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Em busca da felicidade

A felicidade inclui um cão

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Para mim a felicidade inclui um cão. Desde pequena que sempre adorei animais e com 8 anos consegui convencer os meus pais a ficarem com uma cadelinha abandonada que estava debaixo de uns andaimes de construção ao pé do prédio onde morava uma tia. Dei-lhe o nome de Fofinha e foi a minha melhor amiga durante 13 anos. Sempre companheira, sempre protectora. Foi graças à Fofinha que comecei a "sair à noite" ainda com os meus 13/14 anos. Ir passear o cão depois das 8 da noite, para uma miúda desta idade, era como sair à noite. Como íamos passear o cão os pais das amigas deixavam-nas vir também. E assim lá andávamos. Às vezes 2, às vezes 4, todas a passear a Fofinha.

Lembro-me como se fosse hoje o dia que foi para nossa casa e lembra-me como se fosse hoje o primeiro dia em que voltei a entrar em casa sem ela lá estar. Passei uma semana a estranhar o silêncio ao abrir a porta de casa.

A minha paixão por cães é uma coisa do outro mundo, por mim não tinha um, tinha 10. Todos diferentes, coxos e zarolhos também se houvesse algum a precisar de um lar. Podem dizer-me que os gatos também são grandes amigos, verdade, são de certeza, a minha experiência é um pouco diferente, adoro gatos, tanto que lhes gosto de estar sempre a fazer festas, no entanto os gatos têm um desapreço natural pela minha pessoa. Em 32 anos de vida só conheci 1 gato que não me agrediu, e esse pensava que era um cão. Por isso não sei se conta.

Quando comprámos a nossa casa eu sabia que queria arranjar um cão. Aliás, um dos principais motivos pelos quais eu queria deixar de ter casa alugada e passar a ter casa própria era para poder ter um cão. Na casa onde vivíamos o senhorio não se dava muito bem com a ideia.

Assim, em 2009, 10 meses depois de estarmos na nossa casa pensamos em arranjar um cão. Como é um apartamento e o Nuno nunca tinha tido um animal de estimação (nem peixes, quanto mais um que pode borrar a casa toda) optámos por escolher um cão de raça pequena, pesquisámos, pesquisámos e lá demos com os Chihuahuas, acima de tudo agradou-nos o tamanho portátil, verdade, mas mais ainda o seu ar atrofiado. Assim iriam enquadrar-se lindamente na família, e não desapontam, mas isso mais à frente. Quando contactámos o criador questionou-nos quantas horas íamos estar fora de casa, porque esta raça gosta pouco de estar muito tempo sozinha. Pensámos sobre o assunto e de facto estamos fora de casa quase 10 horas todos os dias. Por isso arranjámos uma solução, íamos ter 2 cães. Assim sempre faziam companhia um ao outro e eu podia dizer que tinha dois cães.

A questão é que hoje, quase 7 anos depois, dou comigo por vezes a pensar que, quando for grande, gostava de ter um cão. Um cão a sério. Um cão que goste de ir à rua, que esteja sempre a abanar o rabo, enfim que seja um tolo feliz. Daqueles que gostam de rebolar na relva.

Cá em casa não há nada disso, aliás, já dei comigo a ir aos documentos dos tipos (sim eles têm documentos, um deles até tem uma coisa que eu não tenho, passaporte!) só para confirmar se a espécie está certa. Às vezes podíamos ter sido enganados.

Mas para não estar para aqui com conversas da treta, vamos a factos.

 

Exhibit number 1 (como dizem nos filmes):

 

(a Tulipa quando aprendeu que conseguia subir para a gaveta dos DVD se estivesse aberta)

P6050120.JPGP6110006.JPG (a Tulipa quando comprámos a cadeira do escritório e tomou posse da mesma mesmo antes de estar montada)

 

Pau!!!!! Tulipa.

