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Em busca da felicidade

As Helenas Isabeis da vida real

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Como já aqui referi, nesta fase da minha vida sou espetadora assídua (não doente) da casa dos segredos. Ao fim de 13 ou 14 anos de reality shows e na sequência da minha enclausura por baixa em casa no final de 2014 e principio de 2015 ganhei apresso à coisa.

A verdade é que, se olharmos com algum pormenor para aquilo, é possível perceber que se retratam em muitas daquelas pessoas características das pessoas que nos rodeiam no dia a dia e até mesmo nossas.

Se nos colocarmos à parte do português mal falado (ou então não, em alguns casos) a verdade é que os comportamentos que têm uns para com os outros demonstram muito daquilo que é a sociedade em que vivemos. Uma sociedade quase selvagem, sem respeito às regras, a tender para a anarquia, sem a capacidade de assumir responsabilidades pelos seus atos, encontrando para todos os comportamentos errados justificações estapafúrdias, quando não mesmo nos outros que em nada têm que ver com os seus comportamentos.

Um cada vez mais crescente narcisismo desequilibrado em que não conseguem ver muito para além dos seus próprios umbigos.

Tenho acompanhado a edição deste ano e cada vez mais vejo isso mesmo. Existem os que andam calados, ouvem e tentam não se pronunciar, mas depois quando lhes toca alguma coisa mostram-se indignados. Os que gritam e chamam nomes à mais pequena diferença de opiniões. Os que bebem e culpam os maus comportamentos em dois copos de vodca. Justificando que perdem a noção dos seus atos por causa do álcool.

Todos ficamos parvos com dois copos de vodca. Agora, perder noção do que se está a fazer, só mesmo quem tenha alergia ao álcool, ou quem aproveite para encontrar neste fácil bode expiatório uma forma de justificar os seus comportamentos.

Assisto a esta edição e encontro sempre o mesmo tema. Uma jovem de nome Helena Isabel, que ao que parece é a culpada da maior parte dos males do mundo. Só falta a pobre coitada ter causado os tremores de terra em Itália. Tudo é culpa da moça. Falam mal dela e perante imagens em que a chamam de cabra, cobra, venenosa, entre outras afirmações ofensivas, desmentem. Dizem que está descontextualizado. Que ela também fala mal. Pedem que passem imagens de quando se sentam todos a falar uns dos outros e que ela fala mal dos colegas. Ou seja, se ela fizer igual as suas atitudes ficam justificadas. Não entendem que agir mal não depende do que os outros fazem. Depende do que nós fazemos.

Eu assisto ao programa. Não 24 horas. Mas vejo os resumos à hora de jantar. Ou aqueles que consigo quando o meu filho de ano e meio deixa. A moça manifesta a sua opinião. Diz o que pensa dos outros. Mas não ofende.

E o problema é esse. A incapacidade de compreender que dar uma opinião não é ofender.

Dizer que discordo com determinado comportamento e dizer que um colega é otário são coisas diferentes.

Mas é difícil fazer entender.

A moça em questão tem granjeado simpatias por todo o lado menos dentro do concurso em que está inserida. Prova disso é que a colocam a nomeações todas as semanas e lá se vai mantendo.

As pessoas gostam da prestação, porque estão cansadas da falta de educação. Dos gritos. Do não levar desaforos para casa a todo o custo. Estão cansadas de comportamentos incorretos e da incapacidade de reconhecer que estão errados.

Gostam porque num ou noutro comportamento ou situação acabam por se rever. Rever no momento em que alguém as manda à merda ou as chama de cabras sem razão e têm de engolir o sapo para não se chatearem mais. Tem granjeado simpatia porque quer queiramos quer não todos passamos por momentos Helena Isabel, em que nos apetece dar uma arrochada em alguém, mas optamos por engolir e seguir em frente. Ser superiores ao comportamento irracional dos outros.

Um reflexo da nossa sociedade, quer queiramos quer não. A pessoa que é correta é desconsiderada, e, caso alguém lhe reconheça mérito no comportamento, aparecem sempre 5 ou 6 hienas para dizer que devem ser amigos ou andou a dar graxa.

Na semana passada estávamos a sair do trabalho e num cruzamento uma tipa passa por um stop sem parar, quase lhe batemos. O Nuno buzinou, a alertar para o sinal, para o comportamento. A tipa abre o vidro e faz um manguito para nós, como se ela tivesse razão no que estava a fazer.

E eu lembrei-me, que afinal isto é tudo uma grande casa dos segredos. Só não estamos sempre a ser filmados. E por isso tantas vezes é pior que lá dentro.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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