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Em busca da felicidade

Concorri mas não ganhei #4

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

Almada, 23 de Agosto de 2010

(como disseste “uma carta leva sempre data”, aqui vai ela. Nos e-mails não usamos isto, tens de abrir conta avô)

Tenho que te dizer, bela jogada. Estava mesmo a ver que me levavas o rei, mas não.

Como estás, avô?

“E tu rapaz?” Não é? Quase te ouço e tenho vontade de rir.

Estou bem. Tenho saudades tuas. Tenho saudades da aldeia. Das tardes passadas no alpendre, entre jogadas de xadrez, histórias do Ultramar e uns pedacinhos de pão com chouriço. Sempre um canto do pão. Sempre um pedaço de chouriço em cima. E a tua navalha que trouxeste da Guiné.

O pão aqui não sabe ao mesmo. Compro montes de pães com chouriço na cantina da escola, mas nenhum sabe da mesma maneira.

A mãe inscreveu-me num monte de atividades bué muito cansativas. Agora ando no Karaté, duas vezes por semana ao fim da tarde, na natação, noutros dois dias e ao fim de semana vou ao futebol.

Há montes de tempo que não vejo as minhas series na TV. Tenho saudades dessas tardes sem fazer nada depois da escola. Das tardes que passava em tua casa.

Aqui não vamos para a rua brincar. Fico sempre fechado em casa. Por isso é que ando em tantas atividades.

Tenho saudades da tua casa avô. Do cheiro a lenha acabada de cortar no Inverno. De te ajudar a carrega-la enquanto discutimos a minha ultima jogada.

Tens de falar com a mãe para ela me deixar ficar contigo nas férias. Está bem?

Porque é que não vens passar uns tempos connosco? Temos um quarto a mais.

Pensa nisso. E depois diz-me se queres começar um jogo novo.

Este acabou.

Adoro-te avô e tenho saudades tuas.

p.s.: rainha para bispo, C5 para F8. Xeque-mate

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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