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Em busca da felicidade

Agir ou ser indiferente?

Não era propriamente deste tema que vinha aqui escrever era algo mais alegre, mas depois de o ver passar na televisão, depois de imaginar que pode um dia ser aquele que carrega nas mãos o meu coração a sofrer na pele, não consigo ser indiferente. 

E não me refiro a ser indiferente ao comportamento, é algo que sempre me enojou. Refiro-me a ser indiferente a uma reportagem que passa na televisão que não tem de facto impacto com a minha vida neste momento. Não consigo que me passe ao lado. Fiquei tão danada que decidi vir aqui por para fora a minha lividez.

Falo daquilo a que hoje chamamos de bullying. Aquilo que sempre houve, que há 20 anos eram miúdos a ser miúdos e que hoje atinge uma nova escala. Com vídeos para partilhar na youtube a merda que acabaram de fazer. Vá lá, falemos em bom português, é mesmo a merda que acabaram de fazer. Tudo é motivo para fazer um vídeo e o sofrimento alheio não está fora do espectro, aliás, quanto pior se fizer mais graça tem, a vitima com medo, os fortes, que só valem alguma coisa em matilha e os idiotas, cagados de medo, que assistem e se riem porque senão apanham eles. Idiotas sim, porque não percebem que se se juntarem os "fortes" não valem nada, idiotas porque deixam alguém sofrer para safar a própria pele. Cobardes, tanto os que fazem o mal como os que assistem sem nada para fazer.

Olho para o meu filho, hoje com pouco mais de um ano e rezo para que nunca se veja nessa posição. Para que nunca seja a vitima. Para que nunca seja o agressor. Porque se saber que sofria me quebraria o coração, saber que tira prazer no mal dos outros quebra-lo-ia ainda mais, far-me-ia questionar o que lhe ensinei. Que tanto me esforço por ter os princípios no sitio, por respeitar os outros. Por saber tratar e ser tratado de forma correra.

Ouço os relatos das mães, da que perdeu o filho porque preferiu por termo à vida em vez de passar pelo tormento todos os dias, da mãe cujo filho com 10 anos começou a tomar anti-depressivos. Ouço os relatos das crianças que passaram por esta realidade e pergunto-me onde estavam os que os deviam proteger? Os professores, as auxiliares, os directores de escola. Será que só servem para receber o ordenado? Ouço que tinham registo e nem aos pais comunicavam. Como pode ser? Se o filho não conta em casa os pais vivem no desconhecimento, das queixas, dos pedidos de ajuda? Mas que país é este, meu Deus?! Será que estas pessoas não têm filhos, irmãos, primos, o que for?! Será que se fartaram de estudar mas só andaram a virar letras em vez de aprender o que os livros devem ensinar?

Ouço e penso o que faria eu. Não sei. Honestamente não sei. Mas sei que não me passaria ao lado. Sei que não vou dizer que tem de aguentar. 

E os pais das crianças, dos adolescentes agressores, onde estão? Será que sabem? Será que se borrifam? Em alguns casos não me admiro que sim, basta sair à rua e conviver com muitos dos humanos com que partilhamos o planeta. A vergonha de gente que são. Os que passam à frente nas filas, os que reclamam porque uma grávida quer passar à frente numa fila prioritária, os que cospem para o chão, os que têm animais de estimação e os abandonam ou agridem, os que resolvem a educação dos filhos com duas lambadas e pouca explicação de porque o fizeram, os que de gente têm pouco, quanto mais educar alguém. Frustrados mal amados e que também não sabem amar. Como podem ensinar a alguém respeito? Como podem ensinar a compaixão? Mas depois também há os filhos de gente que é boa gente. De gente que tem vergonha do que os filhos são capazes de fazer.  Já conheci casos destes. Menos que os primeiros.

Não sei qual o caminho que este mundo tende a percorrer mas assusta-me, provavelmente como os meus avós de assustavam com o caminho dos meus pais e os meus pais com o meu.

Mas parece-me tudo tão mais assustador agora. Não há respeito pelas pessoas, não há respeito pelos animais, cada vez se abandonam mais e como dizia Ghandi "a grandeza de um país e seu progresso podem ser medidos pela maneira como trata seus animais". As associação de animais espelham bem o que temos, a cada verão, a cada dia, que antigamente era mais no verão, mas agora tenho a ideia que é em qualquer altura.

Não há meio de se perceber que vivíamos todos tão melhor se soubéssemos respeitarmo-nos uns aos outros. 

Enfim, fica o desabafo por hoje.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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