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Em busca da felicidade

Mais um exame para a coleção

 

Há pessoas que gostam de ser fotografadas. Assim com fotografias bonitas, em sítios lindos, com jardins floridos ou praias de areia branca. Bem vestidos, com roupa nova, bem lavadinha e engomada a preceito. A maquilhagem no sitio e o cabelo bem amanhado.

Eu não sou assim. Não tenho qualquer problema em tirar fotografias mas tenho sempre alguma aversão a ver o resultado.

O que eu gosto mesmo é de tirar fotografias ao interior. O que eu gosto de ir fazer um exame em que me tirem uma foto ao esqueleto ou aos órgãos e me digam como estão bem. Isso sim, traz-me alegria ao interior.

Na sexta feira foi dia de fazer mais um exame, outro cromo a juntar à caderneta. Já tenho a endoscopia (2 cromos), o Raio-X (vários), o TAC, a ressonância magnética à tola, o doppler, a prova de esforço e o electrocardiograma. Juntam-se a estes os que se repetem de rotina como as análises de sangue, a mamografia e o exame ao pipi.

Quando a meio do ano passado andei a pensar que era desta que quinava de vez, depois de uma bateria de exames a tudo menos às micoses nas unhas dos pés, lá o médico cardiologista me prescreveu um ecocardiograma. Mas para fazer apenas se os sintomas piorassem. “Como piorar?!” pergunto eu “se desmaiar, por exemplo”, respondeu o médico. Eu lá saí sempre à espera do dia em que me esbardalhava do nada e ia fazer o exame para descobrir a máquina em falência total.

Nunca cheguei a desmaiar, mas, desde há um mês e tal a esta parte que ando com uma impressão no braço esquerdo e umas pontadas no peito. Coisa ligeira é certo, mas para uma hipocondríaca de nível avançado como eu é mais ou menos o mesmo que um enfarto do miocárdio todos os dias.

Comecei a ir-me deitar a pensar que se calhar já não acordava, dava-me um treco qualquer e nem dava conta.

A ideia alapou-se-me à cabeça e as pontadas no braço aumentaram. Certo que nunca perdi a sensibilidade do braço, certo também que passo horas com um tipo irrequieto de 10 quilos ao colo. Certo que isto podia ser de cansaço muscular. Certo também que não sossegava a tola.

Decidi tirar a teima e marcar o exame, afinal de contas se há coisa que não gosto de deixar por fazer são exames. Ao contrário do meu querido marido a quem prescrevem 5 exames e ao fim do primeiro diz que sente que tá fino e não vai fazer mais nada.

Então lá fui eu sexta feira à tarde lampeira para o Hospital da Luz fazer o exame. Chego na hora que me pediram para lá estar e espero 30 minutos só para dizer que tinha chegado. Parecia a feira popular.

Dou entrada e aflitinha por ir à casa de banho procuro uma senhora que me diga onde é o WC.

- Não é a D. Catia, por acaso, não?

- Sou.

- É que vai já entrar.

Ora se era para despachar a coisa até se me sumiram da bexiga os líquidos e estava pronta a entrar.

- Pode despir tudo da cintura para cima que eu já venho.

E eu sim senhora, vai de me descascar, descontraída porque era aquela mocinha que me ia atender. Como neste momento tenho uma memória igual à da Dori até me esqueci que me tinham dito o nome do médico, atenção médico, que me ia fazer o exame.

É então que entra um tipo pelo gabinete dentro e eu ali, meia desnuda de mãos na cintura como quem diz, “vamos lá a isto!”. O homem entra e eu tapo-me da melhor forma possível, com uma cara de “qu’isto!”. Lá se me abateu rapidamente que era o medico que me ia fazer o exame e não a mocinha simpática com que tinha falado.

- Pode deitar-se.

Deitei-me. Sem saber muito bem se me tapava, se me virava, enfim.

Isto para mim é complicado, é sempre meio esquisito este cenário um bocado obsceno em que uma pessoa está ali meio descascada e de repente aparece um tipo e diz “deite-se”. Uma pessoa obedece, mas é esquisito.

Também o há-se ser para o médico, compreendo que para estes exames ao coração tenha na sua grande maioria velhotas como pacientes mas se lhe entra uma gaja boa por ali dentro...o homem tem de ter uma concentração de ferro. Ou isso ou não gosta da coisa. Porque, vamos lá, não falo de mim, coitada de mim. Não sou avião, nem avioneta, nem qualquer outra coisa que voe. Mal seja que me insira na categoria de trotineta. Mas se ali aparece uma gaja boa o médico tem de ficar um bocado combalido.

Quando ia a um médico ginecologista passava sempre a consulta a pensar como seria a vida do tipo em casa. O homem passava a vida tão metido naquilo que quando chegava a casa se a mulher se insinuasse o tipo devia dizer que já chega “hoje já chega f..da-se!”.

Mas adiante.

Ali estou eu meio desnuda e incomodada quando entram de rompante mais 2 pessoas pelo gabinete dentro. Ao que parece o ecrã da maquineta não estava a funcionar. Toda a gente atarefada a falar sobre temas diversos e eu ali, meio nua sem ninguém dar por isso.

Confesso que por instantes senti o ego ferido. Sou só uma trotineta mas pelo menos que dessem nota das mamitas expostas. Passado um bocado lá alguém teve a atenção de me tapar. Isto depois de 3 espirros do médico, a quem tive para aconselhar um anti-histamínico, mas desta vez detive-me antes de abrir a boca, o meu discernimento foi mais rápido do que no dia em que quis ensinar a minha dentista a extrair um dente durante o acto, e não recomendei nada ao doutor.

- Então o que é que a trás cá?

Perguntou, expliquei e o médico tratou de fazer o exame.

No final gostava mesmo de ouvir que tenho o coração de um cavalo, ou de uma égua, vá! Mas não, o doutor foi mais singelo e apenas afirmou:

- Tudo perfeitamente normal!

Voltei a perguntar não fosse ter ouvido mal. Mas confirmou novamente o diagnóstico. Aceitei contente enquanto me vestia. (Mais um daqueles momentos awkward!)

Então é assim, mais uma vez se confirma, com a máquina tudo perfeitamente normal, com a tola é que não! Mas aí não há novidade.

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