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Em busca da felicidade

Concorri mas não ganhei #8

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

- Dizem que se chama Ernesto.

- Dizem?

Do outro lado desta porta branca e fria. Do outro lado deste pequeno quadrado de vidro a que chamam janela. A que usamos para espreitar os pacientes. Do outro lado continua a rir. Como quem vê a vida a acontecer naquele pedaço de parede sem cor.

- Dizem porque ninguém sabe ao certo quem é. De onde veio. Se tem familia. Apareceu aqui à porta um dia. Sem documentos. Sem telémovel. Nada.

- E o Dr. Sanches o que achou dele. Vejo na ficha que não chegou a conclusão nenhuma. Neurótico. Pouco mais que isso.

Acena para a parede. Está feliz.

- Tem momentos normais. Circula por aí. Sei que o Sanches já tentou que ele falasse...mas nada.

- Vou entrar.

- Espera! Normalmente os episódios mais complicados são assim. Passa quase uma hora a rir para a parede, a falar, depois acena e entra em estado de delirio total.

- Parece-me inofensivo.

A fração de segundos em que retirei os meus olhos deste homem para fitar o Dr. Fonseca foram suficientes para encontrar um cenário completamente diferente.

Os olhos espelham desespero. Grita. “Não”. “Não”. Mais alto. Corre para a parede. Para. Dobra-se sobre si mesmo em dor. Rosto contraído.

Desmaia.

 

Sento-me ao lado da cama onde agora está deitado com as mãos e os pés amarrados.

Procedimento.

Acorda.

- Prefere a parede à janela por algum motivo em particular?

Fita-me e não responde. Aguardo. Fita de novo o teto.

- A minha janela está aqui.

Aponta com o indicador para a parede.

- Como assim?

- No quadrado de vidro já não a vejo brincar. Nesta tela lembro-me do dia em que a ensinei a andar de bicicleta pela primeira vez. Em que lhe disse adeus. Em que a vida acabou.

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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