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Em busca da felicidade

As palavras do meu filho

Quando nasceu queria que já falasse. Tal não é a minha paixão pelas palavras. Queria conversar, contar-lhe coisas, ouvir o que pensava. Esperei mais de um ano pelo momento em que, atabalhoadamente, proferiu a primeira palavra. Não foi mãe. Não foi pai. Foi uma palavra e isso bastou-me.

Passou por uma fase em que nos respondia em «hum», como se tivesse um dicionário completo, cada tipo de «humm» refletia uma intenção diferente. A seguir descobriu os vídeos do youtube e saiu-se com palavras em inglês. Eu satisfeita. Pouco importava se eram em inglês. Palavras são palavras.

Ainda hoje diz «Orange», em vez de cor de laranja.

O tempo foi passando e ele foi desabrochando. Nestes dias brinda-nos a cada momento com palavras novas. Compõe frases e nós, espantados, emocionados, com as nossas palavras suprimidas, sorrimos. Outras vezes rimos da forma como o disse. Rimos para nós, entre nós, porque as palavras dele são uma vitória.

No serão passado pediu-me para ir buscar a bola do Ghandi para jogar com ele:

- Mãe, bola, ghandi!

 

Correu com o cão pela casa toda. Gritava:

- Anda Ghandi! Anda mãe!

- Ghandi panha!

- Ghandi anda cá!

- Ghandi dá cá bola!

- Ghandi onde tás?

 

Eu andava atrás deste corrupio. Feliz. Porque a felicidade se compõe de momentos.

Cada palavra mais doce que o açúcar e eu, eu queria gravar cada segundo na minha mente, como se fosse um filme de fita que guardamos no sótão. Daqueles que nos imaginamos em velhos a ir buscar à arrecadação.

Mas nem peguei no telemóvel. Corri atrás dele. Absorvi o momento. Lembrei-me que quando ponho o ecrã no meio há qualquer coisa que se perde. Há um encanto que se definha na necessidade de viver no futuro aquilo que não saboreamos agora e depois, depois nada sabe à doçura de cada palavra proferida com a voz encantada de uma criança de dois anos.

Gosto de brincar com as palavras. Lembro-me de ir ao dicionário e encontrar sinónimos para as palavras que conheço. É tão bom brincar com as palavras. Penso na alegria que me dá quando encontro uma palavra que nunca tinha ouvido e percebo: como deve ser encantado o mundo das palavras para uma criança de 2 anos, a cada conjugação de silabas um brinquedo novo.

 

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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