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Em busca da felicidade

Memórias de uma mãe babada

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É sexta-feira e por isso é dia de chegarmos mais tarde. Não necessariamente porque nos retêm no trabalho. Mas porque o pai e a mãe já existiam antes de ti. Já eram duas pessoas que se amavam e faziam coisas de gente crescida. Que jantavam fora de vez em quando. Que falavam de coisas de gente grande. É dia de chegarmos mais tarde porque precisamos de desligar da semana de trabalho, dos afazeres e das responsabilidades, de desanuviar a cabeça. De estar mais leves para só pensar em ti nos dias de divertimento que se seguem. É sexta-feira e acabou uma semana de coisas para fazer, de dias que começam demasiado cedo e acabam mais tarde do que deviam. Dias que deviam ter mais horas para conseguirmos encaixar um pouquinho mais do que gostamos de fazer em cada dia. Para podermos brincar contigo em vez de termos a roupa para estender, para podermos contar histórias em vez de ter loiça para lavar, para podermos estar os dois contigo, a guardar memórias de tempos que não voltam atrás.

É sexta-feira e és mais filho dos avós que nosso, afinal de contas são quase nenhumas as horas que nos vemos nestes dias. Ou aquelas que nos vês a nós. Que ficamos muitas vezes a matar saudades tuas quando já dormes abraçado ao teu coelho de estimação.

Chegamos para te ir buscar e as birras começam. Queres as coisas à tua maneira e os avós não te ensinam o contrário. O neto quer, o neto tem. Não os censuro. Só acho que têm de dizer que não de vez em quando. Mas quem sou eu para julgar. Eu que a cada não digo dez vezes que sim. Eu que sempre que proíbo uma coisa procuro duas que possas ter. Eu que sou capaz da mais parva das macacadas para ter um sorriso teu. Eu, logo eu, que continuo a chorar mesmo depois de já te estares a rir quando dás um trambolhão.

Queres tudo e não te apetece nada. Dou-te tudo o que pedes e ainda ofereço mais qualquer coisa. Só te nego o que te pode magoar, mas surpreendentemente, filho de quem és, queres exactamente aquilo que tinhas pensado ter e não o que te metem na mão.

Choras de birra e eu tento que entendas que tem de ser assim. Acabamos recostados na almofada da cama, tu enroscado em mim, os dois a correr o mural do Facebook. Mais uma coisa que os livros dizem estar errado. Mas tu gostas e eu concedo. A mãe é amiga das páginas todas de animais e é só cãezinhos a passar, ris e apontas. Estás contente. Eu descansada, que se te ris estás feliz e se tu estás feliz eu não tenho nada para me queixar na vida.

Estás com sono. Deito-te na minha cama e ponho-me a teu lado. Percorro-te o rosto. Esse rosto tão lindo, emoldurado pelos teus caracóis, esse rosto que fiz sem saber como. Esse rosto tão perfeito. Percebo a falta que me fizeste a cada minuto do dia. A falta que te fiz e a saudade que tens de nós. Choraste e fizeste birra, querias mais de nós, querias as brincadeiras de quem chega mais cedo, as histórias com tempo, o banho com os teus bonecos. Aperto a tua mão na minha e percorro os teus dedos grandes e gordos, a tua mão de que vou ter saudade quando fores um homem. Aí, quando fores um homem. Quando fores um homem já não és o meu bebé. O que me abraça sem eu pedir quando não abraça mais ninguém, o que me puxa a cara para me dar um beijo, o que chama por mim sempre que a coisa não corre pelo melhor.

Deitada a ver-te adormecer lembro-me de quando passávamos o dia juntos, de como adormecíamos de manha de mãos dadas, de como ficavas a dormir com a perna em cima do meu braço. Lembro-me mas não me deixo adormecer como nesses dias, porque nesses dias tinha tempo, tempo para te ver, tempo para te conhecer, tempo que hoje não tenho.

Por isso vejo-te adormecer, vejo-te a dormir. Sinto-me feliz por perceber que tinhas saudades, porque se tinhas saudades é porque nos queres, e isso é tão bom. Mas sinto-me perdida também, perdida nesta coisa de também ser pessoa, de ter de fazer escolhas com o tempo que me resta depois dos afazeres.

Mas adormeceste e dormes como um anjo e eu, que hoje já não ia escrevinhar, vim. Não consegui guardar para mim estas palavras. Agora vou clicar em "Publicar", vou desligar o computador e vou ajeitar-te na cama, vou beijar-te e dizer obrigada por te ter, a quem não sei, porventura a ti, por seres meu filho. Depois vou-me deitar a saber que a vida vale a pena.

Vamos dormir e sonhar com coisas boas, que amanhã é fim de semana e temos os dias só para nós, para corrermos e passearmos, para nos desgastares até à exaustão, para te deixarmos uma horinha nos avós, que limpezas contigo por perto são impossíveis e como não há empregada durante a semana, é a única solução.

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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