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Em busca da felicidade

Considerações diversas sobre este belo feriado

Ia começar este post a dizer que «o único dia em que a morte é útil é no dia de finados: porque dá um feriado aos vivos.»; mas depois achei por bem certificar-me de que o dia de hoje dizia, de facto, respeito aos vivos e acabei por descobrir que não é bem assim.

Ignorâncias de pessoas trabalhadoras por conta de outrem que só têm olhos para a religião quando a mesma representa descanso laboral remunerado.

Pois então que hoje, dia 1 de Novembro, se goza de um feriado por ser dia de todos os Santos. Poderia ter aprofundado o meu conhecimento, mas se fosse enveredar por esse caminho teria desperdiçado as 2 horinhas de sesta de meu pequeno e que me granjearam um tão merecido momento de vegetação em frente ao ecrã de televisão, sem que seja para ver o Ruca. 

No entanto, no link onde encontrei esta informação, dizia também que amanhã, dia 2 de novembro, é então o dia de finados, contudo, existe alguma confusão e a igreja até já se habituou à ideia de que as pessoas usam este feriado para lembrar as pessoas que perderam, sendo o dia 1 quase o efetivo dia de finados.

Ora, antes de continuar, importa desde já salientar a principal conclusão desta minha dissertação: afinal de contas a morte não serve mesmo para nada. Ponto.

Não vou ao cemitério no dia de finados, a bem da verdade nem me lembro da ultima vez que lá fui. Não gosto e bem sei que, em principio, tendo todos os parafusos no sitio certo, ninguém gostará. Mas a mim causa-me desconforto. Não é que ache que algum se vá levantar e transformar-se num walkind dead. É só que eu não acredito naquela coisa da vida após a morte e faz-me confusão que exista um sitio onde a pessoa jaz depois de deixar de existir.

À partida todos vimos do nada. E em meu entender é para o nada que voltamos quando tudo isto acaba. Por isso estranho aqueles espaços forrados a mármore, uns repletos de flores, outros já deixados por si. Não há abandono, porque só há abandono quando há vida. O que há é uma saudade que ainda não se adaptou à ausência, e essa, por si, obriga à visita, gera a importância de caminhar para aquele lugar, crendo que ali, pode gozar só mais uns minutos daqueles que a mente bem sabe já não existir.

O corpo não se habitua à ausência, mas adapta-se.

Os que se esfumam de volta ao nada permanecem vivos na mente de quem os recorda. Primeiro visitas constantes, aquelas que fazem falta física, como quando entramos numa sala e sentimos que a pessoa vai ainda falar para nós. Aos poucos as rotinas mudam, ajustam-se e gradualmente a ausência enraíza-se em nós. Já não se espera a voz. Lembramo-nos uns dias sim, outros não. Mas com frequência. O tempo segue e damos connosco a lembrar-nos de repente, por um habito de que fazia parte, uma frase que dizia, então culpamo-nos porque não nos lembramos todos os dias. É que quando nos lembramos damos vida de novo.

A minha avó paterna costumava detestar o dia de finados. Perdeu o filho mais novo e depois disso visitava-lhe a campa todos os fins de semana, como a mãe que vai visitar o filho a casa. Só que desta vez era numa morada que não lhe desejava.

O meu pai acompanhava-a sempre. Acostumou-se. E assim fez durante décadas. Primeiro com o irmão, depois com o pai, a seguir com a mãe e por fim com a mulher.

Para a minha avó os mortos não se esqueciam todo o ano para lembrar num só dia. Chamava aquela gente de hipócrita. «Só vêm para fazer figura», para ela deviam ir todas as semanas. Não era preciso um dia.

E eu entendia-a. Ainda hoje entendo. Quando a natureza inverte a ordem das coisas é normal que criemos a nossa própria forma de viver.

 

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