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Em busca da felicidade

A minha bipolaridade no silêncio ou blá blá blá de uma pessoa de molho

Numa boa parte das grandes coisas das nossas vida, bem como das microscópicas, triviais e invariavelmente olvidadas, existe muito pouco de decisão. Limitamo-nos a encaixar os acontecimentos. A absorver, viver e sentir. A encasqueta-los como parte das nossas vidas.

A forma como percecionamos o que nos acontece pode ter várias formas, e estas variam com a nossa idade, a nossa maturidade, o nosso estado de espírito, de alma, uma zanga ou uma alegria no dia anterior. Revestem-se da nossa capacidade de ver tudo de uma forma mais leve (para não usar o «positiva») ou mais pesada (para não usar o «negativa»).

Eu, que não sou melhor nem muito diferente da maioria dos aborígenes que leram o manual de civilização do meu mundo e que por isso fazem parte dele, consigo, se despender minuto e meio, percecionar as várias formas como podemos viver uma determinada situação.

Nenhuma é melhor que a outra. São apenas diferentes. Podemos ser pensativos, podemos ser queixinhas, podemos ser tripeiros, podemos ser gozões ou podemos cagar para o assunto.

Vamos pegar nos acontecimentos deste triste e silencioso dia, em que senhor meu marido se vê privado de minha voz, de meus aconselhamentos, de minha visão correta e sensata da vida. Vamos olhar para este momento em que tenho de me manter reprimida e pensar nas várias formas de registar este sucedimento.

 

O pensativo

Engraçado o silêncio. Perdemo-nos tão frequentemente em palavras vazias que quando o vazio de som preenche o nosso dia reconhecemos o seu valor. Os pássaros que afinal piam do lado de fora da janela, naquele pequeno jardim a que não damos valor tantos dos dias. Ouvimos os nossos pensamentos. Sentimos vontade de verbalizar a primeira coisa que nos vem à ideia e paramos, estagnamos, não podemos falar. Então pensamos naquilo que íamos dizer. Gozamos o pensamento. Desconstruimos as palavras que iam jorrar da nossa boca e percebemos que tantas vezes falamos para preencher tempo. Para consumir o espaço etéreo. Falamos por falar. Porque o silêncio torna o espaço mais denso, mais real, e a visão melhora, e a audição, aquela que fingimos ter e tão poucas vezes usamos, aguça-se. Percebemos a falta dos outros sentidos. Percebemos que a vida podia ser feita de menos conversa fiada. E prometemos que amanhã nos vamos lembrar disso.

 

O queixinhas

Queria dizer que vou buscar pão. Mas não posso. Queria ir buscar o pão, mas não tenho como pedir à senhora. A mesma que vai pedir para explicar o que eu tenho e eu sem conseguir falar.

Doi-me.

Porquê eu? Com tanta gente que não precisa de falar. Não podia ter dado uma destas a uma freira que fez voto de silêncio? Nem dava por ela. Não desejo mal a uma senhora devota. É só que não lhe fazia falta e a mim...aí que me doí.

 

O tripeiro

Farta desta merda car&%$%. Fod/&-se! Rai's parta mais à garganta. Se apanho a filha da pu%$ da amígdala lá fora parto-lhe a boca toda, car&%$&.

 

O gozão.

Estou a ouvir a minha própria voz na minha cabeça e estou nauseada. Ouvir a minha propria voz na minha cabeça é saudável. Ouvir vozes na cabeça é um acontecimento, digamos que, normal. Tenho mesmo uma voz irritante. Eu digo esta bosta da boca para fora todo o dia? O marido confirma. Rio-me.

Faço 25 tentativas de gestos para lhe explicar que se não come a canja que lhe pus no prato, lhe vou arrear com uma cadeira nas costas. Forte. Não entende. Ou não quer entender...o sacripanta. Era uma boa hipótese para lhe arrear no lombo por todos os pares de sapatos que não comprei por conta da sua forretice. Posso sempre alegar que como não entendia os outros gestos, quis esperimentar uma coisa nova.

Lá fora os pássaros piam. Hoje ouço-os mais que nos outros dias. Fechei as janela, mas continuo a ouvi-los, Ao principio era giro, mas agora sonho com uma fisga para os virar a pedrada. O som do ultimo piu antes de baterem com os costados no chão. Por acaso isso faz-me lembrar o periquito velho da minha prima Xana, que um dia, pouco antes de se sentarem para jantar fez um «piu» e caiu inteiro do balancé que tinha na gaiola. Não sabiam se haviam de rir com a cena, se chorar porque o coitado morreu, mas morreu uma morte cómica. Sem nunca antes deixar a sua despedida. Uma especie de: «adeus mundo, até um dia»; mas em piu.

 

O que caga no assunto

...................

...................

...................

(se cagou no assunto não tem nada para dizer, né?!)

 

E assim se esmiúçam várias formas de ver o mesmo problema e se ocupa o tempo de quem está de choco em casa. 

Fim.

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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