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Em busca da felicidade

A fragilidade dos nossos dias

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Passamos os dias à procura de momentos que lhe deem razão. Que façam valer a pena tudo o que fazemos sem ter vontade. Sonhamos com um amanhã melhor, com o amanhã desejado. Sonhamos com o dia em que vamos ter dinheiro para aquela casa com um pedaço de relva atrás, onde vemos os filhos a brincar nas tardes de verão, entre a piscina de plástico e a manta de piquenique improvisada. Idealizamos o dia em que temos idade que chegue para a reforma, com sorte antecipada, o dia em que os filhos estão crescidos e compramos a autocaravana que tínhamos visto 20 anos antes. Sentamo-nos na cadeira do condutor e começamos a nossa viagem pela Europa.

Sonhamos.

Apontamos os nossos sonhos num pedaço de papel. Pode ser que dessa forma não nos esqueçamos de realizar nenhum. Pode ser que dessa forma fiquem presos e não nos consigam fugir.

Apontamos como se dessa forma garantíssemos que se realizam.

Não pensamos que a vida pode acabar de um segundo para o outro. Não faz sentido. Porque não haveríamos de chegar a velhos? Fazemos tudo certo. Comemos o que os médicos mandam. Deixámos o tabaco e até já corremos.

Mas há qualquer coisa que não corre como esperado.

Trinta anos, um jogo de futebol entre amigos e o fim chega de forma inesperada.

Procuramos perceber o porquê. Não faz sentido a partida de alguém tão novo. Tinha certamente sonhos para preencher. Coisas que tinha planeado fazer. Pergunto-me se alguma vez deixou de saltar de paraquedas com medo que ele não abrisse. Procurando garantir que a vida se alongasse. A ironia estupida desta vida.

Será que alguma coisa do que fazemos para a fazer mais longa vale de facto a pena?

Com trinta e três paro para pensar como pode acontecer a qualquer um de nós. Não vou à Austrália porque tenho medo que o pássaro se afunde no meio do oceano. Mas se a história tiver de acabar não acaba em qualquer lado?

Penso nas coisas que quero fazer, no que quero ver, no que quero viver e tenho dificuldade em adormecer. Porque tenho medo de não acordar. Tenho dificuldade em prestar atenção a outros assuntos. Daqueles que no fim do dia não salvam nenhuma vida nem trazem sorrisos ao rosto de ninguém. Penso em como gostava de ter uma casa diferente e deixo sempre para outro dia. Penso em como quero estar mais tempo com o meu filho mas vão sempre aparecer outros motivos para ter de trabalhar mais. Penso que queria tanto comprar aquela autocaravana e viajar pela Europa. Será que alguma vez o vou fazer.

Penso no sonho da minha vida. De chegar a velhinha de braço dado com o meu velho. Os dois corcundas e os netos a gritar por toda a casa.

E percebo como tudo isso depende da sorte de cada um. Será que a tenho?

Penso e sinto uma impressão no braço. Que porra pode ser esta? Ontem queria deixar-me dormir e não conseguia. Que impressão é esta? Vai e volta. Vai e volta.

A minha cabeça com medo. Que coisas más acontecem a boas pessoas. E era tão novo que não quero acreditar.

Penso naquela mãe e abraço o meu filho com mais força antes de sair de manhã. A dor que nenhuma mãe devia sentir.

Os sonhos de netos que não se vão ter. Os sorrisos que não se vão mais viver. As histórias que já não vão haver para pensar.

Penso em nada e em tudo ao mesmo tempo.

Penso no que raio estou aqui a fazer. Nas minhas escolhas e se as que fiz me fazem feliz. Nem todas.

Remoo na minha cabeça as opções. Percebo que por mais que queira gritar e virar a vida do avesso para viver é preciso fazer o que não apetece. Percebo que não é justo. Que passamos mais tempo da nossa vida em castigo que em alegria.

Queria ter mais tempo. Queria ter mais tempo para garantir mais minutos com os que mais amo. Mais horas felizes. Mais memórias para encher a única coisa que um dia levo comigo. O que os meus olhos já viram. O que o meu coração sentiu. O que a minha alma viveu.

Hoje deu-me para isto. Para a nostalgia. Para o sentimento. Para pensar no valor daquilo com que gastamos o que de mais precioso temos. O nosso tempo.

Apetece-me levantar e dizer “por hoje por mim já chega”. Ir buscar o meu filho e passar o dia com ele no parque. Gozar o sol. Ver as gracinhas e guardar cada abraço.

Mas a vida nem sempre é como se quer. Por isso aguento. Que amanhã é feriado e, se Deus quiser, vai haver tempo para todas essas coisas.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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