Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Em busca da felicidade

Escrever por encomenda

 

Querer pensar e não conseguir. Querer concentrar-me e parecer que a minha mente é uma pulga que não para de saltitar de ideia para ideia. Esforçar-me por me concentrar nas palavras que tenho para escrever. Sérias, objectivas, concretas e não sentir a capacidade. Gosto de escrever mas gosto de escrever sobre o que gosto de escrever. Não escrevo bem temas secos, tenho pouca capacidade de síntese. A minha escrita faz ligação directa à parte lúdica do meu cérebro. Sinto-me inútil e completamente mentecapta quando tenho de escrever aquilo que não me apetece. Parece que as palavras me fogem, se escapam por entre os dedos, que a eloquência não existe e que falo numa língua estranha a todos.

Cerro os olhos, esfrego as mãos, toco com os dedos no teclado, procuro que um qualquer sentimento sobrenatural de capacidade se apodere de mim. Faço força como quem faz força entre contracções num parto. Não nasce nada. Releio o que escrevi e percebo-me ignorante. Parece que não percebi nada do que escrevi. Eu própria. Sinto-me estúpida e capaz de apagar tudo, mas se o fizer volto ao zero e tenho, mais uma vez, de escrever o que não tenho vontade.

Não é que não escreva bem por encomenda. Até me safo. Mas só me safo se puder ser na minha linguagem. Na minha versão lúdica. Tudo o que é serio, tudo o que tem caracteres contados, tudo o que caminhe uma linha ténue entre o que tem de ser dito e o excesso de palha, tudo isso me ultrapassa.

Ponho os phones e escolho a estação de rádio mais calma. Sossega os nervos, acalma a ansiedade e normalmente para mim, entre um estalido de pescoço e um ajuste de ombro liga o motor das letras.

Aqueço os dedos a pensar que talvez escrevendo uma coisa qualquer ganhe embalagem até para o tema de enfado. Para o texto que até a mim cansa ler.

Pode ser que para o ano quando o voltar a ler me pareça bem. Às vezes acontece, volto a ler e penso que a pessoa que escreveu aquilo até se safa bem. Depois percebo que fui eu. Volto a encontrar os defeitos e a perceber que afinal as coisas poderiam estar melhorzinhas…assim inhas….

Toca no rádio o “Gravity” que tem sempre em mim um efeito de relaxamento extremo. Satisfação. Boa disposição e a vontade de clicar em “Replay”. Imagino-me numa casa à beira mar, portadas abertas com vista para uma praia limpa e tranquila, flores na varanda carregadas de cor. Afinal de contas estamos na Primavera e tão bem que estaria ali, naquela casa que só me pertence na minha imaginação. Ouço Jazz e tenho o computados ligado, uma página de Word aberta e as palavras não me faltam. Entre o espreitar uma e outra vez pela janela, para gozar a vista ou para pensar na ideia que rompeu no meio do texto, escrevo. Escrevo sem parar, ao meu ritmo, ao ritmo da musica. Registo as histórias que tenho para contar e sou feliz.

Depois volto a mim. Percebo que não há vista mar. Que não tenho vida para escrever as histórias que se podem criar ao som desta musica e volto a tentar concentrar-me no meu objectivo. Esbofeteio-me internamente, que se o fizesse de verdade era capaz de acabar o dia com um colete dos que tem um laço nas costas.

Esfrego a cara outra vez, repenso no inicio do texto e continuo na cepa torta.

6 comentários

Comentar post

------ Gostar da Página ------

----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

--------Instagram--------

------Blogs de Portugal------

----- Seguir no Bloglovin -----

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

------- Mais sobre mim -------

foto do autor

------------ Arquivo ------------

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D