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Em busca da felicidade

À falta de sorte, que haja dinheiro

 

Para comprar alguma!

Na 6ª feira dei comigo a assistir a um bocado do programa da manhã com a Júlia Pinheiro. Estava a adormecer o sôtor e estava a olhar para nada de especial, a televisão estava ligar porque ele a queria ligada e eu, eu à espera que ele se deixasse adormecer para ir ler uma página. É ai que passa a noticia de uma mocinha de 19 anos que, depois de 11 visitas ao Hospital, e depois de ser mandada para casa com "problemas de ansiedade", acabou por ser encontrava sem vida em casa. Motivo: um tumor cerebral que nunca foi identificado. Nunca lhe fizeram um exame de diagnóstico, uma análises, um TAC, uma ressonância, nada!

Que raio de país é este? Que raio de sistema de saúde temos nós afinal? Que cambada de vermes rastejantes atendeu esta jovem?

Mas que porra!? Em resumo.

Expliquem-me como se eu tivesse 2 anos, porque vai ser praticamente impossível para mim entender, como é que alguém afere um diagnostico a uma pessoa sem qualquer elemento de despiste? Como é que se inferem problemas do foro psicossomático sem garantir que organicamente o corpo está bem? Estão a poupar o dinheiro de quem? O meu não é certamente, que cada vez pago mais impostos. O problema é que os vejo canalizados para pagar bancos que vão à falência, garantindo que os podres que os geriram continuam com uma vida que eu nem sonho e nós, que precisamos de um sistema de saúde porque descontamos, acontece o quê? Diagnósticos do século XV efectuados por montes de esterco.

Espero que indemnizem a família, que percam a licença para trabalhar e que sejam presos. Que depois de presos vão trabalhar para a ETAR mais porca do país que não lhes sejam disponibilizados quaisquer meios de segurança para a sua saúde. Para que mexam na porcaria com as próprias mãos.

Detesto gente incompetente. Mais mais do que isso detesto gente que brinca com a saúde dos outros, que negligencia, que por ser médico acha que está acima do paciente.

Meus queridos, deviam saber melhor que ninguém, todos nascemos de um sitio muito parecido e quando morrermos, todos vamos para um sitio muito igual.

É aqui que entra o dinheiro. Costuma-se dizer que tem tudo que ver com a sorte que se tem, a sorte de se apanhar o médico certo (ou seja, um que seja competente). É verdade, ainda que não devesse ser assim. Mas quando não temos a sorte de encontrar o médico certo, o dinheiro dá uma ajuda a comprar essa sorte, marcamos consulta com outro e pagamos, vamos a uma cidade diferente se necessário for. Vamos a um hospital privado. Se não nos passarem um exame exigimos fazê-lo, afinal de contas vamos pagar.

Quando estamos no sistema público estamos totalmente dependentes da sorte. Podem dizer que estou errada, mas para mim é mesmo assim.

Lembro-me da minha prima, a quem disseram no posto de saúde vezes sem conta que estava grávida e devia era fazer um teste, foi preciso estar a pesar 40 quilos e ter a sorte de encontrar uma médica otorrino competente para lhe passar o exame que devia ter feito desde inicio. Para ter uma noticia menos boa, mas porventura a que permitiu salvar-lhe a vida e hoje, 10 anos depois, estar grávida de uma menina que certamente vai ser linda como a mãe. Feliz e saudável. 

Ou posso lembrar a história da minha mãe, a que me marcará para a vida, uma mulher com mais de 40 anos, com diabetes, com 4 filhos a quem nunca foi prescrito um exame mamário pelo verme que a seguia. A que foi ao IPO de Lisboa e mandaram para casa que havia para ali um qualquer problema de violência doméstica. A que soube o que se passava consigo depois de a família gastar o dinheiro que pode para fazer os exames necessários e descobrir que tinha um tumor maligno de 8 cm numa das mamas.

Mas não é só no publico que se encontra gente incompetente. Lembro-me de no ano passado, numa das várias vezes que me senti mal, ter ido às urgências do Hospital Lusíadas (espaço pelo qual tenho um enorme respeito, onde nasceu o meu filho e onde fui muitíssimo bem tratada) e de ter sido atendida por uma médica que mais parecia estar ali para vender farturas. Fez-me duas perguntas e disse-me que eu não tinha nada. Tinham-me medido a tensão e tirado a febre. Exigi fazer um exame. 

É aí que o dinheiro entra. Se eu tenho sido atendida por aquela mesma pessoa num hospital publico eu ia para casa, com ou sem problema. Mas como estava a bater a nota pude exigir um mecanismo de diagnostico e despiste.

Felizmente não tinha nada.

Não teve a mesma sorte uma amiga que foi a um hospital privado, mandaram-na para casa que tinha falta de descanso e mais tarde, por insistência de pessoas amigas foi levada a outro hospital privado, onde com os mecanismos certos de despiste e diagnóstico (ou seja, sem se darem a adivinhação) lhe identificaram e resolveram o problema.

Lembro-me agora da melhor história de sempre, que todos tivesses esta capacidade. A determinada altura a ex-sogra de um dos meus irmãos foi ao posto de saude porque não se andava a sentir bem fazia dias. O médico que a atendeu disse-lhe que não tinha nada, que eram coisas da cabeça dela. Velhaca como sempre, ficou com o nome do médico e passou a semana à procura em todas as clinicas privadas para ver se ele dava consultas. Conseguiu. Marcou consulta para a mesma semana e quando foi atendida o tipo já não sem lembrava dela. Afinal de contas podia ter um problema, precreveu-lhe alguma medicação para melhorar os sintomas mais alguns exame de diagnóstico.

No fim ela levantou-se e disse-lhe. Olhe doutor, agora vou embora e depois mostro-lhe os exames no posto de saude, onde me atendeu esta semana e disse que eu não tinha nada. Não vou pagar um centimo e se se atrever a não me atender no posto garanto-lhe que faço queixa de si no Ministério da saúde. E não dúvide, que trabalho noutro ministério e já me informei do que tenho de fazer. Tenha uma boa semana!

E de lá saiu, lampeira como sempre, com o seu cabeção cheio de laca e um diagnóstico em condições.

Mais uma vez, é aqui que o dinheiro entra. Se tivermos sorte, tanto melhor, se não tivermos, o dinheiro ajuda a comprar esse pedacinho. A procurar um segundo médico, uma segunda opinião, a exigir fazer um exame, a prevenir ou identificar o que há de errado connosco. Se o houver. Se não houver melhor, ficamos com umas fotografias do interior, sem problemas, tão lindo que é.

Por isso não me venham dizer que o dinheiro não dá felicidade, que não dá saúde. Dá, e muita. O que vale é que ainda vai havendo muita sorte para as coisas correrem bem apesar da incompetência.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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