Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Em busca da felicidade

Eu falo com os meus cães

 

A minha mãe adorava plantas. Lembro-me que tínhamos plantas por toda a casa, espalhadas de forma pensada, numa orquestra de verde que fazia sentido. Aquelas plantas davam vida ao espaço e esse, que era banhado pelo sol todo o dia, resultava num bom espaço para aqueles seres vivos imóveis.

Regava-as, repensava os seus lugares, rodava os vasos para crescerem de forma uniforme. Roubava «um pezinho» na vivenda grande para plantar lá em casa.

«Vai ficar linda esta!»

Mas houve um dia em que lhe murchou uma das plantas, não percebeu porquê e matutava sobre o assunto. Uma cliente perguntou-lhe:

- Fala com elas?

- Com quem?

- Com as plantas?

- Vou agora falar com as plantas!

- Elas gostam. Eu falo com as minhas.

Primeiro pensou que a cliente era meio ensandecida. Tinha dinheiro, era uma boa cliente, mas, ainda assim, meio ensandecida.

Depois um dia, de peito pesado e sem ninguém para lhe entender os desabafos começou a falar com as flores. Eram elas e o periquito albino que me havia oferecido pelo aniversário, quem lhe fazia companhia nas longas horas passadas na máquina de costura.

Falava com elas e gostava, começou a pensar que elas gostavam também. Outras vezes abanava a cabeça, pensava-se tonta, deixava-se disso.

Depois dessa planta não me lembro de ver outra murchar...enquanto a minha mãe esteve...

Depois foram murchando aos poucos, por falta de atenção, pela inexistência de cuidados, porque não havia mimos. Acho que hoje nem resta um cato.

 

Eu não consigo manter uma planta viva. O ultimo Bonsai que tivemos foi alvo de todas as tentativas de salvamento pelo Nuno. Apagou-se. Secou como uma passa.

Temos uma planta que não cresce desde que a comprámos. Está viva porque o Nuno a rega. Eu esqueço-me sempre da presença dela.

Mas dos animais cuido bem. Sinto-lhes a presença. Gosto de conversar com eles.

Quando os passeio é frequente conversar com eles. Normalmente vou dando as minhas lições de pedagogia a sodona Tulipa e sôtor Ghandi porque não sabem comportar-se com a vizinhança.

Os vizinhos pensam certamente que sou meio apanhada do miolo e que passo o dia numa instituição enquanto o Nuno trabalha. Mas eu não me importo.

Gosto daqueles bocados em que subimos a rua, eu lhes vou a explicar a teoria de socialização e eles prestam imensa atenção enquanto cheiram cocós e dão nota do xixi do cão do vizinho do 2º frente.

 

6 comentários

Comentar post

------ Gostar da Página ------

----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

--------Instagram--------

------Blogs de Portugal------

----- Seguir no Bloglovin -----

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

------- Mais sobre mim -------

foto do autor

------------ Arquivo ------------

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D