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Em busca da felicidade

Não é a mesma coisa...nem tão pouco mais ou menos....

 

Hoje, terça feira dia 19 de Abril de 2016, depois de praticamente 6 noites seguidas sem dormir um mínimo de 6 horas (aliás em alguns dos dias nem 3 quanto mais!). Tendo tido tréguas apenas um dos dias em que das 6 horas conseguimos dormir 5 directas, quero falar de uma coisa muito importante, mas antes quero avisar às 2 ou 3 pessoas que ainda para aqui vêm ler as minhas balelas que é bem possível que o texto esteja todo marado, como que escrito por uma tipa algo alcoolizada. Isto porque a minha tola funciona muuuuuuito mal sem dormir. Mesmo muito mal sem dormir e eu ainda me dá para escrever coisas para os outros lerem. Enfim! Cada maluco com a sua!

Gostava então de falar de uma mentira pegada que as pessoas em geral gostam de dizer aos casais que ainda não têm filhos. A de que um cão os prepara para o dia em que tiverem filhos.

“Boa, boa! Assim já te preparas para o passo seguinte. Quando tiveres filhos já vais preparado.” Dizem.

Mentira!

Mentira pegada. Ouvi isto vezes sem conta quando trouxe para casa o Ghandi e a Tulipa, e, apesar de até achar que não sou totalmente tecla 3, até acreditei que o facto de ter esta responsabilidade me poderia dar alguma estaleca para quando houvesse um ser pequeno e palrante por estas bandas.

Nada de mais errado!

Pessoas, parem de dizer isto! É um pedido, é uma ordem, é o que bem entenderem. Nada nos prepara para esta vida de mães e pais. Nada. A não ser que façamos parte de uma daquelas tragédias que se relatam em todas as novelas mexicanas (e que por vezes se dão e por isso não são brincadeira nenhuma) em que ficamos responsáveis por cuidar dos nossos irmãos e aprendemos a ser pais sem querer.

Por isso vamos lá aqui escalpelizar o tema a ver se as queridas pessoas começam a ganhar tento.

Uma pessoa arranja um cão, vá que seja um cachorro porque dá um nadita de mais trabalho do que se for crescido (a não se que se arranje um chalupa, mas isso já entra numa outra categoria de post, OK?). A pessoa ensina-o a fazer xixi no jornal ou no quintal lá de casa, depende se a pessoa é mais ou menos afortunada no âmbito do extrato de conta, a pessoa ensina-o a ir à rua, a fazer as necessidades, apanha com um saquinho quando os vizinhos estão a passar e finge que é de outro cão quando não há ninguém a passar, até diz “olha para este porco, deixou o cão cagar aqui e foi-se embora” enquanto acena o saquinho da poia como que a confirmar que até cumpre com o seu dever cívico. A pessoa enche-lhe a malga de água fresca todas as manhãs e dá-lhe a ração. Sai para trabalhar. Regressa, lá esfrega o lombo ao tipo e leva-o a passear outra vez. Repete-se o circuito. De 2 em 2 meses (para os donos asseados) leva o tipo a tomar banho e todos os meses lhe mete a pipeta no cachaço para não trazer mais animais de companhia para casa.

Negoceia o sofá mas o comando é sempre seu.

O cão e a pessoa permanecem amigos até ao fim da vida de um deles, num amor eterno, incondicional e inabalável. (Note-se que se excluiem deste post montes de caca que abandonam animais, isso não é gente, não aceito que insiram essas coisas na mesma categoria que eu).

Fim.

Meus amigos. Quando uma pessoa tem um filho não há nada disto.

Vejamos, uma pessoa pensa ter um filho e antes de sequer engravidar planeia a vida da criança até casar e ter filhos. Engravida, vomita-se toda diariamente e incha como um cachalote, deixa de poder apertar os sapatos e anda como se tivesse uma bola de futebol entre os joelhos. Tudo isto olhando-se ao espelho e vendo-se mais linda que nunca. Tal não é a capacidade das hormonas, que até a vista desfoca. Depois vê-se à rasca para trazer a criança ao mundo e ainda diz que foi giro. Vem para casa em dores e com sorte até se senta. Passa o mês seguinte sem dormir e troca fraldas cheias de bosta que diz cheirarem a rosas. (Isto é mentira, sejam nossos filhos ou dos outros merda é merda, não cheira a outra coisa, OK?!).

A pessoa não dorme, mal come e banho só em casos de odor extremo porque tem de estar sempre com a criança. Deixa de fazer a maior parte das coisas que fazia para estar sempre com o filho porque passa os dias a trabalhar como uma moura e tem saudades da cria. A cria vai crescendo e corre pela casa mas a pessoa tem de andar sempre atrás dela não vá partir a tola contra um móvel qualquer. E então lá se vai para o hospital a chorar com manobras perigosas. Vai para a escola e a pessoa preocupa-se se alguém a trata mal, se algum colega lhe bate, se aprende com o que a professora ensina. Cada vez que muda de escola a mãe anda a ansiolíticos para manter os nervos na ordem. Quer que faça amigos. Torna-se adolescente e entra na fase do Tásse, a mãe chora por dentro porque começa a perder o filho entre os dedos e finge ser cool para o filho ser seu amigo. Torna-se adulto e vai à vida dele, e a pessoa agora tem de arranjar outra coisa com que se preocupar. Recebe um telefonema de quando em vez e já não é mau uma visita no Natal.

