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Em busca da felicidade

Coisas boas de viver numa especie de bairro

(imagem retirada da net)

 

Gosto do sitio onde vivo. Gosto da minha casa. Gosto da disposição do meu apartamento. Mas não gosto que esteja num terceiro andar. Ou melhor, não me importo que esteja num terceiro andar. O que é lixado é não haver elevador. Mas nem é sempre lixado, que eu detesto elevadores e por mim subia sempre as escadas. Mas a falta de elevador fez-me gastar dinheiro em 2 carrinhos para o puto. Faz-me pensar que vou cuspir o coração sempre que vamos às compras (ou isso ou tenho de ir fazer treino militar para ganhar resistência). E quando, ao final do dia chegamos cansados, com a cria ao colo e uma catrefada de sacos - marmita, sacos do ginásio, a minha mala, a pasta do homem, mais um saco com não sei o quê - chegamos cá acima a parecer Cristos.

Gostava de poder pegar na área onde vivo, assim com a minha casa lá dentro, e mudar para mais perto do trabalho. A ver se demorava menos horas para lá e para cá. A ver se gastava a hora de final do dia no ginásio e não a mamar a fila da 25 de Abril. Poder levantar-me uma hora mais tarde e chegar a tempo ao trabalho.

O único defeito da minha casa é esse. Fica a mais de 30 km do trabalho e ainda por cima tem a porra de uma ponte pelo meio. Logo a mais concorrida!

Mas há coisas muito boas de viver numa espécie de bairro. Mais ou menos sabemos quem são os vizinhos. A quem pertence cada carro. A senhora da pastelaria sabe quem somos e quando deixamos a carteira em casa não nos olha como ladrões e ao invés disso diz "deixe lá, passa mais logo, sei que não foge".

No meu prédio não há rés-do-chão. Ou melhor, há, mas é para comercio. Quando para aqui vim não havia nenhuma loja ocupada, tinha havido uma churrasqueira que correu mal e depois mais nada. Recentemente fizeram obras e acabou por abrir uma espécie de daycare para crianças. É que a maior parte da malta que mora aqui trabalha longe e há sempre procura por espaços onde deixar os rebentos.

No piso 0 do prédio do lado sempre houve uma padaria. O que é fantástico porque fazendo chuva ou fazendo sol, sempre tive onde comprar pão quentinho logo de manhã. É sair da porta do prédio e entrar na padaria.

Pertencia a uma senhora (que nunca percebi muito bem se era só nervosa, se tinha uns parafusos a menos) e agora foi comprada por uma empresa.

É que as coisas andavam a correr menos bem e o pão já não estava em condições. Com muito boa vontade que a senhora tivesse, tinha também algumas dificuldades de saúde e as questões financeiras apertaram.

Só sei que de um dia para o outro o espaço estava fechado. Sem mais.

De um dia para o outro também vimos uma empresa a pegar no espaço. A fazer obras. A melhorar. Abriu uma padaria supimpa. Pão do caco de todos os jeitos e feitios. Até de tinta de choco. O com chouriço é uma delicia. Pastelaria fresquinha todos os dias e pessoas simpáticas a atender.

A senhora que está à tarde é um doce. O sotôr já a conhece e todos os dias quando chega a casa, aponta para a padaria e tem de ir dizer adeus à amiga dele. Quando lá vamos ao pão, ri-se para a senhora todo meloso.

No outro sábado perguntei-lhe "queres ir com a mãe ao pão?". Esticou-me logo os braços.

Fez o seu charme para a senhora. O padeiro / pasteleiro - que também é um doce de pessoa por sinal - foi buscar uma bolachinha com recheio de framboesa para lhe dar. Não aceitou do senhor, aceitei eu e dei-lhe. (penso que o meu filho não precisa que lhe ensine a não aceitar coisas de estranhos, nasceu tão desconfiado quanto eu). Agarrou-se à bolacha e sorriu. Se não me ponho a pau até o papel marchava.

Estas coisas só acontecem nestes pequenos espaços.

Não gosto de conversas de vizinhas. Não gosto de falar da minha vida privada nem do que faço. Isso é dentro de paredes. Falo com qualquer pessoa de qualquer coisa que falaria, por exemplo aqui. Sou muito metida na minha vida. Mas gosto desta coisa de saber que se precisar de pedir uma chicara de açúcar alguém me vai dar sem achar que sou uma extra terrestre.

É que eu sou do tempo em que quando se dava conta de que não havia alguma coisa em casa, como açúcar ou um ovo, se ia à vizinha do lado e pedia "vizinha, tem aí um pedacinho de açúcar que me arranje". E quando eram os outros a precisar cá estávamos.

(é certo que para nós era mais fácil porque uma das vizinhas era a minha tia - e ainda é vizinha do meu pai, que seja muitos anos, minha querida Lurdes que por mim vivias para sempre - mas era igual com a restant vizinhança, quantas vezes pediu eu farinha à Dona Céu).

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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