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Em busca da felicidade

Coisas que só me acontecem a mim ou o dia em que me mostraram as cerejas

Sou uma pessoa a quem acontecem coisas estranhas. Não sei bem porquê mas em determinados momentos da minha vida pareço transparecer uma afabilidade que de facto não tenho e então pessoas diversas decidem moer-me a cabeça para lá do razoável. Quando não envidam mesmo esforços para danificar o meu ser por via do trauma efetivo.

Tinha entrado para a Universidade há pouco mais de um mês. Ainda se estavam a formar os grupos de amigos. Tinha passado a semana das praxes, uns andavam atrás das madrinhas e dos padrinhos e outros, como eu que me borrifei para isso, andavam por ali a fazer o que se tinham inscrito para fazer: tirar um curso e até tentar aprender alguma coisa.

Enquanto esperava por uma ou outra aula lá ia até ao café beber a bica e comer o meu bolito ou a minha sandes. Normalmente aparecia mais alguém e ali ficávamos, na amena cavaqueira até ir para a sala.

Num dos dias conversava com uma das colegas – cujo nome já não me lembro – sobre onde tinha feito a tatuagem dela. Tinha uma tatuagem enorme, com um dragão colorido. Espetacular. Tinha feito a tatuagem num tatuador bastante conhecido do Bairro Alto, tinha custado uma nota preta e gostava de usar umas blusas mais subidas para deixar aparecer.

Conversa para trás, conversa para a frente, acaba por me dizer que como tinha sobrado tinta daquela tatuagem o tatuador se tinha oferecido para fazer mais uma tatuagem pequena se ela quisesse. Até porque a tinta ia para o lixo. Aceitou.

-Mas essa não te posso mostrar agora.

E eu…(preocupada que fiquei de não ver a tatuagem)...

- OK

Também não tinha pedido para ver. We’re cool!

 

Passado um bocado levanto-me para ir à casa de banho.

- Vou contigo.

Esta coisa das mulheres irem à casa de banho aos pares. Detesto isso. Quando vou ao WC gosto de ir por conta própria. A não ser que seja na discoteca em que todos os gatos são parvos (sim, parvos, de propósito).

- Tá bem.

Encolhi os ombros.

Entramos para a casa de banho, cada uma na sua cabine. Despacho-me primeiro e vou lavar as mãos. De repente ouço…

- Cátia, anda cá…

E eu a pensar que a moça se estava a sentir mal, de porta entreaberta e calças desapertadas.

- Diz. Tá tudo bem?

- Olha a minha tatuagem.

Só posso ter feito cara de horror, seguida da cara de quem não sabe o que dizer.

- Tá muita gira!

É que a moça tinha arregaçado as calças e as cuecas. Tinha uma cereja desenhada no pipi. Quer dizer, duas. Um cachinho, vá. Cada cereja a pender para seu lado. E eu, bem eu.. nem sabia o que dizer.

 

Fiquei com trauma. Já ficava mal disposta antes, quando comia cerejas. Desde esse dia só piorou.

 

Não tem nada que ver com a tatuagem. Tem que ver com o facto de, sem ser nem querer ser ginecologista, me vi obrigada a ver o pipi de outra pessoa que mal conhecia. Assim, sem como nem porquê, na casa de banho da faculdade.

Tenham dó de mim!

 

Por isso, sempre que alguém me pergunta, queres ver a minha tatuagem, eu, por precaução digo sempre…

 

- Deixa lá estar isso!

 

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