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Em busca da felicidade

Depois admiramo-nos que cresçam frustrados

 

Larga isso! Larga isso! LARGA ISSO! Nem sequer sabes ler! Larga isso, Matilde!

Segue-se um puxão de braço e mais alguns comandos severos iguais a estes.

 

Este foi o cenário com que me deparei hoje ao fim do dia quando fui ao continente para comprar algumas coisas que faltavam para o jantar.

Pergunto-me se será forma? Melhor ou pior. Se não há alternativa?

Os comandos severos de quem estava pouco disponíveis eram dirigidos a uma criança com não mais que 2 anos e meio. De chucha na boca estava entretida a ver os livros mais coloridos que tinha encontrado. Compreendo que a mãe podia ter outras coisas para tratar, ainda que não a tenha visto preocupada com a compra de nenhum bem nem a carregar uma cesta de compras. A própria parecia andar mais a passeio que qualquer outra coisa. De qualquer forma, creio que é de fácil compreensão que, se a mãe não estava para aí virada no que toca a estar a explicar à criança que não podia levar o que queria das prateleiras, também não será certamente para uma criança de 2 anos e meio um passeio de sonho o ir às compras ao supermercado.

Claro que, para além disso, somos nós, os pais, que temos de ter paciência para eles. Para as traquinices, para explicar o que está bem e o que está mal, para ralhar se necessário. Para fazer o melhor que sabemos, de preferência com amor e carinho. Porque quem não é amado dificilmente aprenderá a amar.

Questiono-me se não haveria outra forma. Aceito que estivesse a ter um mau dia, uma má semana ou até um mau ano. Mas não haveria outra forma?

Somos pais, mas continuamos a ser pessoas. Podem dizer-me que para mim é fácil falar, que ainda não sei bem o que são birras, que daqui para a frente é que vou ver das boas. E até aceito que me venha a arrepender do que digo. Mas faz-me confusão ver uma mãe a tratar um filho com tamanho distanciamento. Com tamanha falta de carinho. Com falta de tudo. Gritar a uma criança com 2 anos e meio, nem sabes ler, como se compreendesse completamente esse raciocínio. Só sabia que o livro era giro.

Não, não sou a mãe prefeita, nem quero ser. As mães prefeitas são uma seca, para elas e para os filhos e são, invariavelmente umas stressadas do caraças. Mas gosto de acreditar que, apesar da bruta que sou na maior parte dos cenários da minha vida, para este ser que eu escolhi que viesse ao mundo, tenho a paciência necessária. Claro que ralho, claro que às vezes respiro fundo quase como se estivesse em trabalho de parto. Claro que às vezes não me apetece ao fim dos dias cansativos que tenho, andar a correr atrás dele pela casa.

Mas ele não tem culpa, nem idade para entender.

Por isso digo, depois admiramo-nos que cresçam para ser pessoas frustradas, sempre agarrados ao telemóvel, pouco apreço têm pelos pais. Mas que apreço, aquele que não lhes foi demonstrado. Que carinho, aquele que não tiveram.

Gosto de acreditar que os nossos filhos são um espelho, pelo menos em boa parte, daquilo que lhes damos. Não de bens materiais, mas da educação, do amor, do carinho, das regras e da disciplina (bem necessária também). 

De momentos como este, em que me levanto a meio deste post para lhe ir dar um beijinho de boa noite. Em que, entre tarefas, viagens para o trabalho, trabalho, jantares, almoços, marmitas, loiça e passeios de cães, não passamos sequer hora e meia juntos. Nestes dias em que me sinto amargurada por estar pouco presente. Em que lhe dou um beijo de boa noite mesmo antes de adormecer para que nunca, nunca se esqueça o quão amado é. 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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