Antes de mais uma nota. Este cão é estrábico. Nada contra os estrábicos. De todo. Mas a sério, quem tem um cão estrábico? Só eu! Este ser vivo não gosta de ir à rua. Tenho que a ir tirar à casota para lhe conseguir pôr o peitilho. Desde as escadas a custo (e também porque tem o lombo mais largo do que devia) e faz o pedaço de caminho para contornar o prédio e chegar ao jardim tão devagar que é quase a mesma coisa que levar uma tartaruga pela trela. Depois, como se não bastasse reclama com todas as pessoas que estão no passeio, incluindo as suas sombras. Já tive situações em que, há falta de transeuntes no passeio ela reclama com a maltinha que esteja do outro lado da rua. Faz peito feito para todos os cães grandes dos vizinhos, o que me deixa tremendamente embaraçada, considerando a sua fraca envergadura e o seu peitilho xadrez. Depois borra-se de medo do pincher de 1 kg e 400 de outro vizinho. Mais uma vergonha. Em casa é um bicho que só faz companhia se alguém lhe estiver a massajar o lombo em permanência, de outra forma vai para a cama dela e fica a olhar para nós com um ar de quem diz não vales nada. Fica sentada, ansiosa è mesma que lhe dê alguma coisa quando estou a jantar, mas quando cai alguma comida não dá conta e continua a pedir. Informo adicionalmente que é animal que come coentros, salda, alho e cebola crus.

Podia estar aqui e escrever um livro só sobre esta criatura, mas acho que vou passar à próxima, porque podem pensar, ah dizes isso desta mas o outro não pode ser assim tão mau.

Pode.

 

Exhibit number 2

 

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(o Ghandi quando tinha uma pancada com as minhas botas de lã)

 

 Pau!!! Ghandi.

Ao contrário da amiga gosta de ir à rua, mas detesta pôr o peitilho por isso tenho de o perseguir sempre que o vou levar à rua. Duas perseguições por dia. É uma tourada! Mais uma vez, ao contrário da amiga aparenta estar sempre atrasado, por isso puxa para chegarmos ao jardim (ou a outro lado qualquer) como se o amanhã não existisse.

É um extraordinário cão de guarda e quando há trovões esconde-se atrás das minhas pernas. Por isso sinto-me deveras segura quando me acompanha! Engasga-se sem motivo aparente com a sua própria saliva e é frequente encontrarem-me nas escadas do prédio às 6 e tal da manhã a tentar acalmar o cão que, na excitação de ir à rua confundiu a respiração toda e está aflito.

Recusa-se a comer a ração sem acompanhamento, sendo que o preferido é um nadinha de leite. Assim tipo Chocapic. Tem um peluche de estimação que se chama Jorge e que vai buscar todos os dias antes de ir para a cama.

Enfim é o que há!

Por isso digo que um dia gostava de ter um cão. Daqueles que quando gritamos "vamos à rua" saltam que nem uns doidos até por a trela. Que descem as escadas com vontade e que depois fazem figuras idiotas no jardim. Em vez de olhar como snob para os outros cães do género este tipo é estranho, vai-se suja todo!

Mas agora brincadeiras à parte.

Estes dois tipos são família cá em casa. Gozamos com eles porque as famílias são mesmo assim, estão sempre a mangar uns com os outros. Acho que se não tivessem estas peculiaridades nem assentavam bem nesta casa de gente chalupa (o miúdo ainda é normal, é dar-lhe tempo que a gente estraga-o (brincadeira outras vez, brincadeira outra vez!!!). São uns cromos, verdade. Mas são os nossos cromos e não víamos as nossas vidas sem eles.

São eles que nos recebem todos os dias cheios de alegria quando chegamos a casa e nos fazem dar uma gargalhada, quando muitas vezes não temos vontade nenhuma de rir. Foram eles que me fizeram companhia nos meses em que estive sozinha em casa e é a eles que o pequeno campeão anseia ver sempre que se está a abrir a porta de casa.

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(a minha companheira de leitura)P7230001.JPG

 

(um dia qualquer em que andava a arranjar a roupa para lavar)PC180020.JPG

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(o primeiro Natal, com direito a fatinhos a rigor feitos pela dona)

 

Sonho com uma realidade em que todas as casas têm um cão, que é como um membro da família, cuidado. Estimado até ao ultimo dos seus dias. Onde é amado como ele ama também, incondicionalmente.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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