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Em busca da felicidade

Eu e o "meu carro"

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Sou uma pessoa muito pouco apegada a bens materiais. Sabe bem disto quem me conhece. Dou facilmente uma camisa se alguém gostar dela. Desde que tenha outras, nem penso duas vezes. Não ligo grande coisa a marcas, não faço questão de guardar o que não me faz falta, nem o que penso que já não fará. Se no futuro fizer, alguma solução de arranjará. 

Provavelmente sou assim porque tenho um pai que guarda tudo. Até os brindes dos refrigerantes. Eu não guardo nada. Ou quase nada. Tenho algumas coisas do pequeno, que não são bens materiais, são memórias em forma de babygrow, memórias em sapatinhos que serviram uma ocasião especial. O resto, não uso, não faz falta, dou ou vendo.

Mas há uma excepção. O "meu carro". É velhote mas é meu. O primeiro e único. Temos uma carrinha mais nova, mas essa é de família, serve um propósito, não é uma companheira. Posso ganhar o Eurominhões esta semana, posso comprar um Ferrari, mas este jeitoso vai sempre, sempre, ser o meu carro.

No dia em que fiz 18 anos soube que o que queria fazer logo que tivesse 2 trocos era tirar a carta. Assim fiz. Sem carro próprio conduzia o carro do meu pai quando mo emprestava. Mas no dia em que, com 21 anos, me disseram que estava efectiva, então assumi a minha primeira responsabilidade financeira e comprei o meu carro. 

Gostava de ter um Peugeot 206, mas novo era caro, tinha um valor que podia pagar mensalmente e não o podia ultrapassar, ah e nada de pagar em mais de 60 meses (e isso já era muito tempo), acho que este devia ser o tempo máximo, se não conseguimos pagar um carro no tempo máximo de 5 anos, então devíamos escolher outro, de gama mais baixa, mais antigo, não importa, se possível, máximo de 5 anos.

Foi então que através de um conhecido de um dos meus irmãos alguém apareceu com esta beleza. Já tinha 6 anos por isso o preço enquadrava-se mesmo onde eu queria. Conduzi-o por 10 minutos e fiquei com ele. 

Foi o meu primeiro carro, foi com ele que sai com amigos, que fiz passeios a Cascais, que passei a ponte todos os dias, com ou sem fila, que fumei os meus cigarros até horas avançadas enquanto eu e uma amiga lamentávamos desgostos amorosos ou planeávamos o que queríamos para a vida. Foi ele que ficou parado quando à porta durante meses a fio quando eu e o Nuno começamos a nossa vida em conjunto e preferimos o Mercedes para as viagens de dia a dia. Foi ele que o substitui no dia em que desfizeram o carro dos meus sogros e o Mercedes passou a viver no Alentejo. Foi o "meu carro" que passou a ser o "nosso carro", o carro da nossa família. Mas ninguém estranha cá em casa que o trate por meu.

Foi nele que viajámos anos para o trabalho e que fomos de férias. Foi sentada neste companheiro que rumei à maternidade e foi no banco de trás que trouxe para casa o meu tesouro mais precioso. "Este carro está ensinado" costuma dizer o Nuno. Nunca me deixou na mão, e todas as maleitas que teve aconteceram depois de nos deixar no destino certo, como no dia em que avariou mesmo à porta da Midas, ou no dia em que ficou com uma roda presa mesmo à porta da Norauto.

Não é um carro, é um amigo, um companheiro. Daqueles em quem podemos confiar.

Quando decidimos o ano passado comprar a carrinha colocou-se em cima da mesa a hipótese de o vender. Chorei. Chorei muito. Senti que o estava a trair, que estava a vender um amigo. Ao ponto de o Nuno dizer que ficava fora de questão desfazermo-nos dele. Não íamos ficar mais pobres por isso.

Assim passa a maior parte do tempo aqui à porta, anda às vezes ao fim de semana e em períodos mais atarefados de 15 em 15 dias. Sempre que passo por ele penso "amanhã temos de dar uma volta", mas depois aparecem outras coisas e fica para o dia a seguir, para o próximo fim de semana.

Sonho com o dia em que tenho uma vivenda com garagem, onde o posso ter guardado da chuva e do frio, do sol e do calor. Onde, depois de limpinho lhe dou lustro e, a pouco e pouco, vou melhorando os acessórios que estão velhos e esgaçados. Que um dia, daqui a 25 anos é um clássico e nós saímos para passear nele, dar passeios a Sesimbra, com tempo na estrada e os apressados a buzinar.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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