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Em busca da felicidade

A não voltar

Já tinha lá ido arranjar as sobrancelhas e arrancaram-me duas ou três febras da cara. Mas, como precisava mesmo de arranjar as tipas porque já me estava a parecer demasiado com o Pacheco Pereira, lá voltei a marcar nas senhoras uma hora. Esta sexta, final do dia, aproveitava e no mesmo sitio arranjava as sobrancelhas, tratava da bigodaça, que está na moda mas fica melhor nos senhores e ainda cortava as pontas do cabelo porque já lá vão bem mais de 6 meses que não vê tesoura.

Chego e vão buscar a senhora para me atender. Estuda-me a cara.

- Posso tirar com cera?

A falar das minhas sobrancelhas.

- Em cima sim, em baixo não.

Trata de tirar o que dava para tirara com cera, sempre caladinha.

- Mas porque é que não quer a cera? Era mais rápido.

- Porque não gosto.

- Assim dói mais.

- Eu sei. Estou habituada, é a senhora preocupar-se em arranjar que com a dor preocupo-me eu.

Lá começou de contra vontade a arranjar as ditas. "Tem um defeito aqui, uma falha ali...". E eu a pensar se soubesses as falhas que eu tenho filha, ficavas era calada. É que é com cada fosso cá dentro.

- Pode levantar-se para ver se está bom.

Pensei que era só para levantar o tronco, que havia um espelho de mão para ver o serviço. Nada disso. Tive de levantar o cu da marquesa, onde nem se deu ao trabalho de pôr aquele papelinho higiénico com que normalmente cobrem as marquesas para uma pessoa não ter que se deitar nos micróbios das outras, e ir a um espelho de pé para ver o serviço.

- Os cantos ainda não estão arranjados e aqui no meio há pelos.

Lá me voltei a deitar e a pessoa sempre a resmungar que com a cera era mais fácil lá deu por acabado o serviço. Concluído que considerou pediu-me novamente que levantasse o cu da marquesa para ver o serviço. Já cansada disse que estava OK mas que ainda estavam pelos a meio. E o que é que a bendita senhora faz, estende-me a pinça, como quem diz, se vê o que eu não vejo arranje você!

Agarrei na pinça e acabei com aquilo.

Desço para cortar o cabelo. A pessoa que me ia atender afinal não estava e aparece um moço cheio de vida para me arranjar. Lava-me a tola e nem pergunta se quero amaciador. Por esta altura já estou tão farta daquele espaço que quero é que a dor acabe.

Sento-me e pergunta:

- Então como secamos.

- Não secamos. Cortamos. Que foi isso que eu pedi para fazer.

Lá deu duas risadas e cortou-me o cabelo.

No fim ainda tive de dar os meus dados de novo para ter o desconto a que tenho direito porque não registaram da ultima vez.

Saio com o cabelo pseudo-seco e com a tromba cheia de pó de talco porque diz que o pó de talco ajuda a pessoa a ficar menos vermelha. Em resumo, em vez de arranjada saí a parecer um fantasma despenteado que tinha acabado de ser violentado.

Por isso, não me apanham lá outra vez, nem voltam a ver um tostão da minha carteira.

Ah, já me esquecia, isto tudo foi no fabuloso Perrute Studio do Colombo.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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