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Em busca da felicidade

Concorri mas não ganhei #1

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  (O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

Entrego a carta e recebo a surpresa. O espanto de quem nunca imaginou que um dia dissesse já chega.

Mas queremos saber o porquê. É um funcionário exemplar.

Eu explico. Claro que explico. É simples.

Simples demais. Porque não estou vivo. Porque o meu coração bate. O ar entra e sai dos meus pulmões. Mas eu não estou vivo. Os dias passam por mim e eu esgueiro-me por entre eles. Nem dão conta de mim. Sou a cópia da minha sombra. Não nos encontro a diferença.

Dizem que estou vivo mas não me sinto a viver. Arrasto-me por entre as horas. Aceno com a cabeça a cada pedido. Não me lembro do que é o prazer, tão longe vai a ultima vez que o senti.

As contas não param de crescer.

A mulher insiste aos meus ouvidos. Os miudos precisam, querem, gostam, exigem. O dinheiro tem de aparecer.

Será que não precisam de um pai vivo? E eu não estou. Se calhar já não querem saber. Sabem-me vivo quando estendo a nota que pediram de manhã antes de sairem do carro.

Gostava de um beijo. Um abraço.

Amo-vos muito. Murmuro atrás da porta fechada.

Lamechices de velho.

Não me lembro da ultima vez que estive vivo. Quero sentir. Quero ouvir o batimento do meu coração descontrolado.

- E se te dissesse que comecei a viver agora? Acreditavas?

Foi a primeira frase que disse à minha mulher. Conquistei-a. Quero entrar em casa e sentir que a faço viver também. É a sombra de uma sombra. Ambos somos.

Chego a casa antes da hora esperada. Encontro-a na sala.

E se eu te disser que podemos começar a viver agora? Acreditas?

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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