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Em busca da felicidade

...e agora nós...

 

Durante 18 anos a primeira coisa de que me lembrava ao acordar neste dia, era que não estavas. Não estavas, nem ias estar.

O meu dia de anos, o teu dia de anos, o nosso dia de aniversário. Sempre partilhámos o dia. Eu, tu e o pai. Parecia Natal. Não havia um aniversariante, haviam três. Não se davam parabéns, trocavam-se parabéns. 

Chegaram a dizer-me que não era bem assim, que só fazias anos amanhã, que tinhas nascido depois da meia noite. Não quero saber. A mim sempre me disseste que nasceste no dia 5. Que fazias anos no dia 5. Que partilhávamos o dia.

Gostava disso. Orgulhava-me disso. Fazia de mim alguém diferente. Fazia anos no mesmo dia que o pai e que a mãe.

Há vinte anos percebi que não era assim tão especial. Há vinte anos percebi que partilhar o dia de aniversário com quem amamos pode fazer desse um dos dias mais tristes do ano. Porque sem esse amor presente, o dia não faz sentido.

Há vinte anos aprendi que as prendas não chegam em embrulhos. Que o que vale a pena na vida o dinheiro não pode comprar. Que o mundo pode desaparecer num abrir e fechar de olhos e temos que nos esforçar para que os dias que temos sejam os melhores que conseguimos.

Há vinte anos detestei o meu dia de aniversário. Em muitos chorei mais do que ri. Noutros preferi pensar que esse dia não existia.

Hoje celebro o meu aniversário. Aconchego todas as noites a maior razão para o fazer.

Este ano não foi da tua ausência que me lembrei quando acordei. Foi a cama do meu filho que procurei. O sorriso do teu neto a procurar o meu. E soube, mais uma vez, que as prendas não vêm em embrulhos. As maiores prendas que a vida nos pode dar estão connosco todos os dias da nossa vida, de mão dada ou no nosso coração. Como te trago a ti.

Hoje lembrei-me de ti mais vezes que nos outros dias. Que não passa um em que não estejas. Lembrei-me enquanto almoçávamos, de como terias gostado de ver o teu neto a correr pelo Centro Comercial. Como me dirias que já lhe devia ter cortado o cabelo e como era melhor ter um babete grande para não emporcalhar a roupa toda. 

Lembrei-me que ia gostar de te ver, de te dar um beijo, de te dizer "Parabéns mãe!". Deixar que o teu neto te entregasse o teu presente, certamente uma flor, mais uma para o jardim que tinhas lá em casa.

Não te dei uma flor. Mas dei-te os parabéns, só não posso desejar-te que contes muitos. 

Hoje posso dizer-te que passei um dia feliz, um em que lutei menos entre as lágrimas e o sorriso porque o teu neto mos arranca com a maior das facilidades. Que levei o velhote a almoçar, que nos divertimos e, sem palavras ditas, ambos nos lembramos de ti. E nesse breve instante sentaste-te à mesa connosco. Aquela que, se cá estivesses, teria um bolo com chantilly e morangos, feito por ti ou por mim, tanto faz que também os aprendi. Três conjuntos de velas, 68, 67 e 33. 

Estejas onde estiveres, muitos parabéns, que nos tenhas visto e que tenhas passado um dia feliz connosco. Nós fizemos por isso. E sei que não quererias de outra maneira.

 

 

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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