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Em busca da felicidade

Hoje sou Nice. Hoje sou França

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Ontem deitei-me na tranquilidade de um país sem confusões. Na azafama de uma vida cheia de tarefas. Com a chatice de quem teve de ir ao médico outra vez porque a inflamação pulmonar não a deixa em paz.

Ontem deitei-me depois da reclamação de quem pode dizer o que pensa quando a vida não lhe vai de feição.

Ontem deitei-me depois de escrever, como gosto. Deitei-me depois de ler um capitulo do meu livro de mesa de cabeceira. Dormi depois de beijar o meu filho e de lhe agradecer, a ele e a Deus, por mais um dia que tivemos juntos. Ele, eu, o pai. Os 3. A pequena família que somos.

Não vi noticias. Não sabia nada do mundo. Às vezes é o que me basta. Só quero saber do meu mundo. Não quero saber do que se passa fora da minha porta. Preocupa-me. Deixa-me ansiedade. Faz-me pensar no que pode acontecer amanhã. E eu tenho de pensar em fazer o melhor que posso com o hoje.

Cheguei ao trabalho e falavam de Nice.

Mas porque raio Nice.

Não sabes do camião que varreu uma multidão em Nice.

Não.

Não sabia. Fiquei a saber.

Fiquei a saber que um ser sem alma, sem vida, sem nada. Um tipo entrou num camião e o dirigiu a uma multidão de pessoas que festejavam um dia importante do seu país. Adultos, jovens, crianças. Pais, filhos, avós, irmãos, namorados e amantes. Pessoas que estavam apenas a viver o seu dia. Pessoas que estavam apenas a viver.

Deixaram de estar. Porque alguém decidiu entrar num camião e percorrer mais de 2 km levando consigo dezenas de pessoas.

Não devemos ter medo porque assim lhes fazemos a vontade. Dizem. Será? Pergunto? Será que se satisfazem de nos ver apenas com medo. Começo a achar difícil. Começa a parecer-me terrível demais para quererem apenas medo. Querem terror. Querem sofrimento. Querem eliminar quem vive. Porque ver viver lhes faz confusão.

Mas quem são? Não sabemos. Muitos passam ao nosso lado todos os dias. Podem passar. Como combater?

Como viver? Ultrapassando o medo. Como não olhar por cima do ombro?

Ontem deitei-me na azafama dos meus dias simples. Pequenos. No meu próprio mundo.

Hoje sou lançada a pensar que o meu mundo pode mudar porque alguém assim o entendeu. Só porque sim.

Para quando um fim? Para quando aprender a viver com a diferença?

Mas será que tem que ver com saber viver com a diferença? Será que tem que ver com a crença?

De certeza que não é apenas a explosão da frustração de gente marada da mona que, como não sabe viver, goza o sofrimento dos outros?

Parece-me ser mais isso.

E agora regressar à normalidade do meu dia. Ou tentar. Depois de saber que a vontade perversa de alguém a pode roubar só porque sim.

E logo à noite antes de me deitar vou agradecer outra vez. Ao meu filho por existir. A Deus por me guardar mais um dia. A mim e mais importante, aos meus. Para que os veja todos os dias. Para que os nossos dias se mantenham assim. Na sua aborrecida normalidade.

 

Hoje sou NICE. Hoje sou França. Hoje sou Foie Gras e Cammenbert. Hoje sou pelos seres humanos que só querem, como eu, a normalidade dos seus dias.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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