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Em busca da felicidade

Credo! Qu’horror! Ele disse que dava um flato!

Faço notar que propositadamente coloquei flato e não peido no titulo deste post de maneira a não ferir as profundas suscetibilidades das pessoas mais sensíveis e para quem, a menção de gases corporais de forma mais coloquial, pode ferir audição e visão.

Ontem, na sequencia da sua atuação no Concerto organizado para apoiar as vitimas da tragédia de Pedrogão Grande, concerto que aviso desde já não ter visto apesar de ter passado em todos os canais nacionais e ainda em mais de 80 rádios (creio que seriam mais de 80), uma vez que tenho em casa uma criatura com menos de um metro que insiste não ter nada que ver com incêndios e tragédias e que na TV deve passar a Macha e o Urso ininterruptamente.

Hoje, deparo-me então com esta situação insólita, em que o Salvado Sobral, um miúdo que decidiu ir ao Festival da Canção com uma musica em condições em vez de levar sons que agridem os tímpanos e buedesde mensagens políticas, ambientais e outras. Um miúdo que por acaso ganhou o Festival, sendo o primeiro vencedor nacional desde que aquela coisa foi inventada. Um miúdo também, que desde tenra idade tenta fazer valer a sua musica sem sucesso e que acabou a ir cantar num hotel em Espanha para turistas (esta parte segundo reza a história que eu não li nenhuma biografia desta alma). Um miúdo com um álbum editado que foi comprado por pouco mais que a família e amigos e que, depois de ter limpo o festival, passou a estar no TOP de vendas nacionais.

Nunca percebi estes critérios Tugas de avaliar as pessoas, mas acho que já Eça de Queiroz retratava esta nossa necessidade de aceitação externa para darmos valor ao que temos cá dentro.

No Festival criaram-se barricadas, uns adoravam o miúdo, outros gozavam com as suas idiossincrasias e outros ainda receavam que baqueasse antes do concerto. Para os dois últimos algo muito razoável e de bom parecer social, considerando que faziam pouco da forma de estar de um outro ser humano e ainda achavam graça ao insólito que é o miúdo ter um problema grave de saúde.

Porque venceu passou a herói nacional, não nos iludamos, apenas porque venceu, calha a perder e as carpideiras de serviço choravam-lhe a morte artística e prognosticavam a física. Afinal de contas toda a gente estava a ver que com a sua figura e uma musica simplória não chegavam a parte alguma.

O miúdo passou a ser desejado em tudo quanto é parte. Toda a gente o quer ouvir…a cantar a musica que a irmã compôs.

Ora, estamos a falar de alguém que quer ser reconhecido pelo seu trabalho, avaliado pelo seu valor e não necessariamente ser visto como um macaquinho de circo que faz um truque e toda a gente gosta.

Ontem, pelos vinte e poucos segundos que pude ver, estava a fazer umas macacas musicais e as pessoas aplaudiam, aplaudiam, sem sequer perceber o intuito musical do que estava a ser feito. Resultou então na frase do peido.

Sejamos francos, eu, no lugar do Salvador, depois de ter sido rejeitado em permanente com o meu trabalho, passado de besta a bestial por causa de uma musica e agora tudo o que eu faço é bom porque socialmente é de mau gosto não gostar do herói nacional, também era pessoa para me sair com uma destas. Ou pior.

O que as pessoas não entendem é que estamos a falar de alguém que compreende o conceito de finitude melhor que nós. Que mais não seja porque pode estar mais perto de si do que de qualquer das pessoas que assistiu ao concerto, do que qualquer das pessoas que escreveu sobre a sua observação. Isso torna-o mais próximo do conceito de vitima, como aquelas que estavam a ser lembradas.

Querem insurgir-se? Insurjam-se com o facto de não ter havido comunicações por mais de 14 horas (dizem), por mais de 10 pessoas terem pedido apoio e não o terem recebido, por serem pedidos relatórios e mais relatórios a empurrar culpas com a barriga em vez de se encontrar responsáveis e soluções. Agora deixem lá em paz o peido do miúdo.

Numa situação destas a ultima coisa que faz falta são os policias do politicamente correto. A permanente ideia de que à mulher se César não baste sê-lo, tem de parece-lo. São os mesmos que ficam incrédulos que alguém se ria num funeral, em sítios sérios só fazem falta os trombudos e as carpideiras. Os que se estão a cagar e as fingidas. Eu já me ri em funerais, a lembrar momentos vividos com aquele ou aquela que partiu. No momento de uma gargalhada encolho-me com os olhares de quem diz “aqui não é para rir menina!”. Mas é, é para rir, porque é a rir que nos lembramos e homenageamos os que mais amamos.

Mas lá está, então e como é que os outros vêm a nossa dor!?

Desta situação a lamentar existem as vitimas, apenas.

De insólito, perdoem-me a franqueza, só se poderia contar se o Jorge palma cantasse o “Dá-me lume!”

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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