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Em busca da felicidade

Concorri mas não ganhei #9

(O texto que se segue é original, da minha autoria e totalmente ficcionado, escrito para um campeonato de escrita criativa em que participei)

 

“Toda a infelicidade dos homens provém da esperança”, Albert Camus.

Tinha razão, esta bandido.

Palmilho o curto corredor que separa o meu quarto da sala, no bolso a cigarreira que comprei à procura de esconder as imagens hediondas de mulheres grávidas com cigarros na mão. Tipos a definhar com os pulmões cinzentos. Imagens para quê? Há anos que definho e não é pelos cigarros que mais me decomponho.

Esperei uma vida inteira por uma vida diferente da que tinha a cada momento. “A esperança é a última a morrer”, dirinha a minha mãe que Deus tem. Venhinha e debruçada sobre o tanque da roupa. Quis comprar-lhe uma máquina, das boas naquele tempo, mas não quis. “Mulher que é mulher asseada esfrega os seus trapos com as mãos, só Deus sabe o que metem lá nessas máquinhas”. Esperou pela cura coitada. Atraiçoada pela esperança.

Casei porque disse que casava. Queria ter virado costas no dia mas não pude. Já tinha dito que casava. Tive esperança que a amasse. Não amei.

Não havia dinheiro para pagar para algum outro desgraçado ir no meu lugar. Passar pelos matos e pelos pântanos podres. Sobrou a esperança de uma doença desconhecida. Que me levasse a vida lentamente e não às mãos de um preto.

Atraiçoou-me a maldita. A esperança e Deus, que me meteram naquele barco a caminho de uma guerra que não era minha.

A mulher morreu cedo.

Seria agora que ela ficava comigo?

A esperança? Não. Essa porca. A que amei anos em silêncio.

A esperança era de que me quisesse.

Não quis.

A puta da esperança que alimentei.

Nunca aceitei nenhum dia como aparecia. Esperei sempre pelo que não tinha.

Sento-me com o talão na mão. É hoje que me sai a sorte grande. Há anos que tenho esperança nisso.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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