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Em busca da felicidade

E aconteceu uma coisa chamada vida

A minha vida tem sido tudo menos um mar de rosas. Altos e baixos. Dias melhores e piores. Semanas melhores e piores. Anos malvados e anos de graça.

Insisto em rir. E hoje insisto em não me esconder.

A vida às vezes parece perfeita, imaculada, vibrante, olhamos em torno e sentimos que tudo está exactamente como queríamos que estivesse, até o que não nos parecia ideal de inicio parece agora bem encaixado. O pináculo desta coisa chamada felicidade.

Depois acontece uma coisa chamada vida. Um dia corre pior. Às vezes uma sucessão deles. Um pneu que se fura. Uma discussão em que se diz o que não se queria dizer. Uma maleita qualquer. Um problema no trabalho. E não percebemos porque raio conseguimos escalar até essa montanha tão alta onde está o cálice da felicidade e depois, sem que tenhamos feito nada para a fazer estremecer a tipa começa a querer escorregar-nos por entre os dedos.

A felicidade pode ser como uma droga. Como extasy. Deixa-nos loucos, drogados. Vemos tudo de forma perfeita. A casa que não gostávamos passa a ser aquela que se encaixa perfeitamente na nossa vida. Amamos e somos amados.

Mas a felicidade também tem ressaca, porque nem sempre é possível manter a vida numa nuvem alta, afastada de todas as chatices. 

Se nos tivéssemos resguardado mais. Se não tivéssemos embandeirado em arco.

Se nos tivéssemos resguardado mais não tínhamos partilhado com quem queremos a nossa felicidade, não os teríamos contagiado, porventura num momento difícil da vida, quem sabe a servir como alento. Se não tivéssemos embandeirado em arco, mas quem falou em embandeirar em arco? A felicidade serve para ser vivida de forma aberta, sem pensar no que os outros pensam, no que acham, se nos querem bem ou mal. Vão sempre aparecer os idiotas que invejam o bem estar dos outros. Mas essa gente não conta. Não pode contar.

Não acredito que a felicidade seja uma opção. Não porque às vezes a puta da vida é puta demais para conseguirmos sorrir. Mas acredito com todas as forças do meu ser que temos todos os dias a oportunidade de fazer aquele dia melhor. De nos esforçarmos para ser felizes. De buscar essa felicidade.

É por isso que para mim o nome deste blog faz sentido. Nem sempre sou feliz. Há dias, semanas, em que a única coisa que me apetece é enfiar-me dentro da cama, ter os cornos tapados com o edredom e esperar que a vida passe, como um barco que passa a velocidade de cruzeiro em alto mar.

Quando a minha mãe faleceu fiquei uma semana em casa. Tinha 12 anos e não decidia nada. O meu pai achou que devia ter tempo para fazer o luto. Como se alguma vez fosse possível fazer o luto do amor da nossa vida. Não é.

Fiquei essa semana em casa e regressei às aulas. A caminho da escola vínhamos sempre à conversa. Continuei a ser eu, a palhaça de serviço que diz baboseiras de manhã à noite. De gargalhada fácil. A tentar entreter e ser entretida.

Um dia uma amiga disse-me: "fico feliz que estejas a conseguir ultrapassar a morte da tua mãe."

Quem falou em ultrapassar? O que ela via era uma miúda bem disposta que não falava da morte da mãe da mesma forma que nos últimos 4 anos não falava da doença. O que ela não sabia era que essa mesma miuda chorava todos os dias antes de dormir. E que se adormeceu assim quase todos os dias durante anos.

Mas a vida é assim. Cheia de bolas curvas. E eu recuso-me, recuso-me a deixar que seja a vida a decidir quando me rio. Quando dou uma gargalhada. Que sejam os outros a decidir quando a partilho. Rio quando eu quiser. Partilho com quem bem entender.

No ano passado conheci o grande amor da minha vida. Cresceu no meu ventre. Conheci-o mesmo antes de o ver. E a minha vida ganhou novo sentido. Ou ganhou sentido pela primeira vez. Num ápice escalei aquela montanha e agarrei com todas as forças o cálice da felicidade.

Vivi meses em que parecia estar num orgasmo de felicidade 24 horas por dia. Qual cansaço qual quê?!

Depois aconteceu a vida outra vez. Ou voltei à vida que tenho de ter. E a minha cabeça não se quis adaptar.

Dei-lhe duas chapadas e disse-lhe mas quem manda aqui afinal?

Mando eu.

Por isso busco a minha felicidade todos os dias. Uns dias encontro-a. Outros não. Uns dias sorrio, outros não tenho vontade e visto as minhas trombas. Nem que seja para lhe dizer quem manda aqui afinal?! Vamos lá a ver se não sou eu.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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