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Em busca da felicidade

As crianças, os brinquedos, o emprestar e o já chega

Mal acabei de pousar os sacos na areia da praia aparece uma miúda, com os seus 7 ou 8 anos, e pergunta se pode levar emprestado o balde de brincar de sôtor.

“Se for por um bocadinho…pode ser!” disse-lhe.

Gosto de o ensinar a emprestar e não há razão nenhuma para que não possa disponibilizar um brinquedo ou outro a outra criança. Esperando-se, claro, que a atitude seja reciproca. Afinal de contas são crianças e o melhor brinquedo é sempre aquele que ainda não têm. Chama-se curiosidade e, quando é saudável, só faz bem.

Lá levaram o balde. (Havia outra que estava à espera ao pé de uma piscina que construíam com a ajuda de um adulto) Estavam a fazer uma piscina na areia e precisavam de carregar água do mar até lá.

Retirámos o resto dos brinquedos da sacola, estendemos as toalhas e sôtor começou a brincar. Só tem um balde, o que leva sempre com ele, o que uso para lhe ir buscar água ao mar.

Ao fim de pouco tempo começou a pedir para ir buscar água. Tinha visto as miúdas a levar o balde mas não disse nada, está habituado a que as coisas possam ser para emprestar…desde que, como é obvio, ele fique com brinquedos para ele. Não há cá Madres Teresas lá em casa. Nem quero!

As miúdas voltam para devolver o balde. Não agradecem, mas tinham sido educadas a pedir, pelo que dei o desconto.

Não passaram 5 minutos e estava de volta. E eu que sim, que podia ser mais um bocadinho porque o pequeno não estava agora a brincar com o balde.

O tempo passou, passou e quando olho estavam todos no mar a brincar com o balde e o meu filho a pedir pela terceira vez para eu lhe ir buscar água ao mar. Duas dessas pedi que aguardasse, a terceira levantei-me e fui buscar de volta o que é dele.

Estavam acompanhadas por adultos, sendo que um destes brincava com elas. E não, não estamos a falar de crianças com dificuldades, de uma pobreza tal que nem uma pazinha tinham para se entreter. Falamos de duas crianças com 7 ou 8 anos que traziam cada uma um biquíni vestido de valor superior aos meus 3 fatos de banho.

 

Quando estivemos de férias no Algarve insistia sempre que sôtor partilhasse os seus brinquedos com as outras crianças, apenas duas condicionantes, que não lhe tirassem das mãos aquilo com que brincava (quero que seja altruísta, não xoninhas) e que a atitude fosse reciproca. Como é obvio isto não é “cobrado” a crianças com 2 e 3 anos. Mas espera-se que os pais, que estão a tomar conta dos filhos sejam educados ao ponto de alertar os seus querubins que, se brincam com os brinquedos de outras crianças, devem ser uma atitude similar.

Posso dizer que nem sempre acontece. Nesses casos, temos pena, e por mais besta que me possam achar, se sôtor não se importar, deixo que empreste, se se queixar não deixo quem não partilha brincar com as coisas dele. Ponto.

 

Este tema é para mim um tema sensível porque, apesar de parecer conversa sobre nada é um tema fundamental na construção da pequena pessoa que ele é. Não quero que seja egoísta, mas também não quero que seja o totó de quem todos se aproveitam e que nada fazem por ele.

Não me importo nada de emprestar os brinquedos do meu filho, mas não gosto que as pessoas se esqueçam da pessoa a quem eles pertencem e que, como este fim de semana, mal deixaram uma criança de 2 anos brincar com o seu baldinho, porque estavam a divertir-se à beira mar.

É uma linha ténue, entre o à vontade de pedir alguma coisa emprestado e o à vontadinha de achar que se não está a berrar é porque não lhe faz falta.

Lá está, são as crianças que devem ser educadas a pensar nos outros e não apenas nelas próprias e nos seus desejos, são os brinquedos que servem para o divertimento dos seus proprietários e não só, é o emprestar, o saber partilhar, um bom valor a passar na formação de pequenos seres, mas é também o saber dizer já chega para que lhes ensinemos a não deixar que abusem da sua boa vontade.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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