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Em busca da felicidade

E se eu fosse refugiada, O que levava na mochila?

Em resultado da iniciativa "E se eu fosse refugiado/a, o que levaria na mochila?", que tem por objectivo a sensibilização de todos nós para com os refugiados que se vêm hoje numa situação extrema e que tiveram de deixar as suas vidas para trás, foi feito o desafio a Joana Vasconselos para dizer o que levaria na sua mochila. Então eis que a senhora levava: um caderno para fazer desenhos, um I-Pad porque tem lá os seus trabalhos, uns lápis XPTO (para desenhar nos tempos livres), as suas jóias portuguesas, novelos de lã e uma agulha ("para alguma eventualidade"), os óculos de sol e o seu I-Phone ("para comunicar com o mundo"). Brilhante!

Tão brilhante que me inspirei para preparar a minha mochila. E se eu fosse refugiada? O que levava?

Peguei em todas as minhas coisas mais fundamentais e coloquei-as em cima da mesa da sala, depois de horas de decisão já lá estavam: 3 pares de sapatos Louboutin de 10 cm, para alguma cerimonia importante que pudesse haver, a minha caixa de maquilhagem Dolce & Gabana, que uma pessoa pode dormir mal e ficar com olheiras, os meus blazers Tommy Hilfinger para o caso de estar algum frio, uma saca térmica com vários legumes biológicos, porque não sei se lá há e os meus intestinos dão-se mal com legumes de supermercado, mais uma ou 2 coisas insignificantes, ah, e o meu I-Phone para comunicar com a Joana que seria a única com outro, pelo menos enquanto houvesse bateria...e rede, mas já lá vamos.

Quando olhei para cima da mesa da sala e para a minha Louis Vuitton percebi que não cabia tudo lá dentro. Porra! Mas é tudo essencial! Então decidi, se calhar o melhor é levar o carro, de facto estava a chatear-me a ideia de ir de barco, aquilo abana muito e eu enjoo, enfim, podia correr mal. De noite podia haver alguma tempestade e depois como é que era, sem o Di Caprio para me pôr em cima da porta de um guarda vestidos do navio?! Nã! Levo o carro. E pensei, vou antes fazer assim, se eu fosse uma refugiada o que é que levava na bagageira? Arrumei as coisas e sim, pareceu-me melhor, sobrava espaço e como a carrinha até tem um porta bagagens razoável lá pus o microondas da Smeg, a máquina de café Nespresso "What else?!" Já me estava a imaginar a tirar um cafezinho para os outros refugiados enquanto tirávamos selfis para postar no Face. 

Acabei de encher a bagageira e tava à rasca das costas, lembrei-me, eu não posso dormir em qualquer lado... senão fico com as costas em feitas num oito. Foi aí que me ocorreu, o melhor é levar uma autocaravana. Isso é que era, podia levar tudo, fazia umas compras valentes e cozinhava as próprias refeições, dormia em condições e ainda tomava um banhinho. Depois quando chegasse lá ao campo de refugiados, e depois do Check in feito, pedia ao gerente para me arranjar um daqueles autocolantes que se põem na traseira das autocaravanas, sabem? Aqueles que dizem os países em que já estivemos de autocaravana. Era uma aventura fixe.

Depois percebi que tudo isto era estúpido, que se eu fosse uma refugiada não queria era levar um tiro nos cornos ou estar em casa quando alguém a bombardeasse, que me estaria a cagar para o que ia na mochila desde que levasse os que amo comigo. Que chegasse a um sitio onde a vida fosse mais prospera para eles, onde pudéssemos de facto ser felizes.

Por isso ficaram-me algumas duvidas sobre como a que a nossa Joaninha ia gerir a falta de bateria dos equipamentos, será que ia levar o carregador? E se levasse onde é que o ligava? Porventura a algum painel solar que estaria no navio de cruzeiro com WI FI onde iria viajar. Recostada numa espreguiçadeira em alto mar, de fato de banho, com um colar grosso de ouro ao peito enquanto tricotava um cachecol, não fosse o país de destino ser frio.

Oh, Joaninha, por favor?! Nesta tiveste mal.

A Joaninha é uma moça para lá de talentosa, com uma imaginação tremenda, faz em museus coisas com tachos, panelas e colheres de plástico que metem a um canto o que eu consigo fazer com os mesmos utensílios e olhem que tenho acesso a livros com instruções. Faz obras de arte com colheres quando eu mal seu comer a sopa sem me borrar toda e depois, numa situação destas não consegue esgalhar nada melhor. Levar lã? Para quê, para os tempos livres?! O I-Pad!? O I-Phone para "comunicar com o mundo"!? Ó Joaninha, mas a menina acha que vai ter rede no campo de refugiados?!

Não sou ninguém para dizer o que é que cada um deve levar ou não, o que cada um deve achar que é necessário, agora, quando o objectivo é sensibilizar um pais onde há pessoas que ganham menos de 600 €, e não é a brincar com talheres de plástico, quando há velhotes com reformas de 200 €, onde há miúdos a quem foi pedido para escolher o que levar na mochila e se calhar de manhã nem um pão com manteiga houve em casa, tentar sensibilizar estes a dizer que leva um I-Pad que custa mais de mil Euros, um I-Phone que custa pelo menos outros 800 Euros, é, para mim, muito triste. Que essência se quer passar. A essência do vazio. Só pode ser.

Enfim é o que temos, depois a malta estranha que os putos cresçam e se inscrevam na Casa dos Segredos!

 

P.S.: Sei que não devemos fazer pouco com a parvoíce dos outros e que depois desta triste participação toda a gente tem criticado. Sei que é piada fácil, mas não resisti.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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