Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Em busca da felicidade

Esta coisa de ter um segundo filho

Ser-mãe.jpg

(imagem retirada da net)

 

Quando estava no principio dos meus vintes nem sabia se algum dia teria um filho. Nem sabia se queria ser mãe. Esta coisa que tenho cravado no interior de querer fazer sempre bem as coisas e lidar mal com o erro fazia-me ter medo de me meter em tamanha empreitada. Tinha perdido a minha cedo demais. Seria eu capaz de ser uma boa mãe?

Tinha a certeza que não haviam príncipes encantados e muito menos tipos com a capacidade de aturar um ser como eu, desorganizado, com uma boca pouco educada, refilona, dona da razão e incapaz de gerir o meu ser em torno dos gostos de um homem qualquer. Via-me, quando pensava nessa coisa de ter um filho, sozinha com uma criança porque o pai tinha desistido. Não dela mas de mim. Que paciência tinha limites. Via-me, duas décadas depois, com o relógio biológico caducado, com uma criança adotada. Essa coisa linda de ser mãe do coração. Uma vida já vivida e a maturidade suficiente para ensinar e amar sem limites.

A meio dos meus vintes sabia que afinal os príncipes encantados sempre existem e que andam mascarados de homens normais, sem cavalos brancos nem espadas. Que não nos salvam de torres muito altas, mas que nos acarinham nos momentos mais difíceis, aqueles que parecem mais altos que as malditas torres. A possibilidade de ser mãe torna-se uma realidade. Mas de apenas um. Um filho seria suficiente.

À porta dos trinta decidimos ter um filho. Aos trinta engravido. Passamos toda a gravidez a gerir a vida de uma família que será sempre de 3 pessoas. Quem sabe de 4. Se um dia concretizar aquele sonho antigo de saber o que é ser mãe do coração.

Nasce e percebemos em instantes que não queremos viver aquele momento apenas uma vez na vida.

Que se lixem as dores, as epidurais, as barrigas grandes, as contas. Que se lixe tudo. Queremos repetir. Só falta saber o quando.

Ao fim de 3 semanas, sem ter uma única noite com mais de 1 hora seguida dormida por noite. Com a minha cabeça feita em água, perguntava-me no que raio me tinha metido. “Ser pequeno porque choras? Porque raio não dormes?”. Acalmava-se, aninhava-se em mim e eu sabia outra vez no que me tinha metido. Na melhor coisa da minha vida. A mais difícil também.

Chegaram os dois meses e as rotinas estavam implementadas. Dormia e a vontade de não ser só um voltou. Havia tempo para dar atenção a cada suspiro. Tudo era feito com a lentidão que o tempo pede. Com a atenção que cada momento merece. Garantindo assim que ficava gravado para sempre em todos os tipos de memória que tenho em mim.

Aos 5 meses volto ao trabalho. As exigências iguais às que tinha deixado. O horário mais curto difícil de cumprir. O stress permanente. Uma viagem de uma hora para chegar ao trabalho e outra para regressar. O perceber que os dias lentos acabaram. Que os momentos vividos ao milímetro acabaram. Que temos de chegar a casa e tratar de tudo em vez de estar com todo o tempo para cuidar dele.

Percebo que sou uma pessoa mais do one on one do que a relações publicas da festa. Quero dar-lhe atenção a ele, estar com ele, viver as suas piadas, as suas brincadeiras, dar-lhe atenção focada e não estar perdida entre as fraldas de outro bebé, com o coração dividido e o corpo cheio de culpa ao deitar porque não consigo estar verdadeiramente com nenhum. Não há tempo para isso.

Quero viver este filho. Quero recordar cada pequena coisa que aprender. Quero guardar cada olhar.

A vida que tenho, que levamos (quase todas nós, mulheres trabalhadoras) retira-nos muito dos nosso filhos. É certo que crescem e que depois, já adolescentes se vão borrifando para nós. Mas nos primeiros anos querem-nos mais. Fazemos mais parte deles. Da vida deles.

Falavam-me noutro dia sobre um segundo filho. “Vocês não percam esta oportunidade de ir ao segundo” dizia-nos uma amiga. (já foi ao segundo).

Não quero perder, mas sei que com a vida que tenho não será certamente para já. Quero ver este crescer, quero absorver todos os momentos que restam nos poucos minutos que temos por dia. E depois, depois, quando ele perceber melhor que pode ter companhia, quando ele puder participar e ser incluído de forma consciente. Aí sim, posso pensar nisso sem o medo de perder mais dele e de outro ou outra que possa vir.

 

(se entretanto ganhar o euromilhões, isso é outra conversa)

 

20 comentários

Comentar post

------ Gostar da Página ------

----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

--------Instagram--------

------Blogs de Portugal------

----- Seguir no Bloglovin -----

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

------- Mais sobre mim -------

foto do autor

------------ Arquivo ------------

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D