Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Em busca da felicidade

Há dias em que me perco no sonho de uma vida diferente.

20160730_101638.jpg

 

Há dias em que me perco no sonho de uma vida diferente. Uma vida em que não me levanto para o que tem de ser, uma vida em que me levanto com a ansiedade de uma menina que esperou 12 meses pelo dia de carnaval e vai estrear o fato novo, o dia do ano em que é princesa das arábias, uma peixeira da Nazaré ou uma odalisca cheia de lantejoulas e molinhas que são uma musica a cada movimento. Sonho com o dia em que a ansiedade é boa, aquela que nos prega um sorriso incontrolável ao rosto.

Levanto-me com ansiedade quase todos os dias, a ansiedade do que deixei por fazer, do que tenho pendurado, tento lembrar-me de todas as tarefas, todas as responsabilidades e sinto a cabeça a definhar, dano-me porque há coisas que não me lembro, tento martelar mais duas informações como quem quer enfiar mais duas camisolas de inverno numa gaveta que já não fecha. Penso que talvez seja melhor fazer uma limpeza, deitar fora as memórias que já não fazem falta para começar a arquivar coisas novas. Isso era boa ideia. A merda é que não consigo, os pensamentos antigos continuam lá presos, agarrados como lapas. Larguem-me, grito cá dentro, mas nada. Continuam no mesmo sitio. Detesto-os. Se calhar é por isso que não me largam, são teimosos como eu.

Há dias em que sonho acordada, com dificuldade em concentrar-me nas tarefas mundanas, a cabeça sempre a divagar nas mais pequenas acções, depois esqueço-me do que ia fazer, porque raio me levantei. A garrafa de água que ficou pelo caminho quando fui à casa de banho, ia enche-la e esqueci-me de a trazer comigo, é que quando fui à casa de banho estava a resolver o problema do ultimo e-mail, quando cheguei à casa de banho lembrei-me que tinha de pensar no que ia fazer para o jantar e quando acabei de lavar as mãos comecei a viajar na maionese sobre como era bom estar esparramada na areia da praia a torrar a pele em vez de me ir sentar a resolver o problema que agora já não me lembro. Entro no escritório de mãos a abanar, sento-me e estou com sede. A garrafa não está, estás cada vez mais estúpida, lá a vou encher, lá a trago, lá a bebo com ou sem vontade, acima de tudo porque li que devia beber muita água.

O dia acaba e regresso ao carro, o sonho de uma vida diferente para o dia seguinte, um prémio da lotaria, o Euromilhões, um tio que nunca vi e deixou uma herança milionária.

Mas nada. Chego a casa e há o jantar para fazer. Com sorte já tive uma ideia do que vamos comer e deitamo-nos todos antes das 23.

4 comentários

Comentar post

------ Gostar da Página ------

----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

--------Instagram--------

------Blogs de Portugal------

----- Seguir no Bloglovin -----

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

------- Mais sobre mim -------

foto do autor

------------ Arquivo ------------

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D