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Em busca da felicidade

Colinho de praia

Lembro-me das manhãs de praia passadas com os meus pais. A sacola de palha da minha mãe onde iam as sandes de fiambre e as garrafas de água. No topo as toalhas bem dobradas num retângulo que ocupava toda a boca da sacola e se dependuravam de cada lado. Tão bem dobradas para depois se amarfanharem quando segurava numa alça de cada lado.

Íamos à praia pela manhã. Acordávamos cedo e, ainda antes das nove, já estávamos a arranjar lugar para estender o turco colorido na areia. Esperávamos pelo pai pôr o chapéu de sol, era o trabalho do homem da casa.

- Mãe, posso ir à água? Posso? Posso? Quando é que posso?

Nunca soube estar quieta na toalha. 

Hoje revejo-me no meu filho. É como se revisitasse as minhas memórias, como se me fosse dada a possibilidade de me ver a mim crescer. Tais são as semelhanças...

No Domingo fomos à praia. A maré estava baixa e, entre corridas e desafios, consegui convence-lo a dar saltos nas poças enormes que se faziam à beira mar. Para mim poças, para ele pequenas piscinas com água pelo umbigo.

Orgulho-me de manter viva a criança que tenho em mim. A vida já me bateu bastante, já me arrastou pelos cantos, já me fez quanto baste para fazer de mim uma adulta séria. Mas a criança que sou é mais resistente que a mulher adulta. É, aquilo que hoje se chama de resiliente. Ou talvez seja apenas uma miúda feita de matéria de outro tempo, em que os fracos não tinham lugar e até os moles se endureciam.

Saltei nas poças como se fosse mais pequena que ele. 

- Anda filho, salta! Assim! Vê a mãe!

E ele foi atrás. Saltou. Pulou. Perdeu-se nas gargalhadas mais doces. Aquelas que nem as melodias de Mozart conseguem bater.

No fim não queria ir para casa. Queria correr, saltar nas poças, pular. Mas aceitou. Ia para casa e, quando chegasse, ganhava uma goma.

(com sorte até chegar a casa esquecia-se).

Tirei-lhe uma boa parte da areia numa das poças mais pequenas. Depois peguei-lhe e ele disse-me:

- Ahhh colinho. Enconsta mãe.

Diz-me sempre que melhor que o colo é ir encostadinho ao ombro da mãe. E continuou:

- Ahhh, este colinho de paia!

E eu percebi-o tão bem. O colinho de praia. O abraço depois do cansaço das brincadeiras boas, com a pele a saber a mar; aquele momento em que nos enroscamos na toalha com os olhos pesados e a cabeça limpa, como se nada mais no mundo nos pudesse preocupar.

Adoro estes fins de tarde lentos, onde nos perdemos em abraços e mimos, porque ainda não há vergonha do colinho da mãe.

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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