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Em busca da felicidade

Entre o pseudo-intelectual e o burro...prefiro o burro

 

- O meu autor preferido é o Lobo Antunes.

- O António Lobo Antunes?

- Esse mesmo.

- Que livro mais gostaste de ler?

- Nunca li nenhum. Mas já li uma ou duas crónicas.

(este diálogo é verdadeiro e aconteceu na minha vida há mais ou menos 10 anos)

 

Se há coisa pior que a burrice é a estupidez. Porque a estupidez nada mais é que burrice mascarada. Se há coisa pior que a estupidez é a pseudo-intelectualidade, que mais não é que a estupidez com a mania que é esperta.

E infelizmente há pseudo-intelectualidade a rodos neste país.

O pseudo-intelectual é aquele que julga que porque traz um livro de Lobo Antunes debaixo do braço, o seu QI aumenta automaticamente 50 pontos, colocando-o num patamar manifestamente superior à maioria dos que o rodeiam. Mesmo que, caso o questionemos sobre o enredo ou a história que está a ler nada nos saiba explicar. A não ser papaguear uma qualquer avaliação feita por um critico deveras entendido. Um daqueles que conhece o sentimento, que lê nas entrelinhas. Que compreende o que a maioria não entende.

Eu não entendo os livros do António Lobo Antunes. Aqui está, confesso-me! Acho que é um homem brilhante. Acho que nunca ninguém descreveu melhor o problema da morte do que ele. "o mal de se morrer é que se fica morto muito tempo". Mas os livros, sou capaz de ler um de quando em vez, de qualquer modo não é, como dizem os ingleses, my cup of tea.

Já li dois, o Memórias de Elefante e a Comissão de lágrimas. E tive dificuldade em acaba-los, porque para mim ler um livro é compreender o que estou a ler, e não passar os olhos pelas palavras.

Não me acho mais burra por isso. E desafio qualquer pessoa a explicar-me qual a história contada na Comissão de Lágrimas.

Se calhar sou eu que sou inculta. Se calhar não é para entender. É para sentir.

Talvez.

O pseudo-intelectual é aquele que se ri quando alguém se engana numa palavra ou usa um vernáculo que não aprova. É aquele que acha sempre que quem lhe serve um café é alguém inculto, iletrado, incapaz e por isso está atrás do balcão. Quando muitas vezes é alguém mais inteligente, mais esperto, mais capaz. Alguém que teve mais azar e menos oportunidades de se tornar parvo.

O pseudo-intelectual é aquele que quando lhe perguntam se é formado esclarece que é doutor mas que isso não tem valor nenhum e portanto não é preciso trata-lo dessa forma.

Se não é preciso, não valia a pena ter mencionado. O problema é que o pseudo-intelectual quer ter a certeza que o interlocutor sabe que tem um canudo, que tem uma licenciatura e que, caso o outro não tenha, está a lidar com um ser intelectualmente superior. Tipo gorila à conversa com chimpanzé. Ou será ao contrário? Pouco importa.

O pseudo-intelectual é um ser que me irrita. É o tipo que só lê determinado tipo de livros, que não compra outros porque a capa tem cor de rosa ou florzinhas, que desdenha de quem lê uma revista cor de rosa mas que quando o outro a folheia está sempre com o nariz lá enfiado.

Enfim, o pseu-do intelectual é um tipo de pessoa que como não nasceu a pender para a beleza entendeu que ia brilhar na intelectualidade. Mas à falta de capacidade, e sua confiança sente-se comprometida e espelha-se na necessidade de estar sempre a falar do curso que tirou, das notas que teve, dos professores que gostavam dele/dela, dos livros que lê, dos filmes que vê.

É aquela pessoa que vê o "Árvore de vida" e acha brilhante mesmo não entendendo nada. Pessoa pseudo-intelectual, nem os actores que fizeram o filme gostaram dele. O próprio Sean Penn disse que quando viu o filme não o entendeu. Para não falar que 10 minutos de imagem de screensaver é de cortar os pulsos.

Por isso, se um dia me quiserem mandar para uma ilha deserta, prefiro levar uma pessoa burra comigo que uma metida a pseudo-intelectual. Faço uma jangada e mando-me para alto mar em menos de nada.

Pseudo-inteletual é aquele que não comenta o conteúdo de um post num blog, mas se encontrar uma gralha diz logo que palavra "x" está mal escrita.

Lembrava-me agora da história do tipo que pousou os óculos no chão de um museu de arte (numa de pregar uma partida) e uma catrefada de gente começou a fotografar "porque era brilhante".

 

E para acabar apenas relembrar que....

Thomas Edison e Albert Einstein são apenas dois dos nomes de duas das mentes mais brilhantes que alguma vez pisaram o planeta Terra e ambos têm uma realidade em comum. Nenhum concluiu o ensino. A sua mente estava acima do que lhes estava a ser ensinado. 

 

  

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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