Diferenças que cheguem? Não?!

Pessoas, uma pessoa quando tem um cão e vai para uma patuscada até às tantas dá-lhe a ração quando chega a casa, ou deixa a malga cheia, ou vai a casa trata do canito e segue à sua vida. A pessoa se tem uma criança tem de a levar consigo, ou então não vai à patuscada, porque não pode deixar a criança à sua conta, tipo “toma lá o biberon e dese que tenho ali uma cena para fazer hoje”. A pessoa não dá banho à criança de 2 em 2 meses e arremata o resto com Frontline! A criança toma banho todos os dias porque não se lambe todo o dia (e se o fizer se calhar é melhor falar com um especialista). Quando chegamos a casa tarde para caraças, com a cabeça feita em água não damos uma volta com a criança pelo jardim, chegamos a casa enchemos o prato de comida e dizemos que quando acabar é para ir para a casota. Temos de cuidar dele, andar atrás para não se escavacar a ele ou à casa, temos de o deitar, embalar e com sorte vai dormir. Quando acorda a meio da noite não lhe dizemos “shiuuu vai pra tua cama” ou “se te avisar outra vez vou aí!”, não, levantamos o cu da cama, fazemos festinhas, perguntamos o que se passa com todo o carinho do mundo, mesmo quando só queremos é gritar, não vá causar um trauma na criança que lhe assombre toda a vida. Quando quer vir para a nossa cama não o enxotamos e dizemos “vais encher-me isto de pelos, sai daqui”, afastamo-nos para as pontas quase a bater com a mona na mesa de cabeceira e ainda nos rimos de manhã para ele mesmo tendo 2 torcicolos no pescoço.

Por isto e muito mais deixemos de enganar as pessoas. Podemos amar os nossos cães como eu amo os meus, mas não é a mesma coisa. É verdade que é uma boa apresentação para o mundo da responsabilidade, mas não tem comparação possível. Quando vou de férias não deixo o meu filho no hotel preocupando-me apenas em que fique na melhor box. Levo-o comigo e se não me deixar dormir as férias todas é o que há. Quando for para a escola se alguém for mau para ele nem sei como vou fazer. Os cães não vão à escola e se me arranjarem problemas um com o outro fica cada um na sua assoalhada, e pchiu!

Assim, pessoas que têm filhos, não enganem. E pessoas que os vão ter, se querem um cão arranjem mas tenham em mente que não é nada comparável e que quando tiverem um filho vão ter de lidar com as 2 coisas, cada uma precisando de atenção à sua maneira. Por exemplo hoje cá em casa joga-se muito ao “caça o cão” o pequeno corre atrás dos cães e eles fogem dele como o diabo da cruz. Mas tudo na boa, são amicíssimos, pelo menos quando há bolachas que cheguem para os 3.

 

No fim disto tudo e quase parecendo que estou cansada é destas patacoadas que é feita a vida, é isto que tenho para contar e deixa-me tão feliz. O único problema é que nasci com esta forma parva de relatar as coisas, com a tendência para o engraçadinha.

Não há amor maior que o de uma mãe, hoje sei disso, e sei que só é possível amar tanto outra pessoa se for mãe outra vez.

Adoro os meus cães como se fossem meus bebés, mas há diferenças, claro que há, são os meus primeiros bebés, são um príncipe alheado da realidade e uma rainha bipolar. Ambos partilham a obesidade.

E é assim que uma pessoa encontra a felicidade, pelo meio das peripécias mais pequenas dos dias.

Agora vou-me deitar.

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Este não é o meu cantinho, este não é o meu refugio e este não é o meu diário público. Este é o meu tasco. Servem-se petiscos carregados de óleo velho, jolas, caracoladas e meia dúzia de piadas parvas. Se procura um espaço mais aprimorado é tentar na porta ao lado. Aqui arrota-se. Dão-se chupas aos miúdos (sim com açúcar...nada de stevia). Aqui dão-se erros ortográficos, baralha-se a semântica e escrevem-se frases à Saramago…e não falo da qualidade intrincada de ideias, é mesmo pela falta de pontuação. Aqui corre-se ocasionalmente, mas sempre com os bofes pela boca e acompanhado do #excuses, muitas #excuses. Aqui faz-se o que dá na real gana, mas sempre com algum juízo. Se estiver confortável com o acima disposto, sente-se e mande vir um pires de caracóis que já atendemos.

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