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Em busca da felicidade

Estupidez tem limites (ou de como devia ter)

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Gastei algum tempo a pensar nisto e acho que hoje vou chegar a casa e ter uma conversa com o Ghandi e com a Tulipa. Qualquer coisa deste género:

 

Como vocês sabem eu e o dono temos de trabalhar como dois mouros para pagar as despesas cá de casa, nomeadamente as vossas camas, a vossa ração, as vossas consultas de veterinário e essas tretas todas. Como se não bastasse temos ainda de limpar os vossos pelos e levar-vos a passear mesmo quando está um frio de rachar. Acresce a toda esta agrura os vossos latidos quando os vizinhos descem as escadas como quem vai a cavalo e a vossa incapacidade de se comportar no passeio de final de dia.

Mas o que mais importa não é isto. O que mais importa é que vocês passam muitas horas sozinhos, aqui fechados em casa, sem festas e sem companhia humana. Com toda a casa à disposição, é verdade, mas fechados na mesma. É desumano, é uma agressão, é uma violência nossa.

Por isso achamos que o melhor é deixar-vos num canil. Daqueles bem apinhados de cães, daqueles em que, mesmo quando há tempo e atenção, há também mais de 5 cães por box porque não é possível acomodar tantos cães abandonados pelos otários dos donos.

Mas olhemos pelo lado positivo. Assim sempre têm companhia. Vão fazer amizades e deixar para trás esta triste vida de apartamento, com ventiladores para aquecer no inverno e ração de marca.

Para que é que vocês querem isso, digam lá!?

 

Magnifico não é? Não acham que é uma grande ideia!?

Não. Porque não é.

E o que é isto? Diarreia mental? Sim, qualquer coisa desse género.

 

Lis esta semana uma noticia do sol em que eram dadas 3 dicas para aliviar o stress dos nossos animais de estimação que resulta do tempo que passam em casa sozinhos quando estamos a trabalhar. Até aqui tudo bem, as dicas são boas e aplicáveis em alguns casos. O problema está nos comentários. Há quem ache que não nos devemos preocupar tanto com os direitos dos animais, que nos devíamos era preocupar com os direitos do trabalho, porque errado é passar mais de 11 horas por dia fora de casa. O que não é mentira, que deviam ser revistas as horas de trabalho. Mas uma coisa não tem nada que ver com a outra e são direitos que merecem a atenção de todos. Ambos os direitos.

Há quem ache que os donos que deixam os animais sozinhos em casa para ir trabalhar deviam ser punidos por lei por maus tratos a animais. Ora aqui levo já eu uma valente sarrafada no lombo. Se não trabalho vamos todos para baixo da ponte comer do caixote de lixo. Mas que interessa isso?

Há também, e este foi o que mais gostei, quem considere que pessoas como eu, que “abandonam” os seus animais de estimação em casa para ir trabalhar, deviam era entrega-los em canis porque aí tinham companhia.

E eu pergunto-me, de onde sai esta gente?

É possível ser-se assim tão parvo?

Pelos vistos a resposta é: sim!

Então mais vale entregar um animal ao abandono num canil carregado de animais cheios de necessidades, nomeadamente de carinho e atenção, do que tê-lo em casa. Temos os nossos filhos que não vemos as mesmas horas, fazemos o que com eles, entregamos para a adoção? Porque temos de trabalhar?

Eu não sei o que se passa com a cabeça das pessoas, mas alguma coisa não está bem para haver quem tenha opiniões destas. Ou são miúdos que nada sabem da vida, ou são pessoas que vivem alienadas da mesma. Todos temos de trabalhar, todos estamos horas longas fora de casa. Se só pudessem ter animais de estimação pessoas com vidas perfeitas, das que trabalham a distância de 5 minutos a pé de casa, as que trabalham em casa, as que trabalham em part-time, os reformados e os que levam os animais para o emprego (0.001% da população) então os canis estariam ainda mais lotados. Para não falar que, quando decidimos ter um animal a nossa vida pode ser uma e depois, por motivos que nos são alheios, pode mudar. Mudar muito. E o que fazemos aí, abandonamos? Entregamos a um canil?

É muito triste ler coisas destas. Tira-me a esperança de algum dia viver numa sociedade. Ponto. Numa sociedade.

Se quiserem ler a noticia e as tristezas comentadas podem encontrar aqui.

 

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