossa boa ideia, decidimos pô-lo a experimentar um Audi que tinha bateria. Não demorou minuto e meio a perceber como se punha para fora da loja. Qual Velocidade Furiosa 10.

Nós de mãos à cabeça.

«Pronto filho, já chega. Agora temos de ir ver outra coisa.», disse-lhe eu arrastando-o em direção ao triciclo. Quando lá chegámos o que aconteceu foi mais ou menos o que passo a relatar.

 

O miúdo parou ao lado do triciclo, olhou para mim, depois para o pai, depois para o triciclo e fez cara de quem pensou: «Vocês drogam-se?! Ou isso ou bebem. Então primeiro falamos de carros de primeira linha, e depois querem que me monte neste engenhoca com três rodas e dois pedais. MAIS! Querem que dê à perna, quando os outros andam sem esforço. Tenham juízo!». Verbalizou apenas o «Não!» e pôs-se a andar para os Jeep's.

 

Reconheci a minha pateguice. A verdade é que lhe mostrámos isto...

 

...depois isto...

 ...e no fim queríamos que ele levasse para casa....isto....

 

Eu no lugar dele dizia: «Vão ser burros lá pra vossa terra...atão! Devem estar a fazer pouco de um gajo!»

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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