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Em busca da felicidade

Mêneto e a sorte de ter os avós perto

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Ainda o Ricardo não tinha nascido quando os meus sogros se ofereceram para vir viver para perto de nós. A ideia não nos pareceu bem, até porque iriam deixar para trás tudo o que conheciam e o seu dia a dia passaria a ser, na maioria dos dias, demasiado monótono. Particularmente para o meu sogro que é pessoa pouco dada a estar parada.

Depois o campeão nasceu e as coisas começaram a mudar. As conjecturas que tínhamos feito caíram por terra e começaram a materializar-se todos aqueles receios que dissémos a nós próprios que não íamos alimentar. E se alguém não o cuida como queremos? E se o deixam o dia inteiro no berçário a chorar? E como é que duas pessoas tomam conta de 8 ou 9 crianças em simultâneo? Quem é que lhe vai dar mimo? É que 6 meses era muito pouco tempo de vida e mais de 8 horas por dia enfiado num colégio com pessoas que não conhecia, demasiado tempo para eu interiorizar.

E sim, fui uma daquelas mães que ponderou deixar tudo para trás e ficar a ser mãe a tempo inteiro. Confesso, sem qualquer problema, que o teria feito se não tivesse responsabilidades. Disso podem ter a certeza. (Mais uma coisa que jamais me passou pela cabeça).

Um dia de tarde, deu-me para ficar a ver o A tarde é sua com a Fátima Lopes, e logo um programa sobre crianças que tinham sofrido maus tratos em colégios e com amas. Aquilo deu-me o resto da volta à pinha. Nesse dia, quando fui ao comboio buscar o Nuno disse-lhe “vamos falar com os teus pais, que eles vêm viver para perto de nós e vão ficar a tomar conta do bebé”.

Acho que lhe caiu tudo ao chão. O homem nem sabia o que dizer, para além do "pois, pois, pois" e da pergunta obvia de “tens a certeza que queres isso?”.

É que a minha relação com a minha sogra, é uma relação com uma sogra. Eu não sou má pessoa, ela também não, mas ambas achamos que devíamos ficar com o Nuno. Eu com o meu marido, ela com o filho. A cuidar dele, a fazer-lhe as coisas todas, tudo aquilo que eu não lhe faço, enfim, a mesma perspectiva que eu hoje tenho para com qualquer lambisgóia que me venha levar o meu bebé cá de casa.

Mas tínhamos de pôr as nossas diferenças de parte. É que tendo outra hipótese não estava mesmo nada virada para deixar o bebé com 6 meses num berçário. (E digo desde já, que louvo a coragem de todos os pais que todos os dias o fazem, porque para terem filhos neste país poucas ou nenhumas hipóteses lhes restam).

Fez-se a mudança. Os meus sogros viraram costas ao Alentejo e rumaram à Netoland. Sim, à Netoland. Porque a terra deles é onde está o neto. Tem dias que nem do filho querem saber grande coisa, desde que saibam do neto…tá tudo fino.

O principio foi difícil, com umas quantas cabeçadas com a minha sogra, o stress e a saudade a acumular e a possibilidade de os fazer retroceder em tudo e regressar ao Alentejo.

Esses tempos já lá vão (em 95 % das vezes, porque ainda há situações em que me apetece agredir a minha sogra, mas não o faço, claro está, até porque isso dá cadeia) e hoje estamos todos muito mais satisfeitos uns com os outros. Isso e mais conscientes do papel de cada um.

A ajuda dos avós tem sido inestimável, desde tomarem conta do neto quando ao pais precisam de tratar de alguma coisa ou, por e simplesmente jantar fora, a cuidarem dele com toda a atenção e mimo quando uma febre desponta, como aconteceu nestes dias.

Claro que existem coisas que vão sempre ser coisas de avós, como acontece principalmente com o meu sogro, que quando entramos em casa diz “olh’ó mêneto!”, pega na criança e desaparece lá para o meio dos brinquedos. Às vezes até parece que o homem nem tem um filho, que por sinal é pai do neto.

O Nuno às vezes diz-lhe “então boa tarde, pai! Tá!? Eu tou bem, obrigada!”. Segue-se um encolher de ombros de quem já não tem idade para se chatear com esses comentários e mesmo que tivesse idade não está para isso.

Por isso sim, temos sorte, o Ricardo tem sorte, por termos os avós para ajudar, para cuidar dele, para dar apoio, ou, por e simplesmente para serem avós. Que é coisa que não tive na total acessão da palavra, pois faleceram ainda eu era muito pequena.

Pensei em escrever este texto depois de A Mocha me ter dito isso mesmo. A sorte que tenho de ter os avós para ajudar.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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