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Em busca da felicidade

Morar num terceiro andar sem elevador

 

Um dia passado em casa entre febre, birras, vontades atendidas e negadas. No meio da preocupação da mãe, que às colide com a do pai, que não se preocupa menos, só tem uma paranóia menor e quando vê uma pequena borbulhagem no corpo do mais pequeno não pensa no pior. Afinal pode apenas ser do suor, do calor ou do detergente novo da roupa porque ele só se queixa de não lhe darmos o comando, não se anda a coçar de maneira nenhuma.

Um faz uma pausa para limpar a cabeça enquanto vai comprar qualquer coisa para o jantar, o outro passeia os cães, que cá em casa impera a divisão de tarefas e ao terceiro dia de clausura ambos precisamos de ar fresco e de uma fuga de dois minutos das birras e dos nãos às mãos nas gavetas.

Fiquei com o passeio dos cães.

Apesar de não serem os animais mais sociais, dos que param para cumprimentar os vizinhos, é sempre qualquer coisa que me dá prazer.

Gosto. Gosto da ideia de ir passar o cão. Gosto de ir passear o cão. Parece sempre um momento de reflexão. Não sei porquê mas parece, pelo menos na minha cabeça.

Damos a voltinha de sempre, a que a mim dá jeito e a que eles se habituaram a gostar.

Quando entramos no prédio tiro-lhes as trelas e deixo-os subir em liberdade. Aliás, se não fosse doidivanas era assim que andavam sempre, em plena liberdade.

Eles vão subindo e eu também, mais devagar, a pensar na vida. Chego ao primeiro andar e sei que a vizinha do primeiro direito esteve a tomar banho. Cheira a banho na escada. Conheço aquele cheiro, a mistura da condensação do ar na casa de banho com o perfume do champô. Não quero apostar na marca, mas podia jurar que era o Fã, não sei mas faz-me lembrar de quando era miúda e vínhamos da praia, todos a tomar banho uns a seguir aos outros e a casa, que ficava toda com cheirinho a lavado. Alcanço o segundo andar e cheira a torradas. Humm torradas, estava capaz de bater à porta dos vizinhos e perguntar se podia lanchar com eles. Abrandei o passo para sentir mais um pouco daquele cheiro, do pãozinho a torrar, da manteiga a derreter e do bem que sabe nas tardes de inverno quando a chuva cai forte lá fora.

Chego ao terceiro andar e tenho vontade de sorrir, passo a vida a queixar-me da falta do elevador, mas se ele houvesse não sabia que a vizinha do primeiro tinha tomado banho, quem sabe se para ir jantar à noite com as amigas, ou para vestir o pijama e sentar-se no sofá, dona do comando, a ver filmes românticos pela noite dentro. Nem que os vizinhos do segundo lanchavam torradas, sem motivo nenhum, se calhar só mesmo porque os miúdos queriam.

Se morasse num prédio com elevador custavam-me menos os sacos, mas não conhecia vizinhos nenhuns e não inventava histórias de pessoas que conheço de "bom dia" quando vou passear os cães.

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----ATENÇÃO!----

Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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