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Em busca da felicidade

E já lá vão 3 anos de casório

casamento.jpg

 

Fomos jantar não sei bem para comemorar o quê. Não me lembro se foi porque fazíamos x anos de namoro, se era eu que fazia anos. Não importa. Tínhamos ido jantar fora para comemorar alguma coisa. Alguma coisa que carecia de um presente. Por isso acho que sim, que era o meu aniversário, porque lembro-me de ter recebido uma prenda, mas não me lembro de ter dado nada. Then again, também houve ocasiões de comemorações de datas em que não tive nada para dar…tirando a minha magnifica presença, claro!

Dizia que fomos jantar. A acompanhar a minha prenda estava um poema – meu querido marido é para mim o maior dos poetas – e esse poema perguntava se eu queria casar com ele. O meu primeiro pensamento à questão foi óbvio: com o tempo que já vivemos juntos, mais vale! Brincadeira! O meu pensamento foi: a sério, para quê, não fica tudo igual? Brincadeira, outra vez! O meu pensamento foi: este tipo gosta mesmo de mim, porque depois de falecer quer que eu fique com a reforma dele! Porque é verdade.

Claro que respondi que sim e fiquei sem jeito porque sou uma pessoa que fica sem jeito nestas coisas românticas, porque afinal de contas sou uma pessoa que não tem jeito nenhum para nada.

Quando alguém nos pede em casamento é porque existe um de dois cenários: a) a pessoa quer começar a viver connosco, partilhar a cama e a vida (em resumo não faz ideia daquilo em que se está a meter); ou b) já vive connosco, percebeu que somos mesmo a pessoa com quem quer ficar e decide dar-nos um conjunto de direitos legais, nomeadamente ficar com a sua reforma um dia que morra.

Claro que este pedido não é ingénuo. No fundo a pessoa tem sempre alguma esperança de que sejamos nós a morrer primeiro e assim pode ficar com a maquia mensal.

 

No dia ficou apenas no ar o pedido e a informação clara de que: “fazemos como preferires, um casamento grande, pequeno, na igreja, tu é que sabes!”

 

No dia seguinte bateu a realidade: eu detesto casamentos.

Aliás, eu detesto casamentos, funerais e batizados. E detesto os três pelo mesmo motivo: o amontoado de gente. Tenho uma falta de capacidade natural (mais uma) para lidar com muita gente em simultâneo e, quer queiramos quer não, nestes três tipos de acontecimentos há sempre demasiada gente. Ou melhor, na maior parte dos casos (já vão perceber).

E sim, na hipótese 2 (funerais para os mais desatentos) junta-se o facto de haver um morto ao barulho. Nunca compreendi aquela coisa de se juntar gente que já não via o desgraçado há mais de 10 anos para dizer o quanto gostava da pessoa. Nem lhe ligavam no Natal, porra!

Estou a divagar, perdi-me como é hábito. Vamos voltar ao que interessa.

O casamento.

Fazer uma festa na igreja estava fora de questão. Nenhum de nós é crente e parecia excessivamente hipócrita casar pela igreja, portanto estaríamos sempre a falar de uma festa no civil.

Se fazíamos no civil queríamos levar o senhor do notário para o sitio da boda (a quem teríamos de pagar mais dinheiro) para nos fazer assinar num livro à frente de uma serie de pessoas?

Não. Também não.

Então íamos ao registo e depois arrancava toda a gente nos carros para uma quinta qualquer? Como acontecia em 1980 porque ainda não tinha ocorrido às pessoas levar o notário à quinta?

Não. Também não. Então como fazer?

É verdade que ambos somos forretas e que nos custava a ideia de investir todas as nossas economias no casamento (o que nos estava a tirar anos de vida), mas também era certo que nenhum de nós tinha (ou tem há presente data) especial apreço por três coisas: festas carregadas de gente que mal vemos (incluídos tios e tias que nos apertavam as bochechas em pequenos e que passaram todos os casamentos anteriores - de outros familiares - a perguntar quando seria a nossa vez); ser o centro das atenções (e ter gente a olhar para nós e a tirar fotografias e nós a ter de sorrir porque “era o nosso dia”); casamentos no geral - sempre foi um enfado ir ao dos outros.

Lógico que esta ultima serviria sempre de motivação: causar aos outros o mesmo nível de dor que nos causaram a nós. Mas será que valia a pena?

Então um dia disse para o Nuno: “O ideal é irmos só nós, casarmos num dia de semana, não dizer nada a ninguém e só contar depois de estar feito!”

 

Pareceu-nos perfeito. A nossa cara, como dizem os brasileiros.

 

Assim fizemos. No dia 22 de Julho fomos comprar roupa nova para ir casar e no dia 23 de Julho de 2014 lá estávamos nós à porta do notário de Sesimbra. Sabiam alguns colegas de trabalho porque tivemos de comunicar para gozar da licença se casamento.

No notário estávamos nós, o senhor do notário e uma aranha. Estava também em crescimento o nosso filho que já contava com 2 meses e qualquer coisa de gestação.

 

Passámos o resto do dia e o dia seguinte num hotel com vista mar e combinamos que quando fossemos velhos, com filhos criados íamos rebentar a reforma a fazer vida de hotel em sítios com praia e bebidas coloridas com chapelinho.

Depois, e antes de ir passar uns dias a um hotel com tudo incluído no meio de Beja, passámos em casa dos pais para contar que agora não vivíamos em pecado, não senhores! Agora éramos mesmo marido e mulher. O meu pai chorou. Não sei bem porquê, afinal de contas não vivia lá em casa já há uns 4 anos. O meu sogro deu-nos os parabéns (é o mais equilibrado de todos) e a minha sogra disse: “se soubesse que tinham casado tinha feito uma tomatada pra gente.” Entenda-se que a “gente” é ela e o filho (meu marido). Eu estaria excluída porque não como tomatada e ela sabe que detesto.

 

Este domingo fizemos 3 anos de casamento. Não passámos um fim de semana romântico. Não. Nós fomos à praia do sitio onde casámos. Assim, bem pobre.

Fomos os três porque afinal de contas, naquele dia, estávamos os três. Comemos muita areia, porque estava uma ventania desgraçada na praia. Fomos jantar com vista mar a um restaurante simples. Eu com um vestido de praia e ele com calções de banho. O miúdo com nódoas e areia até aos dentes.

Fomos para o carro satisfeitos connosco mesmos. Foi um dia bem passado. Bem ao nosso jeito, assim, sem jeito para estas coisas.

 

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